{"id":44423,"date":"2016-06-25T09:30:55","date_gmt":"2016-06-25T12:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=44423"},"modified":"2016-06-24T20:44:05","modified_gmt":"2016-06-24T23:44:05","slug":"mineracao-de-asteroides-pode-deixar-o-mundo-ainda-mais-desigual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mineracao-de-asteroides-pode-deixar-o-mundo-ainda-mais-desigual\/","title":{"rendered":"Minera\u00e7\u00e3o de asteroides pode deixar o mundo ainda mais desigual"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-44425\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O<\/span> ch\u00e3o do que hoje \u00e9 o sul do Canad\u00e1 tremeu h\u00e1 cerca de 1,85 bilh\u00e3o de anos, quando um cometa gigante com 10 quil\u00f4metros de di\u00e2metro atingiu a regi\u00e3o. O choque deu origem \u00e0 <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Espaco\/noticia\/2015\/06\/5-crateras-de-meteoritos-para-conhecer-antes-de-morrer.html\">segunda maior cratera de impacto do mundo<\/a> e, se tivesse ocorrido hoje, talvez at\u00e9 nos exterminasse. Mas, no fim das contas, os humanos se beneficiaram e muito desta colis\u00e3o: o objeto trouxe de brinde uma imensa quantidade de min\u00e9rios do espa\u00e7o. Os elementos se espalharam por toda a regi\u00e3o da chamada Bacia de Sudbury, que fica na prov\u00edncia de Ont\u00e1rio. Durante a constru\u00e7\u00e3o de uma ferrovia no final do s\u00e9culo 19, a mina foi descoberta e, desde ent\u00e3o, tornou-se um dos mais importantes n\u00facleos mineradores do mundo. Dali se extraem todos os anos milh\u00f5es de toneladas de cobre e n\u00edquel, al\u00e9m de quantidades consider\u00e1veis de metais raros do grupo da platina. A Vale est\u00e1 entre os conglomerados que atuam no local e estima que, ao longo da hist\u00f3ria, pelo menos US$ 500 bilh\u00f5es j\u00e1 tenham sido retirados daquela terra.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-379\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Marcus Penna\/Editora Globo)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/eFtVz9MnXXwX37CV1mQ2Dd-Z4o4=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/23\/daphne-nereus.png\" alt=\" (Foto: Marcus Penna\/Editora Globo)\" \/><\/div>\n<p>A <strong>Bacia de Sudbury<\/strong> \u00e9 um caso curioso, mas n\u00e3o isolado: uma parcela importante dos min\u00e9rios mais acess\u00edveis na crosta terrestre foram trazidos para c\u00e1 justamente por meio <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Espaco\/noticia\/2015\/07\/pesquisadores-contabilizam-todas-grandes-crateras-de-asteroide-da-terra.html\">destes impactos<\/a>. \u201cDurante a forma\u00e7\u00e3o da Terra, conforme ela esfriava, subst\u00e2ncias pesadas como os metais afundaram para dentro do planeta\u201d, explica o site da empresa <strong>Deep Space Industries (DSI)<\/strong>. \u00c9 por isso que estes elementos s\u00e3o t\u00e3o escassos aqui, mas abundantes em corpos celestes com atividade geol\u00f3gica menos intensa. Sudbury \u00e9 s\u00f3 mais um exemplo de que, na pr\u00e1tica, a humanidade j\u00e1 realiza a <strong>minera\u00e7\u00e3o de recursos espaciais<\/strong> <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2016\/06\/adaga-encontrada-na-tumba-de-tutancamon-veio-do-espaco.html\">h\u00e1 muito tempo<\/a>. Mas agora, empresas como a DSI e a Planetary Resources, criadas h\u00e1 menos de cinco anos por empreendedores vision\u00e1rios e cientistas experientes, querem beber direto da fonte mais pura \u2014 os asteroides.