{"id":4339,"date":"2014-08-06T15:00:49","date_gmt":"2014-08-06T15:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=4339"},"modified":"2014-08-06T00:03:12","modified_gmt":"2014-08-06T00:03:12","slug":"encontro-sebrae-de-sustentabilidade-atualiza-cenario-para-os-micro-e-pequenas-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/encontro-sebrae-de-sustentabilidade-atualiza-cenario-para-os-micro-e-pequenas-empresas\/","title":{"rendered":"Encontro Sebrae de Sustentabilidade atualiza cen\u00e1rio para os micro e pequenas empresas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sebrae_sustentabilidade.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-4342\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sebrae_sustentabilidade.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>As \u00faltimas not\u00edcias sobre o futuro imediato seguem preocupantes. Vejamos: no Reino Unido, o Minist\u00e9rio da Defesa acaba de divulgar estudo sobre o contexto mundial de seguran\u00e7a em 2045. O levantamento se baseou em tend\u00eancias de quatro segmentos: tecnologia, urbaniza\u00e7\u00e3o, varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e gest\u00e3o de recursos naturais, em particular a \u00e1gua. Estima-se que, dos 10 bilh\u00f5es de pessoas que existir\u00e3o at\u00e9 l\u00e1, quase a metade (4 bilh\u00f5es) ir\u00e3o ser atingidas em cheio pela falta deste insumo que garante a pr\u00f3pria vida. N\u00e3o precisa ir longe: no Brasil, regi\u00f5es como a do Estado de S\u00e3o Paulo j\u00e1 anteciparam o cen\u00e1rio dos pr\u00f3ximos 30 anos. N\u00e3o sai do notici\u00e1rio o fato de que o enclave mais rico e urbanizado do pa\u00eds agora vive seus dias de sert\u00e3o nordestino, com temperaturas cada vez mais altas e estiagem prolongada. Efeitos da destrui\u00e7\u00e3o progressiva da floresta amaz\u00f4nica, como alertam h\u00e1 um bom tempo os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa).<\/p>\n<p>A cren\u00e7a de que temos condi\u00e7\u00f5es de sobreviver em meio a este \u201capocalipse now\u201d ressurge quando cada vez mais gente tem o \u201cclique\u201d e entende que desenvolvimento sustent\u00e1vel abre uma ampla gama de neg\u00f3cios. Mais do que uma rima, \u2018a necessidade gera a oportunidade\u2019 \u00e9 o mantra que norteia este novo tempo, como lembrou a antrop\u00f3loga e ambientalista alem\u00e3 Maritta Koch-Weser durante a palestra magna que fez na abertura do 4\u00ba Encontro Sebrae de Sustentabilidade, que aconteceu entre os dias 29 e 31 de julho no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiab\u00e1 (MT). Organizado pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade, o evento reuniu plateia cheia, entre empres\u00e1rios, autoridades, convidados, jornalistas, dirigentes e t\u00e9cnicos do pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o, com paineis e palestras que giraram em torno do tema \u201cNeg\u00f3cios que transformam realidades\u201d. Pouco antes, na abertura do evento, o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barreto, lembrou que mais de um quarto de tudo o que \u00e9 produzido no Brasil vem de pequenas empresas.<\/p>\n<p>Em breve retrospecto para os pouco iniciados no assunto, o conceito de sustentabilidade apareceu pela primeira vez no s\u00e9culo 17 na Sax\u00f4nia, uma das regi\u00f5es da mesma Alemanha que nos dias atuais \u00e9 um dos carros-chefes em ideias e realiza\u00e7\u00f5es que v\u00e3o prolongando as condi\u00e7\u00f5es de uma boa qualidade de vida. A forte corrente em curso at\u00e9 hoje tomou for\u00e7a nos anos 1980 com os argumentos contidos no livro \u201cNosso Futuro Comum\u201d, escrito pela ex-premi\u00ea da Noruega GroHarlemBrundtland, citou a especialista com mais de 30 anos de atua\u00e7\u00e3o e atual coordenadora do Grupo de Pesquisa \u201cAmaz\u00f4nia em