{"id":41435,"date":"2016-05-06T10:00:20","date_gmt":"2016-05-06T13:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41435"},"modified":"2016-05-06T13:57:35","modified_gmt":"2016-05-06T16:57:35","slug":"um-navio-para-matar-animais-com-bombas-atomicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/um-navio-para-matar-animais-com-bombas-atomicas\/","title":{"rendered":"Um navio para matar animais com bombas at\u00f4micas e radia\u00e7\u00e3o ionizante"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/expedicao_atomico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-41436\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/expedicao_atomico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/expedicao_atomico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/expedicao_atomico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A imagem era surrealista. Porta-avi\u00f5es e <em>destroyers<\/em> (navios de guerra) repletos de cabras, porcos e ratos flutuavam nas paradis\u00edacas \u00e1guas do atol de Bikini, no oceano Pac\u00edfico, em julho de 1946. O Governo dos <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\/a\/\">EUA<\/a> havia expulsado os 167 nativos das ilhas para bombarde\u00e1-las com duas armas nucleares de 20 quilotons cada uma \u2013 superiores, portanto, ao artefato de 15 quilotons detonado em Hiroshima. Em 1<sup>o<\/sup>. de julho, os militares lan\u00e7aram em Bikini a <em>bomba Gilda<\/em>, com a imagem gravada da personagem hom\u00f4nima interpretada por Rita Hayworth no <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cine\/a\/\">cinema<\/a>. O an\u00fancio do filme, que estreou naquele mesmo ano, proclamava: \u201cBela, mortal&#8230; usando todas as armas de uma mulher\u201d.<\/p>\n<p>Em 25 de julho, atiraram a segunda, batizada Helena de Bikini, numa alus\u00e3o a Helena de Troia, a mulher que fez tantos her\u00f3is da mitologia grega sucumbirem. Ambas as bombas geraram colunas radiativas de \u00e1gua e coral pulverizado que banharam os assustados animais nas embarca\u00e7\u00f5es. Os que n\u00e3o morreram torrados pelas explos\u00f5es foram fulminados nos dias seguintes pelas fortes doses de radia\u00e7\u00e3o ionizante.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><a class=\"enlace\" title=\"ampliar foto\"> <img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Militares observam o teste nuclear Able, em 1o. de julho de 1946, no atol de Bikini.\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2016\/05\/04\/ciencia\/1462381055_370213_1462383281_sumario_normal.jpg\" srcset=\" http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2016\/05\/04\/ciencia\/1462381055_370213_1462383281_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2016\/05\/04\/ciencia\/1462381055_370213_1462383281_sumario_normal_recorte2.jpg 720w , http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2016\/05\/04\/ciencia\/1462381055_370213_1462383281_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Militares observam o teste nuclear Able, em 1o. de julho de 1946, no atol de Bikini.\" width=\"640\" height=\"482\" \/> <span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span> <\/a><figcaption class=\"foto-pie\">Militares observam o teste nuclear Able, em 1o. de julho de 1946, no atol de Bikini. <span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">NHHC<\/span> <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A chamada Opera\u00e7\u00e3o Crossroads envolveu uma frota de 242 navios, 42.000 pessoas, 156 avi\u00f5es e mais de 5.000 animais, com o objetivo oficial de estudar os efeitos de um ataque nuclear, mas com o desejo oculto de mostrar for\u00e7a \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Quase 100 navios, muitos deles capturados dos alem\u00e3es e japoneses, foram bombardeados com a quarta e a quinta bombas at\u00f4micas da hist\u00f3ria, depois da do teste Trinity em Alamogordo (EUA) e das de Hiroshima e Nagasaki. E um daqueles navios de Bikini, o porta-avi\u00f5es <em>USS Independence<\/em>, afundado a 830 metros de profundidade, ressuscita agora gra\u00e7as a uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a primeira vez que se estuda em \u00e1guas profundas um fragmento da Opera\u00e7\u00e3o Crossroads\u201d, diz o arque\u00f3logo marinho <a href=\"http:\/\/sanctuaries.noaa.gov\/maritime\/contact_us.html\" target=\"_blank\">James Delgado<\/a>, chefe da expedi\u00e7\u00e3o. Esse cientista da Administra\u00e7\u00e3o Nacional Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica dos EUA \u00e9 um ca\u00e7ador de naufr\u00e1gios. Encontrou o <em>Carpathia<\/em>, que resgatou os sobreviventes do <em>Titanic<\/em>; o <em>Mary Celeste<\/em>, um bergantim fantasma que foi encontrado navegando sem tripula\u00e7\u00e3o em 1872; e o <em>Maud<\/em>, empregado no \u00c1rtico pelo explorador noruegu\u00eas Roald Amundsen.