{"id":41605,"date":"2016-05-08T15:26:10","date_gmt":"2016-05-08T18:26:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41605"},"modified":"2016-05-08T15:26:10","modified_gmt":"2016-05-08T18:26:10","slug":"entrevista-especial-com-ana-primavesi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-especial-com-ana-primavesi\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Ana Primavesi"},"content":{"rendered":"<p>Observar, conhecer e integrar. Passos para uma perspectiva sist\u00eamica.<\/p>\n<p><strong>&#8220;A l\u00f3gica ainda \u00e9 cega, e procura adequar o ambiente \u00e0s m\u00e1quinas. Triste. Triste. De apertar o cora\u00e7\u00e3o! Ainda mais, sabendo-se que a voca\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, de \u00e1gua doce e do ecoturismo. Destruir as estruturas naturais e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos essenciais deveria ser um crime de lesa-p\u00e1tria. Mas o imediatismo ainda \u00e9 premiado. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 conta do perigo que corre&#8221;, alerta a\u00a0agr\u00f4noma.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"https:\/\/oficininhadavoneusa.files.wordpress.com\/2014\/08\/mc3a3o-na-terra-07.jpg?w=646\" width=\"320\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Imagem:\u00a0oficininhadavoneusa.com.br<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Ela tem 96 anos e uma paix\u00e3o de toda a vida: o <strong>solo<\/strong>. Essa \u00e9 <strong>Ana Maria Primavesi<\/strong>, pioneira no Brasil a tratar do tema da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/539245-agroecologia-a-bola-da-vez\" target=\"_blank\"><strong>produ\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica<\/strong><\/a>. Uma pesquisadora de laborat\u00f3rio e campo, capaz de p\u00f4r em pr\u00e1tica uma perspectiva sist\u00eamica sobre as formas de vida. \u201c\u00c9 preciso observar mais a natureza\u201d, resume ela, ao falar sobre os caminhos para se produzir alimento saud\u00e1vel para o ser humano e o meio ambiente.<\/p>\n<p>Para compreender o que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201c<strong>l\u00f3gica Primavesi<\/strong>\u201d, \u00e9 preciso tamb\u00e9m conhecer um pouco dessa mulher. Nasceu em 1920 em St. Georgen ob Judenburg, na <strong>\u00c1ustria<\/strong>. Chegou ao Brasil em 1949 e naturalizou-se. \u201cAp\u00f3s a guerra, com tantas mortes na fam\u00edlia, tamb\u00e9m de meus irm\u00e3os queridos, eu e meu marido, que t\u00ednhamos perdido todas as propriedades agr\u00edcolas, decidimos que era preciso procurar por paz, respirar ares novos, onde houvesse maior possibilidade de realizar nossos sonhos e esperan\u00e7as\u201d, recorda.<\/p>\n<p><strong>Ana Maria<\/strong> cresceu em meio ao campo e, atenta e observadora, da\u00ed foi um passo para se tornar uma cientista da \u00e1rea. \u201cMeus pais eram muito ligados \u00e0 atividade agropecu\u00e1ria e florestal. E na universidade n\u00f3s \u00e9ramos levados a realizar atividades de pesquisa. Fui treinada a observar, j\u00e1 em termos de sistema de produ\u00e7\u00e3o, de forma hol\u00edstica. Depois, tive dois professores que ensinaram a fazer um tipo de \u2018exame cl\u00ednico\u2019 com muita observa\u00e7\u00e3o e <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6035&amp;secao=469\" target=\"_blank\"><strong>vis\u00e3o integrada<\/strong><\/a>\u201d, recorda. Assim que chegou ao Brasil, ela e o marido passaram a produzir em seu s\u00edtio, no interior de S\u00e3o Paulo, a partir de <strong>t\u00e9cnicas ecol\u00f3gicas<\/strong> de <strong>manejo do solo<\/strong>. Assim, aliava a pesquisa nos laborat\u00f3rios \u00e0 pratica de campo. \u201cTivemos certeza de nosso caminho quando meu marido conseguiu produzir um trigo tipo canadense (de alt\u00edssima qualidade) em um solo degradado\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Mas no que consistem seus princ\u00edpios? Para <strong>Ana<\/strong>, \u201c\u00e9 preciso observar a natureza, em como ela, a partir de ecossistemas prim\u00e1rios, constru\u00eda os <strong>ecossistemas naturais cl\u00edmax<\/strong>, com alta capacidade de manter vida e produ\u00e7\u00e3o, e com todas as estruturas e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos desenvolvidos\u201d. Ou seja, \u00e9 observar a ecologia da vida e, assim a conhecendo, se integrar ao sistema amplo capaz de gerar vida, produzir e at\u00e9 corrigir desequil\u00edbrios com o m\u00ednimo de interfer\u00eancia humana. \u00c9 mais do que pensar em <strong>produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica<\/strong>, \u00e9 pensar em <strong>produ\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica<\/strong>.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, a pesquisadora n\u00e3o se entrega, e isso pode ser constatado na entrevista a seguir, concedida \u00e0<strong> IHU On-Line<\/strong> em abril de 2016. Com quase um s\u00e9culo de vida, <strong>Ana<\/strong> n\u00e3o abre m\u00e3o do convite para a entrevista. Conta com a ajuda da filha, <strong>Carin<\/strong>, para responder por escrito \u00e0s perguntas. \u00c9 uma forma de seguir propagando suas ideias e semeando esperan\u00e7a. \u201cA sociedade \u00e9 parte do aspecto ambiental, mas insiste-se em separar isso nos cursos universit\u00e1rios. Esse <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/519272-nos-passos-de-edgar-morin-a-guerrilha-contra-a-fragmentacao-%20\" target=\"_blank\"><strong>conhecimento fragmentado<\/strong><\/a>, compartimentado, analista, especializado \u00e9 o grande mal\u201d, sentencia, ao mesmo tempo que provoca a pensar numa \u201ceduca\u00e7\u00e3o ambiental de como a vida funciona\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/511957-dra-ana-primavesi-vai-receber-o-principal-premio-internacional-da-agricultura-organica-da-ifoam\" target=\"_blank\"><strong>Ana Maria Primavesi<\/strong><\/a> \u00e9 graduada em Agronomia pela Universidade Rural de Viena, com doutorado em Ci\u00eancias Agron\u00f4micas. Em 2012, recebeu o pr\u00eamio mundial da agricultura org\u00e2nica pela International Federation of Organic Agriculture Movements &#8211; IFOAM. Foi professora na Universidade Federal de Santa Maria, pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Mokiti Okada