{"id":43633,"date":"2016-06-12T14:00:38","date_gmt":"2016-06-12T17:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43633"},"modified":"2016-06-12T11:00:51","modified_gmt":"2016-06-12T14:00:51","slug":"agroflorestas-se-espalham-pelo-pais-cultivo-com-preservacao-e-sem-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agroflorestas-se-espalham-pelo-pais-cultivo-com-preservacao-e-sem-desmatamento\/","title":{"rendered":"Agroflorestas se espalham pelo pa\u00eds: cultivo com preserva\u00e7\u00e3o e sem desmatamento"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43634\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u00c0 primeira vista, pode parecer uma mata crescendo sem interfer\u00eancia humana, tal a quantidade de \u00e1rvores. Mas, caminhando pela \u00e1rea, o visitante identifica a grande variedade de alimentos brotando de arbustos e das pr\u00f3prias \u00e1rvores. Lim\u00e3o, a\u00e7a\u00ed, manga, acerola, caju, banana, laranja e muito mais. Nada est\u00e1 ali por acaso. As esp\u00e9cies que geram esses frutos foram cuidadosamente plantadas neste terreno em Silva Jardim, no interior do estado. Trata-se de uma agrofloresta.<\/p>\n<p>\u2014 Quando me falaram, achei que era coisa de maluco. \u2018Plantar sem desmatar a floresta? Vai semear como? Vai ter que fazer casa em \u00e1rvore e morar que nem \u00edndio\u2019 \u2014 conta a agricultora Marlene Assun\u00e7\u00e3o, de 52 anos, dona da propriedade. \u2014 Hoje eu entendo. As coisas v\u00e3o estar aqui para nossos netos. \u00c9 menos ego\u00edsta.<\/p>\n<p>As agroflorestas, tamb\u00e9m chamadas de sistemas agroflorestais (SAF), v\u00eam ganhando relev\u00e2ncia no pa\u00eds como uma alternativa que alia a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, necess\u00e1ria num mundo de popula\u00e7\u00e3o crescente (seremos 8,5 bilh\u00f5es de <em>Homo sapiens<\/em> em 2030, segundo estimativas da ONU), com a preserva\u00e7\u00e3o de florestas, n\u00e3o menos importante num planeta que precisa manter seus recursos naturais e, assim, frear as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O conceito preconiza que a agricultura pode se beneficiar, e muito, de \u00e1reas intensamente arborizadas.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica agroflorestal j\u00e1 existe h\u00e1 d\u00e9cadas, mas agora come\u00e7a a receber a devida aten\u00e7\u00e3o, disseminando-se pelo pa\u00eds. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio da Agricultura, est\u00e1 dando in\u00edcio a um projeto para identificar, mapear e estimular agroflorestas nas regi\u00f5es Sul e Sudeste. No Estado do Rio, h\u00e1 exemplos de SAFs concentrados, principalmente, em Paraty, no Maci\u00e7o da Pedra Branca (Zona Oeste do Rio) e na regi\u00e3o de Casimiro de Abreu, onde uma oficina do Projeto Agenda Gotsch est\u00e1 capacitando 60 agricultores para adotar essas pr\u00e1ticas em suas terras. O curso come\u00e7ou na quinta-feira e termina hoje.<\/p>\n<p>Agricultura sintr\u00f3pica<\/p>\n<p>A oficina \u00e9 ministrada pelo pesquisador su\u00ed\u00e7o Ernst G\u00f6tsch, um dos pioneiros desse m\u00e9todo de cultivo no pa\u00eds. O agricultor veio para o Brasil na d\u00e9cada de 1980, estabelecendo-se numa fazenda no Sul da Bahia. Desde ent\u00e3o, desenvolve t\u00e9cnicas de recupera\u00e7\u00e3o de solo com m\u00e9todos de plantio que mimetizam a regenera\u00e7\u00e3o natural de florestas.<\/p>\n<p>\u2014 Queremos trabalhar para criar agroecossistemas, que promovem essa integra\u00e7\u00e3o. Em vez de estabelecer \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o permanente, constituir sistemas de integra\u00e7\u00e3o permanente, que permitam ao agricultor produzir melhorando o solo e criando um ecossistema mais pr\u00f3spero \u2014 afirma G\u00f6tsch, que est\u00e1 gravando uma s\u00e9rie de v\u00eddeos para divulgar suas t\u00e9cnicas na internet.<\/p>\n<p>O europeu usa a express\u00e3o \u201cagricultura sintr\u00f3pica\u201d para definir o conceito que busca divulgar. Trata-se do uso de din\u00e2micas naturais para enriquecer ou recuperar o solo, que se torna apto para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola sem a necessidade de fertilizantes qu\u00edmicos, apenas usando os recursos naturais. E sem devasta\u00e7\u00e3o da mata.<\/p>\n<p>Mas, para aproveitar ao m\u00e1ximo o que a natureza oferece para o cultivo, o manejo da floresta \u00e9 fundamental. Quem explica \u00e9 o t\u00e9cnico ambiental Nelson Barbosa, coordenador do Programa de Extens\u00e3o Ambiental da Associa\u00e7\u00e3o Mico-Le\u00e3o-Dourado, em Silva Jardim. Segundo ele, a cada cinco anos, \u00e9 preciso podar \u00e1rvores, at\u00e9 mesmo derrubar algumas delas, e deixar os res\u00edduos no solo. S\u00e3o estes res\u00edduos (galhos e folhagens, por exemplo) que espalham na superf\u00edcie os nutrientes absorvidos, anteriormente, pelas ra\u00edzes das \u00e1rvores nas camadas profundas da terra.