{"id":42715,"date":"2016-05-27T16:26:05","date_gmt":"2016-05-27T19:26:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=42715"},"modified":"2016-05-27T16:26:05","modified_gmt":"2016-05-27T19:26:05","slug":"transformacoes-no-semiarido-brasileiro-a-luta-pela-agua-nao-pode-acabar-ela-e-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/transformacoes-no-semiarido-brasileiro-a-luta-pela-agua-nao-pode-acabar-ela-e-permanente\/","title":{"rendered":"Transforma\u00e7\u00f5es no semi\u00e1rido brasileiro: \u201cA luta pela \u00e1gua n\u00e3o pode acabar; ela \u00e9 permanente\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Gl\u00f3ria Ara\u00fajo<\/h2>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p><strong>\u201c\u00c9 importante fortalecer a agroecologia no semi\u00e1rido, porque a metade dos agricultores brasileiros est\u00e1 na regi\u00e3o\u201d, diz a coordenadora executiva da Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro \u2013 ASA.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/perlbal.hi-pi.com\/blog-images\/407216\/gd\/132818684169\/Agua-no-Semiarido-Governo-desiste-de-cancelar-programa-Um-Milhao-de-Cisternas.jpg\" width=\"300\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.webpiaui.com.br\">www.webpiaui.com.br<\/p>\n<p><\/a><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/Cortes%20no%20Programa%20Cisternas:%20100%20mil%20pessoas%20deixar%C3%A3o%20de%20ter%20acesso%20%C3%A0%20%C3%A1gua.%20Entrevista%20especial%20com%20Naidison%20Baptista\" target=\"_blank\"><strong>instala\u00e7\u00e3o de cisternas<\/strong><\/a> que permitem a capta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua da chuva garantiu que 85 mil fam\u00edlias do semi\u00e1rido passassem n\u00e3o s\u00f3 a ter <strong>acesso \u00e0 \u00e1gua<\/strong> para o consumo humano, mas pudessem produzir seus pr\u00f3prios alimentos. \u201cA \u00e1gua utilizada para a <strong>produ\u00e7\u00e3o de alimentos<\/strong> vem transformando a paisagem do <strong>semi\u00e1rido<\/strong>\u201d, diz <strong>Gl\u00f3ria Ara\u00fajo<\/strong> \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>.Antes de iniciativas como essa, que foram desenvolvidas atrav\u00e9s do <strong>Programa Um Milh\u00e3o de Cisternas<\/strong>, \u201ca realidade das fam\u00edlias agricultoras do semi\u00e1rido brasileiro era marcada pela dificuldade do acesso \u00e0 \u00e1gua. Essas fam\u00edlias, principalmente as mulheres e as crian\u00e7as, caminhavam mais de seis quil\u00f4metros para pegar \u00e1gua em grandes propriedades\u201d, lembra.<\/p>\n<p>De acordo com a coordenadora executiva da <strong>Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro &#8211; ASA<\/strong> pelo estado da <strong>Para\u00edba<\/strong>, entre as mudan\u00e7as que t\u00eam chamado aten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos no semi\u00e1rido, destaca-se a queda nos <strong>processos migrat\u00f3rios<\/strong> do campo para a cidade. \u201cNo Nordeste houve inclusive um retorno ao campo justamente porque as pessoas passaram a ter \u00e1gua. Mesmo num per\u00edodo de estiagem n\u00e3o houve uma migra\u00e7\u00e3o brusca do campo para a cidade\u201d, informa. Apesar dos avan\u00e7os dos \u00faltimos anos, frisa, \u201c\u00e9 preciso implementar <strong>pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong> para a popula\u00e7\u00e3o do campo, porque n\u00e3o podemos nos iludir achando que somente as cisternas v\u00e3o resolver todos os problemas do semi\u00e1rido\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por telefone, <strong>Gl\u00f3ria<\/strong> comenta ainda algumas das principais mudan\u00e7as que tem evidenciado na regi\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada, com destaque para o desenvolvimento da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/541067-tecnicas-para-armazenar-agua-e-produzir-alimentos-ajudam-a-convivencia-com-o-semiarido\" target=\"_blank\"><strong>produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica<\/strong><\/a>, atrav\u00e9s do cultivo de sementes locais, que envolve 12.800 fam\u00edlias. \u201cFizemos um mapeamento das sementes que est\u00e3o sendo conservadas, diversificadas e usadas pela <strong>agricultura familiar<\/strong> e chegamos a identificar que o patrim\u00f4nio gen\u00e9tico do semi\u00e1rido \u00e9 fant\u00e1stico. Esse trabalho da valoriza\u00e7\u00e3o das sementes locais \u00e9 algo importante para que o semi\u00e1rido seja din\u00e2mico e para que as popula\u00e7\u00f5es camponesas possam viver melhor. Nesse sentido, \u00e1gua, semente e terra s\u00e3o quest\u00f5es fundamentais\u201d, pontua.