e agricultora, pois praticou as t\u00e9cnicas da agroecologia na sua fazenda, em Ita\u00ed, interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Seus ensinamentos podem ser encontrados em cerca de 100 artigos cient\u00edficos e 12 livros. Entre os trabalhos de maior influ\u00eancia est\u00e3o:<strong> Manejo Ecol\u00f3gico do Solo: a agricultura em regi\u00f5es tropicais<\/strong> (S\u00e3o Paulo: Nobel, 1984); <strong>Agroecologia: ecosfera, tecnosfera e agricultura<\/strong> (S\u00e3o Paulo: Nobel, 1997); <strong>Manejo ecol\u00f3gico de pragas e doen\u00e7as: t\u00e9cnicas alternativas para a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e defesa do meio ambiente<\/strong> (S\u00e3o Paulo: Nobel, 1988); <strong>Agricultura sustent\u00e1vel: manual do produtor rural<\/strong> (S\u00e3o Paulo: Nobel, 1992); <strong>Manejo ecol\u00f3gico de pragas e doen\u00e7as: t\u00e9cnicas alternativas para a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e defesa do meio ambiente<\/strong> (S\u00e3o Paulo: Nobel, 1988).<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i66.tinypic.com\/2ibncyf.jpg\" width=\"260\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: ideiaweb.org<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Como descobriu a sua paix\u00e3o pelas coisas simples do campo? E como isso a transformou em cientista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Eu cresci em ambiente rural e meus pais eram muito ligados \u00e0 <strong>atividade agropecu\u00e1ria e florestal<\/strong> (m\u00e3e: de canteiros de flores, horta dom\u00e9stica, plantas medicinais; e pai: de lavouras, cria\u00e7\u00e3o de gado e atividade florestal). Meu pai fazia melhoramento animal e assim precisava de m\u00e9todo e observa\u00e7\u00e3o. E na universidade n\u00f3s \u00e9ramos levados a realizar atividades de pesquisa. Fui treinada a observar, j\u00e1 em termos de <strong>sistema de produ\u00e7\u00e3o<\/strong>, de forma hol\u00edstica. Depois tive dois professores que ensinaram a fazer um tipo de \u201cexame cl\u00ednico\u201d com muita observa\u00e7\u00e3o e <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=5063&amp;secao=422\" target=\"_blank\"><strong>vis\u00e3o integrada<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Por que a senhora sempre andou tanto no campo quanto no laborat\u00f3rio [1]?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> A <strong>ci\u00eancia<\/strong> progride quando sustentada pelos resultados de campo, que por sua vez realimentam as pesquisas cient\u00edficas com d\u00favidas a resolver. Com o conhecimento da pr\u00e1tica eu tinha muitas d\u00favidas que precisavam ser esclarecidas. Em realidade, a ci\u00eancia existe para esclarecer os processos que ocorrem na natureza e que necessitamos conhecer para melhorar o seu manejo e fortalecimento nos <strong>sistemas de produ\u00e7\u00e3o de alimentos <\/strong>e de<strong> \u00e1gua<\/strong> doce.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; A senhora \u00e9 uma das primeiras no Brasil a tratar do tema agricultura org\u00e2nica. Como a senhora descobriu esse tipo de produ\u00e7\u00e3o? De onde veio sua inspira\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Em realidade, no in\u00edcio, toda <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/527971-novo-estudo-indica-que-agricultura-organica-aumenta-a-biodiversidade\" target=\"_blank\"><strong>agricultura<\/strong><\/a> praticada era org\u00e2nica, e, at\u00e9 certo ponto, <strong>ecol\u00f3gica<\/strong>. Com ensinamentos de mestres na universidade, fui estimulada a olhar por essa perspectiva. Foram eles que me repassaram os princ\u00edpios de como analisar o conjunto de fatores em uma <strong>atividade agr\u00edcola<\/strong>, indo diretamente para a procura das causas. E as causas deveriam ser procuradas com o solo (caracter\u00edsticas de um solo observando na natureza o que resulta maior produtividade de <strong>fitomassa<\/strong> [2]), o comportamento das pr\u00f3prias plantas (sintomas de defici\u00eancias minerais, vigor e arquitetura das ra\u00edzes) e das associa\u00e7\u00f5es de plantas no campo.<\/p>\n<p>Na realidade, era preciso <strong>observar a natureza<\/strong>, em como ela, a partir de ecossistemas prim\u00e1rios (rochas aflorando; in\u00f3spitos \u00e0 vida superior e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o), constru\u00eda os <strong>ecossistemas naturais cl\u00edmax<\/strong> [3], com alta capacidade de manter vida e produ\u00e7\u00e3o, e com todas as estruturas e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos desenvolvidos. A natureza utiliza as mesmas ferramentas para <strong>recuperar solos<\/strong> compactados, mortos biologicamente, abandonados, durante o pousio.<\/p>\n<p>O segredo \u00e9 a <strong>observa\u00e7\u00e3o<\/strong>, isso eu aprendi com meus pais e alguns professores generalistas (sabem um pouco de tudo do todo). Os especialistas sabem muito de pouco do todo, que chega a ser nada, sabem s\u00f3 de algo espec\u00edfico, sem rela\u00e7\u00e3o com o todo. Ficam com uma vis\u00e3o muito estreita, para a pr\u00e1tica de campo. Esse \u00e9 tamb\u00e9m um grande conflito que deveria ser resolvido amigavelmente.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais os desafios que enfrentou quando come\u00e7ou a tratar do tema da agricultura org\u00e2nica? Quais resist\u00eancias j\u00e1 foram vencidas e quais ainda persistem nos dias de hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Tivemos certeza de nosso caminho quando meu marido conseguiu produzir um <strong>trigo tipo canadense<\/strong> (de alt\u00edssima qualidade) em um <strong>solo degradado<\/strong> da regi\u00e3o de <strong>Sorocaba<\/strong>, em S\u00e3o Paulo. O trigo estava sem ferrugem, embora a variedade fosse altamente suscet\u00edvel. Isso ocorreu ap\u00f3s dois anos de pr\u00e1ticas de recupera\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do solo com coquetel de <strong>adubos verdes<\/strong> fibrosos. Quando entramos para a vida acad\u00eamica e docente em <strong>Santa Maria<\/strong>, no Rio Grande do Sul, est\u00e1vamos no auge da <strong>revolu\u00e7\u00e3o verde<\/strong> que promovia uma agricultura nos moldes de \u201cch\u00e3o de f\u00e1brica\u201d, em que as variabilidades de nossos solos eram uniformizadas com calagens e aduba\u00e7\u00f5es <strong>NPK<\/strong> [4] pesadas. O objetivo era de atender as exig\u00eancias de <strong>variedades h\u00edbridas<\/strong> que respondiam a doses elevadas de nitrog\u00eanio, utilizando-se para isso mecaniza\u00e7\u00e3o intensa e irriga\u00e7\u00e3o, e depois tamb\u00e9m herbicidas.