{"id":43750,"date":"2016-06-14T13:30:08","date_gmt":"2016-06-14T16:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43750"},"modified":"2016-06-13T21:37:32","modified_gmt":"2016-06-14T00:37:32","slug":"mato-grosso-aposta-na-restauracao-florestal-para-apagar-a-fama-de-vilao-do-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mato-grosso-aposta-na-restauracao-florestal-para-apagar-a-fama-de-vilao-do-desmatamento\/","title":{"rendered":"Mato Grosso aposta na restaura\u00e7\u00e3o florestal para apagar a fama de vil\u00e3o do desmatamento"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43751\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>De Cuiab\u00e1, capital mato-grossense, s\u00e3o 927 quil\u00f4metros por terra at\u00e9 Quer\u00eancia (MT) <strong>[1]<\/strong>, um dos 100 munic\u00edpios de maior renda per capita do Pa\u00eds. No longo percurso com intenso tr\u00e1fego de caminh\u00f5es, pastagens e cultivos de gr\u00e3os a perder de vista imperam no lugar da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, restrita a nacos isolados de mata aqui e acol\u00e1. De lado a lado no caminho a din\u00e2mica da paisagem retrata a for\u00e7a do agroneg\u00f3cio e seus impactos. Ap\u00f3s 10 horas de estrada, o Cerrado que restou se torna mais alto e frondoso. E surgem no horizonte palmeiras e \u00e1rvores de grandes copas, sinal de que um pouco mais adiante j\u00e1 estaremos em territ\u00f3rio amaz\u00f4nico. No destino final, a cidade de 15 mil habitantes, ruas largas, fei\u00e7\u00f5es europeias e sotaque ga\u00facho n\u00e3o esconde a origem dos que ali chegaram h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas para ocupar terras, derrubar a floresta e produzir.<\/p>\n<p>No com\u00e9rcio, os altos pre\u00e7os condizem com a riqueza circulante, gerada nos campos do entorno. Ningu\u00e9m duvida: a imensid\u00e3o das propriedades rurais d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido para quem migrou de longe e construiu tudo do zero, aproveitando cada palmo de terra como patrim\u00f4nio para filhos e netos. Mas, ao mesmo tempo, percebe-se um sentimento de orgulho ferido, porque o passivo ambiental dessa hist\u00f3ria exp\u00f5e uma imagem negativa para a sociedade e para o mercado. Em 2008, Quer\u00eancia foi inclu\u00edda pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente na <a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/florestas\/controle-e-preven%C3%A7%C3%A3o-do-desmatamento\/plano-de-a%C3%A7%C3%A3o-para-amaz%C3%B4nia-ppcdam\/lista-de-munic%C3%ADpios-priorit%C3%A1rios-da-amaz%C3%B4nia\" target=\"_blank\">lista negra<\/a> <strong>[2]<\/strong> dos munic\u00edpios que mais desmatam a Amaz\u00f4nia \u2013 o que significou barreiras para cr\u00e9dito e risco de san\u00e7\u00f5es comerciais. Tr\u00eas anos depois, ap\u00f3s a\u00e7\u00f5es para reduzir o desmatamento, o munic\u00edpio conseguiu livrar-se das restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas a mancha de vil\u00e3o do desmatamento n\u00e3o desapareceu por completo. Em seu territ\u00f3rio, 43% ocupado por reservas ind\u00edgenas, h\u00e1 248 propriedades rurais embargadas pelo Ibama, porque n\u00e3o obedecem \u00e0s leis ambientais. O desafio de virar o jogo e mudar a imagem tem mobilizado prefeitura, fazendeiros, empresas, sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais em torno de solu\u00e7\u00f5es. Na iniciativa \u201cQuer\u00eancia + Paisagens Sustent\u00e1veis\u201d, o plano \u00e9 recuperar 2,7 mil hectares de mata na beira de rios at\u00e9 2019, para que as propriedades sejam desembargadas e possam produzir. \u201cQueremos trabalhar com seguran\u00e7a, porque \u00e9 poss\u00edvel conciliar conserva\u00e7\u00e3o ambiental e produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola\u201d, enfatiza Marcelo Marinho, presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso a sigla APP, \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente <strong>[3]<\/strong>, <em>virou hit<\/em> no vocabul\u00e1rio por aquelas bandas \u2013 inclusive entre os produtores rurais mais antigos e resistentes. De igual modo, o termo \u201crestaura\u00e7\u00e3o florestal\u201d se torna mais presente em regi\u00e3o onde para muitos a grandeza da floresta parecia n\u00e3o ter fim. Em meio ao milharal que aguarda a colheita para dar lugar \u00e0 soja a partir de novembro, o fazendeiro Neuri Wink \u00e9 taxativo: \u201cNenhum produtor vai querer colocar mato de volta em terras produtivas de alto valor e \u00f3timo relevo, clima e solo para agricultura, mas a preserva\u00e7\u00e3o de nascentes n\u00e3o se discute\u201d. Como um dos pioneiros que desbravaram a regi\u00e3o, Wink deixou a cidade natal de Victor Graeff (RS), de coloniza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e italiana, e chegou ao novo eldorado amaz\u00f4nico em 1988. \u201cAntes pod\u00edamos desmatar at\u00e9 80% da \u00e1rea, em algumas situa\u00e7\u00f5es\u201d, conta o produtor, dono da Fazenda Certeza \u2013 \u201ccerteza de que com muito trabalho far\u00edamos acontecer\u201d.<\/p>\n<p>Marcada pela tradi\u00e7\u00e3o ga\u00facha do cooperativismo e pelos valores da comunidade luterana, a aventura produtiva na floresta exigiu investimento em estrada, energia, banco, hospital, escola, telefone. \u201cQuando cheguei, as ruas estavam apenas demarcadas no ch\u00e3o\u201d, diz Wink, que inicialmente ocupou 670 hectares e hoje tem \u00e1rea tr\u00eas vezes maior. Cerca de 30% \u00e9 mata que protege a beira do Rio Betis. \u201cAqui tem um jatob\u00e1 e mais na frente tamboril, mamoninha e ip\u00ea-roxo\u201d, aponta o produtor, ao mostrar a sua APP com \u00e1rvores j\u00e1 altas ap\u00f3s seis anos de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante o trabalho, baseado no plantio de sementes e mudas, nascentes antes sufocadas por pastagens minaram. Apesar disso, o antigo fazendeiro \u00e9 resistente quanto ao benef\u00edcio da floresta para o clima: \u201cO desafio est\u00e1 em empregar pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o do solo, nosso maior patrim\u00f4nio\u201d. Se alguns fazem a restaura\u00e7\u00e3o florestal apenas para cumprir a lei e evitar encrenca com os \u00f3rg\u00e3os ambientais, outros enxergam ganhos a longo prazo. \u201c\u00c9 melhor para todos usar menos solo sem derrubar tudo\u201d, recomenda Cl\u00e1udio Dalbello, produtor no Assentamento Pingo D\u2019\u00e1gua, em Quer\u00eancia, ao ver a situa\u00e7\u00e3o do vizinho \u201cque hoje nem sequer tem madeira para colocar uma antena de TV\u201d. Com aux\u00edlio do filho, Cristian Mariani, formado em gest\u00e3o ambiental, o propriet\u00e1rio implantou o Sistema Agroflorestal (SAF)<strong> [4]<\/strong> com esp\u00e9cies frut\u00edferas. E a chegada da energia el\u00e9trica permitiu puxar \u00e1gua para o gado beber longe do rio. \u201cA APP foi restaurada e cercada; ningu\u00e9m mexe.\u201d<\/p>\n<p>No Assentamento Brasil Novo, Armando Menin, dono do S\u00edtio Modelo, mant\u00e9m soja e gado em cons\u00f3rcio com seringueiras e uma floresta de esp\u00e9cies frut\u00edferas e madeireiras plantada onde antes s\u00f3 tinha pasto. O produtor fornece frutas para o propriet\u00e1rio vizinho, Aldo da Rosa, fazer o beneficiamento em polpa e assim garantir renda o ano todo. \u201cO clima mudou e quem s\u00f3 plantou soja est\u00e1 sofrendo\u201d, afirma Menin, que se fixou na Amaz\u00f4nia por meio de grilagem <strong>[5]<\/strong> de terras, desmatou e vendeu a \u00e1rea para conseguir o atual lote, onde hoje tem soja, pupunha, caju, seringueira, pequi e mangaba. \u201cQuem n\u00e3o plantou \u00e1rvores para diversificar a renda e viver melhor, al\u00e9m de n\u00e3o ter sombra e fruta para fazer um suco, est\u00e1 trabalhando de pe\u00e3o nas grandes fazendas\u201d, diz Rosa, ao se referir \u00e0 realidade socioambiental nos assentamentos rurais <strong>[6]<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso fortalecer a agricultura familiar, pois h\u00e1 40 mil hectares de soja plantados em assentamentos da localidade\u201d, conta Cecilia Gon\u00e7alves Sim\u00f5es, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam). A institui\u00e7\u00e3o d\u00e1 apoio t\u00e9cnico ao munic\u00edpio para a governan\u00e7a