{"id":42859,"date":"2016-05-30T11:00:00","date_gmt":"2016-05-30T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=42859"},"modified":"2016-05-29T21:32:25","modified_gmt":"2016-05-30T00:32:25","slug":"cientistas-descobrem-mosca-que-rouba-alimentos-de-plantas-carnivoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-descobrem-mosca-que-rouba-alimentos-de-plantas-carnivoras\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem mosca que &#8220;rouba&#8221; alimentos de plantas carn\u00edvoras"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42860\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A natureza nos surpreende \u00e0s vezes e agora demonstrou como se pode viver \u00e0s custas de um inimigo: uma equipe de entomologistas e bot\u00e2nicos brasileiros, espanh\u00f3is e alem\u00e3es achou no Brasil larvas de uma mosca que vivem nas folhas pegajosas de plantas carn\u00edvoras e que, al\u00e9m disso, &#8220;roubam&#8221; seu alimento.<\/p>\n<p>Esta mosca pertence \u00e0 fam\u00edlia dos s\u00edrfidos (comumente moscas das flores) e suas larvas s\u00e3o &#8220;comensais n\u00e3o convidados&#8221; das droseras e dioneias, cujas folhas est\u00e3o cobertas por v\u00e1rios tent\u00e1culos que segregam subst\u00e2ncias pegajosas que simulam ser gotas brilhantes de orvalho, um isca maquiav\u00e9lica para atrair e capturar os insetos.<\/p>\n<p>No entanto, as larvas estudadas &#8220;conseguem ser imunes ao letal adesivo das droseras e roubar o alimento, o que tecnicamente se denomina cleptoparasitismo&#8221;, disse um dos pesquisadores participantes desta descoberta, Santos Rojo, da Universidade de Alicante (UA).<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o conhecidos v\u00e1rios casos de cleptoparasitismo na natureza, mas este \u00e9 o primeiro no qual uma mosca \u00e9 capaz de roubar as presas capturadas mediante secre\u00e7\u00f5es adesivas de uma planta carn\u00edvora que se alimenta de insetos&#8221;, afirmou Rojo.<\/p>\n<p>Quando finalizam seu desenvolvimento, estas larvas &#8220;ladras&#8221; se deslocam \u00e0 parte inferior das folhas que, ao n\u00e3o ser pegajosa, n\u00e3o representa nenhum perigo para a continua\u00e7\u00e3o de seu ciclo biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Segundo fontes da UA, esta mosca foi descrita no Brasil em 1836, mas passaram-se 180 anos para poder documentar seu ciclo biol\u00f3gico pela primeira vez.<\/p>\n<p>Apesar de ter sido revelado este enigma, &#8220;a pesquisa continua com o estudo de outros aspectos, como a raz\u00e3o da &#8216;imunidade&#8217; \u00e0s subst\u00e2ncias adesivas das planta ou se outras esp\u00e9cies compartilham este tipo de h\u00e1bito&#8221;, disse Rojo.<\/p>\n<p>O achado foi publicado na revista cient\u00edfica &#8220;<a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0153900\">Plos One<\/a>&#8221; e \u00e9 fruto de uma parceria na qual participaram cientistas do Departamento de Ci\u00eancias Ambientais e Recursos Naturais da UA, da Botanical State Collection de Munique, do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo, do Museu Alexander Koenig em Bonn e do centro Illumina, San Francisco (EUA).<\/p>\n<p>O trabalho de campo se desenvolveu em zonas montanhosas do Estado de <strong><a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/minas-gerais\">Minas Gerais<\/a><\/strong> (sudeste do Brasil), embora, segundo Rojo, &#8220;seja prov\u00e1vel que esta incomum rela\u00e7\u00e3o inseto-planta possa existir em outras zonas da Am\u00e9rica do Sul, j\u00e1 que tem um enorme biodiversidade da qual os pesquisadores quase n\u00e3o est\u00e3o arranhando sua superf\u00edcie&#8221;.<\/p>\n<p>Esta descoberta &#8220;representa um salto qualitativo no estudo da biodiversidade da Am\u00e9rica do Sul e permite entender as rotas evolutivas e a forma\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies neste grupo de insetos&#8221;, destacou o pesquisador da UA.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante do ponto de vista da conserva\u00e7\u00e3o de habitats, j\u00e1 que agora se pode detectar esta rela\u00e7\u00e3o que antes passava despercebida e que tem interesse em n\u00edvel bot\u00e2nico e entomol\u00f3gico, segundo Ximo Mengual, outro participante desta pesquisa.<\/p>\n<p>Muitas outras esp\u00e9cies de moscas de flores s\u00e3o inimigas naturais de pulg\u00f5es e outras pragas com interesse agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Segundo Rojo, conhecer seu ciclo biol\u00f3gico em detalhes &#8220;pode apresentar novos dados aplic\u00e1veis a esp\u00e9cies predadoras de pragas no mundo todo &#8220;.<\/p>\n<p>Os pesquisadores estudam agora se pode existir alguma rela\u00e7\u00e3o positiva entre as droseras e este tipo de mosca.<\/p>\n<p>&#8220;As larvas n\u00e3o apresentam nenhum nutriente extra \u00e0 planta carn\u00edvora e n\u00e3o quantificamos ainda o que sup\u00f5em estes &#8216;roubos&#8217;, mas de uma maneira ou outra devem ser compensados, pois n\u00e3o s\u00e3o observados danos aparentes. Uma hip\u00f3tese \u00e9 que os adultos da mosca podem ajudar \u00e0 poliniza\u00e7\u00e3o das flores deste tipo de droseras&#8221;, apontou Rojo.<\/p>\n<p>Uma das esp\u00e9cies de planta carn\u00edvora onde foi feito este estudo \u00e9 uma das &#8216;Top 10&#8217; de esp\u00e9cies selecionadas no ano passado de entre as descobertas no mundo todo, disse \u00e0 ag\u00eancia Efe Andreas Fleischmann, tamb\u00e9m coautor do trabalho.<\/p>\n<p>As droseras ou plantas do orvalho do sol est\u00e3o presentes em todos os continentes, mas a maioria apresenta uma distribui\u00e7\u00e3o tropical.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A natureza nos surpreende \u00e0s vezes e agora demonstrou como se pode viver \u00e0s custas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":42860,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/larvas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A natureza nos surpreende \u00e0s vezes e agora demonstrou como se pode viver \u00e0s custas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42859"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42859\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}