{"id":43404,"date":"2016-06-08T13:30:07","date_gmt":"2016-06-08T16:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43404"},"modified":"2016-06-07T22:51:54","modified_gmt":"2016-06-08T01:51:54","slug":"ameaca-de-exterminio-de-salamandra-por-fungo-mobiliza-pesquisadores-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ameaca-de-exterminio-de-salamandra-por-fungo-mobiliza-pesquisadores-dos-eua\/","title":{"rendered":"Amea\u00e7a de exterm\u00ednio de salamandra por fungo mobiliza pesquisadores dos EUA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43405\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O Lago Warren no sul de Connecticut, delimitado por carvalhos e bordos que fazem sombra, \u00e9 um belo lugar para pescar robalos ou percas. Ou, caso prefira, ca\u00e7ar trit\u00f5es, um tipo de salamandra com pintas vermelhas.<\/p>\n<p>Por que algu\u00e9m iria querer ca\u00e7ar salamandras \u00e9 uma quest\u00e3o v\u00e1lida. Mas, para Evan Grant, que este m\u00eas fiscalizou as margens do Lago Warren e vasculhou as \u00e1guas com \u00f3culos de sol polarizados, a resposta \u00e9 que muitas esp\u00e9cies de salamandras nos Estados Unidos, incluindo os trit\u00f5es que ele perseguia, podem estar \u00e0 beira de um assalto f\u00fangico, como o que devastou algumas popula\u00e7\u00f5es de sapos e r\u00e3s no mundo todo.<\/p>\n<p>Em 2013, cientistas descobriram que um fungo chamado <em>Batrachochytrium salamandrivorans<\/em>, conhecido como Bsal, estava atacando as salamandras na Europa. Depois, determinaram que as esp\u00e9cies dos Estados Unidos tamb\u00e9m estavam vulner\u00e1veis \u00e0 infec\u00e7\u00e3o. E, no come\u00e7o deste ano, o Servi\u00e7o de Peixes e Vida Selvagem dos Estados Unidos baniu temporariamente a importa\u00e7\u00e3o de 201 esp\u00e9cies de salamandras que poderiam transportar o fungo para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o de vida selvagem prop\u00f4s uma proibi\u00e7\u00e3o permanente, e acabou de fechar um per\u00edodo de coment\u00e1rios p\u00fablicos sobre essa proposta. Uma decis\u00e3o final sair\u00e1 nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a Pesquisa Geol\u00f3gica dos Estados Unidos est\u00e1 monitorando popula\u00e7\u00f5es de salamandras vulner\u00e1veis para descobrir qualquer sinal inicial de infec\u00e7\u00e3o. At\u00e9 agora os pesquisadores n\u00e3o encontraram evid\u00eancias do Bsal.<\/p>\n<p>Grant, bi\u00f3logo que pesquisa a vida selvagem para a Iniciativa de Pesquisa e Monitoramento de Anf\u00edbios da ag\u00eancia, j\u00e1 esteve para cima e para baixo na costa leste ca\u00e7ando trit\u00f5es, raspando sua pele para verificar se h\u00e1 infec\u00e7\u00e3o e mandando amostras para o Centro Nacional de Sa\u00fade da Vida Selvagem em Madison, em Wisconsin.<\/p>\n<p>Em meados de maio, Grant cal\u00e7ou botas de borracha e carregou uma rede para explorar o lago, em Newton, Connecticut, com Adrianne Brand, bi\u00f3loga de vida selvagem que tamb\u00e9m est\u00e1 trabalhando para a Iniciativa.<\/p>\n<p>N\u00e3o que algu\u00e9m realmente precise de uma raz\u00e3o. Os trit\u00f5es, e as salamandras em geral, s\u00e3o simplesmente legais.