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2015, gra\u00e7as a um submarino cedido pela companhia Boeing, Delgado e sua equipe descobriram os restos do <em>USS Independence<\/em> nas \u00e1guas do ref\u00fagio marinho da ba\u00eda de Monterrey, na costa da Calif\u00f3rnia. Agora, a revista especializada <em>Journal of Maritime Archaeology<\/em> publica a <a href=\"http:\/\/link.springer.com\/journal\/11457\/11\/1\/page\/1\" target=\"_blank\">autopsia do porta-avi\u00f5es<\/a> e os documentos, <a href=\"http:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s11457-016-9158-3\" target=\"_blank\">finalmente liberados de sigilo<\/a>, que detalham seu papel nos prim\u00f3rdios da Guerra Fria.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><a class=\"enlace\" title=\"ampliar foto\"> <img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Militares observam o \u2018USS Independence\u2019 ap\u00f3s a detona\u00e7\u00e3o de 1o. de julho de 1946.\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2016\/05\/04\/ciencia\/1462381055_370213_1462383678_sumario_normal.jpg\" srcset=\" http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2016\/05\/04\/ciencia\/1462381055_370213_1462383678_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2016\/05\/04\/ciencia\/1462381055_370213_1462383678_sumario_normal_recorte2.jpg 720w , http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2016\/05\/04\/ciencia\/1462381055_370213_1462383678_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Militares observam o \u2018USS Independence\u2019 ap\u00f3s a detona\u00e7\u00e3o de 1o. de julho de 1946.\" width=\"640\" height=\"398\" \/> <span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span> <\/a><figcaption class=\"foto-pie\">Militares observam o \u2018USS Independence\u2019 ap\u00f3s a detona\u00e7\u00e3o de 1o. de julho de 1946. <span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">NHHC<\/span> <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>O barco ainda exibe sinais dos testes nucleares em Bikini. A primeira explos\u00e3o, uma atmosf\u00e9rica a 600 metros de dist\u00e2ncia, varreu sua coberta, seus avi\u00f5es, suas cabras, seus porcos e seus ratos. Os torpedos armazenados na popa explodiram. De maneira irrespons\u00e1vel, os chefes militares enviaram pouco depois jovens soldados, alguns de 18 anos, ao <em>USS Independence<\/em> e aos demais navios radiativos para reporem os animais e os equipamentos destru\u00eddos. A segunda bomba, submarina e a 1.300 metros do porta-avi\u00f5es, acabou de transformar o casco de navio em uma casca de ovo flutuante.<\/p>\n<p>\u201cOs efeitos da radia\u00e7\u00e3o mataram a maioria dos animais em todos os navios\u201d, afirma Delgado. Os testes serviram para confirmar, se havia d\u00favidas, que um ataque at\u00f4mico seria letal para a frota norte-americana. As t\u00e9tricas grava\u00e7\u00f5es da opera\u00e7\u00e3o, inclu\u00eddas no document\u00e1rio norte-americano <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PfS31cc4kmA\" target=\"_blank\"><em>Radio Bikini<\/em><\/a> (1988), mostram cabras em carne viva tentando comer palha ap\u00f3s sobreviver ao cogumelo nuclear.<\/p>\n<p>Depois da Opera\u00e7\u00e3o Crossroads, alguns dos navios que n\u00e3o afundaram, como o <em>USS Independence<\/em>, foram rebocados at\u00e9 San Francisco para que os efeitos das bombas fossem estudados detalhadamente e medidas de descontamina\u00e7\u00e3o fossem testadas. Ao chegar ao porto, a radia\u00e7\u00e3o do porta-avi\u00f5es alcan\u00e7ava os 60 milirrem a cada 24 horas, quando a dose normal que uma pessoa recebe \u00e9 de 620 milirrem ao ano, por fontes naturais e exames m\u00e9dicas.<\/p>\n<p>A embarca\u00e7\u00e3o serviu de plataforma para a escola de descontamina\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica da Marinha dos EUA, mas um dos seus documentos confidenciais de 1949 recomendou seu afundamento, porque o custo de eliminar os poluentes \u201csuperaria o valor da sucata do navio\u201d. Em 1951, o <em>USS Independence<\/em>, finalmente aproveitado como armaz\u00e9m de lixo radiativo, foi afundado em um lugar secreto e a suficiente profundidade para n\u00e3o estar ao alcance dos espi\u00f5es sovi\u00e9ticos. Outros 85 navios radiativos da Opera\u00e7\u00e3o Crossroads haviam sido lan\u00e7ados antes ao fundo do oceano. E l\u00e1 permanece a frota fantasma que deu o tiro de largada da <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/guerra_fria\/a\/\">Guerra Fria<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem era surrealista. 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