{"id":44537,"date":"2016-06-26T10:00:45","date_gmt":"2016-06-26T13:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=44537"},"modified":"2016-06-25T21:19:33","modified_gmt":"2016-06-26T00:19:33","slug":"nao-acabem-com-a-caligrafia-escrever-a-mao-desenvolve-o-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nao-acabem-com-a-caligrafia-escrever-a-mao-desenvolve-o-cerebro\/","title":{"rendered":"N\u00e3o acabem com a caligrafia: escrever \u00e0 m\u00e3o desenvolve o c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/caligrafai.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-44538\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/caligrafai-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/caligrafai-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/caligrafai.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As crian\u00e7as que vivem no mundo dos teclados precisam aprender a antiquada caligrafia?<\/p>\n<p>H\u00e1 uma tend\u00eancia a descartar a escrita \u00e0 m\u00e3o como uma habilidade que n\u00e3o \u00e9 mais essencial, mesmo que os pesquisadores j\u00e1 tenham alertado para o fato de que aprender a escrever pode ser a chave para, bem, aprender a escrever.<\/p>\n<p>E, al\u00e9m da conex\u00e3o emocional que os adultos podem sentir com a maneira como aprendemos a escrever, existe um crescente n\u00famero de pesquisas sobre o que o c\u00e9rebro que se desenvolve normalmente aprende ao formar letras em uma p\u00e1gina, sejam de forma ou cursivas.<\/p>\n<p>Em um artigo publicado este ano no &#8220;The Journal of Learning Disabilities&#8221;, pesquisadores estudaram como a linguagem oral e escrita se relacionava com a aten\u00e7\u00e3o e com o que \u00e9 chamado de habilidades de &#8220;fun\u00e7\u00e3o executiva&#8221; (como planejamento) em crian\u00e7as do quarto ao nono ano, com e sem dificuldades de aprendizagem.<\/p>\n<p>Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington e principal autora do estudo, contou que a evid\u00eancia dessa e de outras pesquisas sugere que &#8220;escrever \u00e0 m\u00e3o \u2013 formando letras \u2013 envolve a mente, e isso pode ajudar as crian\u00e7as a prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem escrita&#8221;.<\/p>\n<p>No ano passado, em um artigo no &#8220;Journal of Early Childhood Literacy&#8221;, Laura Dinehart, professora associada de Educa\u00e7\u00e3o da Primeira Inf\u00e2ncia na Universidade Internacional da Fl\u00f3rida, discutiu v\u00e1rias possibilidades de associa\u00e7\u00f5es entre boa caligrafia e desempenho acad\u00eamico: crian\u00e7as com boa escrita \u00e0 m\u00e3o s\u00e3o capazes de conseguir notas melhores porque seu trabalho \u00e9 mais agrad\u00e1vel para os professores lerem; as que t\u00eam dificuldades com a escrita podem achar que uma parte muito grande de sua aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo consumida pela produ\u00e7\u00e3o de letras, e assim o conte\u00fado sofre.<\/p>\n<h3>Mas podemos realmente estimular o c\u00e9rebro das crian\u00e7as ao ajud\u00e1-las a formar letras com suas m\u00e3os?<\/h3>\n<p>Em uma popula\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as pobres, diz Laura, as que possu\u00edam boa coordena\u00e7\u00e3o motora fina antes mesmo do jardim da inf\u00e2ncia se deram melhor mais tarde na escola.<\/p>\n<p>Ela diz que mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias sobre a escrita nos anos pr\u00e9-escolares e sobre as maneiras para ajudar crian\u00e7as pequenas a desenvolver as habilidades que precisam para realizar &#8220;tarefas complexas&#8221; que exigem coordena\u00e7\u00e3o de processos cognitivos, motores e neuromusculares.<\/p>\n<p><cite>Esse mito de que a caligrafia \u00e9 apenas uma habilidade motora simplesmente est\u00e1 errado. Usamos as partes motoras do nosso c\u00e9rebro, o planejamento motor, o controle motor, mas muito mais importante \u00e9 a regi\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o onde o visual e a linguagem se unem, os giros fusiformes, onde os est\u00edmulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas<\/cite><\/p>\n<p><strong>Virginia Berninger<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas precisam ver as letras &#8220;nos olhos da mente&#8221; para produzi-las na p\u00e1gina, explica ela. A imagem do c\u00e9rebro mostra que a ativa\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o \u00e9 diferente em crian\u00e7as que t\u00eam problemas com a caligrafia.<\/p>\n<p>Escaneamentos cerebrais funcionais de adultos mostram que uma rede cerebral caracter\u00edstica \u00e9 ativada quando eles leem, incluindo \u00e1reas que se relacionam com processos motores. Os cientistas inferiram que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.