<\/p>\n<p>As <strong>terras<\/strong> eram uniformizadas. Os olhos d\u2019\u00e1gua e pequenos cursos d\u2019\u00e1gua eram simplesmente riscados do mapa, para facilitar a mecaniza\u00e7\u00e3o. Depois as \u00e1rvores eram eliminadas para facilitar a administra\u00e7\u00e3o a olho nu e a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. E, tudo que fosse relacionado \u00e0 mat\u00e9ria org\u00e2nica e seu uso, era proibido. Identificamos que eram promovidos os aspectos f\u00edsicos e qu\u00edmicos dos solos. Mas n\u00e3o os biol\u00f3gicos. Os <strong>biol\u00f3gicos do solo<\/strong>, n\u00e3o das plantas. Os biol\u00f3gicos que usam todo material org\u00e2nico, de onde retiram sua energia para agregar o solo e estabilizar os agregados e os macroporos, que s\u00e3o vitais para a sa\u00fade das plantas, pois garantem a entrada de \u00e1gua e de ar.<\/p>\n<p>Assim, lutamos pela inclus\u00e3o por esse aspecto biol\u00f3gico de solo. Isso porque sab\u00edamos que precis\u00e1vamos de um solo vivo para produzir com abund\u00e2ncia e de forma mais barata, pois aumentava a efici\u00eancia dos insumos aplicados, que assim poderiam ser utilizados de maneira mais racional.<\/p>\n<p><strong>A luta feroz<\/strong><\/p>\n<p>Mas a <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2680&amp;secao=300\" target=\"_blank\"><strong>revolu\u00e7\u00e3o verde<\/strong><\/a> n\u00e3o contemplava o aspecto biol\u00f3gico. E a luta foi feroz. Mesmo iniciando como docentes da Universidade nessa <strong>vis\u00e3o hol\u00edstica<\/strong> de manejo do solo, da produtividade e da considera\u00e7\u00e3o do aspecto biol\u00f3gico por meio do primeiro curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Brasil, oficialmente aceito, a resposta deles foi: embora concordemos com esses conhecimentos, n\u00e3o poderemos inclu\u00ed-los nos cursos regulares de gradua\u00e7\u00e3o, pois precisamos treinar os estudantes para os concursos p\u00fablicos, que n\u00e3o contemplam o aspecto biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Ao encerrarmos nossas atividades universit\u00e1rias, tentamos romper barreiras na consultoria t\u00e9cnica a grandes empresas agr\u00edcolas e \u00e0 ind\u00fastria. A<strong> ind\u00fastria de insumos<\/strong> argumentava que, embora a ideia fosse excelente, precisar\u00edamos que os manejos propostos tivessem tamb\u00e9m um produto que pudesse ser embalado e comercializado. A\u00ed decidimos escrever um livro-texto e partir para o desenvolvimento e difus\u00e3o, no corpo a corpo no campo, com produtores rurais, extensionistas [5] e estudantes, num tipo de <strong>educa\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong> com as boas pr\u00e1ticas de <strong>manejo agroambiental<\/strong>. Por sorte tivemos apoio de segmentos da classe agron\u00f4mica, que estava detectando calcanhares de Aquiles nos planos da <strong>revolu\u00e7\u00e3o verde<\/strong> se quis\u00e9ssemos a sustentabilidade.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como compreender o fen\u00f4meno da vida a partir do solo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Muito simples. Observando a natureza. Quando a vida iniciada nos oceanos conseguiu produzir oxig\u00eanio e com isso criar a <strong>ozonosfera<\/strong> [6] para filtrar a radia\u00e7\u00e3o ultravioleta, estava aberto o caminho para a coloniza\u00e7\u00e3o dos ambientes naturais prim\u00e1rios sobre os continentes. Constitu\u00edam pura rocha (n\u00e3o havia solos, nem len\u00e7ol fre\u00e1tico, nem cadeia, muito menos teia alimentar, as amplitudes t\u00e9rmica e h\u00eddrica eram extremas; as condi\u00e7\u00f5es eram in\u00f3spitas \u00e0 vida superior e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de <strong>fitomassa<\/strong>, de biomassa). Era preciso priorizar a <strong>produ\u00e7\u00e3o de solo perme\u00e1vel<\/strong> para armazenar a \u00e1gua das chuvas. Foi criada a primeira associa\u00e7\u00e3o de agentes pioneiros, incumbida para produzir solos: os l\u00edquens [7], que utilizavam o artif\u00edcio do albedo (cor clara que reflete radia\u00e7\u00e3o solar) para refrescar o substrato.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o primeira do <strong>solo<\/strong> \u00e9 captar e armazenar<strong> \u00e1gua da chuva.<\/strong> E esse servi\u00e7o ecossist\u00eamico ele s\u00f3 consegue realizar quando permanentemente vegetado. A <strong>vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong> oferece uma tripla prote\u00e7\u00e3o para o solo perme\u00e1vel: o dossel (parte a\u00e9rea) das plantas, a serapilheira (partes mortas das plantas como folhas secas, ramos) e a trama radicular que mant\u00e9m o solo poroso superficialmente e procura manter o solo perme\u00e1vel em profundidade. Logicamente a vida associada \u00e0s plantas contribui para aperfei\u00e7oar esse processo e as estruturas vitais.<\/p>\n<p>A diversidade \u00e9 uma ferramenta da natureza para produzir o m\u00e1ximo de <strong>biomassa<\/strong> (vegetais e fauna associada) com a <strong>energia solar<\/strong> incidente por metro quadrado de \u00e1rea. Quando se elimina a <strong>cobertura permanente do solo<\/strong> (partes a\u00e9reas, palhadas, ra\u00edzes diversificadas), ele costuma adensar e virar \u201cpedra\u201d, com caracter\u00edsticas de ambiente natural prim\u00e1rio. Ele sofre regress\u00e3o para condi\u00e7\u00f5es in\u00f3spitas \u00e0 vida e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, como um ambiente urbano sem \u00e1rea verde. Tudo muito simples de entender quando se v\u00ea o quadro completo. Esses detalhes precisam ser considerados e incorporados nos <strong>sistemas de produ\u00e7\u00e3o<\/strong> se desejam ser sustent\u00e1veis e <strong>garantir alimentos e \u00e1gua<\/strong> doce residente para as gera\u00e7\u00f5es futuras, al\u00e9m de reservas cambiais \u00e0 na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<table cellspacing=\"10\" cellpadding=\"10\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/www.mobilizadores.