{"id":44699,"date":"2016-06-29T07:00:33","date_gmt":"2016-06-29T10:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=44699"},"modified":"2016-06-28T21:02:28","modified_gmt":"2016-06-29T00:02:28","slug":"tigre-de-bengala-e-ameacado-por-projeto-de-usina-de-carvao-na-india","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tigre-de-bengala-e-ameacado-por-projeto-de-usina-de-carvao-na-india\/","title":{"rendered":"Tigre de bengala \u00e9 amea\u00e7ado por projeto de usina de carv\u00e3o na \u00cdndia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-44700\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um projeto de usina a carv\u00e3o aumentar\u00e1 os j\u00e1 elevados riscos que amea\u00e7am tanto o tigre de bengala como a floresta de mangue de Sundarbans \u2013 o maior bloco de mangue arb\u00f3reo do mundo. Trata-se de uma termel\u00e9trica a carv\u00e3o que deve ser constru\u00edda perto da cidade de Khulna, ao lado de Sundarbans de mangue \u2013 lar do lend\u00e1rio do tigre de bengala.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o s\u00f3 amea\u00e7a este patrim\u00f4nio da UNESCO e uma das mais ic\u00f4nicas esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m produzir\u00e1 eletricidade a um custo 32% maior que o pre\u00e7o m\u00e9dio em Bangladesh, apesar de pesados subs\u00eddios dos governos do Bangladesh e \u00cdndia.<\/p>\n<p>A controversa usina a carv\u00e3o est\u00e1 sendo constru\u00edda pela NTPC, controlada pelo Estado indiano, em conjunto com o Power Development Board Bangladesh (BPDB). Estima-se que o total de subs\u00eddios governamentais ir\u00e1 superar os US$ 3 bilh\u00f5es. Os fundos para a conserva\u00e7\u00e3o do tigre de Bengala, por outro lado, dificilmente chegam a US$ 45 milh\u00f5es, apesar de ser considerado o animal nacional de \u00cdndia e Bangladesh. Um censo recente feito com c\u00e2meras escondidas mostrou que apenas cerca de 100 tigres permanecem em Sundarbans \u2013 confirmando a tend\u00eancia decrescente que mant\u00e9m a esp\u00e9cie classificada como amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o pelo IUCN desde 2010.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do tigre de bengala, os Sundarbans \u2013 palavra que pode ser traduzida como \u201cbela floresta\u201d na l\u00edngua Bengali \u2013 \u00e9 o lar de outras 8 esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Com cerca de 10.000 quil\u00f4metros quadrados, eles abrigam crocodilos, veados, cobras, 150 esp\u00e9cies de peixes, 42 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, 35 r\u00e9pteis, 8 esp\u00e9cies de anf\u00edbios e 270 esp\u00e9cies de plantas. Todos ser\u00e3o profundamente afetados pelo projeto da termel\u00e9trica, que ficar\u00e1 localizada na plan\u00edcie do Ganges a sudoeste de Bangladesh e a apenas 14 kms ao norte da floresta de mangue de Sundarbans.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma central el\u00e9trica a carv\u00e3o maci\u00e7o perto das Sundarbans iria causar um desastre nesta \u00e1rea ecologicamente sens\u00edvel com uma biodiversidade \u00fanica. O carv\u00e3o importado para abastecer a f\u00e1brica sairia de Akram Point, que est\u00e1 localizado dentro das Sundarbans, onde seria feita a transfer\u00eancia para barca\u00e7as cobertas menores para que o carv\u00e3o seja ent\u00e3o levado at\u00e9 o Rio Passur at\u00e9 o site do projeto Rampal, perfazendo um total de 400-500 viagens de barca por ano diretamente atrav\u00e9s do Sundarbans. Esse processo exigiria a dragagem e alargamento de um trecho de 36 quil\u00f4metros do rio Passur para tornar o rio naveg\u00e1vel entre Akram Point e a termel\u00e9trica.<\/p>\n<p>O projeto contradiz os princ\u00edpios de desenvolvimento sustent\u00e1vel pelo cont\u00ednuo financiamento subsidiado pelo governo de usinas el\u00e9tricas movidas a carv\u00e3o, especialmente quando alternativas de baixo carbono est\u00e3o dispon\u00edveis e s\u00e3o economicamente competitivas. As termel\u00e9tricas a carv\u00e3o est\u00e3o entre as principais causas das mudan\u00e7as climaticas, que j\u00e1 est\u00e3o amea\u00e7ando as Sundarbans.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que Bangladesh seria melhor atendida com o refor\u00e7o de sua seguran\u00e7a energ\u00e9tica por meio da diversifica\u00e7\u00e3o do sistema, aproveitando a miss\u00e3o solar, muito bem sucedida da \u00cdndia. Isso promoveria as exporta\u00e7\u00f5es indianas e fortaleceria o ambicioso programa \u2018Make-in India\u2019 do Governo, ao mesmo tempo em que apoiaria o programa de energia renov\u00e1vel de Bangladesh. Seria muito mais r\u00e1pido para a Bharat Heavy Electricals Limited instalar uma s\u00e9rie de usinas de energia solar em em Bangladesh ao inv\u00e9s de investir em uma tecnologia ultrapassada e poluidora\u201d, analisa Jai Sharda, Managing Partner, Equitorials e autor do relat\u00f3rio \u201cRisky and Over Subsidised A Financial Analysis of the Rampal Power Plant\u201c, lan\u00e7ado pelo Instituto de Economia da Energia e An\u00e1lise financeira (IEEFA). De acordo com este relat\u00f3rio, o projeto Bangladesh-\u00cdndia Maitree pode efetivamente acabar em uma confus\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>O projeto exp\u00f5e investidores, contribuintes e consumidores a um alto risco e um potencial de ativos ociosos. \u201cN\u00f3s examinamos o projeto de energia de carv\u00e3o Rampal segundo par\u00e2metros tais como financiamento, investimento, custo de produ\u00e7\u00e3o, fornecimento de combust\u00edvel, bem como risco devido a eventos clim\u00e1ticos extremos. O projeto falha em todas as frentes, al\u00e9m de expor os investidores a um risco significativo\u201d, sintetiza Jai Sharda.