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 importante ter \u00e1reas de luz direta e sombras na planta\u00e7\u00e3o. \u00c9 a\u00ed que ajudamos, levando equipamentos adequados para o manejo e mostrando onde fazer \u2014 explica Barbosa.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Mico-Le\u00e3o-Dourado funciona na reserva biol\u00f3gica de Po\u00e7o das Antas, entre Silva Jardim e Casimiro de Abreu. O apoio aos agricultores surgiu para ajudar a entidade, que planeja garantir 25 mil hectares (o equivalente a cerca de 25 mil campos de futebol) de floresta integrada para a sobreviv\u00eancia de dois mil micos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. Como a reserva tem 5.500 hectares, uma das solu\u00e7\u00f5es foi incentivar pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis entre os agricultores vizinhos, protegendo as \u00e1rvores com prosperidade agr\u00edcola.<\/p>\n<p>\u2014 Quando cheguei, h\u00e1 20 anos, a terra era seca e o solo rachado, quase pedra. Depois que comecei a agrofloresta, mudou tudo. \u00c9 este solo verde, de terra preta. N\u00e3o precisa de enxada, voc\u00ea cava com o p\u00e9, de t\u00e3o macio \u2014 descreve Ade\u00edlson Ataliba, de 63 anos, que dedica dois hectares de seu terreno, em Silva Jardim, ao cultivo de caf\u00e9, tangerina e palmito.<\/p>\n<p>Cortar \u00e1rvores da t\u00e3o degradada Mata Atl\u00e2ntica pode parecer negativo, mas \u00f3rg\u00e3os e ONGs ambientais d\u00e3o for\u00e7a \u00e0 pr\u00e1tica feita de forma consciente. O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente apoia agroflorestas em diferentes regi\u00f5es. Em setembro de 2015, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) publicou uma resolu\u00e7\u00e3o que regulamenta o manejo sustent\u00e1vel da floresta, para apoiar os SAFs em territ\u00f3rio fluminense.<\/p>\n<p>Em Presidente Figueiredo, na Amaz\u00f4nia, uma nova parceria da Coca-Cola com a ONG Imaflora vai fornecer apoio t\u00e9cnico para ado\u00e7\u00e3o de sistemas agroflorestais a centenas de fam\u00edlias que produzem o guaran\u00e1 comprado pela multinacional.<\/p>\n<p><strong>\u2018RECICLADORAS DO MEIO AMBIENTE\u2019<\/strong><\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas agroflorestais s\u00e3o muito usadas para recuperar \u00e1reas desmatadas. Exemplo disto \u00e9 a Fazendinha Agroecol\u00f3gica, em Serop\u00e9dica. Parceria da Embrapa com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria do Estado do Rio (Pesagro), o projeto teve in\u00edcio nos anos 1990, numa \u00e1rea de 70 hectares. Esp\u00e9cies que precisam de mais nutrientes foram dispostas em fileiras, com frut\u00edferas e madeireiras de valor comercial. \u00c1rvores de r\u00e1pido crescimento foram colocadas junto a essas esp\u00e9cies \u201cexigentes\u201d, para dar sombra e material org\u00e2nico. Hoje, o terreno, coalhado de vegetais, serve de \u00e1rea de pesquisa e aprendizado para estudantes.<\/p>\n<p>\u2014 A agrofloresta \u00e9 uma alternativa de prote\u00e7\u00e3o ambiental, mas tamb\u00e9m uma reserva de seguran\u00e7a alimentar \u2014 diz o pesquisador Eduardo Campello, da Embrapa Agrobiologia, que trabalha no mapeamento das SAFs. \u2014 J\u00e1 temos um question\u00e1rio pronto e espero ter resultados desse projeto em breve.<\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo Claudemar Mattos, da ONG AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, \u00e9 um ativista da causa. Ha 15 anos, ele foi a Barra do Turvo, em S\u00e3o Paulo, onde h\u00e1 uma atuante cooperativa de produtores agroflorestais, para trazer a experi\u00eancia ao Estado do Rio. Segundo ele, no Norte, muitos \u00edndios s\u00f3 plantam com t\u00e9cnicas agroflorestais:<\/p>\n<p>\u2014 As \u00e1rvores conservam \u00e1gua, enriquecem o solo e d\u00e3o sombra. S\u00e3o recicladoras do meio ambiente, que pode ser preservado com produtividade.<\/p>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 primeira vista, pode parecer uma mata crescendo sem interfer\u00eancia humana, tal a quantidade de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43634,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/agroflorestas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u00c0 primeira vista, pode parecer uma mata crescendo sem interfer\u00eancia humana, tal a quantidade de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43633"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43633"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43633\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}