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/agricultura.jpg\" width=\"540\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Diferen\u00e7a entre os solos. Imagem:\u00a0www.mobilizadores.org.br<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como deve ser a rela\u00e7\u00e3o do homem do campo com o solo? O que a agricultura dos povos originais ensina nesse sentido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> O problema \u00e9 que os <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/12621-pecuaria-soja-e-o-avanco-do-desmatamento-na-amazonia-entrevista-especial-com-tatiana-de-carvalho\" target=\"_blank\"><strong>estragos ambientais<\/strong><\/a> n\u00e3o s\u00e3o mais realizados pelo homem do campo, mas por rob\u00f4s e m\u00e1quinas do campo. O ser humano se afasta cada vez mais do contato direto com o campo, com a terra. Os <strong>povos nativos<\/strong> ensinavam que se utilize o tanto de terra necess\u00e1ria para produzir o sustento \u00e0 comunidade. E se a terra degradasse, ficava em repouso. A natureza se encarrega de recuper\u00e1-la. At\u00e9 os criadores de gado faziam rota\u00e7\u00e3o de animais, apregoadas atualmente como pr\u00e1tica saud\u00e1vel para a longevidade das pastagens, como no nomadismo.<\/p>\n<p>O homem moderno procura transformar o m\u00e1ximo de \u00e1rea em dinheiro, em Produto Interno Bruto &#8211; <strong>PIB<\/strong>, nem que isso s\u00f3 ocorra durante um a tr\u00eas anos. Depois procuram novas \u00e1reas a serem \u201cmineradas\u201d. E n\u00e3o veem que est\u00e3o matando a galinha dos ovos de ouro. No caso do <strong>Brasil<\/strong>, certamente \u00e9 o que ocorre. Como se destroem solos e microclimas de forma infantil, perdul\u00e1ria! As <strong>popula\u00e7\u00f5es tradicionais<\/strong> procuravam seguir as leis da natureza e se enquadrar nelas. N\u00e3o criar um <strong>mundo artificial, industrial<\/strong>, que continua dependendo dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, naturais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como entender a agricultura para al\u00e9m do bin\u00f4mio agrot\u00f3xico e adubo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Certamente a natureza se utiliza de <strong>nutrientes<\/strong> (dissolvidos da rocha local ou introduzida: calc\u00e1rios, fosfatos naturais, guanos, estercos, urinas e nitrog\u00eanio atmosf\u00e9rico durante queda de raios, cinzas e poeiras vindas desde a \u00c1frica, conchas mo\u00eddas e outros) para nutrir as plantas e a fauna. A<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/554285-brasil-lider-mundial-no-uso-de-agrotoxicos\" target=\"_blank\">ind\u00fastria qu\u00edmica<\/a><\/strong> procura facilitar a disponibilidade de nutrientes e at\u00e9 permitir que se consiga estimular as plantas a produzir mais rapidamente. Mas a \u00e1rea comercial procura extrapolar as vendas e o uso. A natureza tamb\u00e9m usa ferramentas f\u00edsicas (espinhos, pelos), biol\u00f3gicas (chamados inimigos naturais, fungos, bact\u00e9rias) e qu\u00edmicas (como as fitoalexinas[8] e outras; especialmente a nutricional, procurando o equil\u00edbrio dos nutrientes) para defender as plantas de pragas e pat\u00f3genos. Tamb\u00e9m ocorrem ferramentas para suprimir plantas n\u00e3o desej\u00e1veis por meio da alelopatia [9].<\/p>\n<p>A <strong>ind\u00fastria qu\u00edmica<\/strong> procura imitar a natureza, aumentando a concentra\u00e7\u00e3o das mol\u00e9culas qu\u00edmicas e dos indiv\u00edduos biol\u00f3gicos para facilitar o controle de pragas e doen\u00e7as. Por\u00e9m, do ponto de vista ecol\u00f3gico, quando um cultivo necessita de defesa contra pragas e pat\u00f3genos de forma generalizada e intensa, isso \u00e9 um sinal de que as <strong>plantas est\u00e3o biologicamente doentes<\/strong> (seu campo energ\u00e9tico est\u00e1 perturbado, enfraquecido) e a \u201cpol\u00edcia sanit\u00e1ria\u201d da natureza entrou em a\u00e7\u00e3o para eliminar seres fracos, doentes, inaptos a continuar a luta pela vida. O <strong>sistema de produ\u00e7\u00e3o<\/strong> deveria ser revisto e aprimorado. Com destaque para o restabelecimento de um solo vivo, com tripla camada de prote\u00e7\u00e3o permanente, e agrega\u00e7\u00e3o de nutrientes que mais faltam no sistema de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como compreender o que est\u00e1 por tr\u00e1s da l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, da rela\u00e7\u00e3o entre homem com o meio ambiente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Oficialmente, a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/509810-a-agricultura-organica-versus-o-metodo-de-cultivo-tradicional\" target=\"_blank\"><strong>produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica<\/strong><\/a> simplesmente procura substituir mol\u00e9culas qu\u00edmicas dos <strong>agrot\u00f3xicos<\/strong> por op\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas e os adubos sol\u00faveis por org\u00e2nicos ou menos sol\u00faveis; e, tamb\u00e9m, a redu\u00e7\u00e3o do uso de nitrogenados sint\u00e9ticos [10]. Por\u00e9m, o sucesso do <strong>movimento org\u00e2nico<\/strong> depende da mudan\u00e7a de paradigma, da ado\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de manejo do ambiente em agroecossistemas. A necessidade de uso de defensivos, adubos e irriga\u00e7\u00e3o exagerados indica que h\u00e1 necessidade de adequa\u00e7\u00e3o do sistema de produ\u00e7\u00e3o incluindo os princ\u00edpios ecol\u00f3gicos, os princ\u00edpios que a natureza usa para construir<strong> ecossistemas produtivos<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual o papel do solo na concep\u00e7\u00e3o da agricultura org\u00e2nica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Na <strong>agricultura org\u00e2nica<\/strong> n\u00e3o existe uma concep\u00e7\u00e3o diferente. Na <strong>biodin\u00e2mica<\/strong> [11], sim. Mas, acho que aquela vis\u00e3o apresentada no in\u00edcio, de quando o ambiente prim\u00e1rio \u00e9 transformado em <strong>cl\u00edmax<\/strong>, seja o conceito que deveria ser usado como refer\u00eancia. Em geral, usa-se o solo de mata como