{"id":41117,"date":"2016-04-30T08:27:06","date_gmt":"2016-04-30T11:27:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41117"},"modified":"2016-04-30T08:27:06","modified_gmt":"2016-04-30T11:27:06","slug":"uso-de-antimicrobianos-na-agropecuaria-e-o-retorno-de-doencas-reemergentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/uso-de-antimicrobianos-na-agropecuaria-e-o-retorno-de-doencas-reemergentes\/","title":{"rendered":"Uso de antimicrobianos na agropecu\u00e1ria e o retorno de doen\u00e7as reemergentes"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Arnildo Korb<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p><strong>\u201cMantida esta perspectiva de consumo de antimicrobianos na produ\u00e7\u00e3o animal e na sa\u00fade humana, as perspectivas futuras n\u00e3o s\u00e3o nem um pouco animadoras\u201d, diz o bi\u00f3logo.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i67.tinypic.com\/11m703d.jpg\" width=\"300\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Imagem:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.popularempresas.pt\">www.popularempresas.pt<\/p>\n<p><\/a><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O alerta da <strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura \u2013 FAO<\/strong> para o uso excessivo de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/551184-o-pecado-do-excesso-desinformacao-e-mau-uso-reduzem-a-eficacia-dos-antibioticos-entrevista-especial-com-luis-caetano-antunes-\" target=\"_blank\"><strong>antimicrobianos<\/strong><\/a> na agropecu\u00e1ria faz parte de um \u201cparadoxo\u201d, diz <strong>Arnildo Korb<\/strong> \u00e0<strong> IHU On-Line<\/strong>, ao comentar que ao mesmo tempo em que a <strong>FAO<\/strong> critica o uso demasiado dessas subst\u00e2ncias, afirma que a \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542603\" target=\"_blank\"><strong>produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos<\/strong><\/a> necessitar\u00e1 dobrar at\u00e9 2050 devido ao aumento da popula\u00e7\u00e3o mundial\u201d.O ponto problem\u00e1tico desta quest\u00e3o, segundo o bi\u00f3logo, \u00e9 que os dados da <strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade \u2013 OMS<\/strong> indicam que se \u201cesta perspectiva de consumo\u201d persistir, \u201cat\u00e9 2050 n\u00e3o haver\u00e1 nenhuma classe de <strong>antimicrobianos<\/strong> eficiente em decorr\u00eancia do aumento da resist\u00eancia bacteriana\u201d. Al\u00e9m disso, frisa, \u201cexistem as<strong> doen\u00e7as reemergentes<\/strong> como a tuberculose, que em per\u00edodo pregresso recente alarmou a humanidade, e que pode ser controlada com antimicrobianos de primeira gera\u00e7\u00e3o, agora reaparece com bact\u00e9rias multirresistentes\u201d. Isto significa que se o uso de antimicrobianos na <strong>agropecu\u00e1ria<\/strong> continuar aumentando, os \u201ccientistas cogitam\u201d a possibilidade de que \u201cat\u00e9 2050 uma em cada quatro pessoas no mundo sofrer\u00e1 de tuberculose\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong> por e-mail, <strong>Korb<\/strong> informa que na <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/553934-resistencia-do-gado-a-antibioticos-pode-ser-transmitida-para-os-humanos\" target=\"_blank\"><strong>agropecu\u00e1ria<\/strong><\/a> \u201co uso de <strong>antimicrobianos<\/strong> atinge toda a cria\u00e7\u00e3o intensiva, como su\u00ednos, aves e bovinos de corte. Na aquicultura, principalmente cria\u00e7\u00e3o de peixe e camar\u00e3o em cativeiro, o uso de cloranfenicol \u00e9 elevado\u201d. Conforme ele esclarece, a \u201cprincipal preocupa\u00e7\u00e3o\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao uso de antimicrobianos em alimentos tem sido com res\u00edduos dos f\u00e1rmacos em carnes e derivados para o consumo humano, porque \u201cmuitos antimicrobianos consumidos em excesso podem causar malforma\u00e7\u00f5es em fetos, especialmente em dentes, causados por tetraciclinas, e fragilizar tecidos, como as cartilagens, no caso das quinolonas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Korb<\/strong> diz ainda que no Brasil a maior <strong>fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/strong> ocorre nos alimentos l\u00e1cteos devido \u00e0 \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em se caracterizar como um exportador destes alimentos\u201d. No entanto, o \u201cmonitoramento das resist\u00eancias das bact\u00e9rias presentes nas carca\u00e7as de animais para consumo humano est\u00e1 apenas come\u00e7ando no <strong>Brasil<\/strong>, diferente do que tem ocorrido na <strong>Europa<\/strong>\u201d, pontua.