<\/p>\n<p>Formados h\u00e1 cerca de 4,6 bilh\u00f5es de anos, eles surgiram na mesma \u00e9poca que a Terra a partir da aglutina\u00e7\u00e3o das mesmas subst\u00e2ncias que giravam em torno do Sol em um grande disco de g\u00e1s e poeira. Os asteroides, ali\u00e1s, podem ser considerados uma esp\u00e9cie de \u201cplaneta que n\u00e3o deu certo\u201d, pois n\u00e3o conseguiram juntar massa suficiente para atrair os materiais vizinhos com a pr\u00f3pria gravidade. Ent\u00e3o permaneceram assim, \u201cpequenos\u201d, com di\u00e2metros que variam de poucos metros at\u00e9 centenas de quil\u00f4metros, vagando na ordem dos milh\u00f5es pelo Sistema Solar. Em grande parte, se concentram no chamado <strong>Cintur\u00e3o de Asteroides<\/strong>, uma regi\u00e3o entre as \u00f3rbitas de Marte e J\u00fapiter que re\u00fane mais de 665 mil objetos conhecidos, segundo dados do <a href=\"http:\/\/www.minorplanetcenter.net\/iau\/mpc.html\">Minor Planet Center<\/a>.<\/p>\n<p>Vez em quando, alguns dos que escaparam dali \u201cvisitam\u201d o Sol e acabam passando bem perto de n\u00f3s. S\u00e3o os chamados Asteroides Pr\u00f3ximos \u00e0 Terra (NEA, na sigla em ingl\u00eas). Eles oferecem riscos e tamb\u00e9m oportunidades: membros deste grupo podem eventualmente se chocar contra o nosso planeta; em compensa\u00e7\u00e3o, o acesso a um NEA \u00e9 bem mais simples que ao Cintur\u00e3o de Asteroides. Tanto que a <strong>Planetary Resources<\/strong> os considera como \u201cas frutas no galho baixo\u201d do Sistema Solar. Por isso, \u00e9 primeiro neles que as duas empresas planejam iniciar suas atividades mineradoras j\u00e1 na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Mas t\u00eam de encarar um grande desafio. \u201cTecnologias para extrair metais e outros elementos valiosos de asteroides ainda n\u00e3o existem e precisam ser desenvolvidas\u201d, aponta Jorge Carvano, astrof\u00edsico do Observat\u00f3rio Nacional. \u00c9 nessa etapa preliminar que a <strong>corrida pelos asteroides<\/strong> se encontra hoje.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-573\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Marcus Penna\/Editora Globo)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/mknSgj1kGGsK5-zqaUiJgMO0l34=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/23\/nysa-egeria.png\" alt=\" (Foto: Marcus Penna\/Editora Globo)\" width=\"639\" height=\"327\" \/><\/div>\n<p><strong>No c\u00e9u tem mina?<\/strong><br \/>\nNo geral, a perspectiva de minera\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o segue uma l\u00f3gica bem parecida com a da Terra. O primeiro passo \u00e9 a chamada prospec\u00e7\u00e3o, seguida pela extra\u00e7\u00e3o e processamento. S\u00f3 que logo na etapa inicial, a coisa j\u00e1 empaca: prospectar consiste na aplica\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas para descobrir a composi\u00e7\u00e3o e as dimens\u00f5es da jazida. Fazemos isso com bastante precis\u00e3o aqui em nosso planeta, mas <strong>descobrir detalhes minerais de corpos celestes distantes<\/strong> \u00e9 bem mais complicado. \u201cAs principais t\u00e9cnicas para determinar a composi\u00e7\u00e3o de um asteroide envolvem analisar como ele reflete a luz do sol em diferentes comprimentos de onda\u201d, explica Carvano, especialista nestes estudos. \u00c9 a chamada espectroscopia, que permite diferenciar subst\u00e2ncias de acordo com a \u201cassinatura\u201d que elas deixam nos raios de luz.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, apesar de ser o melhor m\u00e9todo que temos, ainda n\u00e3o \u00e9 o suficiente, pois muitos dos minerais de interesse n\u00e3o deixam marcas observ\u00e1veis no espectro. Por isso, \u00e9 preciso cruzar estes dados com an\u00e1lises de pedras espaciais que j\u00e1 vieram at\u00e9 n\u00f3s. \u201cO melhor que se pode fazer remotamente \u00e9 procurar pelo meteorito cujas propriedades espectrais s\u00e3o mais semelhantes ao asteroide e usar a composi\u00e7\u00e3o do meteorito, determinada com grande precis\u00e3o em laborat\u00f3rio, para estimar a do asteroide\u201d, diz o