{"id":44613,"date":"2016-06-27T13:00:19","date_gmt":"2016-06-27T16:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=44613"},"modified":"2016-06-26T22:07:31","modified_gmt":"2016-06-27T01:07:31","slug":"concentracao-de-co2-na-atmosfera-ultrapassa-barreira-de-quatro-centenas-de-partes-por-milhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/concentracao-de-co2-na-atmosfera-ultrapassa-barreira-de-quatro-centenas-de-partes-por-milhao\/","title":{"rendered":"Concentra\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera ultrapassa barreira de quatro centenas de partes por milh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-44614\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um grupo internacional de cientistas acaba de publicar um estudo no qual prev\u00ea que a concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono no ar em 2016 ter\u00e1 a maior eleva\u00e7\u00e3o de todos os tempos e terminar\u00e1 o ano no patamar de 404 ppm. Ou seja, em cada milh\u00e3o de mol\u00e9culas de ar no planeta, haver\u00e1 404 do principal g\u00e1s de efeito estufa.<\/p>\n<p>Dito assim parece pouca coisa. Mas, nos \u00faltimos 800 mil anos, essa concentra\u00e7\u00e3o jamais ultrapassou 300 ppm. E, quando chegou nesta faixa, o mar subiu cerca de dez metros no mundo todo, devido ao derretimento do gelo da Groenl\u00e2ndia e de parte da Ant\u00e1rtida.<\/p>\n<p>\u00c9 que o g\u00e1s carb\u00f4nico segue a m\u00e1xima segundo a qual os piores venenos est\u00e3o nos menores frascos: ele \u00e9 t\u00e3o eficiente em aprisionar o calor irradiado pela Terra na atmosfera que mesmo uma quantidade \u00ednfima tem grande potencial de aquecer o planeta.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, 404 ppm definitivamente n\u00e3o parece um limiar recomend\u00e1vel para cruzar. S\u00f3 que \u00e9 tarde demais agora: o climatologista Richard Betts, do Met Office brit\u00e2nico, e seus colegas afirmam que n\u00e3o retornaremos t\u00e3o cedo a patamares de concentra\u00e7\u00e3o de CO2\u00a0menores do que 400 ppm. Mesmo que a taxa anual de ac\u00famulo desse g\u00e1s no ar caia nos pr\u00f3ximos anos em rela\u00e7\u00e3o a 2016 \u0096 o que \u00e9 muito prov\u00e1vel que aconte\u00e7a \u0096, a humanidade poder\u00e1 ultrapassar o limite de 450 ppm em cerca de 25 anos. Este \u00e9 o limite que separa o mundo de um aquecimento potencialmente catastr\u00f3fico neste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>A nova an\u00e1lise foi publicada em 13 de junho na edi\u00e7\u00e3o on-line da revista\u00a0Nature Climate Change. Ela tem entre seus autores o americano Ralph Keeling, da Universidade de San Diego, que dedica sua vida a medir CO2\u00a0no alto do vulc\u00e3o Mauna Loa, no Hava\u00ed. Trata-se de um antigo neg\u00f3cio de fam\u00edlia, que rendeu ao mundo uma das constata\u00e7\u00f5es mais chocantes sobre o aquecimento global.<\/p>\n<p>Keeling ainda n\u00e3o era nascido em 1958, quando seu pai, Charles, instalou no alto do mesmo vulc\u00e3o o primeiro equipamento para medir as concentra\u00e7\u00f5es de CO2\u00a0na atmosfera. A pesquisa de Charles Keeling tinha como objetivo comprovar ou n\u00e3o a tese de um professor dele, Roger Revelle, de que o CO2\u00a0produzido por atividades humanas estava se acumulando perigosamente no ar e aquecendo o planeta. A resposta, dada j\u00e1 ao final do primeiro ano de medi\u00e7\u00f5es, era positiva.<\/p>\n<p>Keeling pai iniciou uma s\u00e9rie de medidas mensais do CO2\u00a0que resultou em um dos gr\u00e1ficos mais famosos da hist\u00f3ria da ci\u00eancia, a chamada curva de Keeling (que ilustra esta p\u00e1gina). As medi\u00e7\u00f5es foram continuadas por Ralph ap\u00f3s a morte de Charles, em 2005.