<\/p>\n<p><strong>Arnildo Korb<\/strong> \u00e9 graduado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul &#8211; Uniju\u00ed, mestre em Educa\u00e7\u00e3o nas Ci\u00eancias pela Uniju\u00ed e doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paran\u00e1 &#8211; UFPR. Atualmente \u00e9 professor adjunto no curso de Enfermagem da Universidade do Estado de Santa Catarina &#8211; Udesc.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista. <\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i66.tinypic.com\/im4fbl.jpg\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: 1.bp.blogspot.com<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Que tipos de antibi\u00f3ticos s\u00e3o utilizados na agropecu\u00e1ria brasileira atualmente? Desde quando eles s\u00e3o utilizados e por quais raz\u00f5es?<\/strong><strong>Arnildo Korb &#8211;<\/strong> Primeiramente precisamos conceituar estes <strong>f\u00e1rmacos<\/strong> para entendermos os mecanismos de a\u00e7\u00e3o. No meio ambiente os microrganismos competem entre si por meio de subst\u00e2ncias, os antibi\u00f3ticos. A partir da descoberta da penicilina, por <strong>Alexandre Fleming<\/strong> em 1929, essas subst\u00e2ncias come\u00e7aram a ser usadas isoladas para o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530915-para-oms-resistencia-de-bacterias-a-antibioticos-e-ameaca-global\" target=\"_blank\"><strong>controle de infec\u00e7\u00f5es<\/strong><\/a>. A partir da d\u00e9cada de 40 do \u00faltimo s\u00e9culo, algumas foram criadas pelo ser humano: as <strong>drogas sint\u00e9tica<\/strong>s, a citar as sulfonamidas e as quinolonas. Ao conjunto de antibi\u00f3ticos e drogas sint\u00e9ticas denominamos de <strong>antimicrobianos<\/strong>. Por isso, \u00e9 mais aconselh\u00e1vel o uso dessa express\u00e3o quando discutimos problemas relacionados a essas drogas.<\/p>\n<p>A <strong>penicilina<\/strong> foi a droga que revolucionou a medicina na \u00faltima d\u00e9cada e, juntamente com outros antimicrobianos, aumentou a expectativa de vida humana em no m\u00ednimo 10 anos. O fato \u00e9 que, a partir da d\u00e9cada de 70, com o intenso <strong>fluxo migrat\u00f3rio<\/strong> humano e o \u00eaxodo rural, em escala global, ocorreu a necessidade no aumento da produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal, especialmente mais barata para a classe trabalhadora e com menor renda. Neste contexto, intensificou-se a <strong>suinocultura<\/strong> e a <strong>avicultura<\/strong> de corte. O aumento na produ\u00e7\u00e3o requisitou investimentos no <strong>melhoramento gen\u00e9tico<\/strong>, principalmente dos frangos, para garantir precocidade, com crescimento r\u00e1pido e ganho de peso. Se anteriormente para produzir um frango era necess\u00e1rio de cinco a seis meses, agora em 40 dias est\u00e1 pronto para o abate.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, fisiologicamente, \u00e9 correto afirmar que toda vez que inclu\u00edmos genes de produtividade, retiramos genes de rusticidade, implicando em baixa imunidade. Al\u00e9m disso, as condi\u00e7\u00f5es de cria\u00e7\u00e3o, com o <strong>adensamento dos frangos<\/strong> para evitar que estes se desloquem e gastem energia, provoca intenso estresse, aliado \u00e0 irrita\u00e7\u00e3o da pele do frango causada pela cama avi\u00e1ria. Esse manejo propicia o desenvolvimento de infec\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas em frangos, como a colibacilose, provocadas pela <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/43985-hamburgo-acompanha-surto-perplexa\" target=\"_blank\"><strong>Escherichia coli<\/strong><\/a>, e <strong>salmoneloses<\/strong>, o que representa altas perdas pelo descarte de carca\u00e7as. Essa sempre foi uma das principais raz\u00f5es para o uso de antimicrobianos na produ\u00e7\u00e3o de frangos. Utilizados na ra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de contribu\u00edrem para os fins profil\u00e1ticos e terap\u00eauticos, alguns antimicrobianos desempenhavam a fun\u00e7\u00e3o de promotores de crescimento, pois atuam no metabolismo da glicose e insulina.