{"id":41430,"date":"2016-05-06T09:00:44","date_gmt":"2016-05-06T12:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41430"},"modified":"2016-05-05T21:14:39","modified_gmt":"2016-05-06T00:14:39","slug":"pesquisadores-desenvolvem-biomarcadores-para-monitorar-contaminacao-por-mercurio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-desenvolvem-biomarcadores-para-monitorar-contaminacao-por-mercurio\/","title":{"rendered":"Pesquisadores desenvolvem biomarcadores para monitorar contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-41432\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores est\u00e3o utilizando uma nova tecnologia para avaliar a presen\u00e7a de merc\u00fario em seres humanos e no ambiente amaz\u00f4nico. Eles utilizam metaloprote\u00ednas, prote\u00ednas que cont\u00eam \u00edons met\u00e1licos em sua forma\u00e7\u00e3o, como biomarcadores, e assim identificar a presen\u00e7a e a concentra\u00e7\u00e3o do metal pesado, uma subst\u00e2ncia neurot\u00f3xica. A vantagem do m\u00e9todo em desenvolvimento \u00e9 a possibilidade de monitorar a presen\u00e7a da subst\u00e2ncia no ambiente, antes que ela se torne um problema para a sa\u00fade das pessoas e animais.<\/p>\n<p>\u201cQueremos criar \u00edndices de vigil\u00e2ncia para monitorar o merc\u00fario\u201d, afirma o coordenador das pesquisas, Luiz Fabr\u00edcio Zara, qu\u00edmico da Universidade de Bras\u00edlia. \u201cHoje, o monitoramento s\u00f3 indica quando j\u00e1 existe o problema. Com os bioindicadores eu posso ver antes do problema acontecer\u201d, completa. J\u00e1 foram desenvolvidos biomarcadores para identificar a presen\u00e7a de merc\u00fario no leite materno e tamb\u00e9m que ilustram o transporte da subst\u00e2ncia da m\u00e3e para o filho durante a amamenta\u00e7\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m prote\u00ednas candidatas para estudos sobre a concentra\u00e7\u00e3o do merc\u00fario em peixes, que v\u00e3o servir para avaliar a presen\u00e7a do metal pesado no ambiente e na cadeia alimentar.<\/p>\n<p>As pesquisas s\u00e3o financiadas pela Hidrel\u00e9trica de Jirau, com dinheiro da verba que seria destinada \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel). Resultados parciais dos estudos, realizados por uma rede de pesquisadores de nove institui\u00e7\u00f5es brasileiras, foram apresentados em Manaus, nos duas 3 e 4 de maio, durante o Workshop do Projeto Biomarcadores de Toxidade de Merc\u00fario Aplicados ao Setor Hidrel\u00e9trico na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u201cNa Amaz\u00f4nia, inclusive Rond\u00f4nia, em fun\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o de garimpo, se criou a m\u00edstica de que ia brotar merc\u00fario quando se escavasse para construir as usinas e isso iria contaminar peixes e sedimentos. Mas n\u00e3o tinha estudos cient\u00edficos\u201d, diz Ver\u00edssimo Alves dos Santos Neto, gerente de Meio Ambiente de Jirau.<\/p>\n<p>Zara explica que a Bacia Amaz\u00f4nia \u00e9 rica em merc\u00fario naturalmente, devido a quest\u00f5es geol\u00f3gicas. \u00c9 certo tamb\u00e9m que, em algumas regi\u00f5es, a presen\u00e7a do merc\u00fario \u00e9 ainda maior devido ao garimpo. De qualquer forma, a presen\u00e7a deste elemento \u00e9 potencialmente danoso \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ribeirinha, porque al\u00e9m dos danos neurol\u00f3gicos que pode causar e tamb\u00e9m aos processos de bioacumula\u00e7\u00e3o e biomagnifica\u00e7\u00e3o. E \u00e9 justamente no principal recurso alimentar dessa popula\u00e7\u00e3o, os peixes, que o merc\u00fario se acumula atrav\u00e9s da cadeia alimentar e chega ao organismo humano. \u201cO peixe da Amaz\u00f4nia tem mais quantidade de merc\u00fario quando comparado com a de outras regi\u00f5es\u201d, afirma o pesquisador da UnB.