<\/p>\n<div id=\"attachment_602026\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-602026\" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/24-4.jpg\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/24-4-300x144.jpg 300w, \/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/24-4-100x48.jpg 100w, \/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/24-4-188x90.jpg 188w, \/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/24-4.jpg 688w\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o \" width=\"639\" height=\"306\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p>Em primeiro lugar, um empr\u00e9stimo com taxas abaixo do mercado pelo EXIM Bank indiano representa um subs\u00eddio de US$ 988 milh\u00f5es efetivamente pagos pelos contribuintes indianos para os consumidores de Bangladesh. Segundo, o governo de Bangladesh est\u00e1 propondo uma isen\u00e7\u00e3o de imposto sobre o rendimento de 15 anos para a usina no total de US$ 936 milh\u00f5es. Em terceiro lugar, Bangladesh faria a concess\u00e3o anual de um subs\u00eddio de US$ 26 milh\u00f5es por meio da realiza\u00e7\u00e3o de dragagem de manuten\u00e7\u00e3o para assegurar a entrega de carv\u00e3o para a planta. \u201cSubs\u00eddios para o projeto Rampal colocam um peso enorme sobre os contribuintes indianos\u201d, disse Sharda.<\/p>\n<p>O EXIM Bank depende fortemente de empr\u00e9stimos em moeda estrangeira dos mercados internacionais: eles representaram 41,5% do total de empr\u00e9stimos no ano fiscal de 2015. No entanto, os mercados internacionais est\u00e3o cada vez menos dispostos a financiar projetos ou institui\u00e7\u00f5es envolvidas com usinas da carv\u00e3o. O Conselho de \u00c9tica do Fundo de Pens\u00e3o do Governo da Noruega excluiu a NTPC de seu universo de investimentos por causa de seu patroc\u00ednio do projeto Rampal. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para acreditar que a\u00e7\u00e3o semelhante n\u00e3o ser\u00e1 tomada por outros fundos de investimento contra o EXIM Bank \u201c, alertou Tim Buckley, diretor de estudos de Energia Finan\u00e7as, Australasia para IEEFA.<\/p>\n<p>Diversos bancos multilaterais e ag\u00eancias de cr\u00e9dito \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o em pa\u00edses que s\u00e3o membros da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) j\u00e1 se comprometeram a limitar o financiamento de usinas a carv\u00e3o e atividades conexas. Isso deixa oEXIM Bank indiano em risco de que, quando o empr\u00e9stimo de 12 anos proposto amadurecer, o banco n\u00e3o seja capaz de encontrar outras institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais dispostos a realizar o refinanciamento de Rampal, deixando o EXIM Bank com um empr\u00e9stimo estagnado muito significativo.<\/p>\n<p>\u201cA exposi\u00e7\u00e3o ao projeto Rampal \u00e9 uma clara viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios do Equador, que coloca em risco a capacidade do EXIM Bank de levantar empr\u00e9stimos a pre\u00e7os competitivos nos mercados internacionais\u201d, destacou Buckley.<\/p>\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o do projeto Rampal na \u201czona de risco de ventos\u201d de Bangladesh representa um risco financeiro significativo para o projeto, uma vez que a usina seria extremamente vulner\u00e1veis a tempestades e, portanto, a falhas e danos. A falta de um plano para combater at\u00e9 mesmo uma tempestade normal \u00e9 gritante, assim como as decis\u00f5es aparentemente emp\u00edricas e n\u00e3o cient\u00edficas em torno do desenvolvimento dessa termel\u00e9trica.<\/p>\n<p>O custo da eletricidade produzida ser\u00e1 32% superior aos custos m\u00e9dios de energia el\u00e9trica em Bangladesh, apesar dos v\u00e1rios subs\u00eddios de Bangladesh e da \u00cdndia, bem como assumindo um fator de capacidade m\u00e9dia (PLF, na sigla em ingl\u00eas) de 80%. O PLF m\u00e9dio para usinas de energia a carv\u00e3o na China, EUA e \u00cdndia fica na faixa de 50-60%, enquanto que em Bangladesh em 2014-15 a taxa PLF m\u00e9dia foi de 63,9%. N\u00e3o h\u00e1 nada no projeto Rampal que sugira que essa tend\u00eancia seja revertida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um projeto de usina a carv\u00e3o aumentar\u00e1 os j\u00e1 elevados riscos que amea\u00e7am tanto o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":44700,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tigre_bengala.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um projeto de usina a carv\u00e3o aumentar\u00e1 os j\u00e1 elevados riscos que amea\u00e7am tanto o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44699"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44699\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44700"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}