{"id":41589,"date":"2016-05-08T14:54:22","date_gmt":"2016-05-08T17:54:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41589"},"modified":"2016-05-08T14:54:22","modified_gmt":"2016-05-08T17:54:22","slug":"fazenda-gaucha-produz-arroz-de-qualidade-sem-agrotoxico-e-adubos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fazenda-gaucha-produz-arroz-de-qualidade-sem-agrotoxico-e-adubos\/","title":{"rendered":"Fazenda ga\u00facha produz arroz de qualidade sem agrot\u00f3xico e adubos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-41590\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A fazenda ga\u00facha Cap\u00e3o Alto das Cri\u00favas, no munic\u00edpio de Sentinela do Sul, produz mais de mil toneladas de arroz por ano, sem usar agrot\u00f3xico nem adubo convencional.<\/p>\n<p>\u00c9 uma fazenda modelo em agricultura biodin\u00e2mica. Esse sistema, que trabalha em harmonia com a natureza, foi desenvolvido h\u00e1 quase um s\u00e9culo e \u00e9 hoje praticado no mundo todo.<\/p>\n<p>A colheita \u00e9 tempo de muito trabalho. A fam\u00edlia Volkmann produz arroz na terra h\u00e1 mais de 30 anos.\u00a0 O cultivo \u00e9 feito em \u00e1reas de v\u00e1rzea, onde a planta cresce dentro da \u00e1gua. A lavoura tem 200 hectares.\u00a0 Metade na fazenda e metade em \u00e1reas arrendadas ao redor.<\/p>\n<p>\u201cA m\u00e9dia de produtividade varia muito em fun\u00e7\u00e3o das variedades. O agulhinha pode chegar a m\u00e9dia de 7 a 7500 kg\/h\u00e1\u201d, diz Jo\u00e3o Volkmann, agricultor.<\/p>\n<p>A fazenda pertence a oito irm\u00e3os. Jo\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 agr\u00f4nomo, \u00e9 quem cuida da propriedade.\u00a0 Ele explica que toda a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 beneficiada no local e \u00e9 a pr\u00f3pria fam\u00edlia quem faz a comercializa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAgulhinha, negro, cateto, nas vers\u00f5es polido, integral e misturado. S\u00e3o as variedades e formas de beneficiar o arroz, da fazenda Cap\u00e3o Alto das Cri\u00favas, que produz por ano, algo em torno de mil toneladas de arroz.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 produzido seguindo os conceitos da biodin\u00e2mica, sistema de produ\u00e7\u00e3o nascido na Alemanha no come\u00e7o do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>\u201cOs cultivadores de alfafa tinham o costume de semear e durante 18 anos consecutivos cortar aquele mesmo p\u00e9 de alfafa. Ao final dos anos 1800 e come\u00e7o de 1900, as plantas j\u00e1 n\u00e3o duravam 18 anos. A perda de vigor de vitalidade nas plantas&#8230;\u201d, explica Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>Os agricultores decidiram pedir ajuda a um austr\u00edaco que tinha conceitos e ideias inovadoras para a educa\u00e7\u00e3o, espiritualidade e at\u00e9 para a medicina: Rudolf Steiner, criador da antroposofia e da pedagogia Waldorf. Steiner fez uma s\u00e9rie de oito palestras na Alemanha, que originaram os conceitos e pr\u00e1ticas dessa agricultura feita em parceria com o meio ambiente.<\/p>\n<p>A biodin\u00e2mica respeita os processos que naturalmente acontecem no solo, nas plantas, nos animais. Dentro desse contexto, o homem funciona como um maestro que rege, orienta e auxilia aquilo que a natureza faz com perfei\u00e7\u00e3o e de gra\u00e7a. \u00c9 um sistema onde sustentabilidade n\u00e3o \u00e9 meramente um conceito, e sim uma pr\u00e1tica cotidiana.<\/p>\n<p>Como na agricultura org\u00e2nica, a biodin\u00e2mica n\u00e3o usa veneno ou adubos convencionais, mas tamb\u00e9m segue outras regras que esta reportagem traz adiante. A primeira delas \u00e9 tratar a propriedade como um organismo onde tudo est\u00e1 integrado. Para isso \u00e9 preciso construir uma paisagem.<\/p>\n<p><strong>PAISAGEM<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTodos os ambientes da paisagem contribuem de alguma forma. A \u00e1rea de pasto vai servir para os animais, a \u00e1rea mais f\u00e9rtil para a produ\u00e7\u00e3o dos cereais, a \u00e1rea mais \u00edngreme para a produ\u00e7\u00e3o de madeira, que \u00e9 usada para a produ\u00e7\u00e3o de energia e secagem do arroz e tamb\u00e9m para as constru\u00e7\u00f5es, e assim a gente pode proteger a mata nativa\u201d, explica.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de reserva florestal da fazenda \u00e9 de 35%, 15% mais do que exige a lei. O que garante a presen\u00e7a de muitos animais silvestres, como os simp\u00e1ticos bugios que aparecem todo dia para comer os frutos de uma imensa figueira.<\/p>\n<p>Um estudo realizado pela Universidade estadual do <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/rio-grande-do-sul\">Rio Grande do Sul<\/a> encontrou uma grande variedade de animais silvestres. S\u00f3 de p\u00e1ssaros foram 246 esp\u00e9cies.<\/p>\n<p><strong>AUTOSSUFICI\u00caNCIA COM SUSTENTABILIDADE<\/strong><\/p>\n<p>A riqueza ambiental nos leva \u00e0 segunda regra da biodin\u00e2mica. A ideia \u00e9 que fazenda seja independente e produza tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para o funcionamento da propriedade. Por isso, toda fazenda biodin\u00e2mica tem que criar animais. Na fazenda se trabalha com vacas e b\u00fafalas.