pesquisador. Obviamente, nenhum empres\u00e1rio em s\u00e3 consci\u00eancia vai se basear em um resultado incerto destes e correr o risco de perder uma montanha de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>O caminho \u00e9 mandar sondas para escrutinar os objetos in loco, mas o custo para se chegar ao espa\u00e7o ainda \u00e9 alt\u00edssimo, o que limita este tipo de explora\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2015\/10\/nasa-e-esa-farao-simulacao-de-desvio-de-asteroide.html\">\u00e0s ag\u00eancias espaciais<\/a>. Mas os foguetes reutiliz\u00e1veis de empresas privadas como a SpaceX ou a Blue Origin podem, em breve, reverter este quadro. Tanto a DSI quanto a Planetary Resources desenvolvem e testam suas tecnologias (<em>veja o infogr\u00e1fico<\/em>) com o objetivo de, nos pr\u00f3ximos anos, enviar um <strong>enxame de sondas pelo Sistema Solar<\/strong> para investigar a fundo os NEAs e determinar os alvos mais promissores. Elas est\u00e3o atr\u00e1s de duas coisas: metais preciosos e, principalmente, \u00e1gua.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-717\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Marcus Penna\/Editora Globo)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/N_HT3vBY4SUOW2vFR_oztVjrxRM=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/23\/asteroides_info2.jpg\" alt=\" (Foto: Marcus Penna\/Editora Globo)\" width=\"639\" height=\"773\" \/><\/div>\n<p><strong>Capitalismo nas estrelas<\/strong><br \/>\nUm dos elementos mais cobi\u00e7ados pelas mineradoras espaciais \u00e9 a platina. Usada para fins diversos como a produ\u00e7\u00e3o de joias e de dispositivos eletr\u00f4nicos ou m\u00e9dicos, a subst\u00e2ncia \u00e9 rar\u00edssima na Terra: um \u00fanico quilo custa em torno de US$ 30 mil. Estima-se, por\u00e9m, que <strong>um asteroide de 500 metros rico em platina possa conter uma quantidade t\u00e3o grande do mineral que chegue a superar o conjunto de toda a platina j\u00e1 extra\u00edda na hist\u00f3ria da humanidade<\/strong>. O impacto que uma reserva trilion\u00e1ria dessas poderia causar na economia? Ningu\u00e9m sabe ao certo. \u201cSe fizermos nosso trabalho direito, estes metais que s\u00e3o valiosos para a sociedade v\u00e3o se tornar mais baratos, estimulando a inova\u00e7\u00e3o\u201d, promete Chris Lewicki, presidente da Planetary Resources, companhia que tem entre os conselheiros o diretor James Cameron (<em>Titanic<\/em> e <em>Avatar<\/em>) e, entre os investidores, bilion\u00e1rios como Larry Page (Google) e Richard Branson (Virgin).\u00a0Apesar da atratividade econ\u00f4mica dos metais para o uso industrial na Terra ou mesmo no espa\u00e7o, o que mais faz brilhar os olhos dos empres\u00e1rios s\u00e3o as fartas reservas de \u00e1gua dos asteroides.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-385\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Marcus Penna\/Editora Globo)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/wG12_QSOEA7zqKXKdv5NB3zlbFU=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/23\/asteroides-cleo-ce26.png\" alt=\" (Foto: Marcus Penna\/Editora Globo)\" \/><\/div>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a \u00e1gua \u00e9 considerada o <strong>petr\u00f3leo da explora\u00e7\u00e3o espacial<\/strong>: atrav\u00e9s de um processo qu\u00edmico chamado de eletr\u00f3lise, ela pode ser quebrada em seus componentes at\u00f4micos \u2014 oxig\u00eanio e hidrog\u00eanio. Estes elementos s\u00e3o a mat\u00e9ria-prima do combust\u00edvel de foguetes. Sim, os asteroides podem ser transformados em \u201cpostos de gasolina\u201d espaciais e encher o tanque de nossas naves, para que elas audaciosamente cheguem onde nenhum homem jamais esteve. E isto seria um salto gigantesco para a <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/noticia\/2015\/06\/vamos-mesmo-morar-em-marte.html\">humanidade se espalhar pelo espa\u00e7o<\/a>, pois resolveria o principal problema que nos impede de nos afastar tanto da Terra. Imagine se voc\u00ea tivesse de pegar o carro em S\u00e3o Paulo para viajar at\u00e9 Bras\u00edlia sem nenhum posto no caminho: todo o combust\u00edvel da viagem deveria ser armazenado no pr\u00f3prio carro.