{"id":43280,"date":"2016-06-06T12:00:41","date_gmt":"2016-06-06T15:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43280"},"modified":"2016-06-05T21:43:37","modified_gmt":"2016-06-06T00:43:37","slug":"poluicao-de-manaus-inibe-a-fotossintese-da-floresta-e-reduz-a-formacao-de-chuvas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/poluicao-de-manaus-inibe-a-fotossintese-da-floresta-e-reduz-a-formacao-de-chuvas\/","title":{"rendered":"Polui\u00e7\u00e3o de Manaus inibe a fotoss\u00edntese da floresta e reduz a forma\u00e7\u00e3o de chuvas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43281\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Est\u00e1 comprovado: a polui\u00e7\u00e3o urbana produzida pela cidade de Manaus tem influ\u00eancia direta \u2013 e potencialmente prejudicial \u2013 sobre a biogeoqu\u00edmica da floresta amaz\u00f4nica. Por onde passa, a pluma de polui\u00e7\u00e3o que emana da capital amazonense interfere nos mecanismos de produ\u00e7\u00e3o de part\u00edculas de aeross\u00f3is, com consequ\u00eancias nos mecanismos de forma\u00e7\u00e3o de nuvens, sua evolu\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de chuva. A intera\u00e7\u00e3o da pluma urbana com as emiss\u00f5es naturais da floresta produz oz\u00f4nio em n\u00edveis que podem ser fitot\u00f3xicos para a vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o que mostra o artigo \u201cFotoqu\u00edmica do isopreno sobre a Floresta Amaz\u00f4nica\u201d, que acaba de ser publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).<\/p>\n<p>Trata-se de um dos primeiros resultados da campanha cient\u00edfica internacional GoAmazon, um grande experimento realizada ao longo de 2014 e 2015 ao redor de Manaus, envolvendo v\u00e1rios projetos financiados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em ingl\u00eas), a FAPESP e a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), entre outros parceiros.<\/p>\n<p>O projeto liderado por Artaxo, \u201cGoAmazon: Intera\u00e7\u00e3o da pluma urbana de Manaus com emiss\u00f5es biog\u00eanicas da Floresta Amaz\u00f4nica\u201d, foi desenvolvido no \u00e2mbito do Programa de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da FAPESP, e utilizou, entre outros recursos, dois avi\u00f5es de pesquisa com instrumentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o que sobrevoaram extensivamente a Amaz\u00f4nia central ao longo de 2014 (Mais informa\u00e7\u00f5es em: agencia.fapesp.br\/20150\/).<\/p>\n<p>\u201cO foco dos estudos foi desvendar os mecanismos de intera\u00e7\u00e3o entre as emiss\u00f5es de Manaus e as da floresta\u201d, diz Paulo Artaxo, professor do Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos coordenadores do experimento GoAmazon. Com cerca de 400 trabalhos publicados e mais de 12 mil cita\u00e7\u00f5es, Artaxo foi um dos quatro brasileiros citados no in\u00edcio do ano entre os pesquisadores \u201cmais influentes\u201d do mundo pela empresa Thomson Reuters.<\/p>\n<p>Segundo Artaxo, a floresta emite naturalmente os chamados compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis (VOCs) como parte do seu metabolismo. Uma vez na atmosfera, os VOCs interagem com outros gases e s\u00e3o oxidados. Esse processo tem papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o de nuvens e, consequentemente, da chuva que cai na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 neste ponto que a pluma de polui\u00e7\u00e3o manauara mostra a sua influ\u00eancia. As emiss\u00f5es que saem das chamin\u00e9s industriais e dos escapamentos da frota de ve\u00edculos formam uma pluma de poluentes na troposfera sobre Manaus. Tal pluma \u00e9 continuamente transportada pelos ventos para longe da cidade, geralmente na dire\u00e7\u00e3o oeste, formando uma mancha atmosf\u00e9rica que se estende por 100, 200 e at\u00e9 300 quil\u00f4metros (km) de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Os gases poluentes da pluma alteram as rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas dos VOCs na atmosfera, produzindo mais oz\u00f4nio e mais part\u00edculas de aeross\u00f3is do que ocorreria naturalmente longe da presen\u00e7a da pluma de polui\u00e7\u00e3o. \u201cO oz\u00f4nio \u00e9 um g\u00e1s fitot\u00f3xico. Ele \u00e9 t\u00f3xico para as plantas em altas concentra\u00e7\u00f5es\u201d, diz Artaxo.