refer\u00eancia. Mas \u00e9 somente um ponto. Quanto posso degrad\u00e1-lo? Se tamb\u00e9m tenho o referencial do qual devo fugir (das caracter\u00edsticas do ambiente prim\u00e1rio, pedra), agora com dois pontos de refer\u00eancia extremos, fica mais f\u00e1cil planejar algum manejo racional e ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais os benef\u00edcios, as vantagens, da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em um solo vivo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> A principal vantagem do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/543635-o-pico-do-solo-e-a-degradacao-da-biocapacidade-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves\" target=\"_blank\"><strong>solo vivo<\/strong><\/a> \u00e9 que ele vai apresentar um alto estado e grau de agrega\u00e7\u00e3o, com muitos macroporos, o que permite a drenagem de \u00e1gua, a entrada de oxig\u00eanio (deve ser lembrado que as ra\u00edzes seriam, al\u00e9m dos \u201cintestinos\u201d das plantas, tamb\u00e9m os \u201cpulm\u00f5es\u201d, e precisam receber oxig\u00eanio para a respira\u00e7\u00e3o, do contr\u00e1rio a planta murcha; o \u201cest\u00f4mago\u201d seria a rizosfera [12]) e facilita o desenvolvimento radicular. Al\u00e9m disso, vai permitir a ocorr\u00eancia de in\u00fameros seres micro-meso [13] e macrosc\u00f3picos associados \u00e0s plantas, que v\u00e3o estimular seu desenvolvimento e sua defesa naturalmente.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais as diferen\u00e7as e a concep\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola entre pa\u00edses tropicais como o Brasil e pa\u00edses n\u00e3o tropicais como os europeus?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Em climas temperados, no geral, os solos s\u00e3o congelados no inverno e precisam ser aquecidos rapidamente para se obter um m\u00ednimo de per\u00edodo vegetativo. Os solos s\u00e3o menos intemperizados [14] e, portanto, mais ricos quimicamente, em geral mais rasos, e armazenam mais \u00e1gua. Nos tr\u00f3picos, os solos precisam ser protegidos do aquecimento e do ressecamento, e as ra\u00edzes precisam ser estimuladas para explorar maior volume de solo para obter os nutrientes necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es de solos marginais, arenosos, em que ocorre defici\u00eancia m\u00faltipla de nutrientes essenciais, pode-se incluir procedimentos de enriquecimento. O <strong>processo de degrada\u00e7\u00e3o<\/strong> da mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo, fonte energ\u00e9tica da vida do solo que promove sua agrega\u00e7\u00e3o, \u00e9 de 4 a 5 vezes mais r\u00e1pido que em clima temperado, e pode, em casos extremos (ambiente quente e \u00famido, solo arenoso, recebendo elevadas doses de calc\u00e1rio) reduzir a mat\u00e9ria org\u00e2nica essencial do solo 50 vezes mais rapidamente.<\/p>\n<p><strong>Os flagelados pela degrada\u00e7\u00e3o do solo<\/strong><\/p>\n<p>Assim, o <strong>solo<\/strong> perde rapidamente sua estabilidade, se n\u00e3o houver reposi\u00e7\u00e3o da camada da mat\u00e9ria org\u00e2nica, e sofre mais intensamente de eros\u00e3o e de perda de \u00e1gua por escorrimento superficial, o que resulta em enchentes, com flagelados das cheias. E, com a <strong>\u00e1gua das chuvas<\/strong> perdidas pelas enchentes, no per\u00edodo das \u00e1guas, segue-se depois um per\u00edodo de seca mais intenso, com os flagelados da seca.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Por que \u00e9 importante conhecer o clima e desenvolver t\u00e9cnicas de manejo e produ\u00e7\u00e3o espec\u00edficas em cada regi\u00e3o, assim criando e n\u00e3o importando tecnologias?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Acho que as respostas anteriores j\u00e1 deram um sinal para esta pergunta. Devo acrescentar que, com o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/552313-efeito-do-aquecimento-global-sobre-o-equilibrio-nutricional-sera-fatal-aponta-estudo\" target=\"_blank\"><strong>aquecimento global<\/strong><\/a> se intensificando, e com o <strong>aumento das \u00e1reas degradadas<\/strong>, fornecedoras do calor em excesso, e desta forma com chuvas mais intensas, mais erosivas, deveriam ser incorporados com mais urg\u00eancia os elementos que a natureza utiliza para estabilizar microclimas, que \u00e9 o componente arb\u00f3reo. <strong>Quebra-ventos, sistemas agroflorestais e silvipastoris<\/strong> seriam os mais adequados. A mecaniza\u00e7\u00e3o deveria se adequar a essas necessidades t\u00e9cnicas l\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Entretanto, a l\u00f3gica ainda \u00e9 cega, e procura adequar o ambiente \u00e0s m\u00e1quinas. Triste. Triste. De apertar o cora\u00e7\u00e3o! Ainda mais, sabendo-se que a <strong>voca\u00e7\u00e3o do Brasil<\/strong> \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, de \u00e1gua doce e do ecoturismo. Destruir as estruturas naturais e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos essenciais deveria ser um crime de lesa-p\u00e1tria. Mas o imediatismo ainda \u00e9 premiado. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 conta do perigo que corre.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o os principais passos para a implementa\u00e7\u00e3o de agricultura org\u00e2nica em pa\u00edses tropicais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Existem as normas de <strong>agricultura org\u00e2nica<\/strong> a serem seguidas. Mas, em princ\u00edpio, seria interessante seguir os procedimentos ditados pela ecologia. Deve ser uma agricultura org\u00e2nica com base ecol\u00f3gica. Poderia ser incorporado parcialmente at\u00e9 pela agricultura industrial. Mas deveria ter um contato mais pr\u00f3ximo do ser humano com a terra. Isso porque exige maior conhecimento e \u00e9 mais complexo do ponto de vista gerencial. Mas \u00e9 o futuro vi\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual a import\u00e2ncia da teoria da trofobiose [15], de Chaboussou [16]? Em que medida as perspectivas do pesquisador franc\u00eas atravessam seu trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2606&amp;secao=296\" target=\"_blank\"><strong>Chaboussou<\/strong><\/a> defende o equil\u00edbrio de nutrientes e refor\u00e7a a no\u00e7\u00e3o de que desequil\u00edbrios nutricionais, em especial daqueles provocados pela adi\u00e7\u00e3o inconsciente de minerais por meio dos defensivos industriais ou org\u00e2nicos (cobre da calda bordaleza [17], enxofre da calda sulfoc\u00e1lcica), s\u00e3o a causa do aumento no aparecimento de doen\u00e7as e pragas. \u00c9 que plantas desequilibradas nutricionalmente apresentam muitas mol\u00e9culas org\u00e2nicas formadas pela metade (micromol\u00e9culas, como amino\u00e1cidos e a\u00e7\u00facares redutores) que representam um verdadeiro sop\u00e3o nutritivo para as pragas e pat\u00f3genos. <strong>Chaboussou<\/strong> veio trazer uma informa\u00e7\u00e3o nova, espec\u00edfica, complementar ao que j\u00e1 se sabia de forma gen\u00e9rica.