{"id":4173,"date":"2014-08-03T12:05:47","date_gmt":"2014-08-03T12:05:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=4173"},"modified":"2014-08-03T12:05:47","modified_gmt":"2014-08-03T12:05:47","slug":"o-perigo-da-defaunacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-perigo-da-defaunacao\/","title":{"rendered":"O perigo da defauna\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Sacha Vignieri*<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/oncas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-92977\" title=\"O perigo da defauna\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/oncas.jpg\" alt=\"oncas O perigo da defauna\u00e7\u00e3o\" width=\"400\" height=\"240\" \/><\/a>Durante o Pleistoceno, apenas dezenas de milhares de anos atr\u00e1s, o nosso planeta possu\u00eda grandes e espetaculares animais. Mamutes, aves aterrorizantes, tartarugas gigantes, e os tigres dentes-de-sabre, bem como muitas esp\u00e9cies menos familiares, como pregui\u00e7as gigantes (algumas chegavam a 7 metros de altura) e gliptodontes (que se assemelhavam a tatus do tamanho de um carro), que percorriam a Terra livremente. No entanto, desde ent\u00e3o, o n\u00famero e a diversidade de esp\u00e9cies animais na Terra t\u00eam declinado constantemente.<\/p>\n<p>Hoje temos uma fauna relativamente depauperada e continuamos a perder esp\u00e9cies de animais, algumas com risco de extin\u00e7\u00e3o iminente. Apesar de alguns questionamentos persistirem, a maioria das evid\u00eancias cient\u00edficas sugere que os seres humanos foram e s\u00e3o respons\u00e1veis pela extin\u00e7\u00e3o dessa fauna do Pleistoceno, e continuamos hoje, a levar animais a extin\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o de ecossistemas, a matan\u00e7a de animais como recurso vital ou, simplesmente como esporte al\u00e9m da persegui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies que consideramos uma amea\u00e7a ou como concorrentes na ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Essa perda global de animais, ou defauna\u00e7\u00e3o, \u00e9 cada vez mais reconhecida como um problema semelhante ao desmatamento em termos de escala e impacto. Embora raz\u00f5es emocionais ou est\u00e9ticas possam levar a lamentar a perda de diversas esp\u00e9cies carism\u00e1ticas, como tigres, rinocerontes ou pandas, agora se sabe que a perda de animais, desde o maior elefante ao menor besouro, tamb\u00e9m alterar\u00e1 fundamentalmente a forma e fun\u00e7\u00e3o dos ecossistemas dos quais todos n\u00f3s dependemos.<\/p>\n<p>Identificar os respons\u00e1veis por estas extin\u00e7\u00f5es \u00e9 simples, mas, independente da perda \u00e9 um desafio assustador. As esp\u00e9cies animais continuam a diminuir e desaparecem mesmo nas grandes \u00e1reas de reservas protegidas, devido tanto aos impactos diretos, como a ca\u00e7a furtiva, e consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas indiretas, como a fragmenta\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitats.<\/p>\n<p>Embora a ca\u00e7a de sobreviv\u00eancia e a ca\u00e7a ilegal possam parecer os culpados \u00f3bvios para as pol\u00edticas ambientais e a gest\u00e3o de como enfrent\u00e1-las, h\u00e1 complexas quest\u00f5es sociais subjacentes a estas atividades que requerem a\u00e7\u00f5es coordenadas e colaborativas entre as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Enquanto frear esta perda continua a ser uma meta desafiadora, as tentativas de reverter a tend\u00eancia de extin\u00e7\u00e3o est\u00e3o aumentando. Esses esfor\u00e7os de \u201crefauna\u00e7\u00e3o\u201d envolvem uma variedade de abordagens, incluindo a reprodu\u00e7\u00e3o de animais em cativeiro, com a esperan\u00e7a de reintroduzi-los na natureza, e auxiliando na reintrodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies em \u00e1reas onde estas se tornaram localmente extintas.<\/p>\n<p>A revers\u00e3o ativa da extin\u00e7\u00e3o de animais est\u00e1 se mostrando t\u00e3o desafiadora quanto a preven\u00e7\u00e3o de extin\u00e7\u00f5es; mas algumas hist\u00f3rias de sucesso trazem esperan\u00e7a. Muitos percebem e lamentam a perda de animais, mas n\u00e3o reconhecem que os impactos dessa perda v\u00e3o al\u00e9m de uma necessidade est\u00e9tica e emocional para manter animais como parte da natureza.<\/p>\n<p>Recentes estudos revelam surpreendentes taxas de decl\u00ednio e extin\u00e7\u00e3o de animais e confirmam a import\u00e2ncia das esp\u00e9cies para os ecossistemas. Al\u00e9m disso, e de forma mais ampla, esses estudos demonstram que, se n\u00e3o formos capazes de acabar ou reverter o ritmo dessa perda, isso significar\u00e1 muito mais para o nosso pr\u00f3prio futuro do que um simples cora\u00e7\u00e3o partido ou uma floresta vazia.<\/p>\n<p><em>* <strong>Sacha Vignieri<\/strong> \u00e9 naturalista e jornalista cient\u00edfica do Science Magazine.<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.eco21.com.br\/textos\/textos.asp?ID=3320\" target=\"_blank\">Eco21<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sacha Vignieri* Durante o Pleistoceno, apenas dezenas de milhares de anos atr\u00e1s, o nosso<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Sacha Vignieri* Durante o Pleistoceno, apenas dezenas de milhares de anos atr\u00e1s, o nosso","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4173"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4173"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4173\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}