{"id":43365,"date":"2016-06-07T15:00:45","date_gmt":"2016-06-07T18:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43365"},"modified":"2016-06-06T19:21:07","modified_gmt":"2016-06-06T22:21:07","slug":"no-encerramento-da-semana-dos-organicos-materia-mostra-o-uso-de-frutos-nativos-do-brasil-por-profissionais-renomados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/no-encerramento-da-semana-dos-organicos-materia-mostra-o-uso-de-frutos-nativos-do-brasil-por-profissionais-renomados\/","title":{"rendered":"No encerramento da Semana dos Org\u00e2nicos, mat\u00e9ria mostra o uso de frutos nativos do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/boas_praticas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43366\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/boas_praticas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/boas_praticas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/boas_praticas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Castanha do baru, pequi, cagaita, mangaba, guariroba, a\u00e7a\u00ed. Esses produtos nativos do Brasil o p\u00fablico j\u00e1 conhece. Mas alguns chefs resolveram ir al\u00e9m e est\u00e3o, cada vez mais, incorporando novos produtos da biodiversidade brasileira em suas receitas, sem deixar de lado aqueles que ca\u00edram no gosto do cliente. A ideia \u00e9 valorizar o produtor, o pr\u00f3prio alimento e conservar o meio ambiente.<\/p>\n<p>Outros nomes, antes desconhecidos, aparecem hoje em dia com mais frequ\u00eancia nos card\u00e1pios. Pimenta-de-macaco, castanha do pequi, cajuzinho do cerrado, jatob\u00e1, licuri, baunilha do cerrado, cumaru, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>O chef Agenor Maia, 36 anos, s\u00f3cio do Olivae, em Bras\u00edlia, passou tempos indo atr\u00e1s de alguma comunidade que trabalhasse com a castanha do pequi. Porque o pequi mesmo j\u00e1 \u00e9 bem difundido na gastronomia de Goi\u00e1s e do Distrito Federal, mas ele queria aproveitar tudo do fruto, inclusive a castanha que aparece ap\u00f3s os espinhos. Foi em Janu\u00e1ria (MG), que ele encontrou Dona Vicentina Silva, da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Pequi de Janu\u00e1ria, que j\u00e1 trabalhava com o movimento SlowFood.<\/p>\n<p><strong>BUSCA POR NOVOS SABORES<\/strong><\/p>\n<p>Bastante saborosa e nutritiva, a castanha do pequi, que fica dentro do caro\u00e7o do fruto, pode ser consumida in natura ou utilizada como ingrediente na prepara\u00e7\u00e3o de pratos salgados, doces e p\u00e3es. \u00c9 rica em zinco e iodo, al\u00e9m de conter c\u00e1lcio, ferro e mangan\u00eas. Extrair a castanha sem deixar res\u00edduos dos espinhos que ficam entre a polpa e a castanha n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, por isso, a deliciosa castanha ainda \u00e9 dif\u00edcil de encontrar no mercado. A busca do chef foi demorada e tem o seu valor. Ap\u00f3s descobrir um bom fornecedor, ele divulgou a castanha para outros chefs, como Renata (do Loca como tu Madre e Ancho Bistr\u00f4 de Fogo, em Bras\u00edlia), Helena Rizzo (do Man\u00ed, em S\u00e3o Paulo) e Alex Atala (do aclamado restaurante D.O.M., em S\u00e3o Paulo), entre outros.<\/p>\n<p>Agenor busca uma cozinha autoral e j\u00e1 trabalhou no pr\u00f3prio D.O.M. no in\u00edcio da carreira. \u201cBusco ingredientes diferentes para o restaurante. Tento criar receitas com ingredientes inovadores, valorizando quem produz e o meio ambiente. Me interesso pela hist\u00f3ria do alimento e do produtor, assim, descobrimos novos sabores e novos personagens, dando protagonismo a eles, e auxiliando os produtores na quest\u00e3o do manejo sustent\u00e1vel desses produtos\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>PARADOXO<\/strong><\/p>\n<p>O uso sustent\u00e1vel da biodiversidade para a alimenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o que permite o aumento da qualidade de vida, sem danificar o meio ambiente. Apesar de muitas esp\u00e9cies nativas se reproduzirem gratuitamente, 90% da flora nativa do pa\u00eds n\u00e3o fazem parte da alimenta\u00e7\u00e3o dos brasileiros.<\/p>\n<p>Segundo Camila Neves Soares Oliveira, analista ambiental do Departamento de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), \u201c\u00e9 um grande paradoxo estarmos no pa\u00eds de maior biodiversidade do planeta e termos uma dieta simplificada baseada em esp\u00e9cies ex\u00f3ticas\u201d. Ao consumirem alimentos nativos, as pessoas ajudam a conservar a biodiversidade do Brasil, pois n\u00e3o costumam proteger aquilo que n\u00e3o conhecem. &#8220;Os alimentos da biodiversidade s\u00e3o ricos em micronutrientes (vitaminas e minerais) e t\u00eam baixa densidade energ\u00e9tica, por isso s\u00e3o um forte aliado no combate ao duplo fardo da m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o, onde em um mesmo local, temos problemas com fome e obesidade\u201d, ressalta.<\/p>\n<p><strong>O VALOR DA TERRA<\/strong><\/p>\n<p>As refer\u00eancias culin\u00e1rias do chef Agenor Maiase iniciaram na inf\u00e2ncia e foram fundamentais para despertar seu interesse em seguir na gastronomia. Nascido no interior do estado de S\u00e3o Paulo, Agenor aprendeu desde cedo com a fam\u00edlia o valor da cozinha e da terra. \u201cFui uma pessoa privilegiada na minha inf\u00e2ncia. Estudei numa escola que tinha ecologia na grade curricular. Isso despertou em mim o que \u00e9 saud\u00e1vel, o que \u00e9 natural\u201d. Agenor saiu ent\u00e3o do interior de S\u00e3o Paulo para morar no interior dos Len\u00e7\u00f3is Maranhenses, em Barreirinhas. \u201cTive contato com o natural desde cedo, com o selvagem. Desde muito cedo sei o sabor de um alimento que se produz com qualidade, de vegetais cultivados em casa, sei o valor disso\u201d, explica.