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente isso o que os foguetes e naves espaciais enfrentam, o que limita muito a capacidade de carga e autonomia. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 piora com o fato de que quase todo o combust\u00edvel \u00e9 gasto apenas para escapar do <strong>campo gravitacional da Terra<\/strong> (<em>veja o infogr\u00e1fico<\/em>). A ind\u00fastria espacial gasta bilh\u00f5es por ano para levar materiais at\u00e9 o espa\u00e7o, o que torna o processo todo ineficiente demais. Mas se os recursos fossem produzidos no espa\u00e7o, para o espa\u00e7o, as coisas seriam bem diferentes.<\/p>\n<p>\u201cVamos tornar mais f\u00e1cil o processo para que a humanidade se torne uma esp\u00e9cie multiplanet\u00e1ria, e isso vai ser uma coisa boa para a nossa sobreviv\u00eancia\u201d, diz Ian Webster, engenheiro do Google e criador de um dos mais completos <strong>bancos de dados sobre asteroides \u2014 o <a href=\"http:\/\/www.asterank.com\/\">Asterank<\/a><\/strong>. Webster recorreu a diversas fontes acad\u00eamicas para estimar a acessibilidade e o valor de asteroides, prevendo assim a margem de lucro da minera\u00e7\u00e3o. Segundo o engenheiro, o projeto foi comprado pela Planetary Resources \u201cquase que imediatamente\u201d depois de lan\u00e7ado, em 2013. A empresa afirma que a \u00e1gua deve inaugurar um mercado trilion\u00e1rio no espa\u00e7o e que a demanda j\u00e1 existe hoje para sat\u00e9lites em \u00f3rbita.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-584\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Marcus Penna\/Editora Globo)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/tlIPRPgiszDAfkj9pVd9p70XtUI=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/23\/palas-betulia.png\" alt=\" (Foto: Marcus Penna\/Editora Globo)\" width=\"639\" height=\"312\" \/><\/div>\n<p><strong>Se essa pedra fosse minha<\/strong><br \/>\nA corrida do ouro pela minera\u00e7\u00e3o dos asteroides abre uma discuss\u00e3o sobre o <strong>direito de propriedade no espa\u00e7o<\/strong>. O debate veio \u00e0 tona com uma lei assinada nos Estados Unidos em novembro pelo presidente Barack Obama que concede a cidad\u00e3os americanos a posse de recursos extra\u00eddos fora da Terra. Este amparo legal era o sinal verde que as mineradoras estavam esperando para atrair ainda mais investimentos e intensificar suas atividades. \u201cDaqui a cem anos, a humanidade vai olhar para este per\u00edodo como o ponto em que vamos nos estabelecer de forma permanente e firme no espa\u00e7o\u201d, comemorou na ocasi\u00e3o Peter Diamandis, co-fundador da Planetary Resources.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-228\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/S9Lm1LtsDcJpe__t9tgToAbwoW0=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/23\/boxes.png\" alt=\" (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><\/div>\n<p>O problema \u00e9 que, nestes termos, a lei entra em um conflito claro com o Tratado do Espa\u00e7o Exterior, assinado em 1967 e ratificado por mais de 100 na\u00e7\u00f5es. O documento declara que o espa\u00e7o \u00e9 a &#8220;prov\u00edncia de toda a humanidade\u201d e que ningu\u00e9m poderia clamar posse de corpos celestes, pois s\u00e3o bens comuns. Estimula ainda a explora\u00e7\u00e3o espacial cient\u00edfica e a extra\u00e7\u00e3o de recursos at\u00e9 \u00e9 permitida \u2014 mas s\u00f3 se for para suprir uma miss\u00e3o em terreno extraterrestre. <strong>Atividades com fins lucrativos s\u00e3o vetadas pelo tratado<\/strong>. \u201cOs proponentes da lei est\u00e3o usando narrativas como \u2018coletar peixes dos oceanos\u2019 para criar a percep\u00e7\u00e3o de que o texto n\u00e3o conflita com o Tratado do Espa\u00e7o Exterior. Eu discordo\u201d, afirma Michael Listner, especialista em direito espacial e dono de uma consultoria para estes assuntos.