{"id":43012,"date":"2016-06-02T09:00:15","date_gmt":"2016-06-02T12:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=43012"},"modified":"2016-06-02T08:11:54","modified_gmt":"2016-06-02T11:11:54","slug":"atropelamentos-em-rodovias-ameacam-antas-no-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/atropelamentos-em-rodovias-ameacam-antas-no-cerrado\/","title":{"rendered":"Atropelamentos em rodovias amea\u00e7am antas brasileiras no Cerrado"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-43013\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisas da Iniciativa Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Anta Brasileira (INCAB\/IP\u00ca) revelam que a esp\u00e9cie corre s\u00e9rio risco nas estradas do Mato Grosso do Sul<\/em><\/p>\n<p>Resultados pr\u00e9vios de pesquisas realizadas pela Iniciativa Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Anta Brasileira (INCAB), do IP\u00ca \u2013 Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas, apontam que a sobreviv\u00eancia da anta brasileira no Cerrado do Mato Grosso do Sul (MS) est\u00e1 sob constante amea\u00e7a, devido a a\u00e7\u00f5es humanas. Na regi\u00e3o, uma s\u00e9rie de atividades coloca a vida da esp\u00e9cie em risco, como a remo\u00e7\u00e3o de florestas para o desenvolvimento do agroneg\u00f3cio (cana de a\u00e7\u00facar, soja entre outras culturas). Entretanto, a amea\u00e7a que mais tem chamado a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores nos \u00faltimos anos s\u00e3o os atropelamentos nas rodovias que cortam o estado.<\/p>\n<p>Em apenas sete trechos de estradas do Mato Grosso do Sul (BR-267, BR-163, MS-040, MS-145, MS-134 e dois trechos da BR-262), no per\u00edodo de 3 anos de monitoramento (iniciados no ano de 2013), os pesquisadores da INCAB encontraram 117 antas mortas por atropelamento, inclusive filhotes. Isso significa uma m\u00e9dia de quase 4 indiv\u00edduos por m\u00eas, em uma extens\u00e3o de cerca de 1.450 quil\u00f4metros de rodovias.<\/p>\n<p>\u201cO hist\u00f3rico anterior de atropelamentos de antas em diversas regi\u00f5es do Brasil j\u00e1 nos indicava que o n\u00famero de animais mortos por essa raz\u00e3o seria grande. Especialmente por se tratar de uma regi\u00e3o com um ambiente muito alterado e paisagem extremamente antropizada e cortada por rodovias muito movimentadas e totalmente sem sinaliza\u00e7\u00e3o para a presen\u00e7a de animais. Entretanto, o dado \u00e9 assombroso. Vale ressaltar que as 117 antas mortas s\u00e3o apenas a ponta do iceberg, uma vez que certamente houve outras, cujas mortes n\u00e3o foram detectadas por nossa equipe. Adiciona-se \u00e0 perda das antas a perda de vidas humanas. Registramos 14 \u00f3bitos de pessoas envolvidas em colis\u00f5es com antas em rodovias do MS\u201d, alerta a coordenadora da INCAB\/IP\u00ca, Patr\u00edcia Medici.<\/p>\n<p>Amea\u00e7a para antas, amea\u00e7a para o Cerrado<\/p>\n<p>A anta \u00e9 um animal de ciclo reprodutivo muito longo, s\u00e3o de 13 a 14 meses para a gesta\u00e7\u00e3o de um \u00fanico filhote, que pode sobreviver ou n\u00e3o. A esp\u00e9cie \u00e9 considerada a \u201cjardineira das florestas\u201d pelo seu alto potencial de dispersar sementes que d\u00e3o origem a novas \u00e1rvores e plantas dentro de suas \u00e1reas de uso. Perder at\u00e9 4 indiv\u00edduos a cada m\u00eas coloca este animal em uma situa\u00e7\u00e3o de alto risco tanto para sua sobreviv\u00eancia como esp\u00e9cie quanto para a manuten\u00e7\u00e3o de nossas florestas.<\/p>\n<p>\u201cA anta \u00e9 um dos grandes respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Perder um \u00fanico indiv\u00edduo na natureza significa diminuir consideravelmente as nossas chances de conservar nossas florestas, o que \u00e9 um risco tamb\u00e9m para o Cerrado, o bioma mais amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d, defende Patr\u00edcia.<\/p>\n<p>As carca\u00e7as frescas de antas atropeladas s\u00e3o submetidas a necropsia e amostradas como parte dos estudos de sa\u00fade desenvolvidos pela equipe de veterin\u00e1rios da INCAB. Diversas amostras biol\u00f3gicas coletadas durante as necropsias s\u00e3o analisadas para a presen\u00e7a de produtos qu\u00edmicos e agrot\u00f3xicos. \u201cBasicamente 100% delas s\u00e3o positivas para os mesmos incluindo organofosforados, carbamatos e metais pesados, indicando que os agrot\u00f3xicos presentes em lavouras encontram-se no organismo dos indiv\u00edduos. Ainda n\u00e3o sabemos o impacto disso para a sa\u00fade das antas, mas certamente \u00e9 um indicador relevante\u201d, diz Patr\u00edcia.<\/p>\n<p>Com a grave amea\u00e7a nessas rodovias, os pesquisadores correm contra o tempo para que as antas sobrevivam no Cerrado de MS. Al\u00e9m de monitorar os atropelamentos, desde janeiro de 2015, a INCAB realiza tamb\u00e9m capturas de indiv\u00edduos para pesquisa. Ao longo de 2 mil km\u00b2 nessa \u00e1rea recortada por planta\u00e7\u00f5es e pecu\u00e1ria, as antas capturadas recebem colares para monitoramento via sat\u00e9lite (com o objetivo de investigar como os animais utilizam a paisagem) e s\u00e3o avaliadas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade (presen\u00e7a de doen\u00e7as infecciosas, intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos entre outros par\u00e2metros indicativos de sa\u00fade) e gen\u00e9tica. .<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, 10 antas (cinco machos e cinco f\u00eameas) foram capturadas: oito adultas \u2013 que foram equipadas com colar \u2013 e duas subadultas que, por estarem ainda em fase de crescimento, n\u00e3o receberam colar e foram somente amostradas para os estudos de sa\u00fade e gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>Os resultados de todas essas linhas de pesquisa integrados (monitoramento de atropelamentos, utiliza\u00e7\u00e3o da telemetria para estudos de uso de espa\u00e7o e da paisagem antropizada e an\u00e1lises de sa\u00fade e gen\u00e9tica) ser\u00e3o utilizados para buscar estrat\u00e9gias de mitiga\u00e7\u00e3o das amea\u00e7as afetando a esp\u00e9cie na regi\u00e3o. Eles j\u00e1 fazem parte do maior e mais completo banco de dados sobre a anta brasileira no mundo, resultado de 20 anos de trabalho da INCAB, completados em 2016.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Video relata atropelamentos:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=y9Vdst2Z21c\" target=\"_blank\">https:\/\/www.<wbr \/>youtube.com\/watch?v=<wbr \/>y9Vdst2Z21c<\/a><\/b><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas da Iniciativa Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Anta Brasileira (INCAB\/IP\u00ca) revelam que a esp\u00e9cie<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43014,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/anta-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisas da Iniciativa Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Anta Brasileira (INCAB\/IP\u00ca) revelam que a esp\u00e9cie","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43012"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43012"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43012\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43014"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43012"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43012"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43012"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}