{"id":43690,"date":"2016-06-13T12:30:14","date_gmt":"2016-06-13T15:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43690"},"modified":"2016-06-13T07:33:12","modified_gmt":"2016-06-13T10:33:12","slug":"desperdicio-e-destruicao-na-era-dos-plasticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desperdicio-e-destruicao-na-era-dos-plasticos\/","title":{"rendered":"Estudo recente aponta desperd\u00edcio e destrui\u00e7\u00e3o na era dos pl\u00e1sticos"},"content":{"rendered":"<h5><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43691\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Limites no uso, educa\u00e7\u00e3o do consumidor e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica s\u00e3o caminhos para incluir estes materiais na economia circular<\/em><\/h5>\n<p>Por Ricardo Abramovay*<\/p>\n<p>Os oceanos recebem hoje um caminh\u00e3o de pl\u00e1sticos por minuto. Isso significa anualmente 8 milh\u00f5es de toneladas que v\u00eam acrescentar-se aos 150 milh\u00f5es de toneladas ali presentes. Para cada 3 quilos de peixe, h\u00e1 1 quilo de pl\u00e1sticos nos ambientes marinhos. A continuar nesse ritmo, em menos de 35 anos a propor\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de 1 para 1, como mostra relat\u00f3rio da<strong> <a href=\"http:\/\/www.oceanconservancy.org\/who-we-are\/newsroom\/2015\/ocean-conservancy-releases.html?referrer=http:\/\/www.triplepundit.com\/2016\/01\/growing-ocean-plastic-crisis\/?referrer=https:\/\/t.co\/aZ1dKaeb7V\" target=\"_blank\">Ocean Conservancy<\/a>. <\/strong>Um estudo publicado na prestigiosa revista cient\u00edfica <em><a href=\"http:\/\/www.pnas.org\/content\/112\/38\/11899.abstract\" target=\"_blank\"><strong>PNAS<\/strong><\/a><\/em>\u00a0estima a exist\u00eancia de 580 mil pe\u00e7as de pl\u00e1stico por quil\u00f4metro quadrado nos mares. A produ\u00e7\u00e3o vem dobrando a cada 11 anos, desde 1950. Entre 2015 e 2026, a sociedade fabricar\u00e1 mais pl\u00e1sticos do que tudo o que foi feito at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso reconhecer, claro, que os pl\u00e1sticos (o termo deve ser sempre empregado no plural, dada sua imensa diversidade de materiais, composi\u00e7\u00e3o e usos) trouxeram benef\u00edcios imensos, ampliando as possibilidades de armazenagem de alimentos e medicamentos, tornando mais leves os autom\u00f3veis (dos quais, em m\u00e9dia, hoje, cerca de 50% do volume e de 10% a 15% do peso v\u00eam desses materiais) e avi\u00f5es (com 50% de pl\u00e1sticos em seu peso) e permitindo engradados mais dur\u00e1veis: sem eles, o uso de recursos materiais, energ\u00e9ticos e bi\u00f3ticos seria ainda maior que o atual.<\/p>\n<p>Em muitos setores, os pl\u00e1sticos s\u00e3o sistematicamente reutilizados. Mas a reciclagem desse material \u00e9 baixa. S\u00f3 nos Estados Unidos, de 10 milh\u00f5es a 15 milh\u00f5es de carros saem de circula\u00e7\u00e3o anualmente. As partes met\u00e1licas dos ve\u00edculos s\u00e3o razoavelmente bem reaproveitadas, mas, como reconhece um<strong> <a href=\"http:\/\/www.environmentalleader.com\/2016\/04\/28\/how-to-increase-automotive-plastics-recycling\/\" target=\"_blank\">estudo recente<\/a><\/strong>, a reutiliza\u00e7\u00e3o dos pl\u00e1sticos est\u00e1 na sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O setor mais cr\u00edtico, nesse sentido, \u00e9 o das embalagens pl\u00e1sticas. \u00c9 a\u00ed que se concentra o rec\u00e9m-lan\u00e7ado <a href=\"https:\/\/www.ellenmacarthurfoundation.org\/publications\/the-new-plastics-economy-rethinking-the-future-of-plastics\" target=\"_blank\"><strong>relat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o Ellen MacArthur<\/strong><\/a>, cuja quest\u00e3o b\u00e1sica \u00e9: como permitir que um produto t\u00e3o \u00fatil e ao mesmo tempo de t\u00e3o dif\u00edcil reaproveitamento, uma vez utilizado, seja parte da economia circular? A resposta vai em tr\u00eas dire\u00e7\u00f5es: redu\u00e7\u00e3o no uso de\u00a0embalagens pl\u00e1sticas (desde que n\u00e3o sejam comprometidas as fun\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o de alimentos e medicamentos que os pl\u00e1sticos hoje propiciam, bem entendido), melhoria nos sistemas de coleta p\u00fablica e, sobretudo, muita pesquisa para que possam ampliar-se as raras iniciativas de destina\u00e7\u00e3o dos pl\u00e1sticos para biocompostagem ou reciclagem.