{"id":44706,"date":"2016-06-29T09:00:12","date_gmt":"2016-06-29T12:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=44706"},"modified":"2016-06-28T21:12:21","modified_gmt":"2016-06-29T00:12:21","slug":"nova-abordagem-de-tratamento-equipara-obesidade-a-dependencia-quimica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nova-abordagem-de-tratamento-equipara-obesidade-a-dependencia-quimica\/","title":{"rendered":"Nova abordagem de tratamento equipara obesidade \u00e0 depend\u00eancia qu\u00edmica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/simposio_obesidade.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-44707\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/simposio_obesidade-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/simposio_obesidade-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/simposio_obesidade.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>N\u00e3o basta cortar calorias, fazer exerc\u00edcios, tomar rem\u00e9dios. Agora, al\u00e9m do apelo \u00e0s receitas tradicionais, cresce a avalia\u00e7\u00e3o entre os m\u00e9dicos de que a obesidade deve ser tratada como depend\u00eancia qu\u00edmica \u2014 uma abordagem terap\u00eautica j\u00e1 usada em outros pa\u00edses e que chega agora ao Brasil. O tema foi discutido esta semana em um simp\u00f3sio sobre obesidade promovido pela Academia Nacional de Medicina (ANM).<\/p>\n<p>Quando comemos, o c\u00e9rebro libera em seu sistema de recompensa a dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer. Alimentos ricos em a\u00e7\u00facar, gordura e sal provocam uma estimula\u00e7\u00e3o cerebral semelhante ao de algumas drogas. E o organismo, aos poucos, se torna insaci\u00e1vel: para atingir aquele n\u00edvel de recompensa, precisar\u00e1 de cada vez mais dopamina, apelando para as comidas gordurosas e a\u00e7ucaradas. Este sentimento de \u201cquerer sempre mais\u201d \u00e9 semelhante ao do v\u00edcio em coca\u00edna e \u00e1lcool, segundo especialistas.<\/p>\n<p>\u2014 Podemos ficar at\u00e9 quatro dias pensando em uma comida enquanto n\u00e3o a tiramos da geladeira. Por isso devemos fazer exerc\u00edcios mentais, como lembrar que aquele alimento s\u00f3 vai dar uma satisfa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, ou que vai nos fazer mal \u2014 explica Ana Lydia Sawaya, pesquisadora do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP. \u2014 Este tratamento tem sido usado intensamente nos EUA e na Europa e \u00e9 muito mais parecido com uma mudan\u00e7a de comportamento de viciados do que a imposi\u00e7\u00e3o de uma dieta de 1.500 calorias, usada para obesos.<\/p>\n<p>Membro da ANM e organizadora do simp\u00f3sio, Eliete Bouskela destaca que o combate \u00e0 obesidade pode ser mais dif\u00edcil do que evitar o uso de drogas.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 poss\u00edvel nunca mais usar \u00e1lcool ou drogas, mas a comida n\u00e3o pode ser totalmente cortada \u2014 ressalta. \u2014 Ningu\u00e9m tem tempo para cozinhar arroz e feij\u00e3o. Por isso, apelamos para refei\u00e7\u00f5es semiprontas, ricas em sal e gordura.<\/p>\n<p><strong>MUDAN\u00c7A DE ESTILO DE VIDA<\/strong><\/p>\n<p>Egberto Gaspar de Moura, professor de Fisiologia Endr\u00f3crina da Uerj, lembra que medicamentos que inibem o apetite e diminuem a absor\u00e7\u00e3o de gordura podem ser adotados como um est\u00edmulo para a dieta e, tamb\u00e9m, para ajudar que os pacientes n\u00e3o recuperem o peso.<\/p>\n<p>\u2014 Usando rem\u00e9dios, o paciente pode perder logo quatro ou cinco quilos. J\u00e1 \u00e9 um impulso \u2014 analisa. \u2014 Mas este recurso deve ser moderado, porque h\u00e1 efeitos colaterais, como tontura, palpita\u00e7\u00e3o, diarreia e n\u00e1useas.<\/p>\n<p>Gaspar, no entanto, assinala que a melhor maneira de combater a obesidade passa longe dos comprimidos. Trata-se da mudan\u00e7a de estilo de vida, o que significa ter um hor\u00e1rio fixo para dormir, adequar a dieta e iniciar atividades f\u00edsicas. Os resultados s\u00e3o graduais e devem ser acompanhados por endocrinologistas, nutricionistas e psic\u00f3logos.