<\/p>\n<p><strong>Gl\u00f3ria Ara\u00fajo<\/strong> \u00e9 coordenadora executiva da Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro \u2013 ASA pelo estado da Para\u00edba.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i65.tinypic.com\/121xs9z.jpg\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: patacparaiba.blogspot.com.br<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Qual tem sido o impacto do programa de cisternas na transforma\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido? Pode nos apresentar um balan\u00e7o de qual era a situa\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido antes da implanta\u00e7\u00e3o das cisternas e como essa realidade mudou?<\/strong><strong>Gl\u00f3ria Ara\u00fajo \u2013<\/strong> Antes desse programa a realidade das <strong>fam\u00edlias agricultoras<\/strong> do <strong>semi\u00e1rido brasileiro<\/strong> era marcada pela dificuldade do acesso \u00e0 \u00e1gua. Essas fam\u00edlias, principalmente as<strong> mulheres e as crian\u00e7a<\/strong>s, caminhavam mais de seis quil\u00f4metros para pegar \u00e1gua em grandes propriedades. A partir da concretiza\u00e7\u00e3o desse programa, quando a <strong>Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro &#8211; ASA<\/strong> apresentou a proposta da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/544191-cisternas-de-captacao-de-agua-da-chuva-ajudam-sertanejos-a-conviver-com-a-seca\" target=\"_blank\"><strong>instala\u00e7\u00e3o das cisternas<\/strong><\/a> para a sociedade e para o governo a fim de atender as popula\u00e7\u00f5es difusas do semi\u00e1rido, essas fam\u00edlias passaram a ser beneficiadas pelo <strong>Programa 1 milh\u00e3o de Cisternas <\/strong>e passaram a ter, ao lado da casa, acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade. As cisternas t\u00eam capacidade de armazenar 16 mil litros de \u00e1gua e podem atender uma fam\u00edlia de at\u00e9 cinco pessoas durante um per\u00edodo prolongado de estiagem. Os \u00faltimos seis anos foram um per\u00edodo de violento processo de estiagem, e muitas vezes n\u00e3o choveu o suficiente para abastecer as cisternas, mas mesmo assim as fam\u00edlias tiveram <strong>acesso \u00e0 \u00e1gua<\/strong> em casa, algo que antes n\u00e3o tinham.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do acesso \u00e0 \u00e1gua para o consumo humano, desde 2007 estamos trabalhando para que as pessoas tenham acesso \u00e0 \u00e1gua para a <strong>produ\u00e7\u00e3o de alimentos<\/strong>: trabalhamos com cisternas com capacidade para 52 mil litros de \u00e1gua, que s\u00e3o constru\u00eddas nos quintais das casas e t\u00eam os transformado em locais de produ\u00e7\u00e3o de alimento. As <strong>mulheres<\/strong> t\u00eam um papel importante nesta atividade, porque agora n\u00e3o s\u00f3 produzem suas plantas medicinais, como tamb\u00e9m reproduzem suas sementes e criam aves. Nesse sentido, a \u00e1gua utilizada para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos vem transformando a paisagem do semi\u00e1rido. Hoje, j\u00e1 foram feitas cerca de 800 mil cisternas pela <strong>ASA<\/strong> e tamb\u00e9m por outras organiza\u00e7\u00f5es e pelo governo do Estado, que tem incorporado a tecnologia de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/42784-nas-cisternas-de-placas-um-avanco-importante\" target=\"_blank\"><strong>cisternas de placas<\/strong><\/a> da ASA. Nesse sentido, cerca de 85 mil fam\u00edlias do semi\u00e1rido j\u00e1 t\u00eam acesso \u00e0 \u00e1gua para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e isso est\u00e1 transformando a vida das pessoas, porque