{"id":44879,"date":"2016-07-02T11:00:21","date_gmt":"2016-07-02T14:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=44879"},"modified":"2016-07-02T07:52:45","modified_gmt":"2016-07-02T10:52:45","slug":"nosso-impacto-na-amazonia-e-ainda-maior-do-que-o-imaginado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nosso-impacto-na-amazonia-e-ainda-maior-do-que-o-imaginado\/","title":{"rendered":"Nosso impacto na Amaz\u00f4nia \u00e9 ainda maior do que o imaginado"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-44880\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Estudo in\u00e9dito publicado no principal peri\u00f3dico\u00a0cient\u00edfico do mundo alerta para os danos causados por atividades humanas em remanescentes florestais<\/em><\/p>\n<p>A partir de hoje, o fato \u00e9 cient\u00edfico: em se tratando de florestas tropicais, o desmatamento n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico vil\u00e3o.<\/p>\n<p>Em todo o mundo, as pol\u00edticas p\u00fablicas de conserva\u00e7\u00e3o de biomas como o amaz\u00f4nico focam no combate ao corte raso, pr\u00e1tica que elimina\u00a0toda vegeta\u00e7\u00e3o existente em uma \u00e1rea. No entanto, esfor\u00e7os para conservar\u00a0esp\u00e9cies tropicais n\u00e3o ter\u00e3o sucesso se n\u00e3o levarem em considera\u00e7\u00e3o o controle das perturba\u00e7\u00f5es mais comuns causadas pelo homem: a explora\u00e7\u00e3o madeireira, os inc\u00eandios florestais, a fragmenta\u00e7\u00e3o de \u00e1reas remanescentes e a ca\u00e7a. Esta conclus\u00e3o est\u00e1 em\u00a0um estudo publicado na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do peri\u00f3dico Nature.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/vaop\/ncurrent\/full\/nature18326.html\">\u2018<\/a><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/vaop\/ncurrent\/full\/nature18326.html\" target=\"_blank\">Anthropogenic disturbance can be as important as deforestation in driving tropical biodiversity loss<\/a><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/vaop\/ncurrent\/full\/nature18326.html\">\u2019<\/a>\u00a0(&#8216;Perturba\u00e7\u00e3o antropog\u00eanica pode ser t\u00e3o importante quanto o desmatamento na condu\u00e7\u00e3o de perda de biodiversidade tropical&#8217;), mediu o impacto geral das perturba\u00e7\u00f5es florestais mais comuns em 1.538 esp\u00e9cies de \u00e1rvores, 460 de aves e 156 de besouros encontrados no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, pesquisadores de 18 institui\u00e7\u00f5es internacionais, dentre as quais 11 brasileiras, foram capazes de comparar a perda de esp\u00e9cies causada por perturba\u00e7\u00f5es \u00e0 floresta com aquelas resultantes da perda de habitat pelo corte raso. Os cientistas demonstraram que, para a floresta tropical, a perda de biodiversidade pode chegar a ser igual\u00a0nos dois casos, seja degrada\u00e7\u00e3o ou desmatamento. Desta forma, o trabalho conseguiu definir\u00a0um par\u00e2metro de avalia\u00e7\u00e3o da sa\u00fade das florestas tropicais degradadas. \u00c9 uma boa not\u00edcia diante de um cen\u00e1rio ruim.<\/p>\n<p>Fruto da Rede Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel (RAS), um cons\u00f3rcio de institui\u00e7\u00f5es brasileiras e estrangeiras, coordenado pela Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental, Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi, Universidade de Lancaster e Instituto Ambiental de Estocolmo (Su\u00e9cia), o estudo ainda demonstra que, em \u00e1reas degradas, a perda de biodiversidade na Amaz\u00f4nia paraense \u00e9 equivalente ao desmatamento de um per\u00edodo de dez anos.<\/p>\n<p><strong>A vida na floresta<\/strong><br \/>\nFalar em sa\u00fade da floresta n\u00e3o deixa de ser ret\u00f3rica. \u00c9 uma maneira, bastante humana, por\u00e9m, pouco humanizada, de se referir \u00e0s formas de vida encontradas na Amaz\u00f4nia.\u00a0A pr\u00f3pria l\u00f3gica das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ignora as nuances n\u00e3o captadas pelos sat\u00e9lites que monitoram o desmatamento na Regi\u00e3o Norte: sob as copas das \u00e1rvores restantes nas zonas degradadas, os impactos reais \u00e0 biodiversidade passam despercebidos. Melhor dizendo, passavam.<\/p>\n<p>Quem j\u00e1 presenciou o cair da noite no interior das por\u00e7\u00f5es mais remotas da maior floresta tropical do mundo, jamais h\u00e1 de esquecer a experi\u00eancia sensorial \u00fanica. Antes mesmo de a escurid\u00e3o profunda tomar o c\u00e9u e o rio, a mata grita. \u00c9 uma sinfonia nada discreta de chamados vindos dos mais variados reinos, g\u00eaneros e esp\u00e9cies: sem a m\u00ednima organiza\u00e7\u00e3o, gritam os macacos-bugio, cantam as cigarras, cricrilam os grilos, coaxam os sapos; sopra o vento, corre a \u00e1gua, rompem-se os galhos. As noites na floresta, como escreveu Euclides da Cunha, s\u00e3o \u201cfantasticamente ruidosas\u201d, capazes de imprimir na alma do ser da cidade uma certeza indissol\u00favel: o planeta \u00e9 vivo.