{"id":43349,"date":"2016-06-07T13:00:45","date_gmt":"2016-06-07T16:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43349"},"modified":"2016-06-06T19:08:31","modified_gmt":"2016-06-06T22:08:31","slug":"caminhamos-para-era-das-bacterias-resistentes-a-antibioticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/caminhamos-para-era-das-bacterias-resistentes-a-antibioticos\/","title":{"rendered":"Caminhamos para era das bact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bacteria-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43350\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bacteria-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bacteria-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bacteria-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O mundo caminha para uma era &#8220;p\u00f3s-antibi\u00f3tica&#8221;, em que infec\u00e7\u00f5es comuns podem matar. O alerta \u00e9 do m\u00e9dico brit\u00e2nico Manica Balasegaram, diretor da organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF), rec\u00e9m-nomeado para coordenar o programa Pesquisa e Desenvolvimento de Antibi\u00f3ticos Globais (Gard, na sigla em ingl\u00eas), lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 27 pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) e pela Iniciativa Medicamentos para Doen\u00e7as Negligenciadas (DNDi, na sigla em ingl\u00eas). O objetivo do programa \u00e9 financiar pesquisas para encontrar novos antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento do Gard coincidiu com o an\u00fancio do primeiro caso nos Estados Unidos de superbact\u00e9ria resistente \u00e0 colistina, o mais potente dos antibi\u00f3ticos, \u00faltimo recurso de infec\u00e7\u00f5es dif\u00edceis.<\/p>\n<p>A paciente \u00e9 uma mulher de 49 anos, da Pensilv\u00e2nia, internada em abril com infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria pela bact\u00e9ria E. coli. Ela n\u00e3o havia sa\u00eddo do pa\u00eds nos cinco meses anteriores ao surgimento da doen\u00e7a. A v\u00edtima n\u00e3o reagiu ao tratamento com colistina, mas foi tratada com antibi\u00f3tico menos potente e se recuperou.<\/p>\n<p>Em novembro de 2015, uma cepa da superbact\u00e9ria j\u00e1 havia sido identificada na China. Desde ent\u00e3o, foi localizada em mais de 20 pa\u00edses. O temor dos pesquisadores \u00e9 que o gene que confere resist\u00eancia \u00e0 cepa se espalhe por outros agentes infecciosos.<\/p>\n<p>O Gard j\u00e1 recebeu 2 milh\u00f5es de euros doados por Alemanha, Reino Unido, Pa\u00edses Baixos, Conselho Sul-Africano de Pesquisa M\u00e9dica e MSF para financiar tr\u00eas linhas simult\u00e2neas de pesquisa.<\/p>\n<p>Balasegaram, que trabalhou como m\u00e9dico de campo do MSF na \u00c1frica Subsaariana e no sul da \u00c1sia, estar\u00e1 no Rio nesta semana para participar da Reuni\u00e3o de Parceiros do DNDi, que discutir\u00e1 o desenvolvimento de novos antibi\u00f3ticos para as doen\u00e7as negligenciadas &#8211; aquelas pelas quais a ind\u00fastria farmac\u00eautica n\u00e3o se interessa e n\u00e3o investe, como tuberculose e mal\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Recentemente foi anunciada a descoberta de um paciente nas Am\u00e9ricas com resist\u00eancia bacteriana a todos os tipos de antibi\u00f3ticos. Que risco essa descoberta representa?<\/strong><\/p>\n<p>As bact\u00e9rias resistentes aos medicamentos n\u00e3o s\u00f3 viajam geograficamente, mas tamb\u00e9m os genes resistentes podem viajar entre pat\u00f3genos. Este \u00e9 um grande problema. Bact\u00e9rias resistentes aos medicamentos n\u00e3o est\u00e3o presentes apenas em ambientes hospitalares, mas tamb\u00e9m na comunidade. Em outras palavras, ao nosso redor, incluindo na nossa alimenta\u00e7\u00e3o. Portanto, a recente descoberta nos Estados Unidos \u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o de que temos que agir imediatamente, antes de nos vermos diante de um colapso completo da medicina moderna como a conhecemos.