<\/p>\n<p>Larin James, professora de Ci\u00eancias Psicol\u00f3gicas e do C\u00e9rebro na Universidade de Indiana, escaneou o c\u00e9rebro de crian\u00e7as que ainda n\u00e3o sabiam caligrafia. &#8220;Seus c\u00e9rebros n\u00e3o distinguiam as letras; elas respondiam \u00e0s letras da mesma forma que respondiam a um tri\u00e2ngulo&#8221;, conta ela.<\/p>\n<p>Depois que as crian\u00e7as aprenderam a escrever \u00e0 m\u00e3o, os padr\u00f5es de ativa\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro em resposta \u00e0s letras mostraram mais ativa\u00e7\u00e3o daquela rede de leitura, incluindo os giros fusiformes, junto com o giro inferior frontal e regi\u00f5es parietais posteriores do c\u00e9rebro, que os adultos usam para processar a linguagem escrita \u2013 mesmo que as crian\u00e7as ainda estivessem em um est\u00e1gio muito inicial na caligrafia.<\/p>\n<p>&#8220;As letras que elas produzem s\u00e3o muito bagun\u00e7adas e vari\u00e1veis, e isso na verdade \u00e9 bom para o modo como as crian\u00e7as aprendem as coisas. Esse parece ser um dos grandes benef\u00edcios da escrita \u00e0 m\u00e3o&#8221;, conta Larin James.<\/p>\n<p>Especialistas em caligrafia v\u00eam lutando com a quest\u00e3o de se a letra cursiva confere habilidades e benef\u00edcios especiais, al\u00e9m dos fornecidos pela letra de forma. Virginia cita um estudo de 2015 que sugere que, come\u00e7ando por volta da quarta s\u00e9rie, as habilidades com a letra cursiva ofereciam vantagens tanto na ortografia quanto na composi\u00e7\u00e3o, talvez porque as linhas que conectam as letras ajudem as crian\u00e7as a formar palavras.<\/p>\n<p>Para crian\u00e7as pequenas com desenvolvimento t\u00edpico, digitar as letras n\u00e3o parece gerar a mesma ativa\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro. \u00c0 medida que as pessoas crescem, claro, a maioria faz a transi\u00e7\u00e3o para a escrita em teclados. No entanto, como muitos que ensinam na universidade, eu me questiono a respeito do uso de laptops em sala de aula, mais porque me preocupo com o fato de a aten\u00e7\u00e3o dos alunos estar vagando do que com promover a caligrafia. Ainda assim, estudos sobre anota\u00e7\u00f5es feitas \u00e0 m\u00e3o sugerem que &#8220;alunos de faculdade que escrevem em teclados est\u00e3o menos propensos a se lembrar e a saber do conte\u00fado do que se anotassem \u00e0 m\u00e3o&#8221;, conta Laura Dinehart.<\/p>\n<p>Virginia diz que a pesquisa sugere que crian\u00e7as precisam de um treinamento introdut\u00f3rio em letras de forma, depois, mais dois anos de aprendizado e pr\u00e1tica de letra cursiva, come\u00e7ando na terceira s\u00e9rie, e ent\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica para a digita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Usar um teclado, e especialmente aprender as posi\u00e7\u00f5es das letras sem olhar para as teclas, diz ela, pode muito bem aproveitar as fibras que se intercomunicam no c\u00e9rebro, j\u00e1 que, ao contr\u00e1rio da caligrafia, as crian\u00e7as v\u00e3o usar as duas m\u00e3os para digitar.<\/p>\n<p><cite>O que estamos defendendo \u00e9 ensinar as crian\u00e7as a serem escritoras h\u00edbridas. Letra de forma primeiro para a leitura \u2013 isso se transfere para o melhor reconhecimento das letras \u2013, depois cursiva para a ortografia e a composi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, no final da escola prim\u00e1ria, digita\u00e7\u00e3o<\/cite><\/p>\n<p><strong>Virginia\u00a0Berninger<\/strong><\/p>\n<p>Como pediatra, acho que pode ser mais um caso em que dever\u00edamos tomar cuidado para que a atra\u00e7\u00e3o do mundo digital n\u00e3o leve embora experi\u00eancias significativas que podem ter impacto real no desenvolvimento r\u00e1pido do c\u00e9rebro das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Dominar a caligrafia, mesmo com letras bagun\u00e7adas e tudo, \u00e9 uma maneira de se apropriar da escrita de maneira profunda.<\/p>\n<p>&#8220;Minha pesquisa global se concentra na maneira como o aprendizado e a intera\u00e7\u00e3o com as palavras feitas com as pr\u00f3prias m\u00e3os t\u00eam um efeito realmente significativo em nossa cogni\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Larin James. &#8220;\u00c9 sobre como a caligrafia muda o funcionamento do c\u00e9rebro e pode alterar seu desenvolvimento.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As crian\u00e7as que vivem no mundo dos teclados precisam aprender a antiquada caligrafia? 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