{"id":42394,"date":"2016-05-22T11:50:47","date_gmt":"2016-05-22T14:50:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=42394"},"modified":"2016-05-22T11:50:47","modified_gmt":"2016-05-22T14:50:47","slug":"sitio-arqueologico-com-pecas-de-6-mil-anos-esta-ameacado-por-casas-em-sc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sitio-arqueologico-com-pecas-de-6-mil-anos-esta-ameacado-por-casas-em-sc\/","title":{"rendered":"S\u00edtio arqueol\u00f3gico com pe\u00e7as de 6 mil anos est\u00e1 amea\u00e7ado por casas em SC"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42395\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O maior sambaqui do mundo, montanha de conchas com vest\u00edgios pr\u00e9-hist\u00f3ricos, corre o risco de ser destru\u00eddo pela a\u00e7\u00e3o humana. A neglig\u00eancia do poder p\u00fablico com a preserva\u00e7\u00e3o do terreno, localizado no s\u00edtio arqueol\u00f3gico Ponta da Garopaba do Sul (<a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/santa-catarina\/\">SC<\/a>), foi denunciada\u00a0pela primeira vez em 2011, quando o MPF\u00a0(Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal) exigiu que fossem removidas casas constru\u00eddas no terreno de\u00a0101 mil metros quadrados.<\/p>\n<p>O processo se arrasta h\u00e1 quase cinco anos sem nenhuma desapropria\u00e7\u00e3o ou mudan\u00e7a nas pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o ambiental do munic\u00edpio de Jaguaruna.<\/p>\n<p>O sambaqui \u00e9 uma esp\u00e9cie de montanha calc\u00e1ria formada por conchas e areia que esconde ossadas de seres humanos e animais, ferramentas e restos de alimentos deixados por habitantes pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Em Jaguaruna, foram encontradas pe\u00e7as pr\u00e9-hist\u00f3ricas produzidas entre 4.000 e 6.000\u00a0anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;Entre os remanescentes, ele \u00e9 o mais alto, com 26 metros, e tem uma import\u00e2ncia muito grande pelos artefatos, inscri\u00e7\u00f5es rupestres, n\u00e3o s\u00f3 pelo tamanho&#8221;, ressalta Alexandro\u00a0Demath\u00e9,\u00a0especialista em arqueologia pr\u00e9-hist\u00f3rica\u00a0da\u00a0Unisul\u00a0(Universidade do Sul de Santa Catarina). &#8220;H\u00e1 alguns anos, ele tinha mais de 30 metros de altura, mas a estrutura se desgasta com a eros\u00e3o, o vento e as ocupa\u00e7\u00f5es irregulares. Algumas pessoas usam o sambaqui como pista de motocicleta, e isso danifica muito o patrim\u00f4nio, porque exp\u00f5e artefatos e esqueletos que estavam enterrados, conservados&#8221;.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w300x300\"><span class=\"credito\">Alexandro Demath\u00e9\/Grupep Arqueologia\/Unisul<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/36\/2016\/05\/19\/casas-foram-construidas-a-menos-de-200-metros-da-area-de-protecao-do-sambaqui-em-ponta-da-garopaba-do-sul-1463700916164_300x300.jpg\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Casas foram constru\u00eddas a menos de 200 metros da \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o do sambaqui <\/span><\/div>\n<h3>Briga judicial<\/h3>\n<p>As primeiras casas come\u00e7aram a ser constru\u00eddas sobre o terreno do s\u00edtio arqueol\u00f3gico em 1973, quando a Prefeitura Municipal autorizou a cria\u00e7\u00e3o do loteamento Costa Azul entre os balne\u00e1rios de Garopaba do Sul e do Camacho. A partir de 2001, a faixa de 200 metros a partir da linha lim\u00edtrofe do sambaqui passou a ser considerada uma APP (\u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente). Nove anos depois, a C\u00e2mara de Vereadores mudou a lei municipal e reduziu a faixa de preserva\u00e7\u00e3o para 50 metros.