{"id":41069,"date":"2016-04-30T11:30:37","date_gmt":"2016-04-30T14:30:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=41069"},"modified":"2016-04-29T20:59:50","modified_gmt":"2016-04-29T23:59:50","slug":"o-misterio-do-sono-em-humanos-e-animais-que-a-ciencia-nao-consegue-resolver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-misterio-do-sono-em-humanos-e-animais-que-a-ciencia-nao-consegue-resolver\/","title":{"rendered":"O mist\u00e9rio do sono em humanos e animais que a ci\u00eancia n\u00e3o consegue resolver"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sono_bebe.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-41070\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sono_bebe-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sono_bebe-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sono_bebe.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 poucas coisas que realmente precisamos para viver. Oxig\u00eanio \u00e9 uma delas, assim como comida e \u00e1gua. E h\u00e1 o sono: mantenha um animal acordado por muito tempo e ele vai morrer.<\/p>\n<p>O mesmo se aplica a humanos.<\/p>\n<p>S\u00f3 esse fato j\u00e1 sugere que o sono faz algo bastante importante para n\u00f3s. Mas apesar de d\u00e9cadas de intenso estudo cient\u00edfico, ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre o que seria esse &#8220;algo importante&#8221; exatamente.<\/p>\n<p>Pesquisadores descobriram que o sono \u00e9 ben\u00e9fico para humanos de muitas maneiras: ajuda-nos a processar nossas mem\u00f3rias e manter nossa vida social e emocional nos trilhos.<\/p>\n<p>S\u00f3 ainda n\u00e3o sabemos como, por que ou mesmo quando o sono entrou na evolu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Teoricamente, o sono n\u00e3o deveria existir. Faz pouco sentido para animais deliberadamente perderem a consci\u00eancia por horas diariamente. &#8220;O custo da perda de consci\u00eancia para a sobreviv\u00eancia \u00e9 astron\u00f4mico&#8221;, diz Matthew Walker, da Universidade da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Quaisquer que sejam a fun\u00e7\u00f5es do sono, elas s\u00e3o t\u00e3o fundamentalmente importantes para compensar a \u00f3bvia vulnerabilidade associada a ficar dormindo. Isso significa que podemos rejeitar uma das mais simples teorias sobre o sono: a de que dormimos porque n\u00e3o temos nada melhor para fazer.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Hip\u00f3teses<\/h2>\n<p>\u00c9 a Teoria da Indol\u00eancia do Sono \u2013 uma vez que um animal comeu, escapou de predadores e viu esgotadas oportunidades de acasalamento, sua agenda fica vazia. Sem nada mais urgente para fazer, perder a consci\u00eancia por algumas horas faz o tempo passar.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, como Walker explica, um animal dormindo \u00e9 muito mais vulner\u00e1vel a ataques de predadores do que um acordado, derrubando a hip\u00f3tese acima. Por sinal, \u00e9 preciso tirar outra op\u00e7\u00e3o da lista tamb\u00e9m: para alguns pesquisadores, dormir \u00e9 uma forma de preserva\u00e7\u00e3o de energia, j\u00e1 que a temperatura no corpo de mam\u00edferos cai durante alguns est\u00e1gios do sono.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/04\/27\/160427181739_sono_rino_640x360_alamy_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Especialistas n\u00e3o concordam sobre teorias do sono <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas pesquisadores do sono n\u00e3o est\u00e3o convencidos. C\u00e1lculos mostram claramente que o sono n\u00e3o serve a esse prop\u00f3sito. &#8220;A quantidade de energia que humanos economizam dormindo, em compara\u00e7\u00e3o com simplesmente deitar no sof\u00e1, \u00e9 basicamente uma fatia de p\u00e3o de forma integral. N\u00e3o vale a pena perder a consci\u00eancia por apenas 120 calorias&#8221;.