{"id":42057,"date":"2016-05-16T13:00:02","date_gmt":"2016-05-16T16:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=42057"},"modified":"2016-05-15T20:26:52","modified_gmt":"2016-05-15T23:26:52","slug":"maior-lagarto-da-america-do-sul-e-capa-do-journal-of-experimental-biology","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/maior-lagarto-da-america-do-sul-e-capa-do-journal-of-experimental-biology\/","title":{"rendered":"Maior lagarto da Am\u00e9rica do Sul \u00e9 capa do Journal of Experimental Biology"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42058\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O\u00a0<strong><em>Salvator merianae<\/em><\/strong>\u00a0\u2013 popularmente conhecido como <strong>tei\u00fa<\/strong>, <strong>ti\u00fa<\/strong> ou <strong>teju<\/strong>, dependendo da regi\u00e3o em que ocorre \u2013 \u00e9 o maior lagarto da Am\u00e9rica do Sul. Seu cora\u00e7\u00e3o, como o de v\u00e1rias outras esp\u00e9cies de r\u00e9pteis, \u00e9 mais simples do que o de aves ou de mam\u00edferos, incluindo o ser humano. S\u00e3o tr\u00eas c\u00e2maras \u2013 dois \u00e1trios e um ventr\u00edculo \u2013 em vez de quatro.<\/p>\n<p>Essa caracter\u00edstica poderia acarretar em diferen\u00e7as na regula\u00e7\u00e3o barorreflexa do animal, operada pelo sistema nervoso aut\u00f4nomo, envolvido no controle da press\u00e3o arterial. Mas n\u00e3o \u00e9 isso o que ocorre com os tei\u00fas, de acordo com estudo publicado no\u00a0<em>Journal of Experimental Biology<\/em>, com sede em Cambridge, no Reino Unido.<\/p>\n<p>O peri\u00f3dico destaca em sua capa os resultados do trabalho de pesquisadores da Faculdade de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e Veterin\u00e1rias (FCAV) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Jaboticabal, sobre como a hiberna\u00e7\u00e3o, independente da temperatura, n\u00e3o afeta o controle neural da press\u00e3o arterial (barorreflexo) do lagarto\u00a0<em>Salvator merianae<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cA regula\u00e7\u00e3o neural do cora\u00e7\u00e3o pode ocorrer quando a press\u00e3o arterial \u00e9 alterada, por exemplo, por uma mudan\u00e7a postural \u2013 como quando estamos deitados e levantamos bruscamente, fazendo com que a press\u00e3o do sangue, que deve migrar para a cabe\u00e7a, n\u00e3o caia\u201d, disse K\u00eania Cardoso B\u00edcego, respons\u00e1vel pela pesquisa\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/91447\" target=\"_blank\">\u201cParticipa\u00e7\u00e3o dos canais TRPV4 na termorregula\u00e7\u00e3o de endotermos\u201d<\/a><\/strong>, realizada com apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cNo ser humano e nos outros mam\u00edferos, \u00e9 conhecida a import\u00e2ncia dessa regula\u00e7\u00e3o para evitar a falta de sangue nos tecidos. Em animais de cora\u00e7\u00e3o com tr\u00eas c\u00e2maras essa regula\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e dos vasos poderia ser mais relacionada a controlar o aumento da press\u00e3o, evitando dano ao pulm\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Quando a press\u00e3o arterial aumenta de forma significativa, c\u00e9lulas nervosas conhecidas como barorreceptores enviam sinais ao c\u00e9rebro para ativar o sistema nervoso aut\u00f4nomo, respons\u00e1vel pelo controle autom\u00e1tico do corpo diante de modifica\u00e7\u00f5es do ambiente.<\/p>\n<p>Em resposta, o sistema provoca a lentid\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, a diminui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de contra\u00e7\u00e3o card\u00edaca e a dilata\u00e7\u00e3o das grandes veias e das arter\u00edolas, vasos sangu\u00edneos menores que resultam de ramifica\u00e7\u00f5es das art\u00e9rias. Em conjunto, essas rea\u00e7\u00f5es fazem com que a press\u00e3o arterial baixe e se normalize.<\/p>\n<p>O oposto ocorre quando a press\u00e3o arterial baixa muito: os barorreceptores fazem com que o c\u00e9rebro acelere do cora\u00e7\u00e3o e aumente a for\u00e7a de contra\u00e7\u00e3o do m\u00fasculo card\u00edaco e das arter\u00edolas e das grandes veias \u2013 rea\u00e7\u00f5es que, combinadas, aumentam a press\u00e3o e mant\u00eam seu equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Ocorre que os dois \u00e1trios e os dois ventr\u00edculos do cora\u00e7\u00e3o de um mam\u00edfero fazem com que o sangue que o cora\u00e7\u00e3o manda para o pulm\u00e3o seja independente do que vai para o resto do corpo. A press\u00e3o nas art\u00e9rias do corpo \u00e9 maior que nas pulmonares, que s\u00e3o mais delicadas e poderiam sofrer graves consequ\u00eancias com a eje\u00e7\u00e3o de sangue na mesma intensidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/tiu-jornalofexperimentalbiology.jpg\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"832\" \/>Nos lagartos, a circula\u00e7\u00e3o do sangue que banha os pulm\u00f5es e o resto do corpo \u00e9 igual devido \u00e0 aus\u00eancia de uma quarta c\u00e2mara no cora\u00e7\u00e3o para balancear a distribui\u00e7\u00e3o. A descoberta dos pesquisadores apontou que, apesar disso, a regula\u00e7\u00e3o do reflexo provocado pelos barorreceptores nos tei\u00fas \u00e9 semelhante \u00e0 dos mam\u00edferos e dos crocodilianos, que t\u00eam cora\u00e7\u00e3o com quatro c\u00e2maras.