socioambiental, mapeamento dos passivos e elabora\u00e7\u00e3o de um plano participativo para solucion\u00e1-los. Uma das tarefas \u00e9 o registro das propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR). \u201cTodo mundo sai ganhando quando o territ\u00f3rio inteiro \u00e9 reconhecido pela legalidade e sustentabilidade\u201d, completa Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>Na Fazenda Tanguro <strong>[7]<\/strong>, onde o Ipam mant\u00e9m uma base cient\u00edfica, experimentos avaliam a efici\u00eancia de seis diferentes m\u00e9todos de restaura\u00e7\u00e3o florestal: plantio de sementes nativas; cultivo de mudas; regenera\u00e7\u00e3o natural sem intervir na mata; e transposi\u00e7\u00e3o de folhas para cobrir o solo e recuperar \u00e1reas degradadas, por exemplo. Tamb\u00e9m s\u00e3o formadas \u201cilhas de vegeta\u00e7\u00e3o\u201d, onde os esfor\u00e7os de plantio se concentram em um ponto central, para se obter uma resposta mais r\u00e1pida, com posterior aumento por meio de dispers\u00e3o de sementes. Por fim, em outra parcela foram instalados \u201cpoleiros\u201d de madeira para facilitar o pouso de aves que comem os frutos e espalham as sementes.<\/p>\n<p>Nessa linha, pesquisadores estudam no local o papel dos mam\u00edferos, especialmente o das antas, na regenera\u00e7\u00e3o natural da floresta. Elas s\u00e3o monitoradas por c\u00e2meras fotogr\u00e1ficas em \u00e1rea degradada por fogo e a cada tr\u00eas meses as fezes s\u00e3o coletadas para an\u00e1lise. Em 62 amostras, foram encontradas cerca de 2,7 mil sementes de v\u00e1rios tipos. Isso permite inferir como os servi\u00e7os ambientais podem ser comprometidos com o decl\u00ednio das antas decorrente da ca\u00e7a e do desmatamento. Assim, a\u00e7\u00f5es para conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie poder\u00e3o ser estrat\u00e9gicas no contexto de um futuro mercado de cr\u00e9dito de carbono e de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA).<\/p>\n<p>Em paralelo, h\u00e1 pesquisas sobre como o uso da terra interfere no clima da regi\u00e3o e sobre qual a fun\u00e7\u00e3o das matas para a prote\u00e7\u00e3o de nascentes e para a din\u00e2mica de nutrientes do solo nos cultivos. \u201cO objetivo \u00e9 fornecer elementos cient\u00edficos para a tomada de decis\u00e3o e pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, explica o pesquisador Divino Silv\u00e9rio. \u201cJ\u00e1 existe conhecimento, mas falta p\u00f4r em pr\u00e1tica por meio de incentivos, porque o custo do que d\u00e1 certo \u00e9 alto.\u201d<\/p>\n<p>O movimento de Quer\u00eancia integra-se ao plano estadual de at\u00e9 2020 repor 2,9 milh\u00f5es de hectares de floresta \u2013 \u00e1rea superior ao territ\u00f3rio de Sergipe \u2013 como medida-chave para Mato Grosso cumprir o que apresentou \u00e0 ONU na reuni\u00e3o de Paris sobre clima, em dezembro. Em abril, foi criado um comit\u00ea para colocar as metas em pr\u00e1tica. \u201cSer\u00e1 necess\u00e1rio definir \u00e1reas cr\u00edticas e fomentar a cadeia produtiva da restaura\u00e7\u00e3o, prevendo planos regionais e modelos que gerem retorno financeiro\u201d, afirma Elaine Corsini, representante da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.<\/p>\n<p>\u201cCom o novo C\u00f3digo Florestal, as regras se tornaram claras e os produtores ficaram mais abertos ao di\u00e1logo para a adequa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 preciso acelerar a valida\u00e7\u00e3o do CAR para se saber quanto ser\u00e1 recuperado e como\u201d, avalia Luc\u00e9lia Avi, analista de meio ambiente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado de Mato Grosso (Famato).<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es compreendem tamb\u00e9m a redu\u00e7\u00e3o de conflitos fundi\u00e1rios. \u201cO compromisso estadual atraiu o interesse de investidores internacionais, entre eles o governo noruegu\u00eas\u201d, revela Daniela Mariuzzo, representante do IDH \u2013 institui\u00e7\u00e3o holandesa que investe na garantia de origem sustent\u00e1vel para a soja que entra na Europa pelo Porto de Roterd\u00e3.