<\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, para que serve o sono? Para responder \u00e0 pergunta, seria interessante primeiro falar sobre algo fundamental: que animais dormem?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 problema para responder que humanos dormem, bem como animais de estima\u00e7\u00e3o, como gatos e cachorros. A confian\u00e7a, por\u00e9m, \u00e9 bem menor para falar de animais menos familiares, como moscas.<\/p>\n<p>H\u00e1 consenso cient\u00edfico sobre as caracter\u00edsticas comportamentais que definem o sono e que podem ser usadas para identificar padr\u00f5es em animais menores. H\u00e1 tr\u00eas elementos principais. Primeiramente, o sono deixa um animal quieto e parado, j\u00e1 que m\u00fasculos n\u00e3o s\u00e3o muito ativos durante o sono.<\/p>\n<p>Segundo, o sono diminui os reflexos dos animais: se voc\u00ea fizer um som alto perto de um animal dormindo, ele vai reagir mais lentamente que um animal acordado.<\/p>\n<p>Terceiro: o sono evita que animais fiquem cansados. Se voc\u00ea deixa um animal acordado a noite inteira, ele vai compensar no dia seguinte dormido por mais tempo do que deveria.<\/p>\n<p>Usando esses crit\u00e9rios, cientistas afirmam que animais relativamente simples como moscas de fruta e vermes nematoides dormem. &#8220;H\u00e1 diversas publica\u00e7\u00f5es sobre isso&#8221;, explica Ravi Allada, da Universidade de Evanston, nos EUA.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/04\/27\/160427181857_sono_veado_640x360_alamy_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Animais acordados s\u00e3o menos vulner\u00e1veis <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo Paul-Antoine Libourel, do Centro de Pesquisas em Neuroci\u00eancia de Lyon, na Fran\u00e7a, o sono parece ser universal na vida animal. &#8220;Isso sugere que dormir \u00e9 fundamental para a sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies. A sele\u00e7\u00e3o natural n\u00e3o o suprimiu&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">R.E.M.<\/h2>\n<p>Na verdade, a sele\u00e7\u00e3o natural fez exatamente o oposto. Construiu o conceito de sono, adicionando novas fun\u00e7\u00f5es e novos est\u00e1gios. Em algum momento na pr\u00e9-hist\u00f3ria surgiu o mais famoso est\u00e1gio do sono: o R.E.M., marcado por movimentos r\u00e1pidos dos olhos.<\/p>\n<p>&#8220;A forma original era o n\u00e3o-R.E.M.&#8221;, diz Walker.<\/p>\n<p>A origem do novo est\u00e1gio \u00e9 particularmente desafiadora para cientistas como Libourel. Sabemos que humanos s\u00e3o dotados com o sono R.E.M., e \u00e9 bastante claro que quase todos os outros mam\u00edferos tamb\u00e9m, incluindo os mais &#8220;primitivos&#8221;, como o ornitorrinco. Isso permite concluir que este est\u00e1gio do sono estava presente em alguns dos primeiros mam\u00edferos que andaram sobre a Terra, h\u00e1 220 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>\u00c9 a \u00e9poca em que tamb\u00e9m surgiram os primeiros dinossauros. Muitos desapareceram h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos, mas um grupo ainda existe: chamamo-los de p\u00e1ssaros. E p\u00e1ssaros, assim como mam\u00edferos, tamb\u00e9m t\u00eam sono R.E.M.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe ainda em que parte da linha evolucion\u00e1ria este est\u00e1gio surgiu, mas a pergunta mais importante \u00e9 por que ele surgiu.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/04\/27\/160427181323_sono_mosca_640x360_alamy_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Animais pequenos, como moscas, tamb\u00e9m dormem <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Alguns cientistas acreditam que n\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o funcional e que o sono R.E.M. \u00e9 apenas um produto colateral de outras mudan\u00e7as evolucion\u00e1rias. Ruben Rial, da Universidade das Ilhas Bale\u00e1ricas, em Mallorca (Espanha), aponta para o fato de que tanto mam\u00edferos quanto p\u00e1ssaros t\u00eam sangue quente.