<\/p>\n<p>Paralelo ao processo produtivo, o uso desordenado de <strong>derivados de penicilina<\/strong> (betalact\u00e2micos) propiciou a identifica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 na d\u00e9cada de 60, do surgimento de bact\u00e9rias resistentes e que passaram a dificultar o tratamento das infec\u00e7\u00f5es humanas por elas desenvolvidas. A partir da d\u00e9cada de 90, pesquisadores europeus descobriram que o uso de antimicrobianos na produ\u00e7\u00e3o animal seleciona superbact\u00e9rias, especialmente as <strong>Staphylococcus aureus<\/strong> resistentes \u00e0 <strong>meticilina<\/strong> (MRSA), e a resist\u00eancia de <strong>Enterococcus<\/strong> \u00e0 <strong>vancomicina<\/strong>, antimicrobiano utilizado em hospitais no tratamento de infec\u00e7\u00f5es multirresistentes. Essa descoberta explicou o aumento no n\u00famero de<strong> mortes humanas<\/strong>, especialmente em pacientes internados, devido \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o dos genes e a incapacidade de cura pelos <strong>antimicrobianos<\/strong> tradicionais utilizados na sa\u00fade humana. Teve-se, nesse momento, a descoberta da exist\u00eancia da resist\u00eancia cruzada. Ou seja, uma bact\u00e9ria pode tornar-se resistente a um antimicrobiano sem mesmo ter entrado em contato direto com ele. Isso ocorre por meio de um mecanismo celular denominado bomba de efluxo que libera o antimicrobiano para o meio extracelular da bact\u00e9ria.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cNa agropecu\u00e1ria, o uso de antimicrobianos atinge toda a cria\u00e7\u00e3o intensiva, como su\u00ednos, aves e bovinos de corte. Na aquicultura, principalmente cria\u00e7\u00e3o de peixe e camar\u00e3o em cativeiro\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Com estas descobertas, a <strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade &#8211; OMS<\/strong>, <strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade Animal &#8211; OIE<\/strong> e <strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura &#8211; FAO<\/strong> lan\u00e7aram pol\u00edticas para o que denominaram como o uso prudente de <strong>antimicrobianos na produ\u00e7\u00e3o animal<\/strong>, proibindo a utiliza\u00e7\u00e3o como promotores de crescimento, tirando-os das ra\u00e7\u00f5es, e limitando para o uso de apenas algumas classes. Entre os liberados est\u00e3o penicilinas, sulfonamidas, tetraciclinas, cloranfenicol e alguns quinol\u00f4nicos, como a enrofloxacina. Muitos destes foram liberados pelo fato de n\u00e3o funcionarem adequadamente na sa\u00fade humana. No <strong>Brasil<\/strong> a proibi\u00e7\u00e3o do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, e orientando quais antimicrobianos podem ser utilizados para outros fins, em ades\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas internacionais, principalmente objetivando a exporta\u00e7\u00e3o de carnes, foi institu\u00edda pelo <strong>Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento &#8211; MAPA<\/strong> por meio da <strong>Instru\u00e7\u00e3o Normativa<\/strong> n\u00ba 51 de 29 de fevereiro de 2006.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que tipos de micr\u00f3bios t\u00eam resistido ao uso de antibi\u00f3ticos (antimicrobianos) na agropecu\u00e1ria? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Arnildo Korb &#8211;<\/strong> Primeiramente precisamos caracterizar o que significa <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542784-oms-busca-plano-global-contra-resistencia-crescente-a-antibioticos\" target=\"_blank\"><strong>resist\u00eancia bacteriana<\/strong><\/a>. \u00c9 um equ\u00edvoco afirmar que as bact\u00e9rias tornam-se resistentes para algum <strong>antimicrobiano<\/strong>. O que ocorre de fato \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o de genes de resist\u00eancia. Explicando melhor: a todo o momento os microrganismos no meio ambiente est\u00e3o sujeitos a muta\u00e7\u00f5es, especialmente em alguns genes que podem conferir alguma caracter\u00edstica especial ao microrganismo, como a resist\u00eancia bacteriana. Tamb\u00e9m \u00e9 fato que muitas muta\u00e7\u00f5es que neles ocorrem s\u00e3o delet\u00e9rias e induzem \u00e0 morte do microrganismo que n\u00e3o consegue mais se adaptar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais e perde a competi\u00e7\u00e3o para os demais. Por\u00e9m, quando uma muta\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica surge, existe a possibilidade de <strong>transfer\u00eancia de genes<\/strong> entre as bact\u00e9rias, acentuando a dissemina\u00e7\u00e3o destes genes. A dissemina\u00e7\u00e3o de <strong>res\u00edduos de antimicrobianos<\/strong> em escala global, pelos alimentos e principalmente pela \u00e1gua, atinge esses ambientes onde as muta\u00e7\u00f5es ocorrem, ou os genes s\u00e3o transferidos para os locais com maior concentra\u00e7\u00e3o de res\u00edduos; com isso, as bact\u00e9rias que possuem estes genes de resist\u00eancia secretam enzimas que permitem sua sobreviv\u00eancia, \u00e0 medida que as suscet\u00edveis tendem a morrer. Isto \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o de <strong>genes de resist\u00eancia<\/strong>. Este mesmo processo ocorre em nosso organismo, quando ingerimos alguns genes de resist\u00eancia, e quando fazemos uso de antimicrobianos em processos terap\u00eauticos, ou ingerimos res\u00edduos em alimentos e na \u00e1gua, s\u00e3o selecionados esses genes.<\/p>\n<p>Mas voltando \u00e0 sua pergunta: todos os microrganismos, especialmente <strong>bact\u00e9rias<\/strong>, podem desenvolver resist\u00eancia, inclusive fungos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s bact\u00e9rias, a diferen\u00e7a est\u00e1 no tipo (Gram-positiva ou Gram-negativa) e no antimicrobiano utilizado. Tanto bact\u00e9rias patog\u00eanicas quanto as oportunistas podem se tornar superbact\u00e9rias. Patog\u00eanicas s\u00e3o aquelas que n\u00e3o vivem na nossa microbiota normal e uma pequena quantidade \u00e9 suficiente para o desenvolvimento de infec\u00e7\u00f5es. As oportunistas s\u00e3o aquelas que vivem em nosso organismo, como a <strong>Staphylococcus aureus<\/strong>, que coloniza a pele humana. Bact\u00e9rias decompositoras, como <strong>Acinetobacter baumannii<\/strong>, tidas como n\u00e3o patog\u00eanicas, mas oportunistas, e que est\u00e3o em locais como pias, pisos e entre outros, t\u00eam estado entre as principais causas de infec\u00e7\u00f5es e mortes em hospitais. Pelo fato destas bact\u00e9rias decomporem mat\u00e9ria org\u00e2nica, incorporam <strong>DNA<\/strong> (genes) de outras bact\u00e9rias, tornam-se multirresistentes. Nos hospitais a caracter\u00edstica oportunista \u00e9 facilitada pelo fato de as pessoas internadas estarem com o sistema imune debilitado.<\/p>\n<p>Na <strong>agropecu\u00e1ria<\/strong>, o uso de antimicrobianos atinge toda a cria\u00e7\u00e3o intensiva, como su\u00ednos, aves e bovinos de corte. Na <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/536043-uso-excessivo-de-antibiotico-na-producao-de-peixes-afeta-o-ambiente-dos-rios-e-a-saude-do-homem\" target=\"_blank\"><strong>aquicultura<\/strong><\/a>, principalmente cria\u00e7\u00e3o de peixe e camar\u00e3o em cativeiro, o uso de <strong>cloranfenicol<\/strong> \u00e9 elevado.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cEm torno de 25 mil pessoas morrem por ano na Europa em decorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es causadas por bact\u00e9rias multirresistentes\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que riscos \u00e0 sa\u00fade dos animais e dos seres humanos esses antibi\u00f3ticos (antimicrobianos) podem causar? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Arnildo Korb &#8211;<\/strong> A principal preocupa\u00e7\u00e3o tem sido com os res\u00edduos destes f\u00e1rmacos nas <strong>carnes e derivados<\/strong> para o consumo humano, ou seja, com os aspectos toxicol\u00f3gicos, pois muitos antimicrobianos consumidos em excesso podem causar malforma\u00e7\u00f5es em fetos, especialmente em dentes, causados por tetraciclinas, e fragilizar tecidos, como as cartilagens, no caso das quinolonas. Neste sentido, o <strong>MAPA<\/strong> mant\u00e9m um controle rigoroso sobre res\u00edduos em alimentos por meio de seus laborat\u00f3rios, como o <strong>Lanagro<\/strong> na <strong>Grande Porto Alegre<\/strong>.<\/p>\n<p>Recentemente, uma maior <strong>fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/strong> tem ocorrido nos <strong>alimentos l\u00e1cteos<\/strong>, especialmente pela preocupa\u00e7\u00e3o do Brasil em se caracterizar como um exportador destes alimentos. O monitoramento das <strong>resist\u00eancias das bact\u00e9rias<\/strong> presentes nas carca\u00e7as de animais para consumo humano est\u00e1 apenas come\u00e7ando no Brasil, diferente do que tem ocorrido na <strong>Europa<\/strong>. A comunidade europeia tem desenvolvido programas de monitoramento no consumo de antimicrobianos na produ\u00e7\u00e3o animal e na sa\u00fade humana e das resist\u00eancias bacterianas nos dois setores, e mesmo assim tem tido dificuldades em reduzir a incid\u00eancia de <strong>bact\u00e9rias multirresistentes<\/strong>. Em torno de 25 mil pessoas morrem por ano na Europa em decorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es causadas por bact\u00e9rias multirresistentes.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que leitura voc\u00ea faz do alerta da FAO, ao afirmar que o uso excessivo de antibi\u00f3ticos (antimicrobianos) na agropecu\u00e1ria amea\u00e7a a sa\u00fade e a seguran\u00e7a alimentar? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Arnildo Korb &#8211;<\/strong> Aqui reside um paradoxo. \u00c9 argumento da <strong>FAO<\/strong> que a produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos necessitar\u00e1 dobrar at\u00e9 2050 devido ao aumento da popula\u00e7\u00e3o mundial e maior concentra\u00e7\u00e3o desta nos grandes aglomerados urbanos. Por outro lado, est\u00e1 ocorrendo uma redu\u00e7\u00e3o e envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o no campo, o que requerer\u00e1 uma intensifica\u00e7\u00e3o no <strong>modelo produtivo<\/strong>. Resumindo: menos pessoas no campo ter\u00e3o que <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/511535-agricultura-precisara-aumentar-60-de-sua-producao-para-alimentar-planeta\" target=\"_blank\">produzir mais alimentos<\/a> para mais pessoas na cidade, e isso n\u00e3o se faz por decreto ou sistema pol\u00edtico autorit\u00e1rio, como no <strong>Camboja<\/strong>. Para manter o trabalhador no campo, o melhor est\u00edmulo \u00e9 uma renda que lhe garanta o m\u00ednimo de qualidade de vida dentro dos padr\u00f5es modernos, especialmente em pa\u00edses como o <strong>Brasil<\/strong>. Mas, para a FAO, ser\u00e1 imposs\u00edvel aumentar esta produ\u00e7\u00e3o sem o uso de <strong>antimicrobianos<\/strong>. Por outro lado, segundo a <strong>OMS<\/strong>, seguindo esta perspectiva de consumo, at\u00e9 2050 n\u00e3o haver\u00e1 nenhuma classe de antimicrobianos eficiente em decorr\u00eancia do aumento da <strong>resist\u00eancia bacteriana<\/strong>. Al\u00e9m disso, existem as <strong>doen\u00e7as reemergentes<\/strong> como a tuberculose, que em per\u00edodo pregresso recente alarmou a humanidade, e que pode ser controlada com antimicrobianos de primeira gera\u00e7\u00e3o, agora reaparece com bact\u00e9rias multirresistentes.