{"id":42842,"date":"2016-05-30T07:00:03","date_gmt":"2016-05-30T10:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=42842"},"modified":"2016-05-29T21:13:53","modified_gmt":"2016-05-30T00:13:53","slug":"variedade-brasileira-de-lupulo-e-descoberta-na-serra-da-mantiqueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/variedade-brasileira-de-lupulo-e-descoberta-na-serra-da-mantiqueira\/","title":{"rendered":"Variedade brasileira de l\u00fapulo \u00e9 descoberta na Serra da Mantiqueira"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/lupulo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42843\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/lupulo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/lupulo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/lupulo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Voc\u00ea j\u00e1 imaginou o quanto h\u00e1 de agricultura em uma garrafa de cerveja? Pois tudo come\u00e7a<br \/>\nno campo! Campo de cevada, de milho, de arroz, de trigo\u2026 Para uma latinha s\u00f3, vai parecer pouco: algo em torno de 50g de gr\u00e3os, um punhadinho de plantas. Mas o mundo consome cerca de 200 bilh\u00f5es de litros de cerveja por ano. A mat\u00e9ria-prima necess\u00e1ria para dar conta de toda essa demanda ocupa 35 milh\u00f5es de hectares de lavouras. \u00c9 uma \u00e1rea do tamanho da Alemanha, destinada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de cerveja.<\/p>\n<p>Ultimamente, o setor que mais cresce \u00e9 o das cervejas especiais, destacando-se o produto artesanal. Embora n\u00e3o haja ainda legisla\u00e7\u00e3o regulamentando a atividade, no Brasil j\u00e1 tem gente fabricando cerveja artesanal em apartamento, em garagem, fundo de quintal, em casinha de montanha. Como a Cerveja da Serra da Mantiqueira, que \u00e9 produzida numa pequena propriedade do munic\u00edpio de Gon\u00e7alves-MG.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Waack \u00e9 o dono da propriedade. Engenheiro de som e m\u00fasico de uma banda e rock, ele deixou a cidade de S\u00e3o Paulo para morar na Serra. Os que pensavam que ele montaria um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o no local, se surpreendem quando conhecem a microcervejaria e a pousada, montada com o prop\u00f3sito de o h\u00f3spede vir fazer aqui a pr\u00f3pria cerveja.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 compra maltes importados da B\u00e9lgica e da Alemanha. Produz cinco tipos de cerveja, entre claras e escuras. E, agora que dominou a t\u00e9cnica, quer muito incorporar um sabor serrano. Al\u00e9m da \u00e1gua, que \u00e9 extraordin\u00e1ria, quer explorar o que, na Europa, chamam de \u201cterroir\u201d: coisas que s\u00e3o pr\u00f3prias e caracter\u00edsticas de uma regi\u00e3o espec\u00edfica. Ele exemplifica: \u201cO pinh\u00e3o, a jabuticaba, a japoca \u2013 uma frutinha que se assemelha ao fisalis&#8221;.<\/p>\n<p>Mal sabe o Andr\u00e9 que um ingrediente fundamental da cerveja &#8211; o l\u00fapulo &#8211; \u00e9 objeto de um experimento in\u00e9dito no Brasil, a 50Km quil\u00f4metros do s\u00edtio dele, em S\u00e3o Bento de Sapuca\u00ed-SP, colado a Campos do Jord\u00e3o.<\/p>\n<p>A cidade fica a 1.700 metros de altura, \u00e9 cheia de bosques de Arauc\u00e1rias, Pirambeiras e registra em m\u00e9dia, 40 geadas por ano. Produzir em uma regi\u00e3o com essas caracter\u00edsticas pode parecer utopia para muita gente. Mas foi exatamente este o local escolhido pelo agr\u00f4nomo Rodrigo Veraldi para viver e para cultivar sua renda: &#8220;Viabilizamos a utopia de se poder viver numa pequena propriedade nesta regi\u00e3o. A gente conseguiu conciliar o cultivo de diversas espe\u00e9cies, produzindo em torno de 30 toneladas de frutas por ano, visando a sustentabilidade&#8221;.<\/p>\n<p>Rodrigo j\u00e1 trabalhou bastante com caf\u00e9 e batata, mas \u00e9 apaixonado mesmo por bot\u00e2nica. \u00c9 daquelas pessoas que se referem \u00e0s plantas pelo nome cient\u00edfico. No terreno, que recebeu de heran\u00e7a, Rodrigo montou uma cole\u00e7\u00e3o com centenas de plantas: tem um bosque de<br \/>\nCastanheira Portuguesa, uma alameda de \u00c1lamos, um Pinheiro do Hemisf\u00e9rio Norte<br \/>\nde folha penteada em forma de franja, ombreando com uma Arauc\u00e1ria.<\/p>\n<p>Comercialmente, ele cultiva 15 variedades: planta uvas Malbec e Shiraz, para produ\u00e7\u00e3o de vinho artesanal; tem Oliveiras, para a fabrica\u00e7\u00e3o de azeite; um jardim clonal de frutas vermelhas; al\u00e9m de avel\u00e3s, mirtilo, framboesa, morangos sem agrot\u00f3xicos e&#8230; o l\u00fapulo! Uma planta que n\u00e3o existia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>As folhas s\u00e3o \u00e1speras, no formato de palma. Elas sobem se enrolando num fio de nylom, no sentido hor\u00e1rio. No espa\u00e7amento de 1,20m entre plantas e 3,5m entre linhas, cabem 2500 p\u00e9s de l\u00fapulo por hectare.<\/p>\n<p>No Brasil &#8211; que atualmente importa quatro mil toneladas de l\u00fapulo por ano, com um custo superior a R$ 200 milh\u00f5es &#8211; j\u00e1 foram realizadas algumas tentativas de produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de l\u00fapulo com variedades da Europa, de onde a planta se origina. Todas essas tentativas foram em v\u00e3o. O cultivo da Serra da Mantiqueira deu certo gra\u00e7as a um lance do acaso, um acontecimento bot\u00e2nico espont\u00e2neo que originou o primeiro p\u00e9 de l\u00fapulo &#8211; o sobrevivente de uma experi\u00eancia frustrada de Rodrigo, que fala orgulhoso: &#8220;Esse p\u00e9 tem hist\u00f3ria: \u00e9 o marco do cultivo de l\u00fapulo no Brasil&#8221;. <strong><em>Detalhes sobre esta hist\u00f3ria de sorte, voc\u00ea confere no v\u00eddeo acima.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 imaginou o quanto h\u00e1 de agricultura em uma garrafa de cerveja? 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