<\/p>\n<p>Ele e seus colegas sugerem que o surgimento de animais de sangue quente deu origem a uma complicada cadeia de causas e consequ\u00eancias, em que ultimamente protomam\u00edferos adotaram uma exist\u00eancia noturna, bem diferente de seus ancestrais r\u00e9pteis.<\/p>\n<p>Os protomam\u00edferos come\u00e7aram a passar as horas do dia dormindo em tocas subterr\u00e2neas, que ofereciam tanto prote\u00e7\u00e3o de predadores quanto da intensa luz do sol, que poderia danificar sua vista, adaptada para a noite.<\/p>\n<p>&#8220;Mas eles conservaram muito dos mecanismos neurais que controlavam seu comportamento mais antigo&#8221;, diz Rial.<\/p>\n<p>R\u00e9pteis passam por duas principais fases diariamente. Uma \u00e9 a passiva, em que ficam deitados e im\u00f3veis para aquecer seus corpos. A outra \u00e9 a ativa, em que se movem para copular, se proteger de predadores ou mesmo socializar.<\/p>\n<p>Rial conta que regi\u00f5es mais primitivas do c\u00e9rebro de protomam\u00edferos continuaram a seguir esses padr\u00f5es anci\u00f5es de atividade, mesmo depois de regi\u00f5es mais &#8220;avan\u00e7adas&#8221; bloquearem a possibilidade dessa atividade mental ser convertida em comportamentos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/04\/27\/160427181417_sono_neuronio_640x360_alamy_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Sono ajudaria em &#8220;faxina&#8221; de neur\u00f4nios <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Sendo assim, podemos ver o tipo de sono n\u00e3o-R.E.M. como um descendente direto do &#8220;banho de sol&#8221; reptiliano. E o R.E.M. como uma forma de heran\u00e7a da atividade diurna desses animais. &#8220;A diferen\u00e7a \u00e9 que essa atividade agora acontecia em um corpo paralisado&#8221;, diz Rial.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Paradoxal<\/h2>\n<p>Parece incr\u00edvel, mas h\u00e1 fatos endossando essa tese. Por exemplo, h\u00e1 boas evid\u00eancias de que os primeiros mam\u00edferos tinham h\u00e1bitos noturnos, como forma de escapar de predadores maiores, como dinossauros. Tamb\u00e9m sabemos que nossos c\u00e9rebros s\u00e3o extremamente ativos durante o est\u00e1gio R.E.M. \u2013 t\u00e3o ativo que um c\u00e9rebro nesse est\u00e1gio se parece com o de um animal totalmente acordado.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o R.E.M. \u00e9 chamado por alguns cientistas de sono paradoxal.<\/p>\n<p>Mas outros pesquisadores discordam da teoria de que o est\u00e1gio \u00e9 apenas um produto colateral de mudan\u00e7as evolucion\u00e1rias maiores. Walker, por exemplo, est\u00e1 convencido de que o sono R.E.M. tem uma fun\u00e7\u00e3o real e importante. &#8220;Fizemos muito estudos e eles sugerem que o sono, em especial o est\u00e1gio R.E.M., ajuda a recalibrar as fun\u00e7\u00f5es emocionais no c\u00e9rebro&#8221; .<\/p>\n<p>O cientista argumenta que, se tentarmos nos lembrar de nossas mem\u00f3rias mais fortes da inf\u00e2ncia, praticamente todas ser\u00e3o ligadas a algum evento emocional: uma festa de anivers\u00e1rio, uma experi\u00eancia apavorante como ser deixado por seus pais no primeiro dia da escola. &#8220;O mais interessante nisso tudo \u00e9 que essas mem\u00f3rias n\u00e3o s\u00e3o mais emocionais. Elas n\u00e3o despertam as mesmas rea\u00e7\u00f5es viscerais&#8221;, diz Walker.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/04\/27\/160427181656_sono_outra_640x360_alamy_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Pesadelos seriam formas de terapia <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Dever\u00edamos, ent\u00e3o, ser gratos ao sono R.E.M. por essa mudan\u00e7a. O est\u00e1gio permite que lembremos e aprendemos com importantes mem\u00f3rias, mas sem ficarmos traumatizados pela bagagem emocional originalmente criada por elas.