<\/p>\n<p>Cientistas cogitam a possibilidade de que at\u00e9 2050 uma em cada quatro pessoas no mundo sofrer\u00e1 de <strong>tuberculose<\/strong>. Esse \u00e9 o cen\u00e1rio que nos aguarda. Um retrocesso na medicina. Voltaremos \u00e0 era dos ch\u00e1s e das terapias alternativas e da sobreviv\u00eancia dos \u201cmais fortes\u201d. \u00c9 bom considerar, ainda, que o prazo necess\u00e1rio entre a descoberta ou desenvolvimento de uma <strong>mol\u00e9cula de antimicrobiano<\/strong>, testes em cobaias animais e em humanos, bem como libera\u00e7\u00e3o e disponibiliza\u00e7\u00e3o em escala comercial, \u00e9 de no m\u00ednimo dez anos, ao passo que as resist\u00eancias para a maioria dos antimicrobianos t\u00eam sido observadas de um a quatro anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento em escala comercial. Invi\u00e1vel, portanto, economicamente para as grandes empresas farmac\u00eauticas do setor. O fen\u00f4meno da <strong>resist\u00eancia bacteriana<\/strong> e da <strong>limita\u00e7\u00e3o no desenvolvimento<\/strong> de novas f\u00f3rmulas, devido ao esgotamento dos s\u00edtios de a\u00e7\u00e3o nas bact\u00e9rias, tem levado essas empresas a abandonar as pesquisas com antimicrobianos e investir no setor de doen\u00e7as degenerativas, mais lucrativas em virtude do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o mundial e dos menores riscos da inativa\u00e7\u00e3o desses f\u00e1rmacos por toler\u00e2ncia do organismo.<\/p>\n<p>Este fato tem feito com que a <strong>OMS<\/strong> sugira a estas empresas a continuidade nas pesquisas para o desenvolvimento de<strong> novas drogas<\/strong> antimicrobianas. Por\u00e9m, as mesmas empresas s\u00e3o as que abastecem o setor produtivo anualmente com milhares de toneladas. Somente na <strong>Europa<\/strong> s\u00e3o mais de 50 mil toneladas anuais na produ\u00e7\u00e3o animal; acredita-se que no setor da sa\u00fade humana corresponda a 10% disso. No <strong>Brasil<\/strong> n\u00e3o temos dados sobre consumo, embora produzamos mais frangos que a Europa e a popula\u00e7\u00e3o brasileira consuma mais antimicrobianos do que os europeus. Reunidos todos os pa\u00edses produtores de carnes nos moldes intensivos, <strong>Estados Unidos<\/strong>, <strong>China<\/strong>, pa\u00edses <strong>europeus<\/strong>, <strong>Brasil<\/strong> e demais pa\u00edses <strong>Sul-americanos<\/strong>, e mantida a estimativa europeia, seguramente o consumo mundial ultrapassa 200 mil toneladas. A quest\u00e3o \u00e9 saber como os microrganismos ir\u00e3o se comportar com todo esse volume de antimicrobiano lan\u00e7ado no meio ambiente at\u00e9 2050, considerando que muitos desses produtos demoram para ser degradados.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cNa agropecu\u00e1ria brasileira o uso de antimicrobianos tem sido tratado dentro de uma \u2018caixa preta\u2019\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; H\u00e1 um modo correto de utilizar antibi\u00f3ticos (antimicrobianos)? O que caracteriza o \u201cuso excessivo\u201d? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Arnildo Korb &#8211;<\/strong> As duas formas corretas est\u00e3o no uso de princ\u00edpios ativos de classes mais baixas e na <strong>dosagem recomendada<\/strong>. Isso vale tamb\u00e9m para a sa\u00fade humana, em que os m\u00e9dicos, por vezes, prescrevem <strong>antimicrobianos<\/strong> de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o para o tratamento de uma infec\u00e7\u00e3o simples, quando <strong>drogas tradicionais<\/strong> poderiam dar conta, sem com isto estimular a sele\u00e7\u00e3o de eventuais genes que poderiam estar presentes no organismo. No caso da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/551852-uso-excessivo-de-antibioticos-na-agropecuaria-ameaca-saude-e-seguranca-alimentar-alerta-fao\" target=\"_blank\"><strong>agropecu\u00e1ria<\/strong><\/a>, ao utilizar somente os antimicrobianos recomendados pela <strong>FAO<\/strong> e <strong>OMS<\/strong>, e evitando o uso dos denominados criticamente importantes, como cefalosporinas de terceira gera\u00e7\u00e3o, macrol\u00eddeos e fluorquinolonas, estaria sendo protelada a chamada \u201cera pr\u00e9-antibi\u00f3tica\u201d. O fato \u00e9 que, devido \u00e0 resist\u00eancia cruzada, antimicrobianos tradicionais e recomendados para o uso na produ\u00e7\u00e3o animal, indiretamente levam \u00e0 sele\u00e7\u00e3o de<strong> genes de resist\u00eancia<\/strong> aos antimicrobianos criticamente importantes para a sa\u00fade humana. Um exemplo \u00e9 a enrofloxacina, de uso expressivo na produ\u00e7\u00e3o animal, inclusive para animais de companhia, que, ao ser quebrada pelo f\u00edgado do animal, libera como metab\u00f3lito a ciprofloxacina, uma antimicrobiano muito utilizado na sa\u00fade humana, especialmente em infec\u00e7\u00f5es graves.