<\/p>\n<p>\u201cDessa forma, pode-se dizer que n\u00e3o s\u00f3 os animais de cora\u00e7\u00e3o de quatro c\u00e2maras regulam primariamente a queda de press\u00e3o arterial. O tei\u00fa possui ciclo sazonal, alternado entre o ver\u00e3o, com intensa atividade, e o inverno, esta\u00e7\u00e3o em que o animal hiberna, independentemente da temperatura ambiente\u201d, disse B\u00edcego.<\/p>\n<p>\u201cEssa diferen\u00e7a sazonal de atividade tamb\u00e9m serviu para determinarmos os efeitos independentes da temperatura no estado metab\u00f3lico e no controle barorreflexo do lagarto. As respostas da frequ\u00eancia card\u00edaca frente a altera\u00e7\u00f5es de press\u00e3o arterial foram as mesmas independentemente do estado de aclimata\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Lagarto como modelo<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores buscam agora entender que mecanismos o organismo do animal utiliza para compensar o aumento da press\u00e3o, evitando edemas no pulm\u00e3o. Uma hip\u00f3tese \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do sistema linf\u00e1tico no processo, a exemplo do que ocorre em anf\u00edbios.<\/p>\n<p>\u201cNos anf\u00edbios, que tamb\u00e9m t\u00eam cora\u00e7\u00e3o de tr\u00eas c\u00e2maras, o sistema linf\u00e1tico \u2013 mais complexo do que o dos seres humanos \u2013 drena essa poss\u00edvel quantidade maior de l\u00edquido extravasado dos vasos sangu\u00edneos, que \u00e9 10 vezes mais perme\u00e1vel que nos mam\u00edferos\u201d, disse B\u00edcego. O sistema linf\u00e1tico de vasos circula paralelo ao sistema de vasos sangu\u00edneo, drenando o excesso de l\u00edquido que vaza deles.<\/p>\n<p>Outra possibilidade diz respeito ao sistema nervoso parassimp\u00e1tico, parte do sistema nervoso aut\u00f4nomo cujos neur\u00f4nios se localizam no tronco encef\u00e1lico ou na medula sacral e que \u00e9 respons\u00e1vel por estimular a\u00e7\u00f5es que permitem ao organismo responder a situa\u00e7\u00f5es de calma, como desacelera\u00e7\u00e3o dos batimentos card\u00edacos e diminui\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial.<\/p>\n<p>\u201cEm anf\u00edbios e r\u00e9pteis, durante aumentos de press\u00e3o, a ativa\u00e7\u00e3o da via parassimp\u00e1tica \u2013 envolvida no barorreflexo, que induz uma pequena redu\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia card\u00edaca \u2013 poderia ativar, em conjunto, uma constri\u00e7\u00e3o dos vasos do pulm\u00e3o, n\u00e3o permitindo que v\u00e1 muito sangue para o \u00f3rg\u00e3o\u201d, avaliou B\u00edcego.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, o entendimento sobre o tei\u00fa amplia as possibilidades de uso do lagarto como modelo animal a ser estudado e explorado.<\/p>\n<p>\u201cO tei\u00fa \u00e9 um animal ectot\u00e9rmico, que possui baixa taxa metab\u00f3lica comparado a aves e mam\u00edferos, e ainda hiberna \u2013 isto \u00e9, reduz ainda mais a taxa metab\u00f3lica durante o nosso inverno seco, mesmo que a temperatura ambiente seja mantida constante\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cEle ainda pode se tornar endot\u00e9rmico durante a esta\u00e7\u00e3o de reprodu\u00e7\u00e3o, mantendo a temperatura corporal acima da ambiente por produ\u00e7\u00e3o interna de calor. Tudo isso faz desse animal um excelente modelo para estudar essas varia\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas e sazonais e intera\u00e7\u00f5es dos sistemas fisiol\u00f3gicos num mesmo organismo\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de B\u00edcego, assinam o estudo Lucas Aparecido Zena, Valter Dantonio e Luciane Helena Gargaglioni Batalh\u00e3o, do Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal da FCAV-Unesp, e Denis Otavio Vieira de Andrade e Augusto Shinya Abe, do Instituto de Bioci\u00eancias (IB) da Unesp, campus de Rio Claro. Os pesquisadores integram o\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/2207\" target=\"_blank\">Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) em Fisiologia Comparada<\/a><\/strong>, um dos INCTs do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) apoiados pela FAPESP no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Winter metabolic depression does not change arterial baroreflex control of heart rate in the tegu lizard Salvator merianae<\/em>(doi: 10.1242\/jeb.129130) pode ser lido em\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/jeb.biologists.org\/content\/219\/5\/725\" target=\"_blank\">http:\/\/jeb.biologists.org\/content\/219\/5\/725<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0Salvator merianae\u00a0\u2013 popularmente conhecido como tei\u00fa, ti\u00fa ou teju, dependendo da regi\u00e3o em que ocorre<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":42058,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/largato.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O\u00a0Salvator merianae\u00a0\u2013 popularmente conhecido como tei\u00fa, ti\u00fa ou teju, dependendo da regi\u00e3o em que ocorre","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42057"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42057"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42057\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42058"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}