{"id":41193,"date":"2016-05-01T13:34:43","date_gmt":"2016-05-01T16:34:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41193"},"modified":"2016-05-01T13:35:07","modified_gmt":"2016-05-01T16:35:07","slug":"a-natureza-pavimentada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-natureza-pavimentada\/","title":{"rendered":"A natureza pavimentada"},"content":{"rendered":"<h4><img class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/rompimento-da-barragem-Mineracao-Rio-Verde-credito-Ecologico.jpg\" alt=\"A estrada de rejeitos que virou o C\u00f3rrego Taquaras: sem condi\u00e7\u00f5es para reprodu\u00e7\u00e3o da vida aqu\u00e1tica - Imagem: Ecol\u00f3gico\" \/>O que aconteceu com a natureza e o meio ambiente impactados pelo rompimento da barragem de rejeitos da Minera\u00e7\u00e3o Rio Verde, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o das \u00c1guas Claras (Macacos), distrito de Nova Lima, h\u00e1 15 anos?<\/h4>\n<div class=\"clearFix\">\n<div class=\"autor\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por J.Sabi\u00e1<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"fotoMateria right\">A estrada de rejeitos que virou o C\u00f3rrego Taquaras: sem condi\u00e7\u00f5es para reprodu\u00e7\u00e3o da vida aqu\u00e1tica &#8211; Imagem: Ecol\u00f3gico<\/div>\n<p>S\u00f3 a natureza, ajudada pela m\u00e3o humana, fez a sua parte. J\u00e1 o meio ambiente, sem ajuda empresarial ou institucional, continua o mesmo: destro\u00e7ado. A <strong>lama de rejeitos<\/strong>, at\u00e9 hoje intacta, transformou seis quil\u00f4metros do outrora piscoso <strong>C\u00f3rrego Taquaras<\/strong>, afluente do Fechos, em uma grande e pavimentada avenida. Uma avenida sem vida, artificial e retil\u00ednea, sem mais as cachoeiras e po\u00e7os d\u2019\u00e1gua de outrora.<\/p>\n<p>O percurso buc\u00f3lico que os moradores vizinhos \u00e0 minera\u00e7\u00e3o faziam pelas \u00e1guas claras que d\u00e3o nome ao distrito, dois quil\u00f4metros antes do local do rompimento at\u00e9 a entrada da comunidade, durava quase o dia inteiro, tamanha a quantidade de atra\u00e7\u00f5es naturais pelo caminho. Hoje, sem mais as matas ciliares levadas pela lama, n\u00e3o se gasta mais que duas horas. At\u00e9 os peixes, dizem os moradores da regi\u00e3o, diminu\u00edram de tamanho, tal como o volume dos cursos d\u2019\u00e1gua hoje igualmente retil\u00edneos, n\u00e3o mais represados, profundos e adequados \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da fauna aqu\u00e1tica, segundo as leis da natureza.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o tr\u00e1gico acidente, que causou a morte de cinco oper\u00e1rios, a empresa mineradora chamou para si a responsabilidade da recupera\u00e7\u00e3o ambiental. Foi uma quest\u00e3o de honra que deu certo. Por\u00e9m, conforme a <strong>Ecol\u00f3gico<\/strong> verificou <em>in loco<\/em>, isso somente aconteceu no tocante \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o, flora e fauna que existiam ali. Quem tamb\u00e9m comprova isso \u00e9 o comerciante M\u00e1rcio Rodrigues, de 43 anos, filho do seu Jo\u00e3o de Macacos, ambos propriet\u00e1rios da Pousada e\u00a0 Bar do Marcinho, restaurante e <em>point<\/em> tradicional de motoqueiros e turistas.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, a lama montante abaixo chegou a poucos metros do estabelecimento, deixando-os isolados por muito tempo, at\u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o do antigo acesso rodovi\u00e1rio. O depois, segundo Marcinho, compensou tudo: \u201cLogo ap\u00f3s o estrondo, eu e minha fam\u00edlia fomos os primeiros a ver a trag\u00e9dia de perto. Mas, hoje, eu tamb\u00e9m dou este testemunho. As coisas melhoraram. Eles plantaram tanta \u00e1rvore aqui, mas tanta, que a mata hoje \u00e9 mil vezes mais densa e tem mais bicho e passarinho que antigamente. Sem falar no volume d\u00b4\u00e1gua, que tamb\u00e9m aumentou. At\u00e9 os moradores, professores e alunos das escolas de Macacos costumavam fazer excurs\u00f5es at\u00e9 aqui, subindo pelo pr\u00f3prio C\u00f3rrego Taquaras. Hoje o tamanho do verde recuperado e emaranhado n\u00e3o permite isso mais. Virou uma coisa boa, muito melhor. N\u00e3o d\u00e1 nem pra perceber mais a quantidade de lama que ficou pregada no ch\u00e3o da nova e regenerada floresta. Tudo virou natureza\u201d.<\/p>\n<p>E quanto \u00e0s margens e cursos d\u2019agua \u00e0 jusante e sem vegeta\u00e7\u00e3o, ainda hoje visivelmente \u201cpavimentados\u201d pelos rejeitos do min\u00e9rio escorrido, ap\u00f3s o encontro do Taquaras com o C\u00f3rrego de Fechos? De quem \u00e9 a responsabilidade?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/rompimento-da-barragem-Mineracao-Rio-Verde-GualterNaves.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"960\" \/><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s o rompimento da barragem da Rio Verde, 43 hectares de Mata Atl\u00e2ntica e 12 quil\u00f4metros do C\u00f3rrego Taquaras foram devastados pela lama em Macacos &#8211; Imagem: Gualter Naves<\/em><\/p>\n<p>Na \u00e9poca, os ambientalistas de Macacos sugeriram \u00e0 Minera\u00e7\u00e3o Rio Verde e \u00e0 pr\u00f3pria Vale, que arrendou a mina, e n\u00e3o o seu passivo ambiental, um recurso at\u00e9 dom\u00e9stico para limpar ambos os c\u00f3rregos: a contrata\u00e7\u00e3o de at\u00e9 100 trabalhadores bra\u00e7ais para, aproveitando a for\u00e7a das \u00e1guas, removerem os rejeitos no fundo d\u00b4\u00e1gua e irem depositando-os aos poucos, nas margens. Para depois serem recolhidos pelas empresas e doados \u00e0 prefeitura para utiliza\u00e7\u00e3o em obras de pavimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nada disso, nem outra provid\u00eancia tecnol\u00f3gica, aconteceu. Procurado pela <strong>Ecol\u00f3gico<\/strong>, o ex-diretor e propriet\u00e1rio da Rio Verde, Pedro Lima, n\u00e3o quis conversar sobre o assunto. Dizendo-se traumatizado at\u00e9 hoje, ele apenas lembrou que acidentes como esse n\u00e3o s\u00e3o mais causados somente pelas pequenas e m\u00e9dias mineradoras. Mas, muito mais graves, pelas grandes tamb\u00e9m, \u201cvide o exemplo, quem diria,\u00a0 da Samarco em Mariana\u201d \u2013 exemplificou.<\/p>\n<p>O que fazer para evitar o rompimento de outras barragens de rejeitos em Minas e mundo afora? Foram essas suas \u00fanicas palavras finais: \u201cN\u00e3o existe outro caminho. Temos que evoluir em termos de engenharia, de preven\u00e7\u00e3o, de tudo\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Revista Ecol\u00f3gico<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que aconteceu com a natureza e o meio ambiente impactados pelo rompimento da barragem<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O que aconteceu com a natureza e o meio ambiente impactados pelo rompimento da barragem","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41193"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41193"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41193\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}