<\/p>\n<p>A curva \u00e9 cheia de \u0093dentes\u0094, que correspondem \u00e0 varia\u00e7\u00e3o sazonal da quantidade de carbono no ar: esta sobe no outono e no inverno, quando as florestas do hemisf\u00e9rio Norte perdem suas folhas (liberando carbono por decomposi\u00e7\u00e3o), e cai na primavera e no ver\u00e3o, quando ocorre a rebrota (e o sequestro de CO2\u00a0do ar). Ano ap\u00f3s ano, por\u00e9m, o que a curva mostra \u00e9 um crescimento cont\u00ednuo das concentra\u00e7\u00f5es do g\u00e1s. No primeiro ano de medi\u00e7\u00e3o, havia 315 ppm de CO2\u00a0na atmosfera. Em 2013, o limiar de 400 ppm foi cruzado pela primeira vez no outono, no pico sazonal. Mas a m\u00e9dia anual ainda estava abaixo disso. Em 2015, o valor anual fechou em 400,9 ppm.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, a concentra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico no ar tem crescido a uma taxa m\u00e9dia de 2,1 ppm por ano. S\u00f3 que em 2016 ela deve ser ainda maior: 3,15 ppm. Trata-se de uma previs\u00e3o feita por Betts, Ralph Keeling e colegas com base no comportamento de dois fatores conhecidos: o ciclo de carbono, que inclui as emiss\u00f5es de CO2 por desmatamento e combust\u00edveis f\u00f3sseis, e as temperaturas do oceano, que determinam quanto CO2\u00a0dissolvido no mar acabar\u00e1 na atmosfera (quanto mais quente, menos CO2\u00a0o mar absorve).<\/p>\n<p>A acelera\u00e7\u00e3o prevista se deve, neste ano, ao malvado favorito do momento entre os climatologistas: o El Ni\u00f1o. O fen\u00f4meno c\u00edclico do aquecimento do Oceano Pac\u00edfico aumenta a emiss\u00e3o de carbono por ecossistemas tropicais e o risco de inc\u00eandios florestais, como ocorreram em 1998 na Amaz\u00f4nia e na Indon\u00e9sia e neste ano novamente na Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p>O modelo usado pelos pesquisadores para fazer sua previs\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o anual foi testado para alguns meses deste ano. A previs\u00e3o era a de que o CO2\u00a0chegasse a 407,57 ppm em maio e 406,7 em abril. A medi\u00e7\u00e3o no Mauna Loa, por\u00e9m, registrou 407,57 ppm j\u00e1 em abril, o que sugere que o modelo pode ser ligeiramente otimista. A for\u00e7a do El Ni\u00f1o deste ano \u00e9 tamanha, notam os pesquisadores, que a alta \u00e9 esperada mesmo com a ligeira queda na taxa de emiss\u00f5es por uso de energia no mundo entre 2014 e 2015.<\/p>\n<p>Mas e depois que o El Ni\u00f1o passar e o planeta entrar na fase fria conhecida como La Ni\u00f1a, ainda este ano?<\/p>\n<p>\u0093As concentra\u00e7\u00f5es m\u00ednimas anuais de CO2\u00a0poderiam cair novamente abaixo de 400 ppm? Isso \u00e9 excepcionalmente improv\u00e1vel\u0094, escreveram os autores. Aqui quem entra em a\u00e7\u00e3o para controlar a marionete do CO2\u00a0s\u00e3o as emiss\u00f5es humanas. E, mesmo no cen\u00e1rio mais benigno de emiss\u00f5es descrito pelo IPCC, o painel do clima da ONU \u0096 um cen\u00e1rio que envolve sequestro maci\u00e7o de carbono em usinas de bioenergia e que Keeling, Betts e colegas dizem que \u00e9 tamb\u00e9m pouco cr\u00edvel de alcan\u00e7ar \u0096, as concentra\u00e7\u00f5es ficam acima de 400 ppm at\u00e9 o ano 2150. \u0093Portanto, nossa previs\u00e3o apoia a sugest\u00e3o de que o registro do Mauna Loa n\u00e3o voltar\u00e1 a mostrar concentra\u00e7\u00f5es menores que 400 ppm no nosso tempo de vida.\u0094<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo internacional de cientistas acaba de publicar um estudo no qual prev\u00ea que a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":44614,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/co2-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um grupo internacional de cientistas acaba de publicar um estudo no qual prev\u00ea que a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44613"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44613"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44613\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}