<\/p>\n<p>Elas n\u00e3o se desenvolvem de ovos at\u00e9 ficarem adultas da maneira que mam\u00edferos e r\u00e9pteis fazem. Possuem v\u00e1rios est\u00e1gios, de ovo para larva para adulto e, em qualquer esp\u00e9cie, podem pular um est\u00e1gio, trocar de habitat, \u00e1gua ou terra, ter pulm\u00f5es ou ficar com as guelras. Algumas absorvem oxig\u00eanio pela pele e n\u00e3o t\u00eam nem pulm\u00f5es nem guelras. Os trit\u00f5es, em particular, s\u00e3o como aparelhos de defesa ecol\u00f3gicos, mudando de habitat e de fisiologia dependendo do que \u00e9 necess\u00e1rio para se manter vivos.<\/p>\n<p>Os dois pesquisadores n\u00e3o encontraram trit\u00f5es no lago, ent\u00e3o se dirigiram para um caminho pantanoso nos bosques da floresta estadual Paugussett, al\u00e9m de uma montanha que fica em um sub\u00farbio. A \u00e1gua, na altura dos joelhos, estava preta com detritos, rodeada de mata.<\/p>\n<p>Depois de alguns minutos balan\u00e7ando a rede na \u00e1gua, que corria por cima de suas botas, Grant avisou: &#8220;Ei, trit\u00e3o!&#8221;.<\/p>\n<p>O animal tinha cerca de oito cent\u00edmetros e foi identificado como macho por causa do formato de sua cauda e das manchas \u00e1speras no interior de suas pernas traseiras, com uma cor marrom esverdeada escura e manchas vermelhas que avisam os predadores sobre as toxinas em sua pele.<\/p>\n<p>Ele raspou a pele e cortou as extremidades das esp\u00e1tulas para um teste.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos s\u00e3o considerados um tesouro global de diversidade de salamandras, e o estudo da Pesquisa Geol\u00f3gica est\u00e1 concentrado em tirar amostras de poucas \u00e1reas que possuem esp\u00e9cies como o trit\u00e3o, conhecido por ser vulner\u00e1vel ao Bsal, e que est\u00e3o perto de portos aonde chegam os animais dom\u00e9sticos importados, como Nova York e Nova Orleans.<\/p>\n<p>De 2004 a 2014, de acordo com o Servi\u00e7o de Peixes e Vida Selvagem, cerca de 2,5 milh\u00f5es de salamandras foram importadas como animais dom\u00e9sticos para os Estados Unidos, muitas da \u00c1sia, onde o fungo parece ter se originado.<\/p>\n<p>Os cientistas acreditam que foi a importa\u00e7\u00e3o de salamandras para a Europa que levou ao aparecimento do fungo na Holanda, B\u00e9lgica e Inglaterra.<\/p>\n<p>As salamandras podem servir como um tipo de sistema precoce de alerta para problemas ambientais e est\u00e3o profundamente enraizadas nos ecossistemas florestais, de modo que sua redu\u00e7\u00e3o ou desaparecimento poderia ter consequ\u00eancias imprevis\u00edveis. Mas os cientistas sempre foram fascinados pelo tipo de flexibilidade em suas hist\u00f3rias de vida que n\u00e3o \u00e9 visto na maioria dos vertebrados.<\/p>\n<p>O trit\u00e3o \u00e9 um bom exemplo. Sean Sterrett, ecologista de vida selvagem da Universidade Estadual da Pensilv\u00e2nia e da Pesquisa Geol\u00f3gica, que trabalha com Grant, diz que o trit\u00e3o emerge de um ovo colocado na \u00e1gua como uma larva parecida com um girino, metamorfoseando-se em uma pequena salamandra com guelras.<\/p>\n<p>A\u00ed come\u00e7a a divers\u00e3o. Ele vive por um ano ou dois dessa maneira e depois se desenvolve para a forma terrestre. Ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Algumas vezes, vai diretamente para uma forma de adulto aqu\u00e1tico. E apesar de um adulto normalmente ter pulm\u00f5es, pode manter as guelras.<\/p>\n<p>A forma terrestre juvenil \u00e9 conhecida de qualquer pessoa que ande nas florestas do nordeste americano, principalmente depois da chuva, quando est\u00e3o mais ativas. Algumas vezes s\u00e3o mais laranjas do que vermelhas, mas, de qualquer maneira, \u00e9 imposs\u00edvel ignor\u00e1-las.