{"id":43426,"date":"2016-06-09T07:00:10","date_gmt":"2016-06-09T10:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43426"},"modified":"2016-06-08T21:03:30","modified_gmt":"2016-06-09T00:03:30","slug":"seca-na-africa-deixa-42-milhoes-sob-o-risco-da-fome-segundo-a-fao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/seca-na-africa-deixa-42-milhoes-sob-o-risco-da-fome-segundo-a-fao\/","title":{"rendered":"Seca na \u00c1frica deixa 42 milh\u00f5es sob o risco da fome, segundo a FAO"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43427\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A foto de uma africana esqu\u00e1lida, negra, amamentando uma crian\u00e7a que parecia estar saud\u00e1vel correu mundo nos anos 80. Era um tempo diferente, as coisas andavam mais devagar, as not\u00edcias ou coment\u00e1rios n\u00e3o viralizavam, passavam por fax, ainda era preciso fazer c\u00f3pias e telefonar. Assim mesmo, muita gente viu a foto e se deu conta do drama das pessoas que viviam num continente de subsolo riqu\u00edssimo, mas intensamente desvalido e pobre. Dados do fim da d\u00e9cada de 60, colhidos e divulgados pela FAO (Food and Agricultural Organization), organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas que cuida de alimentos e agricultura, davam conta de que havia ent\u00e3o 460 milh\u00f5es de pessoas com fome no mundo.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo acabou, j\u00e1 estamos a quatro anos de fecharmos a segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, e hoje os n\u00fameros da fome n\u00e3o nos deixam tranquilos. S\u00e3o quase 800 milh\u00f5es no mundo de pessoas no mundo, segundo a ONU, que n\u00e3o conseguem dormir alimentadas.<\/p>\n<p>Um dado novo, por\u00e9m, surgiu e me fez lembrar a foto da mulher que alimentava o filho sem condi\u00e7\u00f5es de se manter em p\u00e9: mais de 42 milh\u00f5es de pessoas enfrentam o risco de fome nos 27 pa\u00edses da \u00c1frica Oriental e Austral por causa da grave seca que est\u00e1 se alastrando pela regi\u00e3o, consequ\u00eancia do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o*. O pa\u00eds mais afetado \u00e9 a Eti\u00f3pia, que enfrenta a pior seca em 50 anos, segundo informa\u00e7\u00f5es do Programa Mundial de Alimenta\u00e7\u00e3o (PMA) para a regi\u00e3o. Lusa Challiss McDonough, porta-voz do Programa, mostrou sua preocupa\u00e7\u00e3o durante uma <a href=\"http:\/\/www.jornalnoticias.co.mz\/index.php\/internacional\/54850-na-africa-oriental-e-austral-mais-de-42-milhoes-em-risco-de-fome\">entrevista:<\/a><\/p>\n<p>\u201cAs taxas de desnutri\u00e7\u00e3o aumentaram nitidamente no \u00faltimo trimestre. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente s\u00e9ria\u201d.<\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique declarou um alerta vermelho, o n\u00edvel mais alto de prepara\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia nacional. O governo da Som\u00e1lia pediu ajuda da comunidade internacional para dar solu\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades b\u00e1sicas das pessoas, cerca de 10 milh\u00f5es. O Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios (Ocha) informou que cerca de 1,7 milh\u00e3o de pessoas precisam ali de algum tipo de assist\u00eancia humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Lesotho, Malawi, Swazil\u00e2ndia e Zimbabwe declararam estado de emerg\u00eancia. E o PMA, que \u00e9 a maior ag\u00eancia humanit\u00e1ria do mundo, indicou que tem apenas 13% do or\u00e7amento necess\u00e1rio para dar resposta \u00e0s necessidades na regi\u00e3o da \u00c1frica Austral entre abril deste ano e mar\u00e7o de 2017. Segundo o PMA, ser\u00e3o necess\u00e1rios cerca de US$ 677 milh\u00f5es para salvar aquelas pessoas. Uma quantia quase miser\u00e1vel levando em conta que o plano de resgate econ\u00f4mico arquitetado em 2008 pelos Estados Unidos para evitar uma quebradeira dos grandes bancos foi de cerca de US$ 800 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Sim, alguma coisa est\u00e1 muito fora da ordem num sistema em que h\u00e1 mais ajuda monet\u00e1ria para salvar bancos do que para salvar pessoas. Assim como tamb\u00e9m n\u00e3o se pode achar equilibrada uma civiliza\u00e7\u00e3o que p\u00f5e barreiras em territ\u00f3rios para evitar ingresso de seres humanos a fim de transformar tais terrenos em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente para possibilitar a venda de emiss\u00f5es de carbono a pa\u00edses ou empresas. \u00c9 o mercado de carbono, ou colonialismo verde, como chamam os ativistas socioambientais que est\u00e3o na linha de frente para refletir sobre <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/blog\/nova-etica-social\/post\/na-semana-do-meio-ambiente-reflexoes-sobre-os-abusos-verdes-aos-direitos-humanos.html\">tais abusos.<\/a><\/p>\n<p>Como se v\u00ea, desde a divulga\u00e7\u00e3o da foto que virou \u00edcone da fome no mundo nos anos 80 at\u00e9 hoje, pouco ou nada mudou de verdade na disposi\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria dos ricos para com os pobres. O que mudou, e foi para pior, \u00e9 que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas acrescentaram um sabor ainda mais amargo \u00e0s vidas j\u00e1 t\u00e3o cheias de priva\u00e7\u00f5es de muitas dessas pessoas. Na \u00c1frica, a seca. Em pa\u00edses do Pac\u00edfico que vivem cercados por \u00e1guas, como Nauru, por exemplo, as popula\u00e7\u00f5es convivem com a certeza de que o aumento dos oceanos causado pelo derretimento das geleiras do \u00c1rtico vai submet\u00ea-los a buscarem ref\u00fagio em outras terras.