{"id":41610,"date":"2016-05-08T15:46:18","date_gmt":"2016-05-08T18:46:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41610"},"modified":"2016-05-08T15:46:18","modified_gmt":"2016-05-08T18:46:18","slug":"nem-todo-ouro-reluz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nem-todo-ouro-reluz\/","title":{"rendered":"Nem todo ouro reluz"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"create\">Por Aldem Bourscheit<\/span><\/p>\n<div class=\"post-content\">\n<div id=\"attachment_46028\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-46028\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/garimpo-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/garimpo-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/garimpo-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/garimpo-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/garimpo-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/garimpo-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/garimpo.jpg 1152w\" alt=\"Garimpo ilegal localizado em S\u00e3o F\u00e9liz do Xingu, Par\u00e1. Foto: Leonardo Tomaz\/Ibama. \" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Garimpo ilegal localizado em S\u00e3o F\u00e9liz do Xingu, Par\u00e1. Foto: Leonardo Tomaz\/Ibama.<\/p>\n<\/div>\n<p>Com economia ainda baseada no extrativismo b\u00e1sico, sem agrega\u00e7\u00e3o de valor, o Brasil se mant\u00e9m firme e forte nos primeiros postos globais como produtor e exportador de produtos prim\u00e1rios que tentam matar a insaci\u00e1vel fome dos mercados globais, como soja, carne e min\u00e9rios como cobre, zinco, chumbo, estanho, bauxita, carv\u00e3o e ferro. Outro item nessa pauta \u00e9 justamente o ouro, que s\u00f3 perde para o min\u00e9rio de ferro em valor exportado e do qual o Brasil vende todo ano cerca de 50 toneladas, principalmente para Reino Unido, Su\u00ed\u00e7a, Emirados \u00c1rabes, Estados Unidos e Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Se todo esse ouro tem origem certificada e sustent\u00e1vel \u00e9 uma quest\u00e3o em aberto. Afinal, garimpos respondem por 12% da produ\u00e7\u00e3o nacional. O restante cai na conta de empresas como Kinross, AngloGold Ashanti, Yamana Gold e Jaguar Mining.<\/p>\n<p>De olho neste cen\u00e1rio, ganha import\u00e2ncia a den\u00fancia recente do Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz e do Instituto Socioambiental que revelou graus extremos de contamina\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas por merc\u00fario em garimpos ilegais (<a href=\"https:\/\/medium.com\/@socioambiental\/o-povo-yanomami-est%C3%A1-contaminado-por-merc%C3%BArio-do-garimpo-fa0876819312#.xwnwvuqmx\" target=\"_blank\">confira aqui<\/a>). Al\u00e9m do absurdo da situa\u00e7\u00e3o &#8211; com reservas livremente invadidas, pessoas e ambientes contaminados -, o fato crava mais um ponto no mapa nacional de problemas que se perpetuam pela morosidade governamental.<\/p>\n<p>H\u00e1 quase uma d\u00e9cada, Brasil e a Fran\u00e7a assinaram um acordo para agirem juntos contra o garimpo ilegal de ouro em grande faixa dos dois lados da fronteira entre o Amap\u00e1 e a Guiana Francesa. De l\u00e1 para c\u00e1, a iniciativa segue deitada em ber\u00e7o espl\u00eandido, enquanto contamina\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e criminalidade ganham terreno na regi\u00e3o. Implantar o combinado entre os ent\u00e3o presidentes Lula e Sarkozy, coincidentemente ambos envolvidos em den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, ajudaria a desenhar modelos para redu\u00e7\u00e3o dos impactos sociais e ambientais do garimpo, bem como a conduzir os garimpeiros a atividades menos danosas a si e ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Estimativas globais mostram que para cada quilo de ouro que se extrai s\u00e3o movimentadas mais de 500 toneladas de terra, e os garimpos ilegais ou de pequeno porte ainda s\u00e3o grandes usu\u00e1rios de merc\u00fario. A subst\u00e2ncia que chega aos garimpos pelas m\u00e3os do contrabando ajuda a separar o ouro de outros materiais e, quando alcan\u00e7a \u00e1guas, solos e ar, se torna fonte de problemas para o c\u00e9rebro, cora\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o dos humanos em contato com a subst\u00e2ncia. Mulheres gr\u00e1vidas podem ter filhos com m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o. Pessoas s\u00e3o afetadas com mais frequ\u00eancia pelo contato direto com o merc\u00fario ou por se alimentarem com peixes contaminados.<\/p>\n<p>Outro movimento que ajudaria a conter os efeitos colaterais do garimpo ilegal est\u00e1 ligado \u00e0 chamada Conven\u00e7\u00e3o de Minamata. O acordo vinculado \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas defende a elimina\u00e7\u00e3o do uso de merc\u00fario em atividades ilegais e de processos industriais que possam usar outros produtos. Tudo isso nos pr\u00f3ximos 4 anos. Mas para que o texto tenha mais peso para ser aplicado pelos 128 pa\u00edses que o assinaram, ele precisa ser ratificado por 50 deles. At\u00e9 agora, apenas 25 o fizeram. O Brasil ainda n\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.mercuryconvention.org\/Countries\" target=\"_blank\">confira aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Quase meio milh\u00e3o de pessoas atuam com garimpo ilegal no Brasil, espalhadas especialmente em regi\u00f5es preservadas da Amaz\u00f4nia, dentro e fora de Terras Ind\u00edgenas e de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Tamanha legi\u00e3o de descamisados e os impactos socioambientais que provocam ainda n\u00e3o chamaram a aten\u00e7\u00e3o do Governo. N\u00e3o surpreende. Afinal, quem mant\u00e9m \u00e0 frente de pastas estrat\u00e9gicas do Executivo ministros anti-ind\u00edgenas e anti-\u00e1reas protegidas e lava as m\u00e3os para o desmonte da legisla\u00e7\u00e3o socioambiental deixa cristalinas suas reais inten\u00e7\u00f5es frente \u00e0s popula\u00e7\u00f5es tradicionais e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: ((0))eco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Aldem Bourscheit Garimpo ilegal localizado em S\u00e3o F\u00e9liz do Xingu, Par\u00e1. 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