{"id":41933,"date":"2016-05-14T20:09:53","date_gmt":"2016-05-14T23:09:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41933"},"modified":"2016-05-14T20:09:53","modified_gmt":"2016-05-14T23:09:53","slug":"politicas-ineficazes-ampliam-poluicao-das-aguas-emissao-de-gases-e-corte-de-area-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/politicas-ineficazes-ampliam-poluicao-das-aguas-emissao-de-gases-e-corte-de-area-verde\/","title":{"rendered":"Pol\u00edticas ineficazes ampliam polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, emiss\u00e3o de gases e corte de \u00e1rea verde"},"content":{"rendered":"<div class=\"corpo-noticia-div\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-41934\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A popula\u00e7\u00e3o urbana ter\u00e1 um aumento de pelo menos 3,1 bilh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2050, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Esse novo contingente provoca uma necessidade de revis\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas de gest\u00e3o de recursos naturais, infraestrutura e clima. Apesar disso, a realidade mostra que a maioria dos munic\u00edpios caminha justamente no caminho contr\u00e1rio, especialmente no Brasil, colocando em xeque a proposta de um desenvolvimento mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Estudos do N\u00facleo Latino-americano da Rede de Pesquisas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, que em outubro de 2015 ganhou uma filial brasileira sediada na Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que as cidades s\u00e3o respons\u00e1veis por 70% das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, polui\u00e7\u00e3o que eleva a temperatura da Terra. No entanto, pouco tem sido feito para adotar um crescimento com respeito \u00e0 natureza. As obras para as Olimp\u00edadas no Rio de Janeiro s\u00e3o exemplo disso.<\/p>\n<p>Na capital fluminense, novas edifica\u00e7\u00f5es suprimem \u00e1reas naturais, somadas \u00e0 aus\u00eancia de projetos para preservar e potencializar \u00e1reas verdes. Em 2012, o Aut\u00f3dromo Nelson Piquet, em Jacarepagu\u00e1, foi demolido para dar lugar ao Parque Ol\u00edmpico. O novo aut\u00f3dromo ser\u00e1 constru\u00eddo em Deodoro, na Zona Oeste da cidade, ocupando \u00e1rea de mata, segundo denuncia o documento da Fiocruz. Por falta de licenciamento e verbas, as obras est\u00e3o paradas.<\/p>\n<p>Exemplos como esse corroboram para uma triste previs\u00e3o: segundo o estudo, no Rio de Janeiro a previs\u00e3o \u00e9 que a temperatura suba 3,4 C\u00ba at\u00e9 2080, com aumento de 82 cent\u00edmetros do n\u00edvel do mar e 6% no volume de chuvas. Em S\u00e3o Paulo, as chuvas podem subir 13,9% e a temperatura ser elevada em 3,9% \u2013 dentro da m\u00e9dia prevista para as demais cidades do planeta, que ter\u00e3o entre 1\u00ba C e 4\u00ba C de aumento.<\/p>\n<p>Nas cidades, as mudan\u00e7as do clima, al\u00e9m de descontrolar a temperatura, provocam problemas de sa\u00fade e doen\u00e7as. Tempestades e inunda\u00e7\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis por ferimentos, infec\u00e7\u00f5es, casos de hepatite, leptospirose e diarreia, por exemplo, constatou o relat\u00f3rio do n\u00facleo.<\/p>\n<p>Os problemas citados afligem tanto a cultura humana como a fauna e flora. Nesse aspecto, j\u00e1 h\u00e1 o entendimento que n\u00e3o se deve usurpar os recursos naturais sem o respeito aos outros habitantes do planeta. \u201cPor encurralar a natureza nos dom\u00ednios axiol\u00f3gicos da fam\u00edlia humana, cria-se situa\u00e7\u00f5es de desprezo \u00e0 espontaneidade da vida, seleciona-se os \u2018escolhidos\u2019 que poder\u00e3o desfrutar dessa genu\u00edna amizade. Quando os fen\u00f4menos naturais s\u00e3o controlados, programados, desenhados e legislados em favor de poucos, o que resta, sen\u00e3o sobrevida e mis\u00e9ria para todos? Triste fim para natureza, triste fim para aqueles que devem sua exist\u00eancia\u201d, critica o professor S\u00e9rgio Ricardo Fernandes de Aquino, doutor em Ci\u00eancia Jur\u00eddica, que amplia o debate nesse artigo.