<\/p>\n<p>Para comparar a presen\u00e7a de merc\u00fario na popula\u00e7\u00e3o, foram coletadas amostrar de tr\u00eas grupos de pessoas diferentes: ribeirinhos de comunidades pr\u00f3ximas a Manaus, onde o peixe \u00e9 a principal prote\u00edna animal consumida; da regi\u00e3o do Rio Madeira, uma \u00e1rea da Amaz\u00f4nia com presen\u00e7a de estradas, onde o consumo de carne vermelha e frango \u00e9 maior do que a de peixes regionais; e de Goi\u00e1s, onde o peixe \u00e9 ainda menos importante na alimenta\u00e7\u00e3o. Esses estudos confirmaram que a concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario em amostras de cabelo aumentam conforme o peixe \u00e9 mais importante na alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas os efeitos desta maior concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario no ambiente e no organismo ainda n\u00e3o foram esclarecidos pelos pesquisadores. Apesar de diretrizes da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade indicarem que uma concentra\u00e7\u00e3o acima de 14 mg de merc\u00fario por quilo pode causar danos neurol\u00f3gicos, os pesquisadores afirmam j\u00e1 ter encontrado pessoas com mais de 100 mg da subst\u00e2ncia por quilo, sem que ela apresentasse sintomas de intoxica\u00e7\u00e3o. Os pesquisadores ainda n\u00e3o sabem se os amaz\u00f4nidas realmente s\u00e3o capazes de suportar uma maior concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario no organismo ou se, simplesmente, a medicina ainda n\u00e3o desenvolveu um m\u00e9todo para avaliar corretamente os efeitos de uma intoxica\u00e7\u00e3o pelo metal pesado.<\/p>\n<p>\u201cO peixe \u00e9 fundamental para a sobreviv\u00eancia dessa popula\u00e7\u00e3o e ningu\u00e9m pode ser leviano a ponto de dizer para n\u00e3o comer peixe\u201d, esclarece o qu\u00edmico Wilson Jardim, da Universidade de Campinas, que realiza pesquisas sobre concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario na Amaz\u00f4nia. \u201cMas \u00e9 preciso uma pol\u00edtica de esclarecimento, que d\u00ea prefer\u00eancia aos peixes n\u00e3o predadores\u201d, completa.<\/p>\n<p>Ele explica que a concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario aumenta conforme se avan\u00e7a na cadeia alimentar, portanto, peixes predadores como tucunar\u00e9s, cachorras e piranhas possuem uma concentra\u00e7\u00e3o maior da subst\u00e2ncia. Ele cita por exemplo tucunar\u00e9s de regi\u00f5es do Rio Negro, que possuem at\u00e9 5 mg de merc\u00fario por quilo, ou seja, dez vezes mais do que a recomenda\u00e7\u00e3o da OMS, de 0,5 mg por quilo. O melhor ent\u00e3o \u00e9 variar o card\u00e1pio de pescado e, em caso de pessoas mais vulner\u00e1veis, como gr\u00e1vidas ou mulheres amamentando, dar prefer\u00eancia a jaraquis, matrinx\u00e3s e tambaquis.<\/p>\n<p>Jardim tranquiliza tamb\u00e9m quem vai \u00e0 regi\u00e3o e n\u00e3o resiste a um bom peixe amaz\u00f4nico. Diz que a concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario em amostras do pr\u00f3pria cabelo costumam aumentar quando ele passa algum tempo na regi\u00e3o, se alimentando basicamente de peixes, mas em pouco tempo volta a n\u00edveis bem baixos. \u201cLeva cerca de 90 dias para cair a metade da concentra\u00e7\u00e3o registrada\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores est\u00e3o utilizando uma nova tecnologia para avaliar a presen\u00e7a de merc\u00fario em seres humanos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41432,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/peixe_mercurio.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores est\u00e3o utilizando uma nova tecnologia para avaliar a presen\u00e7a de merc\u00fario em seres humanos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41430"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41430\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}