<\/p>\n<p>Segundo Laura Antoniazzi, pesquisadora da Agro\u00edcone, \u201cas solu\u00e7\u00f5es devem acomodar as proje\u00e7\u00f5es de crescimento da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria <strong>[8]<\/strong>\u201d. Assim, considerando a restaura\u00e7\u00e3o florestal e t\u00e9cnicas para maior produ\u00e7\u00e3o sem desmatamento, o investimento necess\u00e1rio para atingir as metas estaduais chega a US$ 9 bilh\u00f5es em dez anos \u2013 custo que pode ser bancado pelo retorno financeiro dos projetos. \u201cPara ser vi\u00e1vel, a reposi\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores tem de ser incorporada \u00e0 conta da atividade produtiva principal, e n\u00e3o vista como uma despesa isolada.\u201d<\/p>\n<p>Plantar \u00e1rvore n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples como se imagina. A \u00eanfase deve estar na busca por \u201cpaisagens integradoras e inteligentes\u201d, conforme diz Rodrigo Junqueira, coordenador do Programa Xingu, do Instituto Socioambiental (ISA). Mais que isso: na Amaz\u00f4nia, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio superar o lugar-comum de dizer que a floresta se regenera sozinha\u201d. Isso depende da regi\u00e3o, do relevo, do clima e do uso anterior do solo. Estudos j\u00e1 comprovaram: em \u00e1reas de antigas pastagens, conforme o est\u00e1gio de degrada\u00e7\u00e3o, s\u00f3 cresce naturalmente o capim. Ele precisa ser controlado e substitu\u00eddo por \u00e1rvores nativas. \u201cDevemos olhar para o que j\u00e1 est\u00e1 dando certo\u201d, recomenda Junqueira, ao se referir \u00e0 t\u00e9cnica de semeadura direta ou \u201cmuvuca\u201d, em que ocorre o plantio de um mix de sementes \u2013 e n\u00e3o de mudas \u2013 com viabilidade t\u00e9cnica, maior ader\u00eancia cultural e menor custo <strong>[9]<\/strong>.<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o se desenvolveu nos \u00faltimos dez anos a partir de uma demanda dos \u00edndios: a prote\u00e7\u00e3o dos rios que correm no Parque Ind\u00edgena do Xingu, cujas nascentes \u2013 situadas fora da reserva \u2013 encontravam-se amea\u00e7adas pela pecu\u00e1ria extensiva. A campanha Y Ikatu Xingu se desdobrou no trabalho que hoje mobiliza 420 coletores ind\u00edgenas e agricultores familiares ligados \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Rede de Sementes do Xingu, com capacidade produtiva de semear 500 hectares por ano. E inspira solu\u00e7\u00f5es para o Pa\u00eds plantar floresta e cumprir as metas clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>As imagens do MapBiomas retratam a mudan\u00e7a do uso da terra pelo agroneg\u00f3cio em Anal\u00e2ndia (MT), entre 1985 e 2015.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-210124\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MT1985.png\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MT1985.png 659w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MT1985-300x204.png 300w\" alt=\"MT1985\" width=\"340\" height=\"231\" \/><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-210125\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MT2015.png\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MT2015.png 659w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MT2015-300x203.png 300w\" alt=\"MT2015\" width=\"340\" height=\"230\" \/><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancias se multiplicam no Par\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Com 84 mil quil\u00f4metros quadrados, o dobro da \u00e1rea do Estado do Rio de Janeiro, o munic\u00edpio de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu, no Sul do Par\u00e1, tem o maior rebanho do Pa\u00eds \u2013 2,2 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado. Foi um dos campe\u00f5es do desmatamento na Amaz\u00f4nia e agora se destaca como palco de projetos que demonstram ser poss\u00edvel produzir com menor impacto ambiental. \u201cNa regi\u00e3o, disseminar boas pr\u00e1ticas na cadeia da pecu\u00e1ria \u00e9 o caminho para reduzir o desmatamento e promover a restaura\u00e7\u00e3o florestal\u201d, analisa Francisco Fonseca, coordenador da iniciativa Pecu\u00e1ria Sustent\u00e1vel \u2013 do Campo \u00e0 Mesa, da The Nature Conservancy (TNC).