{"id":43557,"date":"2016-06-11T11:00:30","date_gmt":"2016-06-11T14:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43557"},"modified":"2016-06-11T10:24:42","modified_gmt":"2016-06-11T13:24:42","slug":"biolarvicida-obtido-do-bagaco-da-cana-mata-larvas-de-aedes-aegypti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/biolarvicida-obtido-do-bagaco-da-cana-mata-larvas-de-aedes-aegypti\/","title":{"rendered":"Biolarvicida obtido do baga\u00e7o da cana mata larvas de Aedes aegypti"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43558\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de S\u00e3o Paulo (EEL-USP) desenvolveram um biolarvicida a partir do baga\u00e7o da cana-de-a\u00e7\u00facar capaz de eliminar as larvas do mosquito <i>Aedes aegypti<\/i> \u2013 transmissor dos v\u00edrus da dengue, Zika e chikungunya \u2013 ao dificultar a respira\u00e7\u00e3o e destruir a cut\u00edcula (exoesqueleto) que as revestem.<\/p>\n<p>O processo de produ\u00e7\u00e3o do biolarvicida, que foi patenteado, resulta do projeto\u00a0&#8220;<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/90924\/biossurfactantes-como-moleculas-versateis-um-novo-conceito-de-produtos-para-biorrefinarias-e-combat\/\" target=\"_blank\">Biossurfactantes como mol\u00e9culas vers\u00e1teis<\/a><\/b>&#8220;, feito com apoio da FAPESP, e do trabalho de doutorado de Paulo Franco, realizado na EEL-USP.<\/p>\n<p>\u201cConstatamos que o produto \u00e9 capaz de matar as larvas do mosquito <i>Aedes aegypti <\/i>em at\u00e9 24 horas ap\u00f3s ser dilu\u00eddo na \u00e1gua e destru\u00ed-las em at\u00e9 48 horas\u201d, disse Silvio Silv\u00e9rio da Silva, professor da EEL-USP e coordenador do projeto, \u00e0 <b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>De acordo com Silva, que orienta o doutorado de Franco na \u00e1rea de biotecnologia industrial, o produto \u00e9 um surfactante \u2013 composto capaz de reduzir a tens\u00e3o superficial (elasticidade da superf\u00edcie) dos l\u00edquidos e emulsionar compostos com diferentes polaridades (eletronegatividade), como as polares e as apolares.<\/p>\n<p>Utilizados largamente na ind\u00fastria, principalmente em produtos de limpeza, como detergentes, por sua capacidade emulsionante \u2013 de unir subst\u00e2ncias que n\u00e3o se misturam, como a \u00e1gua e o \u00f3leo \u2013, a maioria dos surfactantes encontrados hoje no mercado \u00e9 derivada de petr\u00f3leo e pode causar graves problemas no meio ambiente, principalmente em ecossistemas aqu\u00e1ticos, explicou Silva.<\/p>\n<p>\u201cAlguns estudos apontam que em ambientes com excesso de surfactantes nota-se ac\u00famulo de espuma nos rios, diminui\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio dissolvido na \u00e1gua e da permeabilidade da luz. Al\u00e9m disso, esses compostos interferem em processos biol\u00f3gicos, como o ciclo do nitrog\u00eanio, e sua degrada\u00e7\u00e3o pode aumentar as concentra\u00e7\u00f5es de compostos xenof\u00f3bicos <i>[estranhos a um organismo ou sistema biol\u00f3gico]<\/i> e causar a mortandade de organismos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ao tentar desenvolver uma alternativa de surfactante proveniente de uma fonte renov\u00e1vel e com toxicidade baixa ou nula, Silva e Franco conseguiram obter o produto a partir do baga\u00e7o da cana-de-a\u00e7\u00facar, com as mesmas propriedades de um surfactante sint\u00e9tico, produzido por s\u00edntese qu\u00edmica.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos obter o composto, que chamamos de surfactante \u2018verde\u2019 ou biossurfactante de segunda gera\u00e7\u00e3o, a partir de leveduras que produzem a subst\u00e2ncia durante o processo de fermenta\u00e7\u00e3o dos a\u00e7\u00facares presentes no hidrolisado hemicelul\u00f3sico do baga\u00e7o da cana\u201d, afirmou Silva.<\/p>\n<p><b>Testes com <i>Aedes aegypti<\/i><\/b><\/p>\n<p>Uma vez que o composto tem as mesmas propriedades dos surfactantes sint\u00e9ticos de reduzir a tens\u00e3o superficial dos l\u00edquidos e emulsionar subst\u00e2ncias com diferentes polaridades, os pesquisadores tiveram a ideia de testar sua aplica\u00e7\u00e3o no combate ao mosquito <i>Aedes aegypti<\/i>.<\/p>\n<p>Os testes foram realizados em parceria com os professores Cl\u00e1udio Von Zuben e Jonas Contiero, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, e o estudante Vinicius Luiz da Silva, que realiza doutorado na mesma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados dos testes indicaram que o biosurfactante causa a morte de larvas do mosquito <i>Aedes aegypti<\/i>.