<\/p>\n<p>A gente j\u00e1 defendia a ideia de que plantas com nutri\u00e7\u00e3o desequilibrada eram mais suscet\u00edveis a pragas e pat\u00f3genos. O <strong>Instituto da Potassa<\/strong> (representante da ind\u00fastria qu\u00edmica) tem diversos casos mostrando isso.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O argumento de quem defende a agricultura com plantas transg\u00eanicas e uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 a necessidade da produ\u00e7\u00e3o em grande escala, otimizando o uso de recursos naturais. Mas como a agricultura org\u00e2nica pode fazer frente a esses argumentos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> <strong>Org\u00e2nica-ecol\u00f3gica<\/strong>! Como sempre digo: solos mortos geram plantas doentes que a natureza procura eliminar por meio de diversos agentes que, neste caso espec\u00edfico, chamamos de pragas e pat\u00f3genos. Em condi\u00e7\u00f5es normais, sem desequil\u00edbrios, estes agentes seriam \u201ccidad\u00e3os normais\u201d, \u201cguardi\u00e3es normais\u201d nos ecossistemas. Plantas doentes apresentam qualidade biol\u00f3gica, qualidade nutritiva para nossa alimenta\u00e7\u00e3o, muito baixa. A <strong>transgenia<\/strong>, da forma praticada hoje em dia, simplesmente passa por cima desses conhecimentos ecol\u00f3gicos e promove a produ\u00e7\u00e3o de alimentos deficientes nutricionalmente para a dieta humana.<\/p>\n<p>E os <strong>solos<\/strong>, n\u00e3o sendo conservados nem recuperados, degradam at\u00e9 o ponto de precisarem ser abandonados. A transgenia n\u00e3o se importa em parar com a degrada\u00e7\u00e3o dos solos. Essa \u00e9 minha ressalva severa ao uso de <a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/542370-transgenicos-enquanto-o-mundo-recusa-o-brasil-aprova-entrevista-especial-com-joao-dagoberto-dos-santos&amp;sa=U&amp;ved=0ahUKEwi5wMKSlcbMAhXMph4KHeqXDJ0QFggXMAY&amp;client=internal-uds-cse&amp;usg=AFQjCNGGul_rcvPEeOFp1eS4nRXfL897dA\" target=\"_blank\"><strong>ferramentas transg\u00eanicas<\/strong><\/a>, que podem ser muito \u00fateis quando ecologicamente aplicadas. Mas, hoje em dia, deixam entender que, se usadas as sementes transg\u00eanicas, dispensam qualquer outro conhecimento t\u00e9cnico e ecol\u00f3gico de manejo, o que \u00e9 falso.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais os desafios t\u00e9cnicos, pol\u00edticos e econ\u00f4micos para desenvolver a agricultura org\u00e2nica-ecol\u00f3gica nos dias de hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> \u00c9 simplesmente fazer entender que existem servi\u00e7os ecossist\u00eamicos gratuitos, que dependem de infraestruturas ambientais naturais, que nenhum servi\u00e7o ambiental tecnol\u00f3gico pago consegue substituir de maneira aceit\u00e1vel e completa. E que o desmonte consciente ou inconsciente dessas infraestruturas ambientais (solo bem agregado e perme\u00e1vel protegido permanentemente, estruturas evapotranspiradoras hidrotermorreguladoras que s\u00e3o as \u00e1rvores alocadas estrategicamente na microbacia hidrogr\u00e1fica, a diversidade de flora e de sua vida associada principalmente) leva \u00e0 <strong>regress\u00e3o ecol\u00f3gica<\/strong> do ambiente e, com isso, \u00e0 insustentabilidade da agricultura industrial e, em escala menor, tamb\u00e9m da org\u00e2nica.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o dessa infraestrutura essencial, que permite os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos essenciais, \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1ria e facilmente percebida ao comparar a evolu\u00e7\u00e3o de um ambiente natural prim\u00e1rio a <strong>cl\u00edmax<\/strong>. Mas precisa ser aplicada, tamb\u00e9m, na <strong>agricultura org\u00e2nica<\/strong>. Por exemplo, um dos erros fatais na agricultura org\u00e2nica \u00e9 querer enterrar a mat\u00e9ria org\u00e2nica. O lugar dela \u00e9 na superf\u00edcie da terra. A natureza deixa isso clar\u00edssimo. Outro erro \u00e9 querer compostar tudo, em regi\u00f5es tropicais, e a\u00ed se perde a melhor parte da atividade de degrada\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica, em que s\u00e3o geradas as colas bacterianas para agregar as part\u00edculas s\u00f3lidas do solo, e servir de alimento energ\u00e9tico a fungos que, ao procurar ingerir esses a\u00e7\u00facares com seus mic\u00e9lios, v\u00e3o dar estabilidade aos agregados. Falta educa\u00e7\u00e3o ambiental de como a vida funciona, tanto para os org\u00e2nicos como para aqueles que procuram praticar a agricultura em moldes industriais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como avalia as discuss\u00f5es sobre meio ambiente e produ\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica hoje? Qual a import\u00e2ncia do pensamento sist\u00eamico, como, por exemplo, o que prop\u00f5e o Papa Francisco na enc\u00edclica <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?secao=469\" target=\"_blank\">Laudato Si<\/a>\u2019 [18], para a preserva\u00e7\u00e3o do planeta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Mudan\u00e7as s\u00e3o dif\u00edceis de realizar. Ainda mais quando se fala em atividades conservacionistas (nem se cogitam as recuperadoras) de m\u00e9dio a longo prazo, conhecimentos mais complexos que exigem gerenciamento mais complexo, se tudo tende a realizar o que for mais f\u00e1cil e r\u00e1pido. O <strong>papa<\/strong> certamente indicou as causas dos problemas atuais:<strong> sociais e ambientais<\/strong>, que em realidade s\u00e3o duas faces da mesma moeda. Falta agora mostrar o que e como fazer. A sociedade \u00e9 parte do aspecto ambiental, mas insiste-se em separar isso nos cursos universit\u00e1rios. Esse conhecimento fragmentado, compartimentado, analista, especializado \u00e9 o grande mal.