<\/p>\n<p>&#8220;O sono R.E.M. providencia terapia noturna&#8221; , diz Walker. &#8220;Ajuda o c\u00e9rebro a fazer o brilhante truque de separar a casca amarga de uma laranja repleta de informa\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Essa hip\u00f3tese oferece uma explica\u00e7\u00e3o para condi\u00e7\u00f5es como estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Pessoas com PSTD frequentemente passam por flashbacks bastante perturbadores.<\/p>\n<p>&#8220;Um soldado com estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico ouve o barulho do escapamento de um ve\u00edculo. N\u00e3o apenas ele tem um flashback ligado \u00e0 experi\u00eancia em combate, mas tamb\u00e9m uma rea\u00e7\u00e3o emocional: o pulso acelera, as palmas de suas m\u00e3os ficam suadas. Isso nos diz que o c\u00e9rebro n\u00e3o separou a emo\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria&#8221;, explica o cientista.<\/p>\n<p>Pesadelos repetitivos s\u00e3o caracter\u00edsticas do PSTD. Para Walker, isso pode ser o c\u00e9rebro oferecendo uma mem\u00f3ria altamente emocional para que o sono R.E.M. &#8220;descasque&#8221; a emo\u00e7\u00e3o. Mas, por alguma raz\u00e3o, isso n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p>Mesmo os mais v\u00edvidos sonhos que temos durante o est\u00e1gio R.E.M. parecem ser adaptativos. Sabemos isso por causa do trabalho seminal feito pela pesquisadora do sono Rosalind Cartwright nos anos 80 e 90. Ela estudou os h\u00e1bitos de sono de pessoas que mostravam sinais de depress\u00e3o como consequ\u00eancia de div\u00f3rcios acrimoniosos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/04\/22\/160422083325_sleep_640x360_sciencephotolibrary_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Humanos passam mais tempo em sono profundo <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Depois de um ano, foram as pessoas que enfrentaram os sonhos mais longos e terr\u00edveis que ganharam resolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de sua depress\u00e3o. Paradoxalmente, os participantes do teste cujos sonhos eram os mais parecidos com pessoas sem depress\u00e3o permaneceram deprimidos.<\/p>\n<p>Isso, segundo Walker, foi um achado, porque anteriormente pensava-se que sonhos eram apenas um efeito colateral curioso do sono. Algo como o calor gerado por uma l\u00e2mpada incandescente como consequ\u00eancia de sua fun\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. &#8220;Mas se isso fosse realmente verdade, os estudos de Cartwright n\u00e3o fariam qualquer sentido&#8221;.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es sugerem que o sono R.E.M. evoluiu em aves e mam\u00edferos porque os dois grupos eram cognitivamente e socialmente avan\u00e7ados. Eles usam sono e sonhos para melhor compreender seu mundo.<\/p>\n<p>Isso pode explicar porque o sono humano \u00e9 t\u00e3o incomum. Um estudo publicado no final de 2015 descobriu que passamos 25% de nosso sono no estado R.E.M., ao passo que para outros primatas o percentual varia de 5% a 10%. Isso faz sentido quando consideramos o qu\u00e3o mais complicada nossa vida social \u00e9.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Sinapses<\/h2>\n<p>Mas o que sabemos sobre o sono n\u00e3o-R.E.M.? O sono tem de ter come\u00e7ado por alguma raz\u00e3o. E ela tem de ser relacionada a alguma caracter\u00edstica biol\u00f3gica comum a animais que dormem. Robert Cantor, do Dartmouth College, nos EUA, acredita ter identificado algo em comum: um c\u00e9rebro e um sistema nervoso relativamente complexos. Mais especificamente um c\u00e9rebro complexo pelo qual sinais s\u00e3o transmitidos por mol\u00e9culas chamadas neurotransmissores.<\/p>\n<p>Entre as c\u00e9lulas nervosas est\u00e3o pequenas jun\u00e7\u00f5es chamadas sinapses. Quando uma c\u00e9lula tem uma mensagem para passar a uma vizinha, ela frequentemente a envia de forma qu\u00edmica, um enxame de mol\u00e9culas, que se gruda nos receptores da c\u00e9lula vizinha.