{"id":41592,"date":"2016-05-08T14:57:47","date_gmt":"2016-05-08T17:57:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41592"},"modified":"2016-05-08T14:57:47","modified_gmt":"2016-05-08T17:57:47","slug":"rincossauro-torto-ancestral-dos-crocodilos-e-das-aves-e-descrito-apos-40-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/rincossauro-torto-ancestral-dos-crocodilos-e-das-aves-e-descrito-apos-40-anos\/","title":{"rendered":"Rincossauro &#8220;torto&#8221;, ancestral dos crocodilos e das aves, \u00e9 descrito ap\u00f3s 40 anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-41593\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O mais recente trof\u00e9u da paleontologia brasileira n\u00e3o \u00e9 um dinossauro, mas uma esp\u00e9cie at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida de rincossauro, um r\u00e9ptil herb\u00edvoro pertencente \u00e0 linhagem ancestral dos crocodilos e das aves. A novidade ganhou o nome de <i>Brasinorhynchus mariantensis<\/i>.<\/p>\n<p>O brasinorrinco viveu no Rio Grande do Sul h\u00e1 cerca de 238 milh\u00f5es de anos, em meados do Tri\u00e1ssico, per\u00edodo imediatamente anterior ao do surgimento dos dinossauros. Quando os primeiros dinossauros apareceram nos pampas, cerca de 7 milh\u00f5es de anos depois, sabe-se que por l\u00e1 pastavam manadas de rincossauros, por\u00e9m nenhum deles parecido com o brasinorrinco.<\/p>\n<p>Isto o torna a um s\u00f3 tempo o mais antigo e o mais bizarro exemplar de rincossauro da Am\u00e9rica do Sul, al\u00e9m de ser o primeiro exemplar a dividir afinidades inequ\u00edvocas com os rincossauros que pastavam na \u00c1frica, mais uma evid\u00eancia da uni\u00e3o dos continentes austrais no supercontinente Gondwana.<\/p>\n<p>O trabalho de descri\u00e7\u00e3o \u00e9 de autoria dos paleont\u00f3logos Cesar Schultz, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Max Langer, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e Felipe Montefeltro, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).<\/p>\n<p>O artigo publicado no <b><a href=\"http:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs12542-016-0307-7\"><i>Pal\u00e4ontologische Zeitschrift<\/i><\/a><\/b>\u00a0\u00e9 resultado de um estudo que conta com apoio da FAPESP por meio do Projeto Tem\u00e1tico &#8220;<b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/en\/auxilios\/85231\/the-origin-and-rise-of-dinosaurs-in-gondwana-late-triassic-early-jurassic\">The origin and rise of dinosaurs in Gondwana (late Triassic &#8211; early Jurassic)<\/a><\/b>&#8220;.<\/p>\n<p>A nova esp\u00e9cie foi descrita com base em um cr\u00e2nio um tanto deformado coletado nos anos 1970. \u201cSabia da exist\u00eancia daquele cr\u00e2nio desde 1980, quando entrei no Setor de Paleovertebrados da UFRGS. Comecei a olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para aquele \u2018rincossauro torto\u2019 a partir de 1987, quando comecei o doutorado\u201d, contou Schultz.<\/p>\n<p>\u201cNa \u00e9poca, estudava o modo como a fossiliza\u00e7\u00e3o t\u00edpica do per\u00edodo Tri\u00e1ssico do Rio Grande do Sul deformava alguns f\u00f3sseis, a ponto de fazer com que pertencessem a t\u00e1xons diferentes. Entretanto, aquele cr\u00e2nio, apesar de estar claramente comprimido lateralmente, n\u00e3o era de modo algum semelhante aos outros rincossauros ga\u00fachos que j\u00e1 conhec\u00edamos. Era mais comprido do que largo, exatamente o oposto \u00e0 morfologia craniana dos rincossauros mais comuns no Rio Grande, mais largos do que compridos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Schultz conta que o f\u00f3ssil do brasinorrinco foi achado em Mariante, um distrito do munic\u00edpio de Ven\u00e2ncio Aires (RS) e quase foi descartado, pois havia muitos outros rincossauros. Mas os paleont\u00f3logos resolveram retirar o f\u00f3ssil, que saiu inteiro e foi levado para um laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Em 1991, Schultz incluiu em sua tese de doutorado os primeiros estudos sobre os esp\u00e9cimes do <i>Brasinorhynchus<\/i>. \u201cFiz uma descri\u00e7\u00e3o preliminar\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em 1995, Schultz, j\u00e1 como orientador do Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Geoci\u00eancias da UFRGS, teve Max Langer como seu primeiro orientando de mestrado, sendo que o projeto deste, \u00e9 claro, acabou se dirigindo aos rincossauros. Entretanto, o objetivo de Max n\u00e3o era a descri\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica de novos esp\u00e9cimes, mas a an\u00e1lise filogen\u00e9tica dos rincossauros.