{"id":42006,"date":"2016-05-14T22:37:43","date_gmt":"2016-05-15T01:37:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=42006"},"modified":"2016-05-14T22:37:43","modified_gmt":"2016-05-15T01:37:43","slug":"os-caminhos-para-sair-do-inferno-urbano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-caminhos-para-sair-do-inferno-urbano\/","title":{"rendered":"Os caminhos para sair do inferno urbano"},"content":{"rendered":"<div class=\"fotoMateria right\"><img src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/noticias\/transito-cidade-imobilidade-urbana-credito-Oswaldo-Corneti-FotosPublicas.jpg\" alt=\"Tr\u00e2nsito ca\u00f3tico: exemplo de imobilidade urbana - Imagem: Oswaldo Corneti\/Fotos P\u00fablicas\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Tr\u00e2nsito ca\u00f3tico: exemplo de imobilidade urbana &#8211; Imagem: Oswaldo Corneti\/Fotos P\u00fablicas<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Fruto da a\u00e7\u00e3o do ser humano sobre a Terra, a constru\u00e7\u00e3o das cidades traz em si impactos importantes. Um exemplo \u00e9 o Rio Pinheiros, em S\u00e3o Paulo: em 1930, era um rio curvo; depois, tornou-se um curso retil\u00edneo.<\/p>\n<p>No Brasil, o <strong>padr\u00e3o de crescimento das cidades<\/strong> baseou-se na expans\u00e3o horizontal, com a popula\u00e7\u00e3o ocupando os espa\u00e7os pela via da &#8220;urbaniza\u00e7\u00e3o de baixos-sal\u00e1rios&#8221;, como observa a professora de arquitetura Erm\u00ednia Maricato<sup>1<\/sup>. Este sistema (de crescimento horizontal) traz o foco no transporte motorizado individual para as viagens di\u00e1rias ao trabalho, escola, lazer, compras, servi\u00e7os p\u00fablicos etc., e alimenta uma l\u00f3gica perversa \u00e0 mobilidade urbana.<\/p>\n<p><strong>Transporte p\u00fablico\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Quando o transporte p\u00fablico deixa de ser atraente, o modelo acima torna-se at\u00e9 pior. Ou seja, n\u00e3o representa um concorrente ao carro por n\u00e3o contar com suas comodidades. \u00c9 de supor que o transporte coletivo s\u00f3 ser\u00e1 competitivo quando todas suas linhas tiverem bancos confort\u00e1veis, sistemas de ar-condicionado, wi-fi e informatiza\u00e7\u00e3o nos pontos de embarque, tal como o metr\u00f4. Estes requisitos devem estar presentes inclusive no interior dos \u00f4nibus, j\u00e1 que hoje at\u00e9 plaquetas de madeira desenhadas \u00e0 tinta servem de sinaliza\u00e7\u00e3o, ou ent\u00e3o vemos o passageiro obrigado a gritar ao motorista para saber se est\u00e1 ou ainda n\u00e3o perto do ponto que deve desembarcar.<\/p>\n<p>Ao entrar no carro ou no metr\u00f4, sabemos para onde vamos. No \u00f4nibus, nem sempre. Em lugar de rid\u00edculas estacas de madeira pintadas de vermelho, os pontos de embarque\/desembarque deveriam ser abrigos preparados para os dias de chuva ou de sol forte, e ter informa\u00e7\u00e3o das linhas e mapas do trajeto.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/Rio-Pinheiros-antes-da-retificacao.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Rio Pinheiros no passado: formato sinuoso antes da urbaniza\u00e7\u00e3o &#8211; Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/RIo-Pinheiros-HelderdaRocha-FlickrCC.