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que grande parte dos <strong>antimicrobianos<\/strong> n\u00e3o s\u00e3o degradados e, portanto, s\u00e3o eliminados no meio ambiente de forma quase intacta, e muitos deles n\u00e3o s\u00e3o degradados pelas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgotos, retornando, assim, \u00e0s esta\u00e7\u00f5es de abastecimento de \u00e1gua para consumo humano. Esse \u00e9 um dos fatores do aumento acentuado nas <strong>resist\u00eancias bacterianas<\/strong> no setor da sa\u00fade humana.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O que a Anvisa e o Minist\u00e9rio da Agricultura e Abastecimento determinam em rela\u00e7\u00e3o ao uso de antibi\u00f3ticos (antimicrobianos) na agropecu\u00e1ria e na sa\u00fade? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Arnildo Korb &#8211;<\/strong> Quem tem normatizado a utiliza\u00e7\u00e3o de antimicrobianos na agropecu\u00e1ria \u00e9 o <strong>Minist\u00e9rio da Agricultura e Abastecimento<\/strong>. A <strong>Anvisa<\/strong> tem normatizado os antimicrobianos na sa\u00fade humana. Existe pouco di\u00e1logo entre Anvisa e MAPA. Ali\u00e1s, na <strong>agropecu\u00e1ria<\/strong> brasileira o uso de antimicrobianos tem sido tratado dentro de uma \u201ccaixa preta\u201d. Ainda somos um pa\u00eds em que produzimos mat\u00e9ria-prima e ficamos com os poluentes. E pelo visto, esta situa\u00e7\u00e3o permanecer\u00e1 por longo per\u00edodo, pois dependemos do setor produtivo agropecu\u00e1rio, ele \u00e9 fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o da economia, especialmente nos Estados do Sul do pa\u00eds. As regi\u00f5es com menos desigualdades sociais s\u00e3o aquelas onde est\u00e3o instaladas as agroind\u00fastrias.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como a quest\u00e3o do uso dos antibi\u00f3ticos (antimicrobianos) tem sido discutida entre os especialistas em agropecu\u00e1ria no pa\u00eds? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Arnildo Korb &#8211;<\/strong> Com preocupa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos desmerecer o trabalho do setor produtivo, e ocupado com profissionais altamente especializados. Ali\u00e1s, poder\u00edamos afirmar que o setor produtivo animal tem avan\u00e7ado mais na constru\u00e7\u00e3o de <strong>pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong> e no desenvolvimento de tecnologias alternativas do que o setor da sa\u00fade humana. Apesar de sabermos que existem limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, caso existissem alternativas, seguramente j\u00e1 teriam sido adotadas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Deseja acrescentar algo? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Arnildo Korb &#8211;<\/strong> Mantida esta perspectiva de <strong>consumo de antimicrobianos<\/strong> na <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/534292-a-voracidade-carnivora\" target=\"_blank\">produ\u00e7\u00e3o animal<\/a> e na sa\u00fade humana, as perspectivas futuras n\u00e3o s\u00e3o nem um pouco animadoras. Mas poderemos adiar o caos, dando a nossa contribui\u00e7\u00e3o. Primeiramente, temos de ler mais sobre o assunto e com isto evitarmos com que m\u00e9dicos e prescritores nos queiram recomendar antimicrobianos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, quando os de classes mais baixas podem ser suficientes. Enquanto pacientes teremos que compreender, tamb\u00e9m, que algumas infec\u00e7\u00f5es simples podem ser controladas pelo nosso organismo e que antimicrobianos n\u00e3o curam gripe. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, mesmo na <strong>Europa<\/strong>, com todo o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, investimentos em educa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, 50% da popula\u00e7\u00e3o ainda acredita que antimicrobianos curam gripe.