<\/p>\n<p>Na safra de 2014\/2015, Agenor comprou 50 quilos de castanha do pequi da associa\u00e7\u00e3o de Janu\u00e1ria. Na safra de 2015\/2016 j\u00e1 foi obtido o dobro. \u201cDessa forma, consegui aumentar o valor do quilo. Sei que d\u00e1 trabalho. Tem que fazer a extra\u00e7\u00e3o das castanhas e a torrefa\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Agenor afirma que n\u00e3o s\u00f3 os alimentos da biodiversidade t\u00eam espa\u00e7o garantido em seus pratos, como os org\u00e2nicos tamb\u00e9m. \u201cUso muito menos do que gostaria, e mais do que conseguiria. Montei um quebra cabe\u00e7a para conseguir quantidade, qualidade e frequ\u00eancia com fornecedores\u201d, destaca. Ao comprar um produto org\u00e2nico, a pessoa est\u00e1 optando por fazer parte de uma rede que acredita que o consumo respons\u00e1vel tem papel fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o do meio ambiente e da sustentabilidade.<\/p>\n<p><strong>BENEF\u00cdCIOS<\/strong><\/p>\n<p>A chef Renata Carvalho, 32 anos, respons\u00e1vel pelos restaurantes brasilienses \u201cLoca como tu madre\u201d e \u201cAnch\u00f4 Bistr\u00f4 de Fogo\u201d, compartilha da filosofia de trabalho de Agenor Maia. \u201cEu penso muito no pequeno produtor, em estimular a agricultura familiar e local. Al\u00e9m disso, n\u00e3o d\u00e1 para ignorar os benef\u00edcios dos produtos org\u00e2nicos e da biodiversidade para a sa\u00fade. Afinal, eles n\u00e3o cont\u00eam agrot\u00f3xicos e os pequenos produtores respeitam o tempo dos alimentos, fazendo a colheita apenas quando j\u00e1 est\u00e3o maduros\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>Segundo Renata, promover esses produtos e as comunidades que os produzem \u00e9 importante porque estimula-se a gera\u00e7\u00e3o de renda dos agricultores familiares, que em geral n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de competir no mercado.<\/p>\n<p>Cozinheira desde os nove anos de idade, Renata nasceu em Bras\u00edlia e sua fam\u00edlia vem de fazenda, onde muitos ainda plantam e colhem o que consomem, inclusive arroz e feij\u00e3o. \u201cEstou sempre em contato com outros chefs que utilizam produtos org\u00e2nicos. Certa vez, estava em busca do cajuzinho-do-cerrado, e o chef Tonico Lichtsztejn, do 400quatrocentos, indicou a dona Ana, produtora de Padre Bernardo, em Goi\u00e1s\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>USO SUSTENT\u00c1VEL <\/strong><\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o Dona Ana Maria Romeiro, 55 anos, da fazenda Taboquinha, \u00e9 uma das fornecedoras da chef. Dona Ana e seu Silas produzem frutas nativas h\u00e1 10 anos, como jatob\u00e1, cajuzinho do cerrado e cagaita, al\u00e9m de outros produtos diferenciados como a pimenta-de-macaco, que vem sendo difundida mais recentemente na gastronomia. Lembra pimenta-do-reino, mas menos picante e com perfume de canela e cravo. \u201cH\u00e1 sete come\u00e7amos a produzir doces e licores. Buscamos um produto limpo, bom e justo\u201d, afirma Ana. Al\u00e9m de fornecer produtos para Renata, o casal tamb\u00e9m entrega para os restaurantes Francisco, Olivae, 400Quatrocentos, Oliver e para a Central do Cerrado, cooperativa que vende produtos do bioma.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), ponto focal da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CDB) no Brasil, coordena a execu\u00e7\u00e3o de diversos projetos relacionados \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do uso sustent\u00e1vel dos componentes da biodiversidade.\u00a0 V\u00e1rias iniciativas relacionadas a essa tem\u00e1tica est\u00e3o sendo conduzidas no minist\u00e9rio, a exemplo do projeto Biodiversidade para Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o \u2013 BFN (sigla em ingl\u00eas), que \u00e9 coordenado internacionalmente pelo Bioversity Internacional e tem como ag\u00eancias implementadoras o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO).<\/p>\n<p>O objetivo b\u00e1sico do projeto \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o do uso sustent\u00e1vel da biodiversidade em programas que contribuam para melhorar a seguran\u00e7a alimentar e a nutri\u00e7\u00e3o humana. Ao mesmo tempo, o projeto busca valorizar a import\u00e2ncia aliment\u00edcia e nutricional das esp\u00e9cies relacionadas \u00e0 biodiversidade agr\u00edcola e resgatar o valor cultural desempenhado no passado por muitas dessas esp\u00e9cies. Ademais, visa \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de esp\u00e9cies nativas utilizadas atualmente em nossa alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o dos problemas relacionados \u00e0 dieta simplificada e ao fortalecimento da conserva\u00e7\u00e3o e do manejo sustent\u00e1vel da agrobiodiversidade, especialmente por meio da incorpora\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de transversalidade em programas e estrat\u00e9gias de seguran\u00e7a e soberania alimentar e nutricional.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Alethea Muniz<br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Castanha do baru, pequi, cagaita, mangaba, guariroba, a\u00e7a\u00ed. 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