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/04\/27\/160427180522_sono_cerebro_640x360_alamy_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Ondas cerebrais mudam enquanto dormimos <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Esse processo \u00e9 comum a todos os organismos que dormem&#8221;, diz Cantor. &#8220;Ele existe na maioria das sinapses em sistemas nervosos, independentemente da complexidade&#8221;.<\/p>\n<p>Mas esse processo tem uma &#8220;surpresa&#8221;: com o passar do tempo, um mar de mol\u00e9culas neurotransmissoras pode se acumular na sinapse, interferindo com sua capacidade de funcionar propriamente. \u00c9 necess\u00e1rio um processo de limpeza, e ele acontece de forma mais eficiente quando dormimos, segundo o cientista.<\/p>\n<p>Em 2012, neurocientistas descobriram um novo sistema de vasos sangu\u00edneos no c\u00e9rebro, para expulsar fluidos entre as c\u00e9lulas cerebrais, batizado de sistema &#8220;glinf\u00e1tico&#8221;. Um ano mais tarde, descobriu-se que esse sistema \u00e9 mais ativo quando estamos dormindo.<\/p>\n<p>Cantor acredita que, se analisarmos os res\u00edduos e encontrarmos neurotransmissores, isso pode servir como explica\u00e7\u00e3o para a origem do sono. Limpar os neurotransmissores \u00e9 t\u00e3o importante para o sistema nervoso que os animais come\u00e7aram a dormir.<\/p>\n<p>Mas os cientistas ainda divergem sobre como o sono evoluiu. O certo \u00e9 que o sono tem impacto em todos os principais sistemas do corpo. Diminua o sono, e n\u00e3o apenas o c\u00e9rebro que sofre. Os sistemas reprodutivo, metab\u00f3lico, cardiovascular, termo-regulat\u00f3rio e imunol\u00f3gico tamb\u00e9m sofrem. A evolu\u00e7\u00e3o pode ter sido guiada por esses benef\u00edcios.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/04\/27\/160427180234_sono_agua_640x360_alamy_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Animais mais &#8220;primitivos&#8221; podem guardar segredos de evolu\u00e7\u00e3o do sono <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Se perguntarmos &#8216;existe algo no corpo que n\u00e3o \u00e9 melhorado pelo sono ou piorado pela falta de ele?&#8217;, a resposta \u00e9 &#8216;n\u00e3o'&#8221;, diz Walker.<\/p>\n<p>Felizmente, a Terra ainda conta com representantes de alguns dos mais antigos grupos de animais, como \u00e1guas-vivas, que podem mostrar uma forma primitiva de sono. Estudar esses animais mais &#8220;primitivos&#8221; poder\u00e1 ajudar-nos a descobrir o que gerou o sono.<\/p>\n<p>Mesmo organismos unicelulares, pelo menos os que vivem mais de 24 horas, podem conter pistas. &#8220;Eles mostram est\u00e1gios do que podemos chamar de atividade celular passiva, o que pode ser um precursor do sono&#8221;, diz Walker.<\/p>\n<p>O cientista tamb\u00e9m acredita que pode haver uma outra explica\u00e7\u00e3o. Tudo o que sabemos at\u00e9 agora sobre o sono remete \u00e0 mesma ideia: o sono \u00e9 um estado em que entramos para reparar os sistemas que colocamos sob estresse quando estamos acordados.<\/p>\n<p>Mas podemos colocar esse argumento de cabe\u00e7a para baixo e dizer que o sono \u00e9 t\u00e3o ben\u00e9fico que a pergunta deveria ser &#8220;por que os animais acordam&#8221; ? O atual mist\u00e9rio pode ser por que estar acordado \u00e9 t\u00e3o danoso.<\/p>\n<p>&#8220;O que dizer sobre a hip\u00f3tese de que o sono era o primeiro estado da vida e que foi dele que estar acordado surgiu?&#8221;, pergunta Walker.<\/p>\n<p><i><strong>Leia a <a class=\"story-body__link\" href=\"http:\/\/www.bbc.com\/earth\/story\/20160317-what-is-the-real-reason-we-sleep\"> vers\u00e3o original<\/a> dessa reportagem (em ingl\u00eas) no site <a class=\"story-body__link\" href=\"http:\/\/www.bbc.com\/earth\"> BBC Earth<\/a>.<\/strong><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucas coisas que realmente precisamos para viver. 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