<\/p>\n<p>No <strong>Brasil<\/strong> as pesquisas s\u00e3o insuficientes, mas provavelmente, se o percentual n\u00e3o for igual, \u00e9 superior. Teremos que mudar a nossa cultura de encarar os <strong>antimicrobianos<\/strong> como drogas m\u00e1gicas, especialmente diante da nossa insatisfa\u00e7\u00e3o ao sairmos de um consult\u00f3rio m\u00e9dico sem uma receita. O fato \u00e9 que, em nome da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o queremos mais dar ao nosso organismo a possibilidade de descanso e de se recompor. Foi assim at\u00e9 o in\u00edcio do \u00faltimo s\u00e9culo. Era assim que nossos pais nos tratavam quando est\u00e1vamos com alguma infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria: \u201cch\u00e1 quente e cama\u201d.<\/p>\n<p>Outro aspecto, e que deveria ser observado \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s sobras de antimicrobianos, isso para n\u00e3o serem utilizadas como <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/520460-a-medicalizacao-da-vida-faz-mal-a-saude\" target=\"_blank\"><strong>automedica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a> ou serem <strong>descartadas no ambiente<\/strong> sem tratamento. Para isto, \u00e9 sempre recomend\u00e1vel adquirir somente a quantidade de antimicrobianos prescritos e descartar eventuais sobras em farm\u00e1cias que adotam a pol\u00edtica de recolhimento espec\u00edfica. No Brasil a comercializa\u00e7\u00e3o de antimicrobianos tem sido promissora para o setor das grandes corpora\u00e7\u00f5es farmac\u00eauticas.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cTeremos que mudar a nossa cultura de encarar os antimicrobianos como drogas m\u00e1gicas\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao <strong>setor produtivo<\/strong> \u2014 e n\u00e3o podemos adotar um discurso hip\u00f3crita, como na academia por vezes tem se adotado \u2014, estamos imersos em um <strong>modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo<\/strong> mundial. Se os pa\u00edses europeus, como os n\u00f3rdicos, est\u00e3o conseguindo reduzir o consumo de antimicrobianos e das resist\u00eancias, \u00e9 tamb\u00e9m porque estes possuem uma economia s\u00f3lida e que garante, por meio dos subs\u00eddios, uma renda satisfat\u00f3ria aos agricultores. \u00c9 por isso que a morte de alguns animais, em decorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es, n\u00e3o impacta na lucratividade dos produtores, pois a renda j\u00e1 est\u00e1 garantida, mesmo que este, por vezes, nada produza. Diferente da realidade brasileira, na qual nossos heroicos agricultores mal conseguem sobreviver na atividade, especialmente pela aus\u00eancia de uma <strong>pol\u00edtica agr\u00edcola<\/strong>.<\/p>\n<p>Pela minha viv\u00eancia por alguns meses na <strong>Europa<\/strong>, e estudando a quest\u00e3o, entendi que n\u00e3o existem \u201canjos\u201d tratando do problema. Em quest\u00e3o est\u00e1 uma disputa de mercado que \u00e9 \u201cvarrida para baixo do tapete\u201d. \u00c9 por isto, embora tenhamos alguns problemas a serem corrigidos, que precisamos agir com cuidado ao lan\u00e7armos cr\u00edticas ao setor produtivo agropecu\u00e1rio. O que precisa existir \u00e9 uma maior orienta\u00e7\u00e3o do trabalho quanto aos modos de uso. Na pr\u00e1tica, necessitaremos come\u00e7ar fazendo a nossa parte enquanto urbanoides, <strong>restringindo o consumo<\/strong> desses f\u00e1rmacos na sa\u00fade humana, e t\u00e9cnicos dos dois setores (produ\u00e7\u00e3o animal e sa\u00fade humana) precisam, urgentemente, parar com este jogo de encontrar culpados, pois todos s\u00e3o respons\u00e1veis, inclusive n\u00f3s.<\/p>\n<p><em>Por Patricia Fachin<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Arnildo Korb \u201cMantida esta perspectiva de consumo de antimicrobianos na produ\u00e7\u00e3o animal<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Arnildo Korb \u201cMantida esta perspectiva de consumo de antimicrobianos na produ\u00e7\u00e3o animal","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41117"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41117\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}