{"id":43670,"date":"2016-06-13T09:00:21","date_gmt":"2016-06-13T12:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43670"},"modified":"2016-06-12T21:04:51","modified_gmt":"2016-06-13T00:04:51","slug":"os-meis-brasileiros-sao-incriveis-e-talvez-voce-nunca-tenha-provado-um","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-meis-brasileiros-sao-incriveis-e-talvez-voce-nunca-tenha-provado-um\/","title":{"rendered":"Os m\u00e9is brasileiros s\u00e3o incr\u00edveis &#8211; e talvez voc\u00ea nunca tenha provado um"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43671\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>&#8220;Se a gente perguntar para algu\u00e9m quais s\u00e3o as tr\u00eas primeiras coisas que v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a\u00a0quando se pensa na palavra &#8220;mel&#8221;,\u00a0ela vai responder: doce, aquela abelha com a bundinha listrada, e ferr\u00e3o. Mas essa defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o descreve\u00a0a\u00a0abelha\u00a0brasileira&#8221;, disse\u00a0\u00e0 SUPER Alex Atala, chefe de cozinha e fundador da ATA &#8211; organiza\u00e7\u00e3o que prega uma maior rela\u00e7\u00e3o entre o homem e os alimentos. Se voc\u00ea pensa justamente nessas palavras quando imagina o alimento feito pelas abelhas, n\u00e3o se culpe. \u00c9 entend\u00edvel que a gente tenha essa ideia errada &#8211; na verdade, muitos dos brasileiros nunca nem chegaram a comer um mel produzido por abelhas nativas do Brasil, e existe um bom motivo para isso: \u00e9 crime vender o mel delas.<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.anvisa.gov.br\/anvisalegis\/resol\/12_78_mel.htm\" target=\"_blank\">legisla\u00e7\u00e3o<\/a> brasileira afirma que s\u00f3 pode ser chamado mel a subst\u00e2ncia que tiver at\u00e9 21% de umidade na composi\u00e7\u00e3o &#8211; eis que os m\u00e9is (tamb\u00e9m pode chamar de meles) produzidos pelas abelhas t\u00edpicas do Brasil, em sua maioria, n\u00e3o t\u00eam essa caracter\u00edstica; a umidade costuma ser bem maior. Isso d\u00e1 ao mel uma consist\u00eancia mais aguada, e\u00a0tamb\u00e9m faz com que a subst\u00e2ncia fermente, criando\u00a0novos sabores. Por outro lado, ele estraga mais r\u00e1pido.\u00a0&#8220;\u00c9\u00a0um mel vivo&#8221;, afirma Atala. &#8220;Nossa legisla\u00e7\u00e3o foi feita por sanitaristas. Ela tem um apego muito grande a qualquer risco que possa oferecer \u00e0 sa\u00fade humana. \u00c9 louv\u00e1vel, mas mal administrada&#8221;, diz o chefe. &#8220;Existem legisla\u00e7\u00f5es g\u00eameas mundo afora que afirmam que pode ser aberta uma exce\u00e7\u00e3o caso o produto represente um movimento cultural no pa\u00eds. \u00c9 por isso que os queijos com leite cru n\u00e3o s\u00e3o proibidos l\u00e1 fora [como s\u00e3o aqui]. Estamos tentando trazer isso para o cen\u00e1rio brasileiro tamb\u00e9m&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>Quando dizemos &#8220;abelhas brasileiras&#8221; n\u00e3o significa que o mel que voc\u00ea come \u00e9 importado. As\u00a0abelhas \u00e9 que s\u00e3o. Esse mel com baixa umidade que a gente compra nos supermercados geralmente \u00e9 origin\u00e1rio de esp\u00e9cies europeias ou\u00a0africanas &#8211; ainda que elas sejam criadas no Brasil.<\/p>\n<p>Acontece que as abelhas africanas produziam muito mel, mas eram agressivas. As\u00a0esp\u00e9cies europeias atacam menos, mas tamb\u00e9m n\u00e3o fazem tanto mel. Pensando nisso, o geneticista brasileiro Warwick Estevan Kerr misturou\u00a0os dois tipos, nos anos 1950, criando uma abelha n\u00e3o t\u00e3o agressiva e que produzia grandes quantidades mel &#8211; eram as chamadas &#8220;abelhas africanizadas&#8221;. Eis que essa hist\u00f3ria n\u00e3o teve um final feliz: rolou um acidente durante as pesquisas, as abelhas fugiram do local de experimento e invadiram o Brasil e pa\u00edses vizinhos. Isso mexeu no curso natural das coisas, e hoje, 90% do mel vendido no nosso pa\u00eds \u00e9 das africanizadas.