Transforma\u00e7\u00e3o: Hist\u00f3ria e Perspectivas\u201d, do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), al\u00e9m de fundadora e presidente da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Terra 3000, que aconselha programas ambientais e empresas sociais de v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em um mundo interligado n\u00e3o s\u00f3 pela comunica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em depend\u00eancias de mat\u00e9rias-primas, produtos oriundos da terra e sistemas de longa dist\u00e2ncia, com amea\u00e7as cada vez mais dif\u00edceis de controlar, aliadas \u00e0s varia\u00e7\u00f5es do clima e o temor da falta de comida para cada vez mais gente, o desafio \u00e9 encontrar o vi\u00e9s de \u201ccrescer inteligentemente, usando menos para produzir mais\u201d. Com 70% das pessoas vivendo hoje nas cidades, gargalos como a j\u00e1 citada acentuada crise de abastecimento de \u00e1gua em curso em S\u00e3o Paulo se tornam oportunidades empresariais. Encontrar novos jeitos de manejar transporte, gera\u00e7\u00e3o de energia, \u00e1gua e res\u00edduos s\u00f3lidos e agricultura urbana, entre outros, s\u00e3o temas relevantes para o ambiente de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios ouviram da especialista alem\u00e3 que a renova\u00e7\u00e3o das atitudes dos consumidores, mais solid\u00e1rios e criativos, fazem com que se disponham a pagar mais por produtos socialmente justos e com certifica\u00e7\u00e3o ambiental. A retomada da prefer\u00eancia por produtos locais vem da preocupa\u00e7\u00e3o com a autossufici\u00eancia, levando \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de despesas com log\u00edstica e impacto no meio ambiente. A institui\u00e7\u00e3o de moeda local para produtos \u201ccaminho curto\u201d \u00e9 usado em algumas localidades da Europa. Intrumentos de mercado como menos intermedi\u00e1rios, como sistemas financeiros para agricultura alternativa e cooperativismo e bolsas verdes para financiar produtos da floresta, tendem a surgir. Chegam tamb\u00e9m novas cadeias de valor, com foco no ganho regional como um todo: produtos acabados (cosm\u00e9ticos, frutas, legumes, sucos, fibras, peixes), produtos certificados (alimentos, cosm\u00e9ticos, m\u00f3veis e madeiras) e rastreamento ao longo da cadeia para garantir origem e qualidade.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea da nutri\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, h\u00e1 oportunidades para produtos integrantes de dietas em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 carne, alimentos sem lactose e gl\u00faten, al\u00e9m dos j\u00e1 conhecidos org\u00e2nicos. O conceito \u2018misfits\u2019 adotado na capital da Alemanha, Berlim, estabeleceu mercados secund\u00e1rios para frutas, legumes e verduras descartados na triagem do padr\u00e3o m\u00e1ximo de qualidade. Exemplo de mais uma boa nova ideia recente vem tamb\u00e9m do pa\u00eds natal de Maritta Koch-Weser: uma empresa que faz loca\u00e7\u00e3o de carros via celular. Gera\u00e7\u00e3o local de energias renov\u00e1veis tamb\u00e9m \u00e9 um segmento interessante para empreendedores.<\/p>\n<p><strong>Os cabe\u00e7as da mudan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Instigado pelo tema \u201cLideran\u00e7a e Gest\u00e3o Sustent\u00e1vel\u201d, S\u00e9rgio Besserman observou que estamos vivendo um per\u00edodo especial da hist\u00f3ria. Nas pr\u00f3ximas duas, tr\u00eas d\u00e9cadas, a humanidade se ver\u00e1 diante de escolhas nunca feitas antes sobre seu futuro, quais os valores a serem transmitidos para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es sobre produ\u00e7\u00e3o e consumo e em que estado deixar\u00e1 o mundo para a sobreviv\u00eancia dos contempor\u00e2neos e os que ainda v\u00e3o nascer.