{"id":42203,"date":"2016-05-19T09:00:20","date_gmt":"2016-05-19T12:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=42203"},"modified":"2016-05-18T21:25:04","modified_gmt":"2016-05-19T00:25:04","slug":"mudancas-climaticas-ameacam-quatro-especies-de-pererecas-de-habitos-generalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mudancas-climaticas-ameacam-quatro-especies-de-pererecas-de-habitos-generalistas\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas amea\u00e7am quatro esp\u00e9cies de pererecas de h\u00e1bitos generalistas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42204\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ao longo do s\u00e9culo 21 s\u00e3o uma amea\u00e7a \u00e0 biodiversidade, colocando em risco muitas esp\u00e9cies da fauna e da flora do planeta.<\/p>\n<p>Os bi\u00f3logos Tiago Vasconcelos e Bruno do Nascimento, do Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade Estadual Paulista, em Bauru, acabam de publicar um estudo no qual relacionam os efeitos potenciais das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas esperadas para 2050 sobre a distribui\u00e7\u00e3o de quatro pererecas de ampla ocorr\u00eancia geogr\u00e1fica na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>O artigo <i><b>Potential Climate-Driven Impacts on the Distribution of Generalist Treefrogs in South America<\/b><\/i>, publicado no peri\u00f3dico <i>Herpetologica<\/i>, \u00e9 resultado de um trabalho amplo que busca relacionar a influ\u00eancia de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre a distribui\u00e7\u00e3o potencial de 350 esp\u00e9cies de anf\u00edbios da Mata Atl\u00e2ntica e 150 esp\u00e9cies do Cerrado, a fim de determinar quais seriam as \u00e1reas priorit\u00e1rias para conserva\u00e7\u00e3o destas esp\u00e9cies. A pesquisa tem apoio da FAPESP por meio do projeto \u201c<b>Macroecologia de anf\u00edbios anuros do Cerrado e Mata Atl\u00e2ntica<\/b>\u201d.<\/p>\n<p>O artigo destaca quatro esp\u00e9cies de pererecas de h\u00e1bitos generalistas \u2013 que apresentam h\u00e1bitos alimentares variados, alta taxa de dispers\u00e3o e que s\u00e3o capazes de aproveitar diferentes recursos oferecidos pelo meio ambiente \u2013 que vivem tanto em \u00e1reas abertas como em florestas.<\/p>\n<p>A <i>Dendropsophus minutus<\/i> tem uma das maiores distribui\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas, habitando a maior parte da Am\u00e9rica do Sul tropical e subtropical ao leste dos Andes. A distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 muito semelhante \u00e0 apresentada pela <i>Dendropsophus nanus<\/i>.<\/p>\n<p>J\u00e1 a <i>Scinax fuscomarginatus<\/i> \u00e9 encontrada em uma grande variedade de h\u00e1bitats, ocorrendo desde o noroeste da Argentina at\u00e9 o norte da Amaz\u00f4nia. Por fim, a <i>Scinax fuscovarius<\/i> \u2013 tamb\u00e9m conhecida como \u201cperereca do banheiro\u201d, por ser comumente encontrada em ambientes domiciliares \u2013 tem distribui\u00e7\u00e3o menor do que as demais, sendo encontrada entre o centro da Argentina e o centro do Brasil.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a prefer\u00eancias clim\u00e1ticas relacionadas \u00e0s diversas regi\u00f5es e biomas onde vivem tais pererecas, foram utilizadas seis vari\u00e1veis clim\u00e1ticas: temperatura m\u00e9dia anual, temperatura m\u00e1xima no m\u00eas mais quente, temperatura m\u00ednima no m\u00eas mais frio, quantidade anual de precipita\u00e7\u00e3o, precipita\u00e7\u00e3o sazonal e quantidade de precipita\u00e7\u00e3o durante os tr\u00eas meses mais quentes do ano.<\/p>\n<p>Os dados clim\u00e1ticos atuais s\u00e3o da base de dados WorldClim. J\u00e1 os modelos de circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e oce\u00e2nica globais para 2050 foram reunidos pelo General Circulation Model.<\/p>\n<p>Todas as vari\u00e1veis foram reunidas para determinar as \u00e1reas climaticamente favor\u00e1veis, tanto hoje quanto em 2050, para a sobreviv\u00eancia das quatro esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Estimou-se que a distribui\u00e7\u00e3o potencial prevista para a <i>D. minutus<\/i> variaria, de acordo com os algoritmos de modelagem, de 3,3 milh\u00f5es at\u00e9 11,2 milh\u00f5es de km2. No caso da <i>D. nanus<\/i>, a distribui\u00e7\u00e3o potencial seria de 2,1 milh\u00f5es at\u00e9 12 milh\u00f5es de km2. Para a <i>S. fuscomarginatus<\/i>, a distribui\u00e7\u00e3o variaria de 2,3 milh\u00f5es at\u00e9 13,6 milh\u00f5es de km2. Finalmente, a <i>S. fuscovarius<\/i> poderia habitar uma \u00e1rea que varia de 2,6 milh\u00f5es at\u00e9 14,5 milh\u00f5es de km2.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, percebe-se uma aparente disparidade. As pererecas que atualmente contam com a maior distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, em termos de distribui\u00e7\u00e3o latitudinal, s\u00e3o aquelas com menor distribui\u00e7\u00e3o potencial prevista.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que o uso de diferentes algoritmos de modelagem geram, inerentemente, diferentes predi\u00e7\u00f5es de ocorr\u00eancia. Por esse motivo, para minimizar a variabilidade das predi\u00e7\u00f5es geradas por diferentes metodologias, os autores consideram um mapa consensual para a avalia\u00e7\u00e3o das distribui\u00e7\u00f5es previstas das pererecas.<\/p>\n<p>Quando s\u00e3o considerados os cen\u00e1rios com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas previstas para 2050, as \u00e1reas de distribui\u00e7\u00e3o potencial das quatro pererecas encolhem \u2013 algumas sensivelmente. \u00c9 o caso da <i>D. minutus<\/i>, com uma perda de h\u00e1bitat de 52%.