<\/p>\n<p>O envolvimento de m\u00e9dicos de diversas especialidades \u00e9 sublinhado por Francisco Sampaio, presidente da ANM. O motivo \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a com diversas enfermidades, como o c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, a hipertens\u00e3o e a depress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 a epidemia do s\u00e9culo e est\u00e1 avan\u00e7ando muito rapidamente. No estado do Rio, 52% da popula\u00e7\u00e3o sofre com sobrepeso ou obesidade. Alimentos pouco saud\u00e1veis d\u00e3o uma sensa\u00e7\u00e3o de felicidade, mas isso logo passa e, por isso, recorremos cada vez mais a eles \u2014 descreve.<\/p>\n<p>A ANM planeja instalar, na \u00e1rea do Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto, em Vila Isabel, no Rio, o Centro Multidisciplinar de Pesquisa em Obesidade, onde estudar\u00e1 diversos aspectos relacionados ao tema, da pediatria \u00e0 geriatria. Avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos da \u00faltima d\u00e9cada abriram caminho para novas \u00e1reas de pesquisas sobre a obesidade. De acordo com Mario Jos\u00e9 Abdalla Saad, professor da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Unicamp, uma das principais conquistas foi o sequenciamento gen\u00e9tico das bact\u00e9rias no est\u00f4mago e no intestino.<\/p>\n<p>\u2014 Sabemos que um organismo com grande diversidade de bact\u00e9rias gastrointestinais \u00e9 menos propenso \u00e0 obesidade, mas alimentos industrializados acabam com esta diversidade \u2014 explica. \u2014 Novos estudos tamb\u00e9m confirmam que os beb\u00eas nascidos de parto normal e que foram amamentados nos primeiros dois meses tamb\u00e9m t\u00eam menor tend\u00eancia ao sobrepeso.<\/p>\n<p><strong>PROBLEMA EXIGE MUDAN\u00c7AS DR\u00c1STICAS<\/strong><\/p>\n<p>Segundo um relat\u00f3rio da consultoria McKinsey, a obesidade j\u00e1 est\u00e1 na terceira posi\u00e7\u00e3o entre os principais problemas que acometem a Humanidade, perdendo apenas para a viol\u00eancia armada \u2014 que abrange terrorismo e guerras \u2014 e o tabagismo.<\/p>\n<p>Professor de Endocrinologia da PUC-Rio, Walmir Coutinho revela que diversos governos se comprometeram a inibir os \u00edndices de obesidade at\u00e9 2025, levando-os de volta aos registrados em 2010. Alguns projetos conseguiram sucesso parcial: no M\u00e9xico, por exemplo, um tributo especial sobre o refrigerante diminuiu o seu consumo em 20%, mas a verba obtida por este imposto n\u00e3o foi revertida em subs\u00eddios para a produ\u00e7\u00e3o, venda e publicidade de alimentos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u2014 O Brasil teve boas iniciativas ligadas \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel em escolas, mas os resultados gerais est\u00e3o muito aqu\u00e9m do necess\u00e1rio \u2014 observa. \u2014 A obesidade \u00e9 um problema que exige medidas dr\u00e1sticas.<\/p>\n<p>Em vez de inflar os cofres com novos tributos sobre alimentos industrializados, no Brasil a obesidade contribui com um rombo no sistema de sa\u00fade p\u00fablica. Segundo uma pesquisa realizado pela Datasus, o governo gastou mais de R$ 3,65 bilh\u00f5es com doen\u00e7as relacionadas ao excesso de peso entre 2008 e 2010.<\/p>\n<p>Professor do Departamento de Cl\u00ednica M\u00e9dica da Uerj, Denizar Vianna atenta que a busca por cirurgias bari\u00e1tricas tamb\u00e9m foi multiplicado em menos de uma d\u00e9cada, passando de 16 mil em 2003 para 60 mil em 2010.<\/p>\n<p>\u2014 Al\u00e9m dos aspectos ligados \u00e0 sa\u00fade, o impacto da obesidade tamb\u00e9m atinge a economia \u2014 explica. \u2014 O crescimento desta epidemia \u00e9 brutal, muito maior do que foi o tabagismo d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A ANM realizar\u00e1, no dia 14 de julho, um simp\u00f3sio sobre polui\u00e7\u00e3o ambiental. Inscri\u00e7\u00f5es s\u00e3o gratuitas pelo e-mail secretariageral@anm.org.br. Haver\u00e1 emiss\u00e3o de certificados aos participantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o basta cortar calorias, fazer exerc\u00edcios, tomar rem\u00e9dios. 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