<\/p>\n<p>Com as credenciais de economista, ambientalista, professor de economia da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), ex-diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e membro do Conselho Fiscal da WWF Brasil, Besserman alertou que a falta de lideran\u00e7as em todos os n\u00edveis (local, regional e global) \u00e9 preocupante porque s\u00e3o elas que fazem a condu\u00e7\u00e3o firme em meio \u00e0 atual\u00edssima crise ambiental (tempestades, inunda\u00e7\u00f5es, furac\u00f5es, estiagens prolongadas) que provocam graves consequ\u00eancias sociais, sem mencionar as guerras e s\u00e9rios conflitos armados entre pa\u00edses que as fragilizadas estruturas das Na\u00e7\u00f5es Unidas n\u00e3o conseguem enfrentar.<\/p>\n<p>Por isso tudo, as grandes empresas est\u00e3o estudando o panorama para planejar neg\u00f3cios e investimentos de acordo com as previs\u00f5es acerca das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e transforma\u00e7\u00f5es de culturas e processos produtivos. Nessa esteira, as micro e pequenas empresas precisam se preparar tamb\u00e9m. A indica\u00e7\u00e3o \u00e9 que produtos e servi\u00e7os incluam o custo do aquecimento global em seus pre\u00e7os, uma forma de consumidores e empreendedores exigirem uma atua\u00e7\u00e3o concreta dos que se apresentam como lideran\u00e7as. \u201cA crise ecol\u00f3gica e ambiental causar\u00e1 problemas, sobretudo para os mais pobres\u201d.<\/p>\n<p><strong>Urbanidade fortalecida<\/strong><\/p>\n<p>Os aglomerados de gente em que se transformaram as cidades em meio ao \u00eaxodo rural acentuado dos \u00faltimos 50, 60 anos causaram problemas cujas solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem mais ser adiadas. No painel \u201cCidades sustent\u00e1veis e as oportunidades para as empresas\u201d, debate mediado pelo publisher da Envolverde, Dal Marcondes, tratou-se primeiramente da gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos, uma das maiores fontes de contamina\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras do prazo para que os munic\u00edpios brasileiros apresentem o Plano de Gest\u00e3o Integrada, que termina neste s\u00e1bado, 2 de agosto, Gabriela Gomes Prol Otero, coordenadora t\u00e9cnica da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Limpeza P\u00fablica e Res\u00edduos Especiais (Abrelpe), disse que apenas 30% das cidades haviam cumprido a legisla\u00e7\u00e3o at\u00e9 abril deste ano ao falar do t\u00f3pico \u201cRes\u00edduos S\u00f3lidos: A lei e seus impactos\u201d. Em 10 anos, segundo ela, o aumento da produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos aumentou 21%, \u201cbem acima do crescimento populacional do per\u00edodo\u201d. Com esse dado em m\u00e3os, ganhou \u00eanfase o conselho da especialista sobre repensar o consumo, reaproveitar e reciclar os res\u00edduos e instalar usinas de compostagem (transformadoras de materiais grosseiros em org\u00e2nicos utiliz\u00e1veis na agricultura).<\/p>\n<p>A brecha de oportunidade de neg\u00f3cio foi enxergada pela Marca Ambiental, primeiro aterro sanit\u00e1rio privado do Brasil. Instalado em Cariacica, atende 22 munic\u00edpios do Esp\u00edrito Santo. Gerente de Comunica\u00e7\u00e3o e Imagem da Empresa, Mirela Souto contou que 60% dos res\u00edduos processados na empresa v\u00eam da ind\u00fastria e com\u00e9rcio e outros 40%, do lixo urbano.