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o for alterado para um ensino sintetizador, integrador, hol\u00edstico, generalista, n\u00e3o vai haver solu\u00e7\u00e3o em curto prazo. As poucas empresas que est\u00e3o realizando um procedimento org\u00e2nico-ecol\u00f3gico est\u00e3o tendo sucesso. A <strong>produtividade<\/strong> em realidade \u00e9 muito maior quando se incorpora o aspecto biol\u00f3gico aos sistemas de produ\u00e7\u00e3o, e para o qual a mat\u00e9ria org\u00e2nica diversificada, produzida localmente, \u00e9 essencial.<\/p>\n<p><strong>Pacote vendido, comprado e n\u00e3o compreendido<\/strong><\/p>\n<p>O problema que vejo \u00e9 que, al\u00e9m disso, ainda se tenta vender pacotes. Teve o pacote tecnol\u00f3gico da <strong>revolu\u00e7\u00e3o verde<\/strong> que ainda vigora, agora enriquecido com o<strong> pacote de controle digital<\/strong> (agricultura de precis\u00e3o), e existe a tentativa de se vender o pacote org\u00e2nico. N\u00e3o se trazem informa\u00e7\u00f5es de como o solo e o ambiente precisam ser manejados, e que com esse conhecimento ecol\u00f3gico b\u00e1sico ficaria mais f\u00e1cil adequar um pacote, seja industrial ou org\u00e2nico. Sem conhecer esses fundamentos, ao tentar usar um pacote e ele n\u00e3o funcionar, este \u00e9 criticado, queimado, descartado. Esse \u00e9 um dos grandes problemas. Quando se conhecem os fundamentos, e o pacote n\u00e3o funciona, procuramos encontrar as causas e corrigir o pacote, e a\u00ed se progride.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Maria Primavesi &#8211;<\/strong> Resumindo. \u00c9 preciso <strong>observar mais a natureza<\/strong>. N\u00e3o somente a cl\u00edmax (florestas; que curiosamente ocorrem tanto em condi\u00e7\u00f5es tropicais como \u00e1rticas), mas tamb\u00e9m as prim\u00e1rias. Procurar manter o solo perme\u00e1vel e protegido por cobertura vegetal diversificada (incluindo as estruturas arb\u00f3reas estrat\u00e9gicas) \u00e9 o caminho para se chegar \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/540031-uma-agricultura-sustentavel-para-alimentar-o-planeta-artigo-de-matteo-giannatasio\" target=\"_blank\"><strong>agricultura sustent\u00e1vel<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Quando algo vai mal em um sistema de produ\u00e7\u00e3o, deve-se procurar pelas causas, e n\u00e3o simplesmente combater sintomas. O componente biol\u00f3gico dos solos deve ser considerado. E para isso \u00e9 preciso saber manejar a mat\u00e9ria org\u00e2nica de maneira correta, em termos de tipos, modos e localiza\u00e7\u00e3o. Observando isso, a efici\u00eancia dos insumos utilizados (sementes, adubos, irriga\u00e7\u00e3o) e o capital investido v\u00e3o apresentar efici\u00eancia surpreendentemente muito maior, em benef\u00edcio geral: produtor, consumidor, na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Por Jo\u00e3o Vitor Santos<\/em><\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>[1] <strong>Ana Primavesi<\/strong> sempre aliou suas pesquisas laboratoriais a pr\u00e1ticas de campo, seja trabalhando com grupos de agricultores ou mesmo no s\u00edtio de propriedade da fam\u00edlia. (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[2] <strong>Fitomassa<\/strong>: \u00e9 o conjunto de toda a massa da planta, que \u00e9 a biomassa (massa viva) constitu\u00edda por o peso do corpo vegetal presente numa dada \u00e1rea. \u00c9 uma medida, expressa em g\/m\u00b2 ou t\/ tem, usado para a an\u00e1lise quantitativa da vegeta\u00e7\u00e3o que cobre um territ\u00f3rio. (Nota da<strong> IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[3] <strong>Cl\u00edmax<\/strong> (perspectiva da Biologia): \u00e9 o \u00faltimo est\u00e1gio alcan\u00e7ado por comunidades ecol\u00f3gicas ao longo da sucess\u00e3o ecol\u00f3gica. Na sucess\u00e3o, primeiramente t\u00eam-se ambientes desprovidos de vegeta\u00e7\u00e3o, seguidos por popula\u00e7\u00f5es pioneiras (ou eceses), posteriormente as intermedi\u00e1rias (ou seres), at\u00e9 que alcance o cl\u00edmax. Este est\u00e1gio \u00e9 caracterizado por compreender esp\u00e9cies que s\u00e3o as melhores competidoras da comunidade local. Geralmente as esp\u00e9cies vegetais clim\u00e1xicas s\u00e3o de maior porte, al\u00e9m de mostrar alta efici\u00eancia entre produ\u00e7\u00e3o e consumo de nutrientes. No est\u00e1gio cl\u00edmax, quando uma esp\u00e9cie \u00e9 extinta, outra esp\u00e9cie t\u00edpica de cl\u00edmax a substitui, mantendo a ciclagem entre as comunidades de florestas e outros habites de topo na sucess\u00e3o ecol\u00f3gica. Comunidade cl\u00edmax representa uma situa\u00e7\u00e3o natural em que a comunidade permanece com um n\u00edvel est\u00e1vel em frequ\u00eancia de esp\u00e9cies (biodiversidade). (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[4] <strong>NPK<\/strong>: \u00e9 uma sigla utilizada em estudos de agricultura, que designa a rela\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas nutrientes principais para as plantas (nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio), tamb\u00e9m chamados de macronutrientes, na composi\u00e7\u00e3o de um fertilizante. (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[5] <strong>Extensionista<\/strong>: \u00e9 aquele que baseia-se em experi\u00eancias ou ideias promissoras, as divulga com o objetivo de encontrar solu\u00e7\u00f5es para problemas parecidos, adaptando-as sempre \u00e0s novas realidades que vai encontrando. Na \u00e1rea rural, atuam como uma esp\u00e9cie de consultores numa ponte entre agricultores, pesquisas e t\u00e9cnicas desenvolvidas. (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[6] <strong>Ozonosfera<\/strong> (camada de oz\u00f4nio): \u00e9 uma regi\u00e3o da estratosfera terrestre que concentra altas quantidades de oz\u00f4nio (g\u00e1s formado a partir da combina\u00e7\u00e3o de tr\u00eas \u00e1tomos de oxig\u00eanio). Localizada entre 15 e 35 quil\u00f4metros de altitude e com cerca de 10 km de espessura, cont\u00e9m aproximadamente 90% do oz\u00f4nio