{"id":41733,"date":"2016-05-11T11:00:43","date_gmt":"2016-05-11T14:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41733"},"modified":"2016-05-10T20:53:06","modified_gmt":"2016-05-10T23:53:06","slug":"analise-indica-sintomas-respiratorios-em-agricultores-devido-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/analise-indica-sintomas-respiratorios-em-agricultores-devido-agrotoxicos\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise indica sintomas respirat\u00f3rios em agricultores devido agrot\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-41734\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O munic\u00edpio de S\u00e3o Jos\u00e9 de Ub\u00e1, no noroeste do Estado do Rio de Janeiro, tem cerca de 7 mil habitantes, a maioria na \u00e1rea rural. A economia da cidade \u00e9 baseada na <strong>agricultura familiar<\/strong>, principalmente no <strong>plantio de tomates<\/strong>, com <strong>uso excessivo de agrot\u00f3xicos<\/strong> e parte da sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 comercializada com outros estados, inclusive S\u00e3o Paulo. A ocorr\u00eancia de sintomas respirat\u00f3rios e altera\u00e7\u00f5es da fun\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria em trabalhadores rurais e familiares expostos a agrot\u00f3xicos foi constatada em pesquisa da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da USP, realizada por Rafael Junqueira Buralli.<\/p>\n<p>\u201cO cen\u00e1rio natural montanhoso da regi\u00e3o favorece a mobiliza\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos aplicados nas planta\u00e7\u00f5es, contaminando o solo do entorno da cultura e \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas\u201d, conta Buralli. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), apenas 14,2% das resid\u00eancias daquela cidade t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de saneamento b\u00e1sico adequadas. O estudo apurou que grande parte da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 exposta aos agrot\u00f3xicos desde a tenra idade, seja por morar pr\u00f3ximo das \u00e1reas de plantio, trabalhando diretamente, ou mesmo ajudando seus familiares. \u201cNo grupo dos produtores rurais, a maioria era do sexo masculino e afirmou trabalhar com agrot\u00f3xicos por v\u00e1rias horas por dia, principalmente no per\u00edodo da safra. A maioria dos familiares era do sexo feminino\u201d. Foram avaliadas 82 pessoas (48 trabalhadores rurais e 34 familiares). Entre os trabalhadores rurais, 81,3% afirmaram ter contato com agrot\u00f3xicos no momento da pesquisa, sendo que 77,1% dos produtores e 94,1% dos familiares afirmaram estar expostos domesticamente aos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/SAO-JOSE-DO-UBA-PANORAMIO.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/p>\n<p><em>S\u00e3o Jos\u00e9 de Ub\u00e1: cultivo de tomate \u00e9 tradicional na cidade &#8211; Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>A maioria dos produtores e familiares era casada, com renda familiar de at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos, meeiros ou arrendat\u00e1rios de pequenas \u00e1reas, com baixa escolaridade e nunca recebeu treinamento ou orienta\u00e7\u00f5es para manipular agrot\u00f3xicos. No momento da avalia\u00e7\u00e3o, na safra de 2014, 66% das pessoas apresentaram algum sintoma respirat\u00f3rio. Os mais comumente relatados foram crise de tosse (40,0%), rinite (30,7%), sensa\u00e7\u00e3o de aperto no peito (24,0%), sensa\u00e7\u00e3o de falta de ar (17,3%) e chiado no peito (13,3%). \u201cQuanto \u00e0s altera\u00e7\u00f5es da fun\u00e7\u00e3o pulmonar, 20% dos produtores e 22,2% dos familiares apresentaram algum dist\u00farbio respirat\u00f3rio\u201d, aponta o pesquisador. \u201cAp\u00f3s an\u00e1lises estat\u00edsticas, as altera\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias se mostraram significativamente associadas ao fato de a pessoa ser produtor, manipular agrot\u00f3xicos regularmente e da quantidade de horas trabalhadas por dia\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com bases de dados oficiais de morbidade e mortalidade, as principais causas de morte entre 2004 e 2010 em S\u00e3o Jos\u00e9 de Ub\u00e1, foram as doen\u00e7as do aparelho circulat\u00f3rio, do aparelho respirat\u00f3rio, neoplasias, causas externas, transtornos mentais e comportamentais, doen\u00e7as do sistema digest\u00f3rio, disfun\u00e7\u00f5es end\u00f3crinas, metab\u00f3licas. \u201cQuanto ao c\u00e2ncer, as neoplasias mais frequentes com o desfecho \u00f3bito do paciente foram as de pulm\u00f5es, est\u00f4mago e laringe\u201d, observa Buralli.<\/p>\n<p><strong>Interna\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nQuanto \u00e0s interna\u00e7\u00f5es hospitalares no munic\u00edpio, entre janeiro de 2008 e agosto de 2015, as causas mais comuns foram as doen\u00e7as do aparelho circulat\u00f3rio, respirat\u00f3rio, genitourin\u00e1rio e digestivo, neoplasias e transtornos mentais e comportamentais. \u201cTodas essas doen\u00e7as j\u00e1 foram associadas \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o aos agrot\u00f3xicos em outros estudos e podem estar relacionadas tamb\u00e9m em SJU\u201d, destaca o pesquisador.<\/p>\n<p>Segundo Buralli, a primeira provid\u00eancia a ser tomada para contornar o problema seria melhorar o apoio t\u00e9cnico e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade das pessoas que manipulam esses qu\u00edmicos, fornecendo treinamento para lidar com esses produtos e organizando o sistema de sa\u00fade para atender as necessidades espec\u00edficas das popula\u00e7\u00f5es expostas, tanto na preven\u00e7\u00e3o ou tratamento de doen\u00e7as relacionadas \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o aos agrot\u00f3xicos. \u201cNa cidade, n\u00e3o h\u00e1 um banco de dados contendo registros de morbidade e mortalidade por causas ocupacionais, nem programa espec\u00edfico de vigil\u00e2ncia, promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, preven\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de danos \u00e0 sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es expostas\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, a segunda provid\u00eancia seria a implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais restritivas quanto \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o e consumo de produtos agrot\u00f3xicos. \u201cHoje, o Brasil \u00e9 l\u00edder mundial no consumo de agrot\u00f3xicos e comercializa diversas subst\u00e2ncias proibidas no mundo inteiro\u201d, alerta. \u201cOs efeitos disso n\u00e3o s\u00e3o sentidos somente pelas fam\u00edlias rurais, mas tamb\u00e9m pela popula\u00e7\u00e3o em geral, que vive pr\u00f3ximo a \u00e1reas de plantio ou consome produtos envenenados\u201d.<\/p>\n<p>A orientadora do estudo, descrito em disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, foi a professora Helena Ribeiro, do Departamento de Sa\u00fade Ambiental da FSP. O trabalho, no entanto, \u00e9 parte de um projeto de avalia\u00e7\u00e3o de risco \u00e0 sa\u00fade humana por exposi\u00e7\u00e3o a metais e agrot\u00f3xicos em S\u00e3o Jos\u00e9 de Ub\u00e1, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e coordenado pelo professor Jean Remy Dave\u00e9 Guimar\u00e3es, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Al\u00e9m da FSP e da UFRJ, tamb\u00e9m colaboraram pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO) e Universidade de Bras\u00edlia (UnB).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O munic\u00edpio de S\u00e3o Jos\u00e9 de Ub\u00e1, no noroeste do Estado do Rio de Janeiro,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41734,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/agrotoxico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O munic\u00edpio de S\u00e3o Jos\u00e9 de Ub\u00e1, no noroeste do Estado do Rio de Janeiro,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41733"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41733"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41733\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41734"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}