<\/p>\n<p>Em mais um gol da Alemanha, foi apresentado \u00e0 plateia Freiburg, cidade que se tornou refer\u00eancia em sustentabilidade a partir da gera\u00e7\u00e3o de energia solar. A hist\u00f3ria foi contada por Rolf Buschmann, diretor executivo do Solar Info Center, que construiu a primeira usina com recursos pr\u00f3prios, sempre tendo em mente que a sustentabilidade tinha de ser vista como um neg\u00f3cio. Conhecida como a \u201cToscana\u201d alem\u00e3, Freiburg \u00e9 a regi\u00e3o mais ensolarada e quente da Alemanha. Sem rios, sem f\u00e1bricas, a pequena cidade universit\u00e1ria enxergou neste fato sua sobreviv\u00eancia e foi se transformando em exemplo de local ecologicamente correto, com pr\u00e9dios inteligentes, ampla rede de transportes p\u00fablicos, incentivo ao uso de bicicletas. Os carros s\u00e3o estacionados em garagens coletivas e s\u00f3 podem chegar \u00e0s portas das casas para serem carregados ou descarregados. E a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o fiscaliza: \u201cSe voc\u00ea demora um pouco mais e deixa o carro ligado, o vizinho chama sua aten\u00e7\u00e3o\u201d, contou Buschmann.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3lidas constru\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 bem na fita no quesito constru\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis. Ocupa o quarto lugar do ranking, atr\u00e1s apenas de Estados Unidos, China e Emirados \u00c1rabes, com 700 pr\u00e9dios verdes \u2013 o l\u00edder tem 45 mil. Tem apenas dez anos o fen\u00f4meno de constru\u00e7\u00f5es certificadas, o que \u00e9 um avan\u00e7o, mas ainda muito pouco em meio ao setor da constru\u00e7\u00e3o civil, um dos que mais geram res\u00edduos e impactam o meio ambiente. Os pr\u00e9dios sustent\u00e1veis seguem toda a cartilha da m\u00e1xima efici\u00eancia no uso de \u00e1gua e energia. No painel \u201cEdifica\u00e7\u00f5es certificadas e agrega\u00e7\u00e3o de valor\u201d, mediado por \u00canio Pinto, gerente da Unidade de Acesso a Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o do Sebrae Nacional, a representante do Procel Edifica, Estef\u00e2nia Mello, explicou o que \u00e9 o Programa Nacional de Conserva\u00e7\u00e3o de Energia e suas distintas certifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Todos os pr\u00e9dios novos e reformas feitas em grandes \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e autarquias federais a partir do dia 5 de agosto de 2014 dever\u00e3o ser certificados e etiquetados com o selo Procel Edifica, obtendo n\u00edvel A (mais eficiente), de acordo com Instru\u00e7\u00e3o Normativa (IN) do Minist\u00e9rio do Planejamento, Or\u00e7amento e Gest\u00e3o publicada no \u00faltimo dia 5 de junho. A cren\u00e7a geral \u00e9 de que a iniciativa ser\u00e1 seguida pelo mercado. Em rela\u00e7\u00e3o aos pr\u00e9dios que recebem o selo, Estef\u00e2nia esclareceu que \u201co programa avalia o potencial de economia que a edifica\u00e7\u00e3o possui, mas o respons\u00e1vel pela efici\u00eancia energ\u00e9tica \u00e9 o usu\u00e1rio\u201d. Em futuro pr\u00f3ximo, o selo deve se tornar pr\u00e9-requisito para certifica\u00e7\u00f5es internacionais e ser parceiro do BNDES para ajudar a financiar hospedagens que j\u00e1 v\u00e3o nascer buscando a certifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta tend\u00eancia de constru\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis \u00e9 irrevers\u00edvel. Presente em muitos pa\u00edses, come\u00e7a a ganhar mais escala no Brasil, diagnostica a professora Raquel Blumenchaii, da Universidade de Bras\u00edlia (UnB). \u201cEstes tipo de edifica\u00e7\u00f5es surgiram no final dos anos 1980, in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, para dar oportunidade \u00e0 constru\u00e7\u00e3o civil de assegurar desempenho ambiental.\u201d O processo cobre projeto, constru\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e demoli\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 um conjunto de solu\u00e7\u00f5es para esta ind\u00fastria deixar de ser grande causadora de impacto ambiental, descreveu.