<\/p>\n<p>O desperd\u00edcio \u00e9 o principal chamariz capaz de atrair o setor privado para uma \u201cnova economia dos pl\u00e1sticos\u201d. Hoje 95% do material que comp\u00f5e os pl\u00e1sticos usados para embalagens (num valor que oscila entre US$ 80 bilh\u00f5es e US$ 120 bilh\u00f5es anualmente) s\u00e3o perdidos ap\u00f3s um primeiro uso. Passados 40 anos do lan\u00e7amento do s\u00edmbolo da reciclagem, somente 14% dos pl\u00e1sticos s\u00e3o reciclados. Isso \u00e9 muito menos que o papel (58%), o ferro e o a\u00e7o (70% a 90%).<\/p>\n<p>E essa reciclagem distancia-se dos princ\u00edpios da economia circular. Na maior parte das vezes destina-se a produtos que, uma vez utilizados, s\u00f3 poder\u00e3o terminar suas vidas \u00fateis em aterros ou incineradores. A virtuosa reciclagem de embalagens PET no sistema de garrafa a garrafa (<em>bottle-to-bottle<\/em>), por exemplo, s\u00f3 beneficia 7% da produ\u00e7\u00e3o global. Esta \u00e9 uma das raz\u00f5es que alarmam especialistas diante da not\u00edcia de que hoje h\u00e1 no mundo mais \u00e1gua vendida em embalagens pl\u00e1sticas do que refrigerantes, conforme um <a href=\"http:\/\/www.canadean.com\/news\/global-packaged-water-consumption-to-overtake-carbonates-in-2015\/\" target=\"_blank\"><strong>estudo canadense<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Ao desperd\u00edcio do n\u00e3o reaproveitamento junta-se a destrui\u00e7\u00e3o: no mundo, um ter\u00e7o das embalagens pl\u00e1sticas ou n\u00e3o s\u00e3o coletadas pelos sistemas p\u00fablicos de limpeza ou escapam dos caminh\u00f5es respons\u00e1veis por seu recolhimento, sobretudo nos pa\u00edses em desenvolvimento. Se as empresas (e os consumidores, claro) tivessem de pagar pelos custos impostos ao meio ambiente por essa destrui\u00e7\u00e3o, o valor superaria os lucros globais da ind\u00fastria do pl\u00e1stico, segundo <a href=\"http:\/\/www.trucost.com\/published-research\/134\/valuing-plastic\" target=\"_blank\"><strong>estudo publicado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas em 2014<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Mas o maior desafio \u00e9 o da pesquisa. O relat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o Ellen MacArthur mostra que n\u00e3o existem normas internacionais definindo o que s\u00e3o pl\u00e1sticos compost\u00e1veis. Os chamados \u201cpl\u00e1sticos verdes\u201d atuais contam com biomassa em sua produ\u00e7\u00e3o (emitindo menos gases de efeito estufa que os advindos do petr\u00f3leo), mas nem de longe, em sua esmagadora maioria, s\u00e3o pass\u00edveis de compostagem. N\u00e3o s\u00e3o materiais \u201cbiobenignos\u201d. Experi\u00eancias de pl\u00e1sticos que, misturados a restos de alimentos, se decomp\u00f5em, transformando-se em fertilizantes, s\u00e3o rar\u00edssimas e localizadas, ainda que promissoras, como mostra o <a href=\"http:\/\/uk.novamont.com\/public\/Documentation\/The_case_study_of_Milan.pdf\" target=\"_blank\"><strong>caso da cidade de Mil\u00e3o<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Qualquer tentativa de flerte com as t\u00e9cnicas anteriores \u00e0 idade dos pl\u00e1sticos \u00e9 irrealista e indesej\u00e1vel. Ao mesmo tempo, conformar-se com os danos socioambientais de sua crescente produ\u00e7\u00e3o ser\u00e1 cada vez menos aceito. Limites \u2013 como no caso das \u00e1guas engarrafadas e das sacolas pl\u00e1sticas \u2013, educa\u00e7\u00e3o do consumidor e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica s\u00e3o os caminhos para enfrentar este t\u00e3o dif\u00edcil desafio.<\/p>\n<p>*Professor S\u00eanior do Instituto de Energia e Ambiente da USP.\u00a0Blog: <strong><a href=\"http:\/\/www.ricardoabramovay.com\">www.ricardoabramovay.com<\/a><\/strong> \u2013 Twitter: @abramovay<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Limites no uso, educa\u00e7\u00e3o do consumidor e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica s\u00e3o caminhos para incluir estes materiais<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43691,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/plastico-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Limites no uso, educa\u00e7\u00e3o do consumidor e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica s\u00e3o caminhos para incluir estes materiais","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43690"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43690"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43690\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43691"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}