<\/p>\n<p>\u00c9 este o som da chamada biodiversidade. \u00c9 esta a vida que se esvai quando a floresta tropical \u00e9 atingida pela a\u00e7\u00e3o do homem. Agora, no entanto, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel alegar desconhecimento: neste mesmo estudo, os pesquisadores revelam que esp\u00e9cies sob o risco m\u00e1ximo de extin\u00e7\u00e3o s\u00e3o as mais atingidas pelas tais perturba\u00e7\u00f5es. \u201cO estado do Par\u00e1 abriga 10% das esp\u00e9cies de aves do planeta, muitas das quais end\u00eamicas\u201d, relata Ima Vieira, pesquisadora titular do Museu Paraense Emilio Goeldi, e uma das colaboradoras do projeto. \u201cNossos estudos demonstram que justamente elas sofrem o maior impacto da a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, pois n\u00e3o sobrevivem em ambientes com estes n\u00edveis de perturba\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Mas o pre\u00e7o \u00e9 alto para todos os envolvidos. Quanto menor a sa\u00fade da floresta, maior sua incapacidade de prestar os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que ajudam a manter a vida no planeta \u2013 a nossa, inclusive. Servi\u00e7os ecossist\u00eamicos? Estamos falando, entre outros, do sequestro e do armazenamento do carbono (atuantes na regula\u00e7\u00e3o do clima), da oferta de \u00e1gua, do controle da eros\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><strong>A diferen\u00e7a entre corte raso e corte seletivo<\/strong><\/strong><br \/>\nPara entender melhor a relev\u00e2ncia do estudo, vale a pena retomar o caso de Paragominas, no Nordeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Em meados dos anos 1990, Paragominas era uma cidade decadente. A \u00e1rea urbana inspirava abandono e visitantes eram vistos com desconfian\u00e7a. Na zona rural, marcada pelo desmatamento ilegal, eram frequentes assassinatos e amea\u00e7as, disputas por posse da terra e trabalho escravo \u2013 n\u00e3o por acaso, o lugar recebeu o apelido de \u201cParagobalas\u201d. Durante o per\u00edodo de seca, de t\u00e3o constantes os inc\u00eandios, ficava dif\u00edcil at\u00e9 respirar. Os olhos ardiam e a nuvem de fuma\u00e7a criava problemas para os pilotos de avi\u00e3o. Fora este o resultado da intensa explora\u00e7\u00e3o da madeira na d\u00e9cada anterior (1980), quando Paragominas havia sido o principal polo madeireiro dos tr\u00f3picos\u00a0e concentrava o maior n\u00famero de serrarias do planeta.<\/p>\n<p>Muito dinheiro circulava. Baseada na explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de madeira, a atividade econ\u00f4mica promoveu r\u00e1pido crescimento, em um modelo reproduzido em muitos munic\u00edpios da regi\u00e3o. A floresta pagou o pato. Quase 9 mil quil\u00f4metros quadrados de mata foram perdidos, sendo a maior parte transformada em pasto. Ainda assim, com 20 mil quil\u00f4metros quadrados de \u00e1rea \u2013 pouco menor que Sergipe \u2013, o munic\u00edpio conta com um remanescente florestal consider\u00e1vel: em torno de 66% de seu territ\u00f3rio. \u00c9 uma grande extens\u00e3o de floresta, mas n\u00e3o de vida.<\/p>\n<p>Hoje, Paragominas \u00e9 modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel para os munic\u00edpios da Amaz\u00f4nia e, coincid\u00eancia ou n\u00e3o, foi, ao lado de Santar\u00e9m, palco da pesquisa cient\u00edfica que pode resultar em um novo paradigma das pol\u00edticas p\u00fablicas de conserva\u00e7\u00e3o de florestas tropicais. \u201cEstes resultados devem servir de alerta para a comunidade global\u201d, afirma Jos Barlow, da Universidade de Lancaster (Reino Unido), o principal autor do estudo. \u201cO Brasil demonstrou uma lideran\u00e7a sem precedentes no combate ao desmatamento na \u00faltima d\u00e9cada. O mesmo n\u00edvel de lideran\u00e7a \u00e9 necess\u00e1rio agora para proteger a sa\u00fade das florestas restantes nos tr\u00f3picos. Do contr\u00e1rio, d\u00e9cadas de esfor\u00e7o de conserva\u00e7\u00e3o ter\u00e3o sido em v\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA fim de restaurar a sa\u00fade de \u00e1reas remanescentes&#8221;, destaca Toby Gardner, coautor do estudo e pesquisador do Instituto Ambiental de Estocolmo (Su\u00e9cia), \u201c\u00e9 preciso evitar perturba\u00e7\u00f5es adicionais, cessando a\u00a0explora\u00e7\u00e3o madeireira e prevenindo\u00a0inc\u00eandios\u201d. Se realmente degradada, a reabilita\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria e pode incluir plantios de enriquecimento para ajudar na recupera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de sucess\u00e3o tardia\u201d.<\/p>\n<p>Em volume cada vez maior, a Amaz\u00f4nia continua a receber projetos agropecu\u00e1rios e de infraestrutura capazes de impactar a paisagem regional e amea\u00e7ar a biodiversidade. Sem a devida revis\u00e3o das atuais estrat\u00e9gias, capazes, tamb\u00e9m, de silenciar os habitantes da floresta, de dar cabo da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p><strong>Veja tamb\u00e9m \u2013 Mapa das \u00e1reas protegidas e terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/infoamazonia.org\/pt\/embed\/?map_only=1&amp;map_id=6360&amp;width=600&amp;height=500&amp;lat=-4.893940608902113&amp;lon=-54.986572265625&amp;zoom=7\" width=\"600\" height=\"500\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo in\u00e9dito publicado no principal peri\u00f3dico\u00a0cient\u00edfico do mundo alerta para os danos causados por atividades<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":44880,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/impacto_amazonia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estudo in\u00e9dito publicado no principal peri\u00f3dico\u00a0cient\u00edfico do mundo alerta para os danos causados por atividades","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44879"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44879\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}