<\/p>\n<p>A professora defendeu a amplia\u00e7\u00e3o, por parte dos bancos, das linhas de cr\u00e9dito para as constru\u00e7\u00f5es dos pequenos neg\u00f3cios, citando que no M\u00e9xico h\u00e1 um Fundo Verde para financiar constru\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis de micro e pequenas empresas; enquanto que, na Inglaterra, uma lei definiu que at\u00e9 2025 todas as resid\u00eancias devem ter emiss\u00e3o zero de carbono.<\/p>\n<p>Esta contextualiza\u00e7\u00e3o foi essencial para os presentes compreenderem de forma plena a import\u00e2ncia do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), uma edifica\u00e7\u00e3o que nasceu sustent\u00e1vel desde sua concep\u00e7\u00e3o. Coordenadora do Centro, a engenheira Su\u00eania Sousa fez uma r\u00e1pida descri\u00e7\u00e3o do processo de constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio e os princ\u00edpios sustent\u00e1veis que o guiaram, desde o projeto arquitet\u00f4nico, baseado no estilo e sabedoria das casas ind\u00edgenas do Xingu, at\u00e9 a aus\u00eancia de terraplanagem e o respeito \u00e0s \u00e1rvores e vegeta\u00e7\u00e3o nativas. \u201cOs \u00edndios sabem viver no clima tropical, posicionar suas casas em rela\u00e7\u00e3o ao sol e n\u00e3o usam tecnologia\u201d. O pr\u00e9dio aproveita a ilumina\u00e7\u00e3o natural e coleta a \u00e1gua de chuva, usada na limpeza, banheiros e jardins.<\/p>\n<p>Certificado no semestre passado pelo Procel Edifica, com n\u00edvel A em efici\u00eancia energ\u00e9tica como projeto e edifica\u00e7\u00e3o constru\u00edda \u2013 o primeiro do estado de Mato Grosso -, e tamb\u00e9m vencedor do Pr\u00eamio Abesco (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Servi\u00e7os de Conserva\u00e7\u00e3o de Energia) na \u00faltima semana, o CSS recebe visitas o tempo todo de empres\u00e1rios, estudantes e profissionais de engenharia e arquitetura do Brasil e do exterior. Em termos de energia e \u00e1gua, o custo operacional \u00e9 metade do que gastaria uma edifica\u00e7\u00e3o convencional. \u201cO objetivo \u00e9 ser um laborat\u00f3rio vivo de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis no ambiente constru\u00eddo para mostrar que \u00e9 poss\u00edvel. O exemplo \u00e9 que proporciona a melhor aprendizagem\u201d, ressaltou a coordenadora do Centro.<\/p>\n<p><strong>Exig\u00eancia e confian\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Na hora do \u201ccompre e pague\u201d, reina o otimismo. Pesquisa conduzida pelo Carrefour trouxe \u00e0 tona mudan\u00e7as favor\u00e1veis no comportamento do consumidor: 77% deles disseram ter muito interesse em saber como as empresas tentam ser sustent\u00e1veis; outros 53% afirmaram que n\u00e3o comprariam mais sua marca preferida se tomassem conhecimento que o fabricante prejudicou de alguma forma a sociedade e o meio ambiente; e ainda 37% dos consultados topam pagar mais por produtos com selo ambiental. A revela\u00e7\u00e3o foi feita por Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade da segunda maior rede de supermercados do mundo, em debate tamb\u00e9m mediado por Dal Marcondes, da Envolverde, sobre o tema \u201cProdu\u00e7\u00e3o e consumo sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Isso vem de encontro ao pensamento manifestado pelo diretor de Comunica\u00e7\u00e3o e Rela\u00e7\u00f5es Institucionais do Instituto Ethos, Henrique Lian: as empresas precisam ser tocadas para desenvolverem uma consci\u00eancia ecol\u00f3gica, mas como empresas n\u00e3o t\u00eam cora\u00e7\u00e3o, s\u00e3o impulsionadas pela competitividade e lucro. Em suas palavras, as principais dificuldades encontradas pelas empresas para adotarem pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis s\u00e3o a falta de financiamento e, por outro lado, tantos incentivos e subs\u00eddios para atividades n\u00e3o conduzidas por esta trilha e ainda, o temor de perder mercado.