{"id":44846,"date":"2016-07-01T14:00:37","date_gmt":"2016-07-01T17:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=44846"},"modified":"2016-07-01T09:45:23","modified_gmt":"2016-07-01T12:45:23","slug":"conheca-o-peixe-que-resiste-a-venenos-e-atentados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/conheca-o-peixe-que-resiste-a-venenos-e-atentados\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o peixe que vive no sul do M\u00e9xico que resiste a venenos e &#8216;atentados&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-44847\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em uma caverna escura em Tabasco, no sul do M\u00e9xico, vive uma comunidade de molin\u00e9sias, um tipo de peixe artesanal. Nada muito fora do comum, n\u00e3o fosse o fato de que a caverna \u00e9 envenenada com o g\u00e1s t\u00f3xico sulfito de hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p>Os peixes desenvolveram uma serie de adapta\u00e7\u00f5es not\u00e1veis para lidar com seu mundinho escuro e t\u00f3xico. Ainda por cima, precisam escapar de tentativas de envenenamento causadas por humanos.<\/p>\n<p>As molin\u00e9sias de Tabasco parecem estar se tornando uma esp\u00e9cie distinta. Isso pode parecer estranho, j\u00e1 que nada os separa fisicamente dos peixes que vivem em lagos fora da caverna. O principal motivo para ficarem onde est\u00e3o \u00e9 que na entrada da caverna vive um predador perigoso.<\/p>\n<h2>Ar t\u00f3xico<\/h2>\n<p>A caverna se chama Cueva del Azufre &#8211; literalmente, Caverna do Enxofre. \u00c9 alimentada por uma s\u00e9rie de riachos e nascentes, que formam diversos lagos em seu interior. Em cada um deles h\u00e1 centenas ou milhares de peixinhos. Uma angra flui da caverna e ajuda a formar o leitoso riacho El Azufre, que percorre meros 1,5km antes de mergulhar em uma cachoeira no Rio Oxolotan.<\/p>\n<p>Dep\u00f3sitos naturais de petr\u00f3leo e atividade vulc\u00e2nica na \u00e1rea fazem com que a \u00e1gua seja rica em sulfureto de hidrog\u00eanio, um g\u00e1s venenoso que tamb\u00e9m contamina o ar da caverna. Na verdade, o ar \u00e9 t\u00e3o t\u00f3xico em partes da caverna que pesquisadores precisam usar m\u00e1scaras e roupas especiais. Sem elas, haveria uma imediata sensa\u00e7\u00e3o de ard\u00eancia nos olhos e na garganta. Em apenas dois minutos, perderiam o senso de olfato e teriam dificuldades para respirar, perdendo a consci\u00eancia. Estariam mortos em 48 horas.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<p><span class=\"credito\">Divulga\u00e7\u00e3o\/Universidade de Oklahoma<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/3d\/2016\/06\/29\/cueva-del-azufre-1467241427014_615x300.jpg\" width=\"636\" height=\"310\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas o ar que est\u00e1 envenenado. Na \u00e1gua, os peixes est\u00e3o expostos a concentra\u00e7\u00f5es de sulfureto 50 vezes maiores que as consideradas t\u00f3xicas para esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas. H\u00e1 menos oxig\u00eanio que o normal.<\/p>\n<p>A maioria das formas de vida estaria morta em minutos, mas as molin\u00e9sias se mant\u00eam intactas. Como?<\/p>\n<h2>Adapta\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>\u00c0 primeira vista, n\u00e3o h\u00e1 nada especial nos peixinhos. Eles s\u00e3o encontrados em abund\u00e2ncia na Am\u00e9rica Central, onde vivem em riachos e c\u00f3rregos. Por isso, os bi\u00f3logos ficaram chocados quando encontraram as molin\u00e9sias vivendo na caverna. Para come\u00e7ar, eram os \u00fanicos esp\u00e9cimes neste tipo de habitat. A maior surpresa foi ver um peixe sobrevivendo em um ambiente t\u00e3o in\u00f3spito.<\/p>\n<p>Michi Tobler, cientista da da Universidade do Estado de Kansas (EUA), passou d\u00e9cadas estudando as molin\u00e9sias. Ele acredita que os peixes tiveram que adaptar h\u00e1bitos e genes para aprender a sobreviver. &#8220;Eles evitam a inala\u00e7\u00e3o de muito sulfureto de hidrog\u00eanio ao respirar diretamente na superf\u00edcie da \u00e1gua. Esse comportamento compensat\u00f3rio aumenta sua habilidade que adquirir oxig\u00eanio e provavelmente minimiza o consumo do sulfureto&#8221;.<\/p>\n<p>As pesquisas de Tobler mostraram que a respira\u00e7\u00e3o na superf\u00edcie da \u00e1gua \u00e9 cr\u00edtica para a sobreviv\u00eancia dos peixes. Sem ela, eles morrem. Mas assim como limitam a entrada de toxinas em seu organismo, os peixes tamb\u00e9m conseguem filtrar o sulfureto uma vez que ele est\u00e1 em seus sistemas.<\/p>\n<p>O g\u00e1s \u00e9 mortal porque ele desativa a produ\u00e7\u00e3o de energia nas c\u00e9lulas ao interferir com prote\u00ednas. Para evitar esse apag\u00e3o os peixes for\u00e7am seu metabolismo a entrar em modo anaer\u00f3bico &#8211; um m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o de energia que n\u00e3o envolve oxig\u00eanio, mas \u00e9 menos eficiente.<\/p>\n<h2>Problemas<\/h2>\n<p>Quando Tobler e seus assistentes analisaram o DNA dos peixes na caverna descobriram que, em compara\u00e7\u00e3o com os &#8220;primos&#8221; de \u00e1gua mais fresca, as molin\u00e9sias aumentaram a quantidade de genes envolvidos no &#8220;combate&#8221; ao g\u00e1s t\u00f3xico. Ou seja: eles desenvolveram uma forma de neutralizar as toxinas.