<\/p>\n<p><strong>As bact\u00e9rias multirresistentes emergiram a partir da automedica\u00e7\u00e3o, mas existem evid\u00eancias de que o uso de antibi\u00f3ticos em animais, para aumentar a produ\u00e7\u00e3o, est\u00e1 relacionado \u00e0 resist\u00eancia em humanos. Estas pr\u00e1ticas precisam ser revistas?<\/strong><\/p>\n<p>A multirresist\u00eancia a medicamentos resulta de v\u00e1rios fatores que v\u00e3o muito al\u00e9m da automedica\u00e7\u00e3o. Faltam diagn\u00f3sticos adequados, r\u00e1pidos e de baixo custo para determinar a quest\u00e3o mais fundamental: se a infec\u00e7\u00e3o \u00e9 decorrente de v\u00edrus ou bact\u00e9ria. At\u00e9 hoje, muitas vezes, isso leva \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o excessiva de antibi\u00f3ticos. Acontece em pa\u00edses ricos e pobres. O uso exagerado de antibi\u00f3ticos na agricultura e cria\u00e7\u00e3o de animais \u00e9 uma das principais causas da resist\u00eancia, o que levou \u00e0 necessidade urgente de diminuir ao m\u00ednimo essa aplica\u00e7\u00e3o. Desenvolver resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos \u00e9 basicamente o que as bact\u00e9rias fazem, \u00e9 sua natureza. Ainda assim, temos que tentar retardar ou combater a resist\u00eancia com todas as armas de que dispomos, garantir acesso a antibi\u00f3ticos para quem precisa, assegurar os antibi\u00f3ticos certos nas doses certas, administrar formula\u00e7\u00f5es e combina\u00e7\u00f5es para as infec\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m controlar o excesso de comercializa\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios, implementando diretrizes a n\u00edveis local, nacional e global. Os setores da sa\u00fade humana e animal t\u00eam de trabalhar lado a lado. Simplesmente n\u00e3o temos novos tratamentos com antibi\u00f3ticos, com medicamentos novos ou existentes, e \u00e9 isso que o Gard pretende resolver.<\/p>\n<p><strong>Mas em poucos anos haver\u00e1 bact\u00e9rias resistentes a estas novas drogas tamb\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p><cite>\u00c9 absolutamente necess\u00e1rio desenvolver novos antibi\u00f3ticos, mas, se n\u00e3o fizermos nada sobre como os antibi\u00f3ticos, j\u00e1 existentes e novos, s\u00e3o usados, controlados e acess\u00edveis para as pessoas que necessitam, qualquer antibi\u00f3tico novo vai encontrar resist\u00eancia rapidamente\u00a0<\/cite><\/p>\n<p>A luta contra a resist\u00eancia antimicrobiana tem que ser um esfor\u00e7o imediato e global. As economias emergentes, como o Brasil, ter\u00e3o papel crucial a desempenhar, possuindo sistemas de sa\u00fade cada vez mais robustos, capacidade para desenvolver antibi\u00f3ticos e tamb\u00e9m muitos dos problemas globais que s\u00e3o causas da resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Como os pa\u00edses devem agir para evitar a prolifera\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias multirresistentes? A ado\u00e7\u00e3o de regras restritivas para o uso dos antibi\u00f3ticos \u00e9 suficiente?<\/strong><\/p>\n<p>Devemos ser claros sobre como restringir o uso. Isso s\u00f3 \u00e9 apropriado onde h\u00e1 excesso de uso. Mais pessoas est\u00e3o morrendo por falta de antibi\u00f3ticos do que pela resist\u00eancia. Mesmo que possamos ver essa tend\u00eancia se inverter, temos que nos preocupar tanto em garantir o acesso aos pacientes que necessitam de antibi\u00f3ticos quanto sobre como proteger a &#8220;vida&#8221; dos antibi\u00f3ticos pelo maior tempo poss\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo caminha para uma era &#8220;p\u00f3s-antibi\u00f3tica&#8221;, em que infec\u00e7\u00f5es comuns podem matar. 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