<\/p>\n<p>Representando os produtores, Felipe Warken, da ConservasLinken, pequena empresa de Jana\u00faba, no Vale do Jequitinhonha, norte de Minas Gerais, confirmou que implantou os princ\u00edpios de sustentabilidade por necessidade mesmo. Instalado em uma regi\u00e3o distante mil quil\u00f4metros dos locais onde comprava embalagens para as conservas de v\u00e1rios tipos de pimentas e legumes como abobrinha, cebola, pepino e quiabo, entre outras, a sa\u00edda foi adotar a log\u00edstica reversa: os consumidores levam um vidro vazio e o deixam na hora da compra. Res\u00edduos de outras empresas, as caixas usadas para armazenamento s\u00e3o viradas do avesso e reutilizadas.<\/p>\n<p>No final de 2012, a empresa foi um dos seis destaques finais do Pr\u00eamio Sebrae MG de Pr\u00e1ticas Sustent\u00e1veis. A premia\u00e7\u00e3o agregou credibilidade \u00e0 marca, que viu suas vendas crescerem em 30%. \u201cA sustentabilidade tem que entrar na veia porque as tenta\u00e7\u00f5es para n\u00e3o fazer s\u00e3o muitas\u201d, confessou o microempres\u00e1rio que promoveu a inclus\u00e3o de uma comunidade carente do entorno no seu neg\u00f3cio ao empregar fam\u00edlias inteiras para descascar os produtos in natura, sempre atento ao controle de qualidade, ao inv\u00e9s de comprar m\u00e1quinas para este fim.<\/p>\n<p><strong>Renascimento \u00e0 espanhola<\/strong><\/p>\n<p>Admirada por absolutamente todos que a visitam, Barcelona, na Espanha, foi uma cidade v\u00edtima da desindustrializa\u00e7\u00e3o a partir de 1960 e que, por 30 anos, viu aumentar o passivo de \u00e1reas bastante degradadas e problem\u00e1ticas. A situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a mudar a partir da implanta\u00e7\u00e3o de um projeto que promoveu uma transforma\u00e7\u00e3o radical nestes pontos. AlejoAlcolea, da Barcelona Media, um dos principais centros tecnol\u00f3gicos da Europa e que atua com pesquisas e projetos de inova\u00e7\u00e3o voltados para as \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o, cultura, economia criativa, turismo e desenvolvimento de territ\u00f3rios, viajou por muitas horas para contar o case de sucesso pessoalmente.<\/p>\n<p>\u201cSmartcity Barcelona, Espanha: a combina\u00e7\u00e3o inteligente entre inova\u00e7\u00e3o, as atividades dos neg\u00f3cios e a vida das pessoas\u201d foi um t\u00edtulo autoexplicativo dado \u00e0 palestra. Ao exibir sua apresenta\u00e7\u00e3o na tela, Alcolea foi detalhando o Plano Especial de Infraestrutura 22@, que transformou o triste cen\u00e1rio da localidade de Poblenou em um point literalmente cheio de vida: a abertura de uma grande avenida at\u00e9 o mar, a instala\u00e7\u00e3o de sistemas inteligentes de \u00e1gua, energia el\u00e9trica, telefonia, a constru\u00e7\u00e3o de edifica\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis, um novo modelo de mobilidade e revitaliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, com mais \u00e1reas verdes, entre outras medidas, promoveu uma ocupa\u00e7\u00e3o residencial e comercial de qualidade. O grande impulso para a revitaliza\u00e7\u00e3o foi a Olimp\u00edada de 92.<\/p>\n<p>Convidado para uma das palestras de encerramento, o fil\u00f3sofo e professor Cl\u00f3vis de Barros Filho cunhou pensamentos que trazem toda a dimens\u00e3o do que significam as mudan\u00e7as preconizadas pela sustentabilidade. \u201cPara viver melhor, temos que transformar, modificar, revolucionar esta situa\u00e7\u00e3o. Quando se vive um momento feliz, o desejo \u00e9 de torn\u00e1-lo o mais duradouro poss\u00edvel, como um processo cont\u00ednuo de constru\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o sentimento que move a \u00e9tica, o amor e a sustentabilidade. A humanidade quer felicidade sustent\u00e1vel, duradoura.\u201d(Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As \u00faltimas not\u00edcias sobre o futuro imediato seguem preocupantes. 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