agora elas n\u00e3o s\u00f3 t\u00eam \u00e1gua para consumir, mas tamb\u00e9m para produzir alimentos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m desenvolvemos junto aos agricultores um trabalho de <strong>gest\u00e3o da \u00e1gua<\/strong> para o consumo e para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Isso tem trazido impactos incr\u00edveis na vida das pessoas n\u00e3o s\u00f3 porque elas passam a ter acesso \u00e0 \u00e1gua, mas porque conseguem produzir uma diversidade de alimentos sem uso de <strong>agrot\u00f3xicos<\/strong>. Esses alimentos passam a ser consumidos pelas fam\u00edlias e, mesmo em momentos de estiagens, elas t\u00eam conseguido vender seus alimentos no mercado da comunidade ou nas feiras locais, al\u00e9m de terem uma parceria com o <strong>Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar<\/strong>. Chama a aten\u00e7\u00e3o que, mesmo no per\u00edodo de seca, em 2014 foram organizadas quatro feiras, que oferecem <strong>produtos agroecol\u00f3gicos<\/strong> produzidos pelas fam\u00edlias.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>&#8220;Mesmo no per\u00edodo de seca, em 2014 foram organizadas quatro feiras, que oferecem produtos agroecol\u00f3gicos produzidos pelas fam\u00edlias&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Uma das reivindica\u00e7\u00f5es da ASA era a instala\u00e7\u00e3o das cisternas de placa e n\u00e3o as de pl\u00e1stico, conforme havia sido sugerido pelo governo federal h\u00e1 alguns anos. Hoje se investe mais em qual tipo de cisterna?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gl\u00f3ria Ara\u00fajo \u2013<\/strong> Hoje diminuiu o n\u00famero de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/505435-semiario-e-a-polemica-das-cisternas-de-plastico-entrevista-especial-com-roberto-malvezzi\" target=\"_blank\"><strong>cisternas de pl\u00e1stico<\/strong><\/a>, porque fizemos um movimento contr\u00e1rio a essa tecnologia, justamente porque ela vem de fora, tem um pre\u00e7o mais elevado e os agricultores ficariam dependentes da empresa que comercializa esse tipo de cisterna caso ocorresse algum problema. Al\u00e9m disso, a constru\u00e7\u00e3o das cisternas de placa fomenta o com\u00e9rcio local.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Al\u00e9m do avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 \u00e1gua, quais s\u00e3o as principais dificuldades que a popula\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido ainda enfrenta quando se trata de ter acesso \u00e0 \u00e1gua?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gl\u00f3ria Ara\u00fajo \u2013<\/strong> Apesar do avan\u00e7o, ainda \u00e9 preciso construir mais cisternas para que toda a <strong>popula\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido<\/strong> possa ter acesso \u00e0 \u00e1gua, e n\u00e3o apenas para o consumo humano, mas tamb\u00e9m para poderem plantar seus alimentos.<\/p>\n<p>Um dado que tem nos chamado a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que embora tenha esse <strong>processo migrat\u00f3rio<\/strong> do campo para a cidade, no <strong>Nordeste<\/strong> houve inclusive um retorno ao campo justamente porque as pessoas passaram a ter \u00e1gua. Mesmo num per\u00edodo de estiagem n\u00e3o houve uma migra\u00e7\u00e3o brusca do campo para a cidade. Tendo em conta esse cen\u00e1rio, \u00e9 preciso implementar <strong>pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong> para a popula\u00e7\u00e3o do campo, porque n\u00e3o podemos nos iludir achando que somente as cisternas v\u00e3o resolver todos os problemas do semi\u00e1rido. Elas t\u00eam um papel importante no acesso \u00e0 \u00e1gua, mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso olhar para as bacias hidrogr\u00e1ficas, para as \u00e1guas subterr\u00e2neas, os mananciais, ou seja, \u00e9 preciso de pol\u00edticas p\u00fablicas que levem em conta o conjunto do <strong>meio ambiente<\/strong>. Isso faz com que se tenha um olhar mais sist\u00eamico e integrado, ou seja, temos de olhar para as diversas formas de ter e garantir o <strong>acesso \u00e0 \u00e1gua<\/strong> no <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/532286-cisternas-garantem-agua-e-mudam-vidas-no-semiarido-diz-asa\" target=\"_blank\"><strong>semi\u00e1rido<\/strong><\/a>. A luta pela \u00e1gua n\u00e3o pode acabar; ela \u00e9 uma luta permanente.