<\/p>\n<p>\u201cSe adapta mais \u00e0 ecologia da regi\u00e3o do que o gado europeu. A b\u00fafala d\u00e1 cria em janeiro e fevereiro quando h\u00e1 sobra de pasto muito grande\u201d.<br \/>\nOs animais t\u00eam outra fun\u00e7\u00e3o importante: produzir esterco. Depois da colheita do arroz, ra\u00edzes e a palhada ficam no campo. Durante o inverno, os animais entram na \u00e1rea de lavoura para comer a resteva.<\/p>\n<p>\u201cE fazem o processamento da palha. Imagina se tivesse que pegar o fac\u00e3o, picar toda essa palha, triturar e fazer o que \u00e9 um esterco?\u201d.<\/p>\n<p>O processo de compostagem do esterco com a palha acontece naturalmente na lavoura. Assim, temos outra regra da biodin\u00e2mica: construir fertilidade no solo, produzindo h\u00famus.<\/p>\n<p><strong>H\u00daMUS<\/strong><\/p>\n<p>O h\u00famus, a parte que tem mais mat\u00e9ria org\u00e2nica vai estar bem na superf\u00edcie e a tend\u00eancia \u00e9 que vai aprofundando o solo vai ficando mais pobre at\u00e9 chegar na argila pura, que \u00e9 o solo mais mineral.<\/p>\n<p>Funciona assim: as folhas, galhos e flores que caem no ch\u00e3o passam por um processo de decomposi\u00e7\u00e3o feito por minhocas, insetos, microorganismos e fungos que vivem no solo. S\u00e3o eles que transformam tudo em h\u00famus. Um trabalho lento, mas que pode ser perdido rapidamente:<\/p>\n<p>\u201cUm ano voc\u00ea consegue diminuir em 1% a mat\u00e9ria org\u00e2nica. E para recuperar esse 1% de mat\u00e9ria org\u00e2nica voc\u00ea leva 10 anos\u201d, alerta. Para auxiliar os processos naturais, Rudolph Steiner desenvolveu alguns produtos: os preparados biodin\u00e2micos.<\/p>\n<p><strong>PREPARADOS BIODIN\u00c2MICOS<\/strong><\/p>\n<p>Eles s\u00e3o feitos com ervas medicinais, esterco, cristais e alguns \u00f3rg\u00e3os animais, como explica Sebastian Calquin, genro do agricultor Jo\u00e3o. Ele \u00e9 chileno, mas j\u00e1 fala bom portugu\u00eas:<\/p>\n<p>\u201cOs preparados biodin\u00e2micos t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de apoiar os processos biol\u00f3gicos que acontecem no solo, que s\u00e3o a base da fertilidade do solo, e tamb\u00e9m os processos que acontecem na planta, que permitem produzir um alimento vital, um alimento com vitalidade\u201d.<br \/>\nH\u00e1 dois tipos de preparado: os de ervas medicinais s\u00e3o usados para compostagem: \u201cA gente consegue produzir um composto que \u00e9 nutritivo e consegue aportar o que cada planta precisa para o seu desenvolvimento\u201d, diz.<\/p>\n<p>O outro grupo de preparados s\u00e3o os feitos com chifre de vaca, como o chifre esterco: \u201cN\u00f3s colocamos em um chifre, de uma vaca que j\u00e1 pariu, esterco de uma vaca que tamb\u00e9m j\u00e1 pariu, ele fica durante um tempo enterrado na terra e n\u00f3s usamos esse preparado para ajudar nos processos de decomposi\u00e7\u00e3o na terra\u201d, explica.<\/p>\n<p>Tem tamb\u00e9m o chifre s\u00edlica, feito da mesma forma, s\u00f3 que com cristais mo\u00eddos.<br \/>\nAntes de ir para o campo, os preparados t\u00eam que ser dinamizados. Processo em que uma pequena quantidade do produto \u00e9 colocada na \u00e1gua e agitada por uma hora. Assim, se transfere para a calda todas as energias que a s\u00edlica e o esterco absorveram da natureza durante o per\u00edodo em que ficaram enterrados.<\/p>\n<p>\u201cEle vai trazer tudo aquilo que ficou esquecido. Qualidade, aroma, sabor, cor, durabilidade na prateleira\u201d, explica Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>O uso dos preparados mudou a paisagem da fazenda. Ela pertence \u00e0 fam\u00edlia Volkmann h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, mas passou anos arrendada para o cultivo convencional de arroz e soja.<\/p>\n<p>\u201cAs \u00e1reas \u00edngremes que estavam muito dilaceradas, com muito problema de eros\u00e3o. Ent\u00e3o tratamos de ter pecu\u00e1ria na parte de cima, com ro\u00e7adas e aplica\u00e7\u00e3o de preparados e regenerando, regenerando lentamente\u201d, conta.<\/p>\n<p>Hoje a fazenda \u00e9 um modelo de agricultura biodin\u00e2mica. Recebe gente do Brasil e do mundo todo para aprender sobre o sistema.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o assunto da segunda parte da reportagem, onde voc\u00ea tamb\u00e9m conhece a nova gera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Volkmann, que j\u00e1 trabalha para ampliar e diversificar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fazenda ga\u00facha Cap\u00e3o Alto das Cri\u00favas, no munic\u00edpio de Sentinela do Sul, produz mais<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41590,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/arrozal.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A fazenda ga\u00facha Cap\u00e3o Alto das Cri\u00favas, no munic\u00edpio de Sentinela do Sul, produz mais","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41589"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41589\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}