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o normal de oz\u00f4nio na troposfera da Amaz\u00f4nia \u00e9 muito baixa, de 10 a 15 partes por bilh\u00e3o (ppb) no meio do dia. Por onde passa a pluma poluente de Manaus, as concentra\u00e7\u00f5es de oz\u00f4nio quadruplicam, saltando para 40 a 50 ppb. \u201cA maior concentra\u00e7\u00e3o de oz\u00f4nio inibe a fotoss\u00edntese, pois faz com que os est\u00f4matos n\u00e3o se abram para a realiza\u00e7\u00e3o da fotoss\u00edntese. Como resultado, as plantas absorvem menos carbono da atmosfera. Nessas condi\u00e7\u00f5es, a vegeta\u00e7\u00e3o tem a fotoss\u00edntese reduzida\u201d, afirma Artaxo. \u201cUma exposi\u00e7\u00e3o de longo prazo da vegeta\u00e7\u00e3o a elevadas concentra\u00e7\u00f5es de oz\u00f4nio levaria a uma redu\u00e7\u00e3o na quantidade de biomassa da floresta que estiver sob a influ\u00eancia da pluma de Manaus.\u201d<\/p>\n<p>Tal redu\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi verificada <i>in loco<\/i>, sublinha o f\u00edsico brasileiro. \u201cEsta aferi\u00e7\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil. Requer um monitoramento de longo prazo. Sabemos do efeito nocivo das altas concentra\u00e7\u00f5es de oz\u00f4nio sobre as plantas gra\u00e7as aos estudos em estufas artificiais. Quando as plantas s\u00e3o submetidas a concentra\u00e7\u00f5es de oz\u00f4nio de 40 a 50 ppb, a fotoss\u00edntese \u00e9 reduzida. Estamos neste momento desenhando novos experimentos que v\u00e3o tentar quantificar qual seria o efeito da pluma de Manaus na floresta,\u201d completa Artaxo.<\/p>\n<p><b>Intera\u00e7\u00f5es entre part\u00edculas<\/b><\/p>\n<p>Um segundo efeito importante observado no experimento GoAmazon diz respeito \u00e0s intera\u00e7\u00f5es entre as part\u00edculas formadas pela intera\u00e7\u00e3o dos VOCs naturais da floresta com os \u00f3xidos de nitrog\u00eanio emitidos pelos carros e ind\u00fastrias. Foi observada uma produ\u00e7\u00e3o alta de part\u00edculas como resultado da intera\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o com as emiss\u00f5es da floresta.<\/p>\n<p>Essas part\u00edculas afetam os mecanismos de forma\u00e7\u00f5es de nuvens, formando gotas menores, que demoram mais para crescer e evoluir, potencialmente diminuindo a chuva para nuvens formadas a partir da intera\u00e7\u00e3o entre a polui\u00e7\u00e3o com as emiss\u00f5es da floresta. \u201cAinda n\u00e3o temos uma quantifica\u00e7\u00e3o precisa do efeito, s\u00f3 estudamos os mecanismos at\u00e9 o momento\u201d, afirma Artaxo.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o de tais efeitos ter\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o em toda a Amaz\u00f4nia, dado que a pluma de polui\u00e7\u00e3o sobre a floresta n\u00e3o \u00e9 uma exclusividade da \u00e1rea urbana de Manaus. Ela existe, em menor grau, em todas as outras cidades amaz\u00f4nicas, como Bel\u00e9m, Santar\u00e9m, Porto Velho e Rio Branco.<\/p>\n<p>O artigo <i>Isoprene photochemistry over the Amazon rainforest<\/i> (doi: 10.1073\/pnas.1524136113), assinado por Artaxo e Yingjun Liu, Joel Brito, Matthew R. Dorris, Jean C. Rivera-Rios, Roger Seco, Kelvin H. Bates, Sergio Duvoisin Jr, Frank N. Keutsch, Saewung Kim, Allen H. Goldstein, Alex B. Guenther, Antonio O. Manzi, Rodrigo A. F. Souza, Stephen R. Springston, Thomas B. Watson, Karena A. McKinney, and Scot T. Martin, publicado em <i>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/i>, est\u00e1 acess\u00edvel no endere\u00e7o: <a href=\"http:\/\/www.pnas.org\/content\/early\/2016\/05\/10\/1524136113.abstract\" target=\"_blank\"><b>http:\/\/www.pnas.org\/content\/early\/2016\/05\/10\/1524136113.abstract<\/b><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 comprovado: a polui\u00e7\u00e3o urbana produzida pela cidade de Manaus tem influ\u00eancia direta \u2013 e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43281,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/experimento.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Est\u00e1 comprovado: a polui\u00e7\u00e3o urbana produzida pela cidade de Manaus tem influ\u00eancia direta \u2013 e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43280"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43280"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43280\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}