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, em alguns locais ainda n\u00e3o conseguimos instalar as tecnologias desenvolvidas pela <strong>ASA<\/strong>, porque algumas fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o em seus territ\u00f3rios para construir uma cisterna-cal\u00e7ad\u00e3o de 200 metros. Ent\u00e3o, a luta pela terra \u00e9 algo importante para transformar a situa\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que tipos de pol\u00edticas p\u00fablicas seriam fundamentais para garantir a melhor qualidade de vida no semi\u00e1rido e o desenvolvimento da regi\u00e3o? O que tem sido feito em termos de outras pol\u00edticas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gl\u00f3ria Ara\u00fajo \u2013<\/strong> Primeiro temos que entender que o <strong>semi\u00e1rido<\/strong> n\u00e3o \u00e9 aquele lugar que muitas vezes \u00e9 apresentado como um local de terra rachada, de vida seca. O semi\u00e1rido tem um potencial muito grande e uma diversidade enorme que pode ser vista na <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?secao=389\" target=\"_blank\"><strong>Caatinga<\/strong><\/a>. Temos de olhar para essa potencialidade e capacidade naturais e humanas, ou seja, \u00e9 preciso olhar o semi\u00e1rido com outra lente: como um local que tem vida e capacidade de transform\u00e1-lo num local digno para se viver.<\/p>\n<p>Entre os programas que v\u00eam sendo realizados junto ao <strong>BNDES<\/strong>, destaco o <strong>Programa Sementes do Semi\u00e1rido<\/strong>, que valoriza as variedades de sementes locais. Esse projeto ser\u00e1 finalizado neste m\u00eas de maio, mas durante seu desenvolvimento conseguimos trabalhar com 640 <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/539214-mds-investe-na-construcao-de-600-bancos-comunitarios-de-sementes-crioulas\" target=\"_blank\"><strong>bancos de sementes<\/strong><\/a> e 12.800 fam\u00edlias. Fizemos um mapeamento das sementes que est\u00e3o sendo conservadas, diversificadas e usadas pela <strong>agricultura familiar<\/strong> e chegamos a identificar que o patrim\u00f4nio gen\u00e9tico do semi\u00e1rido \u00e9 fant\u00e1stico. Esse trabalho da valoriza\u00e7\u00e3o das sementes locais \u00e9 algo importante para que o semi\u00e1rido seja din\u00e2mico e para que as popula\u00e7\u00f5es camponesas possam viver melhor. Nesse sentido, \u00e1gua, semente e terra s\u00e3o quest\u00f5es fundamentais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o desenvolvidas pol\u00edticas voltadas para a <strong>agricultura familiar<\/strong> para que os agricultores possam vender seus produtos org\u00e2nicos, porque em geral eles n\u00e3o usam nem <strong>agrot\u00f3xicos<\/strong> nem <strong>sementes transg\u00eanicas<\/strong>; h\u00e1 um entendimento de que a agricultura se faz numa rela\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica entre o homem e a natureza. Ent\u00e3o, \u00e9 importante fortalecer a <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?secao=485\" target=\"_blank\"><strong>agroecologia<\/strong><\/a> no semi\u00e1rido, porque a metade dos agricultores brasileiros est\u00e1 no semi\u00e1rido. Nessa linha, ainda seria preciso desenvolver algumas pol\u00edticas que possibilitassem trabalhar a quest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, da organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, do acesso ao mercado, a exemplo do <strong>Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar<\/strong>, que compra a produ\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e a repassa para as escolas.