<\/p>\n<p>Acontece que nossas abelhas s\u00e3o ainda mais d\u00f3ceis que as europeias, pois muitas esp\u00e9cies nem ferr\u00e3o t\u00eam. Se passasse na frente de uma das colmeias brazucas, Darwin facilmente ia chegar a uma conclus\u00e3o: a falta do ferr\u00e3o diminui as defesas dos animais, que mesmo tendo outras ferramentas (algumas\u00a0liberam uma esp\u00e9cie de \u00e1cido contra o predador) preferem voar\u00a0menos por a\u00ed. Quanto maior a dist\u00e2ncia percorrida, maiores as chances de se deparar com uma poss\u00edvel amea\u00e7a, ent\u00e3o elas ficam paradas na mesma \u00e1rea &#8211; n\u00e3o s\u00e3o n\u00f4mades, como\u00a0os animais do resto do mundo. Na pr\u00e1tica, isso significa que, conforme os desmatamentos v\u00e3o acontecendo, esses animais v\u00e3o se extinguindo. \u00c9 a\u00ed que entram os pequenos produtores, eles conseguem reproduzir esses animais e manter vivo o consumo do mel tipicamente brasileiro.<\/p>\n<p>Ezequiel Macedo \u00e9 um desses exemplos. Aos 41 anos dedicou 25 \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do mel. Morador de Jardim do Serid\u00f3 (RN), ele possui mais de 600 colmeias, de 14 esp\u00e9cies de abelhas &#8211; s\u00e3o mais de um milh\u00e3o de animais &#8220;uma s\u00f3 colmeia pode chegar a ter 5 mil abelhas&#8221;, explica. Agora, al\u00e9m de produzir e vender o\u00a0mel &#8220;100% nacional&#8221;, Macedo quer multiplicar essa cultura. \u00c9\u00a0o projeto &#8220;F\u00e1brica de Abelhas&#8221;. A ideia ali \u00e9 relativamente simples: por meio de crowdfunding, ou do\u00a0patrocino de empresas, Ezequiel quer doar colmeias Brasil afora. Como os animais n\u00e3o tem ferr\u00e3o, ter centenas deles\u00a0dentro de uma caixa na sua varanda se torna menos perigoso do que um cachorro que costuma morder a visita. &#8220;A gente colhe o mel sem prote\u00e7\u00e3o nenhuma. S\u00f3 n\u00e3o faz isso pelado para n\u00e3o ficar feio&#8221;, afirma o apicultor.<\/p>\n<p>E d\u00e1 dinheiro ter uma colmeia em casa?\u00a0&#8220;Se uma fam\u00edlia tiver uma colmeia, e dedicar uma manh\u00e3 por semana para cuidar dela, ao fim do m\u00eas ela consegue uma renda equivalente \u00e0\u00a0do Bolsa Fam\u00edlia. Isso de\u00a0maio a setembro, que e o\u00a0per\u00edodo de produ\u00e7\u00e3o do mel&#8221;, afirma Atala. &#8220;Os cuidados s\u00e3o os b\u00e1sicos:\u00a0limpeza, alimenta\u00e7\u00e3o. Nada muito al\u00e9m disso&#8221;, explica Macedo.<\/p>\n<p>&#8220;Ano que vem a gente termina uma s\u00e9rie de estudos referentes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mel. Acreditamos que isso pode abrir algumas portas para mudarmos a lei, e aumentarmos as vendas no Brasil&#8221;, explica Alex. Quem sabe, em alguns meses, voc\u00ea j\u00e1 possa ter uma colmeia para chamar de sua?\u00a0O pr\u00f3prio Atala, tido como o maior chef brasileiro, tem cinco na casa dele.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea quiser saber um pouquinho mais sobre os m\u00e9is brasileiros, Atala, Macedo e este rep\u00f3rter que vos escreve\u00a0provaram 13 diferentes tipos de mel vindos do Brasil. Voc\u00ea pode ver as caracter\u00edsticas de cada um deles &#8211; e o favorito do chef, nos v\u00eddeos abaixo.<\/p>\n<p>PARTE 1:<\/p>\n<div class=\"media_embed\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FSuperinteressante%2Fvideos%2F10154618807102580%2F&amp;show_text=0&amp;width=560\" width=\"560px\" height=\"315px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<p>PARTE 2:<\/p>\n<div class=\"media_embed\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FSuperinteressante%2Fvideos%2F10154618914312580%2F&amp;show_text=0&amp;width=560\" width=\"560px\" height=\"315px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Se a gente perguntar para algu\u00e9m quais s\u00e3o as tr\u00eas primeiras coisas que v\u00eam \u00e0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43671,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/meis.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"&#8220;Se a gente perguntar para algu\u00e9m quais s\u00e3o as tr\u00eas primeiras coisas que v\u00eam \u00e0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43670"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43670"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43670\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43671"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}