<\/p>\n<p>Esses filhotes normalmente passam de tr\u00eas a seis anos na terra, comendo insetos, minhocas e qualquer coisa viva que seja pequena o suficiente. Mas pode ser que fiquem apenas um ano na terra.<\/p>\n<p>Eventualmente, os jovens voltam para a \u00e1gua, onde se tornam mais escuros e esverdeados com manchas vermelhas, cruzam e vivem suas vidas. Mas pode ser que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o lago secar, a comida acabar ou o trit\u00e3o sofrer por causa de muitas sanguessugas, pode voltar para a terra. E se um adulto ficar muito tempo ali, a pele muda para \u00e1spera e seca. Ele n\u00e3o precisa se ater a sua decis\u00e3o, por\u00e9m, porque pode voltar para a \u00e1gua quando quiser.<\/p>\n<p>Em qualquer lugar, as salamandras comem o que podem. Os cientistas se referem a elas como &#8220;predadoras limitadas pela abertura da boca&#8221;. Ou seja, se cabe na boa, significa comida.<\/p>\n<p>E as salamandras parecem ter uma interpreta\u00e7\u00e3o bem liberal do que &#8220;caber&#8221; significa. &#8220;Encontrei uma salamandra que comeu uma minhoca duas vezes o tamanho de seu corpo&#8221;, conta Sterrett.<\/p>\n<p>Muitas salamandras t\u00eam trajetos de desenvolvimento flex\u00edveis. Algumas, determinadas, mant\u00eam suas guelras e nunca saem da \u00e1gua. E possuem outras esquisitices &#8212; as gigantes da China podem crescer at\u00e9 1,80 metro e t\u00eam cheiro de urina envelhecida. Outras s\u00e3o capazes de esticar a ponta de suas costelas para fora da pele como instrumento de defesa. E algumas se envolvem em uma esp\u00e9cie de canibalismo que faz com que o pior moleque do parquinho pare\u00e7a o Dalai Lama.<\/p>\n<p>S\u00e3o as larvas da salamandra tigre. Em qualquer ninhada de ovos, algumas possuem cabe\u00e7as particularmente grandes. &#8220;As com cabe\u00e7as grandes s\u00e3o adaptadas para comer as outras larvas&#8221;, explica Sterrett. As canibais prosperam com a dieta nutritiva de irm\u00e3os e n\u00e3o ficam em nada diferentes das outras quando adultas.<\/p>\n<p>Claro, as pr\u00f3prias salamandras se tornam presas, mesmo com sua pele t\u00f3xica. &#8220;Os guaxinins tiram a pele delas&#8221;, explica Grant. &#8220;Algumas vezes em um lago encontramos uma pilha de peles de salamandras.&#8221; Mas n\u00e3o as cabe\u00e7as. Os guaxinins aparentemente gostam dos c\u00e9rebros.<\/p>\n<p>Grant e Adrianne pegaram apenas cinco trit\u00f5es no p\u00e2ntano do sub\u00farbio e est\u00e3o planejando voltar para colher mais amostras.<\/p>\n<p>A pesquisa sobre as popula\u00e7\u00f5es de trit\u00f5es est\u00e1 na metade, diz Grant, e at\u00e9 agora eles n\u00e3o detectaram o Bsal. Caso apare\u00e7a, o pesquisador espera que at\u00e9 l\u00e1 eles saibam mais sobre quais \u00e1reas possuem popula\u00e7\u00f5es que est\u00e3o prosperando e como proteg\u00ea-las.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Lago Warren no sul de Connecticut, delimitado por carvalhos e bordos que fazem sombra,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43405,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/salamandra.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O Lago Warren no sul de Connecticut, delimitado por carvalhos e bordos que fazem sombra,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43404"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43404"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43404\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43405"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}