<\/p>\n<p><strong>Ex-Cidade Jardim<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo cidades planejadas acabaram por fazer escolhas erradas que prejudicam a natureza. \u00c9 o caso de Belo Horizonte. Escolhida para ser a nova capital mineira por causa da beleza da Serra do Curral, pelo clima ameno e pela ampla rede de mananciais de \u00e1gua, a cidade fundada em 1897 acabou indo para o extremo oposto. Segundo o ge\u00f3grafo Alessandro Borsagli, autor do livro \u2018Rios invis\u00edveis da metr\u00f3pole mineira\u2019 e do site Curral del Rey, o plano de conv\u00edvio entre a cidade e a natureza acabou por se esfacelar onde os rios urbanos, inicialmente integrados \u00e0 paisagem da capital mineira, foram dando lugar ao asfalto e ao transporte individual.<\/p>\n<p>\u201cToda essa invers\u00e3o de valores tem uma origem, a aplica\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas que, vendidas como solu\u00e7\u00e3o para os problemas gerados a partir de uma ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o harmoniosa com o meio, nos quais os tra\u00e7ados dos cursos d\u2019\u00e1gua n\u00e3o foram respeitados pela cidade, acabaram por potencializar as enchentes e os problemas sanit\u00e1rios\u201d, explica Borsagli.<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, os diversos governos municipais optaram pelo corte de \u00e1rvores e canaliza\u00e7\u00e3o de rios. E os cursos d\u2019\u00e1gua e \u00e1reas verdes que ainda resistem, agora padecem de polui\u00e7\u00e3o e especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, respectivamente. \u201cE entre vetos de reabilita\u00e7\u00e3o de cursos d\u2019\u00e1gua e a preserva\u00e7\u00e3o de importantes remanescentes verg\u00e9is, seguimos alienados sem entender o que perdemos e sem perspectiva do que o futuro nos reserva, navegando sobre rodas e sobre concreto\u201d, denuncia o ge\u00f3grafo, que detalha mais do assunto nesse texto.<\/p>\n<p><strong>Caminhos para o futuro<\/strong><\/p>\n<p>Com uma previs\u00e3o cada vez mais nebulosa ante o esgotamento dos recursos que coloca em risco a natureza e a pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o humana, quais s\u00e3o as alternativas para o desenvolvimento urbano? Doutor em Gest\u00e3o do Conhecimento e mestre em Gest\u00e3o Ambiental, o advogado e consultor jur\u00eddico Rafael Burlani aponta tr\u00eas desafios para a sustentabilidade\u00a0 nesse artigo. Na opini\u00e3o do pesquisador, novas tecnologias e normas jur\u00eddicas eficazes podem colaborar com o futuro.<\/p>\n<p>\u201cO equil\u00edbrio entre o ambiente natural e o ambiente artificial transita na pegada cultural, no arranjo de uma estrat\u00e9gia sustent\u00e1vel, inclu\u00edda a normativa e a pol\u00edtica, bem como uma sistematizada gest\u00e3o capaz de oferecer solu\u00e7\u00f5es inovadoras e portadoras de novas tecnologias que venham em defesa da natureza.\u00a0 Diminuir a press\u00e3o sobre o ambiente natural nas grandes cidades \u00e9 problem\u00e1tica emergente e urgente\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Organismos locais e internacionais tamb\u00e9m se movimentam para propor mudan\u00e7as necess\u00e1rias. Em setembro de 2015, a ONU aprovou um conjunto de metas que vinham sendo elaboradas desde o Rio+20: os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel-ODS (Agenda 2030). S\u00e3o 17 objetivos globais e 169 metas para promover a inclus\u00e3o social, o desenvolvimento sustent\u00e1vel e a governan\u00e7a democr\u00e1tica em todo o mundo entre 2016 e 2030.