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, em Nauru h\u00e1 mais um componente dram\u00e1tico, s\u00edmbolo de nossos dias. Segundo artigo publicado por Naomi Klein no site \u201cLondon Review of Books\u201d, o governo australiano mant\u00e9m ali sobreviventes de guerra e de regimes desp\u00f3ticos em campos de refugiados que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o deplor\u00e1vel. A situa\u00e7\u00e3o l\u00e1 est\u00e1 t\u00e3o desesperadora que uma somaliana <a href=\"http:\/\/br.sputniknews.com\/mundo\/20160502\/4399468\/refugiada-ateia-fogo-sobre-si-mesma.html\">ateou fogo ao pr\u00f3prio corpo <\/a>para tentar chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo para seu drama.<\/p>\n<p>\u201cAs altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas n\u00e3o discriminam ningu\u00e9m, mas atingem os pobres em primeiro lugar, n\u00e3o importa se eles estejam agarrados aos telhados de Nova Orleans, lan\u00e7ados ali pelo furac\u00e3o Katrina, ou se s\u00e3o os 36 milh\u00f5es da \u00c1frica Austral e Oriental que est\u00e3o vivendo sua pior seca. Estamos vivendo uma cultura que d\u00e1 t\u00e3o pouco valor \u00e0 vida que se disp\u00f5e a deixar que os seres humanos desapare\u00e7am sob as ondas ou desidratem no calor \u00e1rido\u201d, escreve Klein.<\/p>\n<p>Mas eu comecei falando sobre a fome e pretendo voltar ao tema, tamanha a minha inquietude com rela\u00e7\u00e3o a ele. Tenho aqui na estante o livro \u201cRich world, poor world\u201d, publicado em 1978 pelo jornalista e tamb\u00e9m ativista ambiental Geoffrey Lean, em que a quest\u00e3o da desigualdade \u00e9 intensamente debatida. E olha que naquela \u00e9poca ainda n\u00e3o t\u00ednhamos atravessado a crise financeira e econ\u00f4mica mundial de 2008. Tamb\u00e9m ainda n\u00e3o tinha sido lan\u00e7ado o \u201cCapital do S\u00e9culo XXI\u201d, praticamente uma b\u00edblia da desigualdade, escrito pelo franc\u00eas Thomas Piketty.<\/p>\n<p>No segundo cap\u00edtulo do livro de Lean, o artigo \u201cThe Growing Imbalance\u201d (\u201cO Desequil\u00edbrio crescente\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o literal), lembra que \u201cO desenvolvimento da crise de alimentos tem base na polariza\u00e7\u00e3o de nosso planeta em dois mundos, o norte rico e o sul pobre\u201d.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o, como mostra o texto do jornalista e como tem sido recorrentemente denunciada por estudiosos, n\u00e3o \u00e9 a falta de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, mas a p\u00e9ssima distribui\u00e7\u00e3o deles.<\/p>\n<p>\u201cNo come\u00e7o dos anos 70 as pessoas da Europa Ocidental, Austr\u00e1lia e Jap\u00e3o estavam consumindo 23% calorias a mais do que elas necessitavam efetivamente. E o povo norte-americano estava \u00e0 frente deles, com 26% a mais. Ao mesmo tempo, tr\u00eas quintos de todos os pa\u00edses em desenvolvimento n\u00e3o tinham comida suficiente para dar a cada pessoa suas necessidades b\u00e1sicas. No mundo dos pobres, 30% das crian\u00e7as morrem antes de completar 5 anos. Metade dessas mortes acontecem por causa da desnutri\u00e7\u00e3o\u201d, diz o texto assinado pelo jornalista.<\/p>\n<p>Sabem o que pode ser bom nisso tudo? \u00c9 que a crise clim\u00e1tica na era da comunica\u00e7\u00e3o tem possibilitado irradiar informa\u00e7\u00f5es, como est\u00e1 acontecendo agora. Est\u00e1 certo que a fome na \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 not\u00edcia nova. Tampouco n\u00e3o se pode mais dizer que \u00e9 novidade o fato de a seca provocada pelas mudan\u00e7as do clima ter sido a principal causa do problema. Mas, saber disso j\u00e1 nos d\u00e1 chances de refletir al\u00e9m.<\/p>\n<p>Para terminar, quase uma boa not\u00edcia: um estudo publicado pelo Banco Mundial no in\u00edcio do m\u00eas, os \u201cIndicadores de Desenvolvimento Global\u201d, que neste ano tem como foco os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel das Na\u00e7\u00f5es Unidas, <a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/economia-2015\/banco-mundial-fim-da-pobreza-depende-de-crescimento-economico\/\">mostra que, <\/a>em 2030, 4% da popula\u00e7\u00e3o do planeta viver\u00e3o em extrema pobreza se a economia continuar crescendo como na d\u00e9cada entre 2002 e 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A foto de uma africana esqu\u00e1lida, negra, amamentando uma crian\u00e7a que parecia estar saud\u00e1vel correu<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43427,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/seca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A foto de uma africana esqu\u00e1lida, negra, amamentando uma crian\u00e7a que parecia estar saud\u00e1vel correu","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43426"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43426"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43426\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43427"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}