{"id":43218,"date":"2016-06-05T13:30:50","date_gmt":"2016-06-05T16:30:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43218"},"modified":"2016-06-04T22:09:09","modified_gmt":"2016-06-05T01:09:09","slug":"a-escala-da-presenca-humana-no-mundo-ultrapassou-os-limites-da-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-escala-da-presenca-humana-no-mundo-ultrapassou-os-limites-da-sustentabilidade\/","title":{"rendered":"A escala da presen\u00e7a humana no mundo ultrapassou os limites da sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"corpo-noticia-div\">\n<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43219\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por\u00a0Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves*<\/strong><\/p>\n<p>A Pegada Ecol\u00f3gica mede a quantidade de recursos naturais necess\u00e1rios para manter o padr\u00e3o de consumo dos seres humanos. Tudo o que usamos e o ar que respiramos vem da natureza e jamais deixar\u00e1 de pertencer \u00e0 natureza. Em geral, a civiliza\u00e7\u00e3o produz luxo e descarta lixo. O avan\u00e7o humano tem ocorrido em detrimento da sa\u00fade do Planeta.<\/p>\n<p>O desenvolvimento humano est\u00e1 altamente correlacionado com o aumento da pegada ecol\u00f3gica. Pa\u00edses com alto \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) possuem pegada ecol\u00f3gica elevada e pa\u00edses com baixo IDH possuem pegada ecol\u00f3gica baixa. Isto quer dizer que o estilo de desenvolvimento adotado tem ocorrido \u00e0s custas da degrada\u00e7\u00e3o ambiental e em preju\u00edzo da biocapacidade.<\/p>\n<p>No quadrante superior direito da figura acima est\u00e3o principalmente os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Norte, da Europa e do Oriente M\u00e9dio produtores de petr\u00f3leo. Ou seja, s\u00e3o pa\u00edses que possuem alto IDH e tamb\u00e9m alta pegada ecol\u00f3gica. A grande maioria dos pa\u00edses da \u00c1frica possuem baixo IDH e baixa pegada ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Estes dados s\u00e3o da rede \u201cGlobal Footprint Network\u201d que trabalha com duas medidas para se avaliar o d\u00e9ficit ambiental. A Pegada Ecol\u00f3gica serve para avaliar o impacto humano sobre a biosfera. A Biocapacidade avalia o montante de terra e \u00e1gua \u2013 o saldo biologicamente produtivo \u2013 para prover bens e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. A unidade de medida \u00e9 o hectare global (gha).<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 45 anos a Pegada Ecol\u00f3gica mundial ultrapassou a biocapacidade do Planeta. Desde o in\u00edcio dos anos 1970, o d\u00e9ficit ambiental vem subindo constantemente. Em 2012, o mundo tinha uma popula\u00e7\u00e3o 7,1 bilh\u00f5es de pessoas, com uma pegada ecol\u00f3gica per capita de 2,84 hectares globais (gha) e uma biocapacidade per capita de 1,73 gha, conforme anunciou a Global Footprint Network, em mar\u00e7o de 2016.<\/p>\n<p>O mundo tinha em 2012 uma biocapacidade total de 12,2 bilh\u00f5es de hectares globais, mas tinha uma pegada ecol\u00f3gica de 20,1 bilh\u00f5es de hectares globais. Portanto, a pegada ecol\u00f3gica ultrapassava a biocapacidade em 64%. Ou dito de outra maneira, o mundo estava consumindo o equivalente a 1,64 planeta. Portanto, a popula\u00e7\u00e3o mundial vive no vermelho e provoca um d\u00e9ficit ambiental que cresce a cada ano.<\/p>\n<p>Evidentemente, este caminho \u00e9 insustent\u00e1vel. A humanidade s\u00f3 consegue manter seu modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo devido \u00e0 heran\u00e7a acumulada no passado. Por exemplo, ao avan\u00e7ar com as atividades antr\u00f3picas e utilizar montantes crescentes de energia, o ser humano est\u00e1 esgotando as reservas de combust\u00edveis f\u00f3sseis. A queima desta heran\u00e7a f\u00f3ssil, reduz os estoques de hidrocarbonetos do subsolo e aumenta a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global.<\/p>\n<p>A perda da biocapacidade ocorre devido ao desmatamento, \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o dos solos, \u00e0 sobreutiliza\u00e7\u00e3o das nascentes, rios, lagos e aqu\u00edferos, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do montante de peixe, \u00e0 acidifica\u00e7\u00e3o dos mares, \u00e0 polui\u00e7\u00e3o generalizada, \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o das riquezas naturais, etc. O progresso do ser humano est\u00e1 ocorrendo em fun\u00e7\u00e3o do regresso do meio ambiente e da redu\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Tudo isto contribui para o d\u00e9ficit ambiental.<\/p>\n<p>\u00d3bvio, s\u00e3o as parcelas mais ricas da popula\u00e7\u00e3o que mais contribuem para o aumento da pegada ecol\u00f3gica, como mostra o gr\u00e1fico do IDH. Por\u00e9m, mesmo que houvesse uma justa distribui\u00e7\u00e3o da riqueza dentro dos pa\u00edses e entre os pa\u00edses, a pegada ecol\u00f3gica m\u00e9dia superaria ainda assim a biocapacidade m\u00e9dia global. Existe um conflito social internacional e nacional, pois alguns pa\u00edses possuem alto IDH e a maioria possui baixo IDH, assim como no plano nacional uma parcela da popula\u00e7\u00e3o possui alto IDH e outra parcela exclu\u00edda ou parcialmente inclu\u00edda possui baixo IDH.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, o desenvolvimento da base material do progresso humano (aumento do IDH) tem gerado grandes d\u00e9ficits ambientais. A escala da presen\u00e7a humana no mundo ultrapassou os limites da sustentabilidade. Quanto maior for o IDH mundial, menor ser\u00e1 a base ecol\u00f3gica que sustenta a vida na Terra. O trip\u00e9 inclus\u00e3o econ\u00f4mica, justi\u00e7a social e sustentabilidade ambiental virou trilema.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, para evitar o colapso ambiental \u00e9 preciso reduzir a pegada ecol\u00f3gica e para evitar as injusti\u00e7as sociais \u00e9 preciso reduzir os n\u00edveis de desigualdade. A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser o crescimento econ\u00f4mico ilimitado. Ao contr\u00e1rio, ser\u00e1 necess\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 o decrescimento da popula\u00e7\u00e3o mundial, mas tamb\u00e9m o decrescimento do padr\u00e3o de consumo m\u00e9dio das pessoas, com equidade social. Acima de tudo, a humanidade precisa sair do d\u00e9ficit ecol\u00f3gico e voltar para o super\u00e1vit ambiental, resgatando as reservas naturais, para o bem de todos os seres vivos da Terra.<\/p>\n<p>*Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em Popula\u00e7\u00e3o, Territ\u00f3rio e Estat\u00edsticas P\u00fablicas da Escola Nacional de Ci\u00eancias Estat\u00edsticas \u0096 ENCE\/IBGE.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves* A Pegada Ecol\u00f3gica mede a quantidade de recursos naturais necess\u00e1rios para<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43219,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/populacao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por\u00a0Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves* A Pegada Ecol\u00f3gica mede a quantidade de recursos naturais necess\u00e1rios para","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43218"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43218"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43218\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}