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das metas, a ONU tamb\u00e9m inclui uma s\u00e9rie de indicadores para governos, sociedade civil e empresas revejam a\u00e7\u00f5es para criar um novo modelo de desenvolvimento com mais respeito \u00e0 natureza. Neste recorte, a entidade recomenda at\u00e9 2030 a cria\u00e7\u00e3o de sistemas de transporte e habita\u00e7\u00e3o mais seguros, acess\u00edveis e sustent\u00e1veis, preservando o patrim\u00f4nio cultural e natural do mundo.<\/p>\n<p>No Brasil, foi criado o Programa Cidades Sustent\u00e1veis (PCS),\u00a0 gerenciado pelos movimentos Rede Nossa S\u00e3o Paulo, Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustent\u00e1veis e do Instituto Ethos, com objetivo de contribuir no desenvolvimento sustent\u00e1vel nos munic\u00edpios.\u00a0 Entre as atividades, h\u00e1 a an\u00e1lise dos problemas e elabora\u00e7\u00e3o de planos de a\u00e7\u00e3o, sendo solicitado o compromisso de candidatos ao executivo nas diversas esferas em prol das mudan\u00e7as necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Os munic\u00edpios brasileiros tamb\u00e9m poderiam ampliar a sustentabilidade, seguindo exemplos feitos na Europa e em Seul, na Coreia do Sul, que revitalizou um rio, criando parques e \u00e1reas de conviv\u00eancia. \u201cO melhor caminho \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de um novo modelo desenvolvimentista para a integra\u00e7\u00e3o entre a cidade e o meio, n\u00e3o cimentando a cidade, um organismo vivo, mas promovendo um desenvolvimento urbano sustent\u00e1vel, onde os elementos naturais seriam elementos reabilitadores do espa\u00e7o, t\u00e3o degradado a partir de interven\u00e7\u00f5es que visam apenas o autom\u00f3vel e a (re)acumula\u00e7\u00e3o de capital\u201d, afirma Alessandro Borsagli .<\/p>\n<p>Em Belo Horizonte, o ge\u00f3grafo aponta algumas alternativas, que passam pela conscientiza\u00e7\u00e3o dos moradores. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio o pleno tratamento dos esgotos e a cria\u00e7\u00e3o de parques ao longo dos cursos d\u2019\u00e1gua e corredores verdes integrando as diversas regi\u00f5es da cidade. Tudo isso com a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, promovendo n\u00e3o s\u00f3 o conv\u00edvio com os elementos, mas tamb\u00e9m a conscientizando da necessidade da preserva\u00e7\u00e3o do meio para a melhoria da qualidade de vida\u201d, sugere.(Com Ag\u00eancia Brasil).<\/p>\n<p><strong>Sugest\u00e3o de pauta<\/strong><\/p>\n<p>A Super Manchete de Meio Ambiente \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o semanal do portal DomTotal, em parceria com a Escola Superior Dom Helder C\u00e2mara, com a colabora\u00e7\u00e3o de profissionais e especialistas nos temas abordados. Envie-nos sugest\u00f5es de assuntos que voc\u00ea gostaria de ver\u00a0nesta editoria, pelo e-mail <a href=\"mailto:noticia@domtotal.com\">noticia@domtotal.com<\/a>,\u00a0escrevendo &#8216;Manchete de Meio Ambiente no t\u00edtulo da mensagem. Participe!<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A popula\u00e7\u00e3o urbana ter\u00e1 um aumento de pelo menos 3,1 bilh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2050,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41934,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/poluicao_lagoa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A popula\u00e7\u00e3o urbana ter\u00e1 um aumento de pelo menos 3,1 bilh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2050,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41933"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41933"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41933\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41934"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}