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que algumas pol\u00edticas foram bastante importantes para o semi\u00e1rido, como o <strong>Programa Bolsa Fam\u00edlia<\/strong>, que transformou a vida das pessoas n\u00e3o no sentido de elas ficarem dependentes do programa, mas, ao contr\u00e1rio, de elas terem condi\u00e7\u00f5es de iniciar uma produ\u00e7\u00e3o e passarem a ter acesso a cr\u00e9ditos. As pessoas que recebem o Bolsa Fam\u00edlia s\u00e3o trabalhadoras, vivem da agricultura, e esses programas sociais s\u00e3o um apoio a elas, porque \u00e0 medida que acessam renda, deixam de precisar dos programas. De modo que se pode dizer que esses programas sociais tamb\u00e9m deram uma contribui\u00e7\u00e3o para a transforma\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido. Agregando isso \u00e0 pol\u00edtica de acesso \u00e0 \u00e1gua e \u00e0s sementes, foram colocados novos elementos para que essas fam\u00edlias vivessem em melhores condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>&#8220;Temos que entender que o semi\u00e1rido n\u00e3o \u00e9 aquele lugar que muitas vezes \u00e9 apresentado como um local de terra rachada, de vida seca&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como a transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco tem sido discutida na regi\u00e3o do semi\u00e1rido, depois de 85% das obras j\u00e1 estarem conclu\u00eddas na Para\u00edba e de o governo sustentar a tese de que a transposi\u00e7\u00e3o garantir\u00e1 a seguran\u00e7a h\u00eddrica na regi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gl\u00f3ria Ara\u00fajo \u2013<\/strong> A <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/551677-transposicao-do-sao-francisco-o-elefante-branco-nordestino-entrevista-especial-com-joao-suassuna\" target=\"_blank\"><strong>transposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a> poder\u00e1 trazer vantagens, mas ser\u00e1 para um segmento social espec\u00edfico, e n\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o de <strong>agricultores, ind\u00edgenas<\/strong> e<strong> quilombolas<\/strong> que vivem no semi\u00e1rido, porque a \u00e1gua n\u00e3o vai chegar a essas popula\u00e7\u00f5es. N\u00f3s temos muitas cr\u00edticas \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o, porque a hist\u00f3ria brasileira mostra que quando se investe em grande obras, elas n\u00e3o servem para atender ao grande p\u00fablico. Sem falar que essas obras n\u00e3o levam em conta os limites da pr\u00f3pria natureza, porque a transposi\u00e7\u00e3o vai trazer transtornos para o <strong>velho Chico<\/strong>, considerando que muitos estudos demonstram que a transposi\u00e7\u00e3o causar\u00e1 impactos ambientais para o rio.<\/p>\n<p>Outra cr\u00edtica que fazemos \u00e0 <strong>transposi\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o aos altos recursos que s\u00e3o utilizados para realizar a obra. Se esse dinheiro fosse utilizado para desenvolver outras pol\u00edticas, seria poss\u00edvel atender a um p\u00fablico bem maior e mais pobre.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Com uma poss\u00edvel mudan\u00e7a de governo, vislumbra alguma mudan\u00e7a na continuidade da implanta\u00e7\u00e3o das cisternas no semi\u00e1rido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gl\u00f3ria Ara\u00fajo \u2013<\/strong> O novo governo est\u00e1 desmontando o Estado brasileiro e as conquistas sociais tamb\u00e9m ser\u00e3o desmontadas. Desde o per\u00edodo da coloniza\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje, foram poucos os governos que de fato trabalharam com as popula\u00e7\u00f5es exclu\u00eddas. Nos \u00faltimos 12 anos houve mudan\u00e7as para o povo exclu\u00eddo, e as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil ter\u00e3o de denunciar e lutar pela continuidade de direitos daqui para frente.<\/p>\n<p><em>Por Patricia Fachin<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Gl\u00f3ria Ara\u00fajo \u201c\u00c9 importante fortalecer a agroecologia no semi\u00e1rido, porque a metade<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Gl\u00f3ria Ara\u00fajo \u201c\u00c9 importante fortalecer a agroecologia no semi\u00e1rido, porque a metade","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42715"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42715\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}