<\/p>\n<p>Desse modo, o ent\u00e3o conhecido \u201crincossauro de Mariante\u201d foi analisado junto com os demais, mas n\u00e3o teve a sua publica\u00e7\u00e3o formal conclu\u00edda. Essa tarefa foi repassada a um novo estudante de mestrado, alguns anos depois. Este iniciou o trabalho, mas acabou se desinteressando. Com isso, o brasinorrinco voltou mais uma vez para a prateleira e l\u00e1 permaneceu por quase 20 anos.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, Felipe Montefeltro realizou seu mestrado, sob orienta\u00e7\u00e3o de Langer. Durante o trabalho de Montefeltro, novamente o \u201crincossauro de Mariante\u201d foi citado e usado nas compara\u00e7\u00f5es, embora seguisse sem ter ainda a sua pr\u00f3pria identidade formal.<\/p>\n<p>Camaradagem argentina<\/p>\n<p>Em 2016, esta longa novela cient\u00edfica chega finalmente \u00e0 sua conclus\u00e3o. \u201cColegas argentinos me avisaram que encontraram um animal semelhante e que j\u00e1 haviam come\u00e7ado a descrev\u00ea-lo. Como eles sabiam da exist\u00eancia desse f\u00f3ssil brasileiro, disseram que aguardariam nossa descri\u00e7\u00e3o ser publicada para publicar a deles\u201d, disse Schultz, destacando o exemplo de camaradagem cient\u00edfica do grupo argentino.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s tr\u00eas nos reunimos e fizemos um esfor\u00e7o concentrado de pesquisa para descrever e publicar o trabalho o mais r\u00e1pido poss\u00edvel,\u201d explica o mineiro Langer, chefe do Laborat\u00f3rio de Paleontologia da USP de Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n<p>\u201cO brasinorrinco deve ter tido o tamanho de um porco grande. Com o rabo, teria uns 3 metros de comprimento. Seu cr\u00e2nio, afilado, estreito e alto, lembra um pouco o cr\u00e2nio de um cavalo\u201d, disse Langer.<\/p>\n<p>Como todos os rincossauros, o brasinorrinco possu\u00eda um bico (<i>rhynchus<\/i>, em grego) \u00f3sseo que empregava para abocanhar e cortar a vegeta\u00e7\u00e3o, como se fosse uma faca. Seus dentes eram diminutos, pr\u00f3prios para macerar o alimento. \u201cNa fauna atual, n\u00e3o h\u00e1 animais com esse tipo de denti\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Langer.<\/p>\n<p>No Tri\u00e1ssico m\u00e9dio, os pampas eram lar de animais que pareceriam muitos estranhos aos nossos olhos. N\u00e3o eram dinossauros, nem mam\u00edferos, nem crocodilos, lagartos, tartarugas ou aves. Todas essas formas de vida ainda estavam por evoluir.<\/p>\n<p>Quem dominava aquela antiga paisagem eram r\u00e9pteis primitivos. No registro f\u00f3ssil do Rio Grande do Sul no Tri\u00e1ssico m\u00e9dio, h\u00e1 238 milh\u00f5es de anos, havia de um lado os dicinodontes e cinodontes. Estes \u00faltimos foram possivelmente os ancestrais de todos os mam\u00edferos.<\/p>\n<p>Do outro lado estavam os arcossauromorfos, de cuja linhagem evolu\u00edram os crocodilos e as aves. Os rincossauros pertenciam a esse grupo, juntamente com o maior predador da \u00e9poca, um terr\u00edvel carn\u00edvoro do tamanho de um grande crocodilo, o <i>Prestosuchus<\/i>.<\/p>\n<p>J\u00e1 no registro f\u00f3ssil ga\u00facho do Tri\u00e1ssico superior, h\u00e1 231 milh\u00f5es de anos, os dicinodontes desaparecem, assim como o <i>Prestosuchus<\/i>. Mas os rincossauros, ao contr\u00e1rio, se tornam abundantes. \u00c9 nesse momento que surge, de forma ainda t\u00edmida, um novo grupo de animais destinado a dominar o planeta pelos 150 milh\u00f5es de anos seguintes.<\/p>\n<p>Eram os primeiros dinossauros, cujos exemplares mais antigos s\u00e3o achados na Argentina e no Rio Grande do Sul. E cujas primeiras formas carn\u00edvoras se alimentavam, provavelmente, de rincossauros.<\/p>\n<p>O artigo <i>A new rhynchosaur from south Brazil (Santa Maria Formation) and rhynchosaur diversity patterns across the Middle-Late Triassic boundary<\/i> (doi: 10.1007\/s12542-016-0307-7 ), de Cesar Leandro Schultz, Max Cardoso Langer e Felipe Chinaglia Montefeltro, publicado no <i>Pal\u00e4ontologische Zeitschrift<\/i>, pode ser lido em: <b><a href=\"http:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs12542-016-0307-7\" target=\"_blank\">link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs12542-016-0307-7<\/a><\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mais recente trof\u00e9u da paleontologia brasileira n\u00e3o \u00e9 um dinossauro, mas uma esp\u00e9cie at\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41593,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rincossauro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O mais recente trof\u00e9u da paleontologia brasileira n\u00e3o \u00e9 um dinossauro, mas uma esp\u00e9cie at\u00e9","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41592"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41592\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41593"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}