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/em><\/p>\n<p><em>Rio Pinheiros atualmente: urbanizado e polu\u00eddo &#8211; Imagem: Helder da Rocha\/FlickrCC<\/em><\/p>\n<p><strong>Cal\u00e7adas atrativas<\/strong><\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o pelo transporte p\u00fablico come\u00e7a antes de sair de casa. O pr\u00f3prio trajeto de casa ao ponto exige uma cal\u00e7ada atrativa. Para isso, deve haver or\u00e7amento p\u00fablico, premissa \u00e0 exist\u00eancia de qualquer pol\u00edtica p\u00fablica. E as fontes de financiamento, que s\u00e3o fundamentais para melhorar os servi\u00e7os p\u00fablicos, envolvem discuss\u00f5es tais como a municipaliza\u00e7\u00e3o da Cide<sup>3<\/sup>\u00a0(&#8220;o imposto dos combust\u00edveis&#8221;) e o aumento do IPTU<sup>4<\/sup>\u00a0para quem mora em regi\u00f5es de maior poder aquisitivo e tem mais ofertas de servi\u00e7os. Caso da cidade de S\u00e3o Paulo, por exemplo, que arrecada cerca de R$ 500 per capita ao ano.<\/p>\n<p><strong>Acidentes de tr\u00e2nsito<\/strong><\/p>\n<p>Outro lado do \u201cinferno urbano\u201d<sup>5<\/sup>\u00a0que vivemos s\u00e3o os acidentes de tr\u00e2nsito. H\u00e1 autores que sustentam j\u00e1 se tratar de uma calamidade p\u00fablica. Estimativas no per\u00edodo de 1960 a 2010 apontam para a morte de aproximadamente 1,5 milh\u00f5es de pessoas em acidentes com ve\u00edculos motorizados, principalmente carro e moto. Sem esquecer dos invalidados que acabam aposentados mais cedo, deixando de produzir economicamente. Al\u00e9m disso, estima-se que os custos dos acidentes s\u00e3o da ordem de R$ 5,1 bilh\u00f5es ao ano, variando de 2% a 3% do PIB &#8211; apenas nas cidades brasileiras. Esse valor n\u00e3o inclui rodovias, logo, o custo \u00e9 maior (Vasconcellos), o que aumenta o gasto do governo com a previd\u00eancia social.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 estes n\u00fameros aumentarem, pois, \u201cem 2003, o n\u00famero de autom\u00f3veis em 12 metr\u00f3poles brasileiras era de 23,7 milh\u00f5es e, em 2013, era de 45,4 milh\u00f5es; quer dizer, praticamente dobrou. (&#8230;) J\u00e1 o n\u00ba de motos passou de 5,3 milh\u00f5es para 18,1 milh\u00f5es, quase quadriplicou, portanto\u201d. (Maricato, 2015).<\/p>\n<p>Mais ve\u00edculos motorizados na rua, mais acidentes; logo, o custo de acidentes tende a crescer no Brasil. Uma medida que contribui para evitar isso \u00e9 a gest\u00e3o de tr\u00e2nsito. Nesse sentido, a medida de redu\u00e7\u00e3o de velocidade das principais ruas e avenidas, orientada pelo PITU 2025<sup>6<\/sup>, embora com pol\u00eamicas, tem uma explica\u00e7\u00e3o f\u00edsica e matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Marcelo Blumenfeld, mestre em planejamento de transporte pela Universidade de Leeds, nos mostra que em condi\u00e7\u00f5es de alta densidade de tr\u00e1fego esta redu\u00e7\u00e3o tem efeitos importantes, e contribui para a diminui\u00e7\u00e3o de acidentes, j\u00e1 que permite uma dist\u00e2ncia mais segura entre parte frontal e traseira de cada ve\u00edculo na via. J\u00e1 o PITU 2025 (Programa Integrado de Transportes Urbanos, do governo de S\u00e3o Paulo) prev\u00ea a gest\u00e3o do tr\u00e2nsito, com medidas como redu\u00e7\u00e3o da velocidade, sinaliza\u00e7\u00e3o, entre outros.<\/p>\n<p>Neste artigo, buscamos mostrar que a mobilidade urbana n\u00e3o pode ser resolvida sozinha. A quest\u00e3o urbana \u00e9 intersetorial, tal como nos ensina a especialista em planejamento e gest\u00e3o Rose Marie Inojosa<sup>7<\/sup>. Os problemas metropolitanos v\u00e3o al\u00e9m do olhar local (municipal) e representam desafios de fortalecimento dos instrumentos institucionais em \u00e2mbito metropolitano.<\/p>\n<p>Para haver de fato mudan\u00e7as de paradigma e na melhor qualidade de vida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso um olhar voltado \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas de modais alternativos de transportes (ciclovia e corredores). Tamb\u00e9m deve-se atentar \u00e0 pol\u00edtica de uso e controle do solo (melhor distribui\u00e7\u00e3o das atividades na cidade), \u00e0 gest\u00e3o de tr\u00e2nsito e a a\u00e7\u00f5es que favore\u00e7am a utiliza\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico com qualidade. Por fim, tudo o que traz resultado positivo \u00e0 mobilidade urbana.