<\/p>\n<p>Em troca de assist\u00eancia t\u00e9cnica e de reconhecimento por parte de compradores como a ind\u00fastria frigor\u00edfica Marfrig e a rede varejista Walmart, parceiros do projeto, produtores rurais assumiram o compromisso de zerar o desmatamento, fazer o Cadastro Ambiental Rural e adotar um plano de boas pr\u00e1ticas. As medidas incluem a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas para pastagem e a restaura\u00e7\u00e3o da floresta para proteger rios e nascentes. Cerca de 1,2 mil hectares de APP est\u00e3o sendo isolados do gado.<\/p>\n<p>No munic\u00edpio, uma segunda frente de trabalho mobiliza a agricultura familiar para a expans\u00e3o dos cultivos de cacau como estrat\u00e9gia de restaura\u00e7\u00e3o florestal nas \u00e1reas de reserva legal. A planta, nativa das regi\u00f5es tropicais da Am\u00e9rica do Sul, precisa da sombra das demais \u00e1rvores para crescer e produzir. \u201cE est\u00e1 sendo consorciada com a pecu\u00e1ria de corte e leite na regi\u00e3o\u201d, informa Rodrigo Freire, coordenador de floresta e clima da TNC.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 repetir na Amaz\u00f4nia o que aconteceu na Mata Atl\u00e2ntica do Sul da Bahia, onde o cacau sombreado pela floresta teve importante papel na conserva\u00e7\u00e3o. Em S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu, 82 fam\u00edlias de agricultores recebem aux\u00edlio t\u00e9cnico e est\u00e3o substituindo pasto pelo fruto do chocolate, em alta no mercado. Com a produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 1 tonelada por hectare ao ano, \u00e9 poss\u00edvel obter renda complementar de R$ 10 mil no per\u00edodo. At\u00e9 2020, o plano \u00e9 expandir os atuais projetos demonstrativos e atingir 1 mil produtores, totalizando 5 mil hectares de cacau.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>[1] Palavra t\u00edpica do vocabul\u00e1rio ga\u00facho que significa lugar amado; nostalgia e saudade da terra natal<\/p>\n<p>[2] Atualizada pela \u00faltima vez em 2013, a lista cont\u00e9m 41 munic\u00edpios, a maioria de Mato Grosso<\/p>\n<p>[3] Situada na beira de rios, ao redor de nascentes e em topos de morro, tem a fun\u00e7\u00e3o ambiental de preservar os recursos h\u00eddricos, evitar eros\u00f5es e proteger a biodiversidade e o solo<\/p>\n<p>[4] S\u00e3o cons\u00f3rcios de culturas agr\u00edcolas com esp\u00e9cies arb\u00f3reas que podem ser utilizados para restaurar florestas e recuperar \u00e1reas degradadas<\/p>\n<p>[5] Ocupa\u00e7\u00e3o ilegal de terras p\u00fablicas para obten\u00e7\u00e3o fraudulenta de documento de posse com apar\u00eancia de legalidade<\/p>\n<p>[6] Na Amaz\u00f4nia, h\u00e1 450 mil fam\u00edlias em 3.450 assentamentos, respons\u00e1veis por um ter\u00e7o do desmatamento da regi\u00e3o<\/p>\n<p>[7] Pertencente ao grupo Amaggi, a propriedade tem 82 mil hectares, 46% ocupados por lavoura<\/p>\n<p>[8] Em Mato Grosso, a \u00e1rea de gr\u00e3os dever\u00e1 adicionar 3 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2025 e o crescimento da produ\u00e7\u00e3o de carne est\u00e1 projetado em 40%, sem aumento de pastagem<\/p>\n<p>[9] O valor das sementes, plantio e manuten\u00e7\u00e3o da \u00e1rea por tr\u00eas anos \u00e9 de R$ 5,4 mil por hectare, 50% inferior ao custo m\u00ednimo do cultivo tradicional de mudas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Cuiab\u00e1, capital mato-grossense, s\u00e3o 927 quil\u00f4metros por terra at\u00e9 Quer\u00eancia (MT) [1], um dos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43751,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/desmatamento.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"De Cuiab\u00e1, capital mato-grossense, s\u00e3o 927 quil\u00f4metros por terra at\u00e9 Quer\u00eancia (MT) [1], um dos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43750"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43750\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43751"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}