<\/p>\n<p>Mas os problemas das molin\u00e9sias n\u00e3o se resumem a gases t\u00f3xicos. O ambiente \u00e9 t\u00e3o extremo que pouqu\u00edssimos outros animais aguentam o &#8220;tranco&#8221; de viver na caverna. Isso significa que h\u00e1 menos alimento dispon\u00edvel para os peixes, que precisaram reduzir seu gasto energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Seus corpos perderam a pigmenta\u00e7\u00e3o, algo que n\u00e3o era realmente necess\u00e1rio no ambiente escuro da caverna. Ao mesmo tempo, desenvolveram olhos menores e menos sens\u00edveis que os &#8220;primos&#8221; vivendo do lado de fora e um detector de press\u00e3o nos lados de seu corpo para identificar dist\u00farbios na \u00e1gua. Eles t\u00eam ainda uma maior densidade de papilas gustativas.<\/p>\n<p>Para aumentar a capacidade ade absor\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio, as molin\u00e9sias da caverna t\u00eam cabe\u00e7a e guelras maiores. Mas seus c\u00e9rebros s\u00e3o menores, possivelmente como forma de conserva\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p>Mas a vida na caverna tamb\u00e9m mudou o comportamento dos peixes. As molin\u00e9sias da caverna t\u00eam uma dieta diferente de seus antepassados. Alimentam-se da pel\u00edcula de bact\u00e9rias e de insetos em vez de algas. Como consequ\u00eancia, suas mand\u00edbulas e intestinos mudaram.<\/p>\n<p>As molin\u00e9sias tamb\u00e9m s\u00e3o menos agressivas que os esp\u00e9cimes de \u00e1gua fresca. Isso pode ser explicado pelo fato de que agressividade tem alto custo energ\u00e9tico e n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel quando os recursos s\u00e3o limitados.<\/p>\n<p>Os peixes da caverna tamb\u00e9m mudaram os h\u00e1bitos reprodutivos. F\u00eameas de molin\u00e9sias preferem machos maiores, mas enquanto os esp\u00e9cimes da superf\u00edcie podem enxergar os machos, na caverna as coisas s\u00e3o mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Por isso, os peixes usam os sensores laterais para avaliar o tamanho dos poss\u00edveis parceiros &#8211; quanto maior a perturba\u00e7\u00e3o na \u00e1gua, maior o macho. As f\u00eameas da caverna tamb\u00e9m produzem menos filhotes, embora maiores que os equivalentes dos esp\u00e9cimes ao ar livre &#8211; peixes maiores resistem melhor ao veneno.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o bastassem todos os problemas impostos pela natureza, as molin\u00e9sias da caverna precisam ainda lidar com a popula\u00e7\u00e3o de humanos tentando envenen\u00e1-las todos os anos, como parte de um ritual religioso.<\/p>\n<p>Em uma cerim\u00f4nia criada para pedir chuva aos deuses, a tribo Zoque, do sul do M\u00e9xico, vai at\u00e9 as cavernas e joga na \u00e1gua folhas contendo uma pasta feita de inhame mexicano. Os peixes afloram e os Zoque os levam para casa para o jantar.<\/p>\n<p>A raiz cont\u00e9m um veneno para os peixes, chamado rotenone, que \u00e9 um poderoso anest\u00e9sico. Mas nem todos os peixes s\u00e3o afetados, e alguns desenvolveram resist\u00eancia \u00e0 droga. E a equipe de Tober descobriu que os peixes sobreviventes conseguiram passar a habilidade para as gera\u00e7\u00f5es seguintes. E a propor\u00e7\u00e3o de peixes resistentes aumentou.<\/p>\n<p>As molin\u00e9sias da caverna especializaram-se de tal forma em sobreviver no ambiente in\u00f3spito que criaram uma distin\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica das esp\u00e9cies em \u00e1gua fresca, mesmo vivendo a apenas metros delas. E as varia\u00e7\u00f5es ocorrem at\u00e9 mesmo entre os peixes vivendo na caverna, por conta da diferen\u00e7a de luminosidade e no n\u00edvel de sulfureto.<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 um mist\u00e9rio porque as piscinas das cavernas s\u00e3o conectadas umas \u00e0s outras e sua \u00e1gua flui para o lado de fora. N\u00e3o h\u00e1 barreiras f\u00edsicas separando um peixe do outro, nada impedindo que se misturem. A reposta para o mist\u00e9rio pode estar na presen\u00e7a de um terr\u00edvel predador: os besouros aqu\u00e1ticos, que atacam as molin\u00e9sias tanto do lado de fora quanto nas cavernas.<\/p>\n<p>Pesquisadores descobriram que os peixes dos dois lados ficam mais vulner\u00e1veis aos besouros se saem de seus respectivos habitats. Isso separa as popula\u00e7\u00f5es. \u00c9 apenas mais uma raz\u00e3o para admirar um pequeno peixe vivendo com enormes problemas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma caverna escura em Tabasco, no sul do M\u00e9xico, vive uma comunidade de molin\u00e9sias,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":44847,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/peixe_artesanal.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em uma caverna escura em Tabasco, no sul do M\u00e9xico, vive uma comunidade de molin\u00e9sias,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44846"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44846\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}