<\/p>\n<p>Isso porque o composto interage com o sif\u00e3o respirat\u00f3rio das larvas, deixando a regi\u00e3o \u2013 formada por mol\u00e9culas apolares, com umidade controlada e protegida pelo exosqueleto \u2013suscet\u00edvel \u00e0 intera\u00e7\u00e3o com a \u00e1gua. Com isso, as larvas do mosquito sofrem asfixia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a presen\u00e7a do biossurfactante na \u00e1gua onde o mosquito depositou seus ovos altera e dificulta o equil\u00edbrio hidrost\u00e1tico das larvas, o que as leva a ter um gasto energ\u00e9tico exacerbado e \u00e0 morte por afogamento.<\/p>\n<p>\u201cAs larvas n\u00e3o conseguiram respirar e morreram por asfixia at\u00e9 24 horas depois de entrarem em contato com o biossurfactante\u201d, afirmou Silva.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m observaram um fato in\u00e9dito na aplica\u00e7\u00e3o do produto: em at\u00e9 48 horas ap\u00f3s o contato inicial com as larvas, o biossurfactante desintegrou o exoesqueleto do inseto nesse est\u00e1gio de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses levantadas pelos pesquisadores para explicar os efeitos do biossurfactante sobre o exoesqueleto das larvas do mosquito \u00e9 o fato de as mol\u00e9culas do composto possu\u00edrem uma caracter\u00edstica qu\u00edmica anfif\u00edlica, isto \u00e9, parte \u00e9 sol\u00favel em \u00e1gua e parte em solvente.<\/p>\n<p>A estrutura qu\u00edmica das mol\u00e9culas do biossurfactante, assim como a dos surfactantes sint\u00e9ticos, possui uma regi\u00e3o sol\u00favel em meio aquoso (polar) e outra regi\u00e3o apolar, insol\u00favel em \u00e1gua, por\u00e9m sol\u00favel em lip\u00eddeos e solventes org\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Essa caracter\u00edstica permite que o composto possa interagir e, em alguns casos, dissolver tanto subst\u00e2ncias polares e apolares, como no caso dos detergentes, que por meio dos surfactantes podem se juntar \u00e0 \u00e1gua e a part\u00edculas de gordura removendo-as de utens\u00edlios de cozinha, explicou Silva.<\/p>\n<p>\u201cQueremos verificar se esse mesmo comportamento ocorre nos hidrocarbonetos cuticulares das larvas do <i>Aedes aegypti<\/i>\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, h\u00e1 relatos na literatura cient\u00edfica de que a cut\u00edcula de larvas do mosquito possui em sua composi\u00e7\u00e3o alguns hidrocarbonetos, que s\u00e3o compostos apolares de baixa solubilidade em meio aquoso.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos realizar estudos no \u00e2mbito do projeto para determinar se h\u00e1 alguma intera\u00e7\u00e3o entre esses hidrocarbonetos cuticulares do mosquito e os biossurfactantes\u201d, disse Silva.<\/p>\n<p><b>Outras doen\u00e7as<\/b><\/p>\n<p>Os pesquisadores realizaram testes com o produto na forma l\u00edquida e avaliaram a dosagem ideal para aplica\u00e7\u00e3o em criadouros de <i>Aedes aegypti<\/i>. Agora, pretendem desenvolver o produto na forma s\u00f3lida (p\u00f3) e verificar algumas propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas da formula\u00e7\u00e3o e a melhor forma de aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cIremos realizar novos testes a fim de desenvolver o produto em sua forma s\u00f3lida, avaliar novamente a dosagem, al\u00e9m de qual a melhor formula\u00e7\u00e3o \u2013 se em l\u00edquido ou p\u00f3 \u2013, fazer a caracteriza\u00e7\u00e3o f\u00edsico-qu\u00edmica do biossurfactante em p\u00f3 e analisar qual a periodicidade ideal de aplica\u00e7\u00e3o, de modo a resultar em um produto que possa ser feito em escala industrial\u201d, disse Silva.<\/p>\n<p>A pretens\u00e3o deles tamb\u00e9m \u00e9 desenvolver outros biossurfactantes e us\u00e1-los para o combate de outras doen\u00e7as tropicais negligenciadas, como a leishmaniose e a esquistossomose.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de S\u00e3o Paulo (EEL-USP) desenvolveram um<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43558,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/larvicida.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de S\u00e3o Paulo (EEL-USP) desenvolveram um","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43557"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43557"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43557\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}