atmosf\u00e9rico. (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[7] <strong>L\u00edquens<\/strong>: seres vivos muito simples que constituem uma simbiose de um organismo formado por um fungo (o micobionte) e uma alga ou cianobact\u00e9ria (o fotobionte). (Nota da IHU On-Line)<br \/>\n[8] Fitoalexinas: s\u00e3o compostos antimicrobianos que se acumulam em concentra\u00e7\u00f5es elevadas em algumas plantas ap\u00f3s infec\u00e7\u00f5es bacterianas ou f\u00fangicas e ajudar a limitar a propaga\u00e7\u00e3o do agente patog\u00e9nico. (Nota da<strong> IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[9] <strong>Alelopatia<\/strong>: termo criado em 1937 pelo pesquisador austr\u00edaco Hans Molisch com a uni\u00e3o das palavras gregas all\u00e9lon (m\u00fatuo) e pathos (preju\u00edzo). Este fen\u00f4meno j\u00e1 era relatado desde a antiguidade e tem se tornado objeto de estudos de diversos pesquisadores ao longo dos s\u00e9culos. Atualmente, alelopatia \u00e9 definida como: \u201cprocesso que envolve metab\u00f3litos secund\u00e1rios produzidos por plantas, algas, bact\u00e9rias e fungos que influenciam o crescimento e desenvolvimento de sistemas biol\u00f3gicos. \u00c9 a capacidade de as plantas, superiores ou inferiores, produzirem subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que, liberadas no ambiente de outras, influenciam de forma favor\u00e1vel ou desfavor\u00e1vel o seu desenvolvimento. (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[10] <strong>Fertilizantes ou adubos<\/strong> (sint\u00e9ticos ou org\u00e2nicos): s\u00e3o qualquer tipo de subst\u00e2ncia aplicada ao solo ou tecidos vegetais (geralmente as folhas) para prover um ou mais nutrientes essenciais ao crescimento das plantas. S\u00e3o aplicados na agricultura com o intuito de melhorar a produ\u00e7\u00e3o. No Brasil, \u00e9 comum referir-se aos fertilizantes como &#8220;adubo sint\u00e9tico&#8221; e, simplesmente &#8220;adubo&#8221;, ou esterco animal para fertilizantes de origem org\u00e2nica. Os principais fertilizantes nitrogenados sint\u00e9ticos s\u00e3o derivados da am\u00f4nia anidra. (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[11] <strong>Agricultura biodin\u00e2mica<\/strong>: \u00e9 um m\u00e9todo de agricultura biol\u00f3gica com base nas teorias de Rudolf Steiner, fundador da antroposofia. Este tipo de agricultura considera as fazendas como organismos complexos. Enfatiza o equil\u00edbrio de seu desenvolvimento integral e a inter-rela\u00e7\u00e3o de solo, plantas e animais como um autonutrici\u00f3n sistema sem interven\u00e7\u00e3o externa na medida do poss\u00edvel, tendo em conta a perda de nutrientes devido ao vazamento de alimentos fora da fazenda. (Nota da<strong> IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[12] <strong>Rizosfera<\/strong>: \u00e9 a regi\u00e3o onde o solo e as ra\u00edzes das plantas entram em contato. O n\u00famero de microrganismos na raiz e \u00e0 sua volta \u00e9 muito maior do que no solo livre; os tipos de microrganismos na rizosfera tamb\u00e9m diferem do solo livre de raiz. (Nota da<strong> IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[13] O termo \u201c<strong>meso<\/strong>\u201d \u00e9 empregado pela entrevistada no sentido de postura mediana; coloca\u00e7\u00e3o imparcial entre medidas extremas. No caso, entre micro e macro. (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[14] <strong>Intemperismo<\/strong>: conjunto de fen\u00f4menos f\u00edsicos e qu\u00edmicos que levam \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o e o enfraquecimento das rochas. (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[15] <strong>Teoria da Trofobiose<\/strong>: diz que uma planta desequilibrada nutricionalmente torna-se mais suscet\u00edvel a pragas e pat\u00f3genos. A aduba\u00e7\u00e3o mineral e o uso de agrot\u00f3xicos provocam inibi\u00e7\u00e3o na s\u00edntese de prote\u00ednas, causando ac\u00famulo de nitrog\u00eanio e amino\u00e1cidos livres no suco celular e na seiva da planta, alimento que pragas e pat\u00f3genos utilizar\u00e3o para se proliferar. O primeiro e formular a teoria foi Francis Chaboussou. (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[16] <strong>Francis Chaboussou<\/strong>: pesquisador franc\u00eas autor da Teoria da Trofobiose que, na d\u00e9cada de 1970, lan\u00e7ou um dos pilares da agroecologia. Formado em biologia pela Universidade de Bordeaux, na Fran\u00e7a, foi pesquisador do Institut National de la Recherche Agronomique e da Esta\u00e7\u00e3o de Zoologia do Centro de Pesquisas Agron\u00f4micas de Bordeaux. (Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[17] <strong>Calda bordalesa<\/strong> ou mistura de Bordeaux: \u00e9 um fungicida agr\u00edcola tradicional, composto de sulfato de cobre, cal hidratada ou cal virgem e \u00e1gua, em simples mistura. (Nota da<strong> IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[18]<strong> Laudato Si&#8217;<\/strong> (portugu\u00eas: Louvado sejas; subt\u00edtulo: &#8220;Sobre o Cuidado da Casa Comum&#8221;): enc\u00edclica do Papa Francisco, na qual critica o consumismo e desenvolvimento irrespons\u00e1vel e faz um apelo \u00e0 mudan\u00e7a e \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o global das a\u00e7\u00f5es para combater a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Publicada oficialmente em 18 de junho de 2015, mediante grande interesse das comunidades religiosas, ambientais e cient\u00edficas internacionais, dos l\u00edderes empresariais e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, o documento \u00e9 a segunda enc\u00edclica publicada por Francisco. A primeira foi Lumen fidei em 2013. No entanto, Lumen fidei \u00e9 na sua maioria um trabalho de Bento XVI. Por isso Laudato S\u00ed\u2019 \u00e9 vista como a primeira enc\u00edclica inteiramente da responsabilidade de Francisco. A revista IHU On-Line publicou uma edi\u00e7\u00e3o em que analisa debate a Enc\u00edclica. Confira <a href=\"http:\/\/bit.ly\/1NqbhAJ%20\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.\u00a0(Nota da <strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>Fonte: IHU On-Line<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Observar, conhecer e integrar. 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