<\/p>\n<p><strong>Fique por dentro:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1<\/strong>\u00a0No livro \u201cPara entender a crise urbana\u201d, Maricato explica a urbaniza\u00e7\u00e3o dos baixos sal\u00e1rios como o fen\u00f4meno pelo qual o trabalhador passa a buscar as periferias da cidade, por conta do valor mais baixo dos terrenos, e nos finais de semana, e aos poucos, vai construindo sua casa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p><strong>2<\/strong>\u00a0Nos livros \u201cMobilidade Urbana e cidadania\u201d e \u201cPol\u00edticas de transporte no Brasil: a constru\u00e7\u00e3o da mobilidade excludente\u201d, Vasconcellos menciona o modelo excludente em que est\u00e1 inserido o Brasil, e discute como as mortes no tr\u00e2nsito se tornaram um problema p\u00fablico grave.<\/p>\n<p><strong>3<\/strong>\u00a0Cide: um artigo da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mobilize.org.br\/noticias\/9508\/%20http:\/www.antp.org.br\/noticias\/ponto-de-vista\/pec-cide-municipal-uma-chance-para-revolucionar-o-financiamento-do-transporte-publico-no-brasil.html\" target=\"_blank\">ANTP<\/a>\u00a0trata dessa discuss\u00e3o. Em 2013, nas jornadas de Junho, o prefeito de SP, Fernando Haddad (PT) tentou iniciar uma discuss\u00e3o com o governo federal sobre a Cide.<\/p>\n<p><strong>4<\/strong>\u00a0O portal\u00a0<a href=\"http:\/\/www.meumunicipio.org.br\/\" target=\"_blank\">www.meumunicipio.org.br<\/a>\u00a0tem dados sobre arrecada\u00e7\u00e3o e despesas das cidades brasileiras. SP, por exemplo, arrecada em m\u00e9dia R$ 501 de IPTU. De acordo muitos especialistas o valor do IPTU no Brasil, que poderia ser utilizado para financiar o transporte coletivo, a constru\u00e7\u00e3o de ciclovias etc., historicamente \u00e9 baixo.<\/p>\n<p><strong>5<\/strong>\u00a0O \u201cinferno urbano\u201d \u00e9 descrito pela fil\u00f3sofa Marilena Chaui no artigo \u201cAs manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013 na cidade de S\u00e3o Paulo\u201d.<\/p>\n<p><strong>6<\/strong>\u00a0Em \u201cIntersetorialidade e a configura\u00e7\u00e3o de um novo paradigma organizacional\u201d, Rose Marie Inojosa fala dos problemas p\u00fablicos como sendo intersetoriais, devendo portanto ser pensados de maneira ampla, com v\u00e1rios atores. Na mesma linha \u00e9 o trabalho do IPEA \u201cTerrit\u00f3rio metropolitano, pol\u00edticas municipais: por solu\u00e7\u00f5es conjuntas de problemas urbanos no \u00e2mbito metropolitano&#8221;.<\/p>\n<p><em>*Lucas Oliveira Lima\u00a0\u00e9 bacharel em Gest\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas (USP) e p\u00f3s-graduando em Economia Urbana e Gest\u00e3o P\u00fablica (PUC-SP)<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Revista Ecol\u00f3gico &#8211; <em>Lucas Oliveira Lima<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00e2nsito ca\u00f3tico: exemplo de imobilidade urbana &#8211; Imagem: Oswaldo Corneti\/Fotos P\u00fablicas Fruto da a\u00e7\u00e3o do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Tr\u00e2nsito ca\u00f3tico: exemplo de imobilidade urbana &#8211; Imagem: Oswaldo Corneti\/Fotos P\u00fablicas Fruto da a\u00e7\u00e3o do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42006"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42006"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42006\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}