<\/p>\n<p>E h\u00e1 outra quest\u00e3o: que autoridade t\u00eam os EUA (ou qualquer outro pa\u00eds) de legislar sobre um territ\u00f3rio que n\u00e3o lhes pertence? \u201cTalvez fosse melhor simplesmente se retirar do tratado ao inv\u00e9s de tentar argumentar que ele diz algo que n\u00e3o diz\u201d, aponta Listner. Depois do precedente, em fevereiro, at\u00e9 uma na\u00e7\u00e3o declarou que vai investir na minera\u00e7\u00e3o de asteroides \u2014 Luxemburgo. O jurista \u00e9 categ\u00f3rico: \u201cleis como como esta tentam reinventar a \u2018prov\u00edncia de toda a humanidade\u2019 para beneficiar uns poucos.\u201d Se um dia a DSI ou a Planetary Resources conseguirem trazer toneladas de platina do espa\u00e7o, talvez em pouco tempo elas se tornem as companhias mais valiosas do mundo. Afinal, seriam as \u00fanicas a ter acesso a esta <strong>fonte infinita de min\u00e9rios preciosos<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 como prever o que fariam com todo este poder em m\u00e3os.<\/p>\n<p>Pode ser que, ainda durante nossas vidas, presenciemos o passo decisivo da maior epopeia em que nossa esp\u00e9cie j\u00e1 se meteu: a coloniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Se a ideia for que os humanos se espalhem pelo cosmos e colonizem outros mundos, \u00e9 fato que os recursos finitos do p\u00e1lido ponto azul em que vivemos n\u00e3o ser\u00e3o o bastante. Mas a maneira como essa expans\u00e3o ser\u00e1 conduzida ainda est\u00e1 em aberto. \u00c9 poss\u00edvel que a riqueza incalcul\u00e1vel dos corpos celestes seja distribu\u00edda de forma justa e melhore a vida de todos? Jos\u00e9 Monserrat Filho, jurista especializado em direito espacial, acredita que o \u00fanico jeito seria se as na\u00e7\u00f5es se unissem em uma esp\u00e9cie de coaliz\u00e3o. \u201cA grande solu\u00e7\u00e3o seria instituir um regime internacional com um mecanismo que n\u00e3o tire o dinheiro v\u00e1lido de quem fez grandes investimentos e que, ao mesmo tempo, tamb\u00e9m beneficie os pa\u00edses sem disponibilidades tecnol\u00f3gicas para que n\u00e3o haja um aumento da desigualdade internacional.\u201d Parece que, em breve, precisaremos decidir se vamos morar no espa\u00e7o <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/noticia\/2016\/05\/neil-degrasse-tyson-acredita-que-precisamos-amadurecer-como-civilizacao.html\">como humanidade<\/a>, ou se apenas como consumidores.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-717\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/QK7HOdYfngKrf9TfIwFeUCO7d3k=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/23\/asteroides_info1.jpg\" alt=\" (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"640\" height=\"774\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ch\u00e3o do que hoje \u00e9 o sul do Canad\u00e1 tremeu h\u00e1 cerca de 1,85<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":44425,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mineracao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O ch\u00e3o do que hoje \u00e9 o sul do Canad\u00e1 tremeu h\u00e1 cerca de 1,85","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44423"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44423\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44425"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}