<\/p>\n<p>O retrocesso nas pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o do s\u00edtio arqueol\u00f3gico motivou o MPF a fazer uma a\u00e7\u00e3o p\u00fablica contra o munic\u00edpio em\u00a0setembro de 2011. A a\u00e7\u00e3o exigia que a Prefeitura produzisse um relat\u00f3rio com o nome e o endere\u00e7o de todos os moradores que vivem a 200 metros do sambaqui, para posterior desapropria\u00e7\u00e3o, e solicitava ao Iphan\u00a0(Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional) a instala\u00e7\u00e3o de\u00a0cercas e placas de sinaliza\u00e7\u00e3o nos limites da \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o MPF,\u00a0a \u00fanica placa informativa que havia no local &#8220;estava ca\u00edda, servindo como passarela&#8221;. Como as cercas est\u00e3o deterioradas, o local \u00e9 utilizado para caminhadas e passeios de moto, evidenciados pelo lixo e pelas pegadas e marcas de pneus deixadas no solo.<\/p>\n<p>O processo est\u00e1 na Justi\u00e7a Federal de Tubar\u00e3o, munic\u00edpio a 20 km de Jaguaruna.\u00a0Os moradores de pelo menos 40 casas sem escritura, constru\u00eddas entre 50 e 200 metros do limite do sambaqui, assinaram em dezembro de 2013 um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) em que\u00a0se comprometem a deixar o local ap\u00f3s o t\u00e9rmino do processo. Sem o relat\u00f3rio da prefeitura, ainda n\u00e3o \u00e9 conhecido o n\u00famero total de constru\u00e7\u00f5es na \u00e1rea.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\"><span class=\"credito\">Divulga\u00e7\u00e3o\/Cnpq<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/76\/2016\/05\/19\/artefatos-esculpidos-em-pedra-polida-em-forma-de-peixe-foram-encontrados-nos-sambaquis-de-santa-catarina-1463700912830_615x300.jpg\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Artefato esculpido em pedra polida em forma de peixe encontrado em Santa Catarina<\/span><\/div>\n<h3>Prefeitura faz estudo sobre \u00e1rea com vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos<\/h3>\n<p>Assim que foi notificado, o Instituto do Meio Ambiente de Jaguaruna, autarquia da Prefeitura respons\u00e1vel por fiscalizar e supervisionar as a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o, contratou uma empresa para fazer o relat\u00f3rio sobre a regi\u00e3o. &#8220;O estudo que vai nos dizer se h\u00e1 vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos a 200 metros do sambaqui deve ser conclu\u00eddo no final deste ano, mas, pelo que eles nos passaram at\u00e9 agora, informalmente, os vest\u00edgios s\u00f3 chegam at\u00e9 50 metros&#8221;, relata o diretor do \u00f3rg\u00e3o, Edson Rodrigues de Souza.<\/p>\n<p>Em 13 de outubro de 2015, o procurador Daniel Ricken insistiu para que a prefeitura apresentasse o relat\u00f3rio das casas localizadas a at\u00e9 200 metros do entorno do sambaqui, sob pena de multa di\u00e1ria de R$ 500 por dia de descumprimento, mas n\u00e3o houve resposta. A multa passa a valer a partir de 8 de junho.<\/p>\n<p>Segundo a arque\u00f3loga Luciane Scherer, a desinforma\u00e7\u00e3o e a coniv\u00eancia do poder p\u00fablico prejudicam a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><cite>O que acontece \u00e9 que muitos Estados e munic\u00edpios s\u00e3o coniventes com a destrui\u00e7\u00e3o, como no caso desse sambaqui.\u00a0E\u00a0depois que est\u00e1 feito, n\u00e3o tem como voltar atr\u00e1s.&#8221;<\/cite><\/p>\n<p><strong>Luciana Scherer, pesquisadora da UFSC<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A arqueologia ainda \u00e9 vista como empecilho para o progresso. O\u00a0Iphan\u00a0faz sua parte, mas n\u00e3o tem como fiscalizar todos os s\u00edtios e garantir que o patrim\u00f4nio n\u00e3o vai ser destru\u00eddo&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior sambaqui do mundo, montanha de conchas com vest\u00edgios pr\u00e9-hist\u00f3ricos, corre o risco de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":42395,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sitio_ameacado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O maior sambaqui do mundo, montanha de conchas com vest\u00edgios pr\u00e9-hist\u00f3ricos, corre o risco de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42394"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42394"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42394\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42394"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}