<\/p>\n<p>Comparada com a sua distribui\u00e7\u00e3o atual, prev\u00ea-se que as esp\u00e9cies <i>S. fuscomarginatus<\/i> e a <i>S. fuscovarius<\/i> teriam uma perda de \u00e1reas clim\u00e1ticas apropriadas de 43% e de 31%, respectivamente. A esp\u00e9cie menos afetada seria <i>D. nanus<\/i>, com uma redu\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitat potencial de 14% em 2050.<\/p>\n<p>As \u00e1reas potenciais para as quatro esp\u00e9cies, grosso modo, sobrep\u00f5em-se. Com isso, e diante do cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 de se esperar que as esp\u00e9cies com maior distribui\u00e7\u00e3o ser\u00e3o aquelas com maior perda de \u00e1rea climaticamente favor\u00e1vel. O melhor exemplo \u00e9 o aferido para a perda de 52% de \u00e1reas climaticamente favor\u00e1veis para a <i>D. minutus<\/i>.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea total de h\u00e1bitat potencial para cada esp\u00e9cie n\u00e3o se traduz pura e simplesmente na sua extin\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o estamos dizendo que estas esp\u00e9cies ir\u00e3o desaparecer\u201d, ressalta Vasconcelos. \u201cAs esp\u00e9cies que conseguirem responder \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com altera\u00e7\u00f5es comportamentais e fisiol\u00f3gicas ter\u00e3o grande chance de permanecer em seus h\u00e1bitats atuais.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 aquelas incapazes do mesmo, tender\u00e3o a se extinguir localmente. Ou seja, popula\u00e7\u00f5es poder\u00e3o desaparecer dos locais onde o clima ser\u00e1 diferente para a esp\u00e9cie como um todo e continuar\u00e3o vivendo naquelas regi\u00f5es onde o clima sofrer\u00e1 menos altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cOs organismos que habitam as regi\u00f5es tropicais mais ao norte j\u00e1 est\u00e3o em ambiente mais quente do que aqueles que vivem mais ao sul. Eles j\u00e1 sobrevivem em ambiente com alta temperatura\u201d, disse Vasconcelos.<\/p>\n<p>\u201cEstudos fisiol\u00f3gicos mostram que, de modo geral, a capacidade de toler\u00e2ncia \u00e0s temperaturas m\u00e1ximas varia entre 40 \u00baC e45 \u00baC em anf\u00edbios. Por conta disso, as popula\u00e7\u00f5es dessas pererecas que se encontram mais ao norte j\u00e1 vivem no cen\u00e1rio mais pr\u00f3ximo de sua toler\u00e2ncia t\u00e9rmica m\u00e1xima\u201d, disse.<\/p>\n<p>Caso nesses locais as temperaturas continuem subindo como os modelos indicam, h\u00e1 chances reais de as esp\u00e9cies n\u00e3o terem adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para lidar com um ambiente mais quente, e ent\u00e3o, se extinguirem localmente.<\/p>\n<p>\u201cPara lidar com um ambiente mais quente, pode haver uma mudan\u00e7a na \u00e9poca do ano quando essas esp\u00e9cies apresentam o seu maior n\u00edvel de atividade, o que geralmente acontece durante a reprodu\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, o animal j\u00e1 tem essa capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, mas simplesmente n\u00e3o a exibe nas condi\u00e7\u00f5es atuais onde habita porque n\u00e3o precisa\u201d, disse Vasconcelos.<\/p>\n<p>\u201cOutro recurso de sobreviv\u00eancia seria a procura por ambientes similares aos que elas viviam, o que vai depender da capacidade de dispers\u00e3o dos organismos\u201d, disse.<\/p>\n<p><b>Estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Vasconcelos destaca que a import\u00e2ncia do trabalho est\u00e1 em revelar o que pode ser esperado para as esp\u00e9cies generalistas, visto que o maior enfoque dos estudos deste tipo \u00e9 dado para esp\u00e9cies mais especializadas ou amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um \u00faltimo resultado mais alarmante \u00e9 que essas pererecas generalistas n\u00e3o contar\u00e3o com \u00e1reas favor\u00e1veis na regi\u00e3o do Pantanal brasileiro em 2050. \u201cIsso \u00e9 preocupante para as perspectivas de sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies mais especializadas, ou mesmo outras generalistas de diferentes grupos animais e vegetais\u201d, disse.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m visa propor estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o. \u201cQueremos determinar onde dever\u00e3o ser criadas novas reservas e \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o a partir dos modelos preditivos\u201d, disse Vasconcelos.<\/p>\n<p>O artigo <i>Potential Climate-Driven Impacts on the Distribution of Generalist Treefrogs in South America<\/i> (doi: http:\/\/dx.doi.org\/10.1655\/HERPETOLOGICA-D-14-00064), de Tiago S. Vasconcelos e Bruno T.M. do Nascimento, publicado no <i>Herpetologica<\/i>, pode ser lido em: <b>www.bioone.org\/doi\/10.1655\/HERPETOLOGICA-D-14-00064<\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ao longo do s\u00e9culo 21 s\u00e3o uma amea\u00e7a \u00e0 biodiversidade, colocando em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":42204,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/perereca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ao longo do s\u00e9culo 21 s\u00e3o uma amea\u00e7a \u00e0 biodiversidade, colocando em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42203"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42203"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42203\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}