{"id":40821,"date":"2016-04-26T12:00:34","date_gmt":"2016-04-26T15:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40821"},"modified":"2016-04-26T07:14:43","modified_gmt":"2016-04-26T10:14:43","slug":"guillain-barre-uma-sindrome-antiga-e-cheia-de-misterios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/guillain-barre-uma-sindrome-antiga-e-cheia-de-misterios\/","title":{"rendered":"Guillain-Barr\u00e9: uma s\u00edndrome antiga, cheia de mist\u00e9rios e de lenta recupera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-40822\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Seis meses depois de ser diagnosticado com a s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9 (SGB), a fam\u00edlia do advogado Rodolfo Lima de Ara\u00fajo, 25, foi informada pelos m\u00e9dicos que a doen\u00e7a est\u00e1 em fase cr\u00f4nica. Desde que come\u00e7ou o tratamento, em outubro, o paciente teve duas \u201cperdas\u201d dos resultados obtidos na reabilita\u00e7\u00e3o. A doen\u00e7a que se popularizou com a zika e chikungunya n\u00e3o \u00e9 nova e pode ser adquirida at\u00e9 depois de um resfriado, como aconteceu com Cl\u00f3vis Neto, estudante de Administra\u00e7\u00e3o. Em menos de um ano, 32 casos foram notificados pela Secretaria de Sa\u00fade do Estado (SES) e dois j\u00e1 tiveram correla\u00e7\u00e3o confirmada com chikungunya.<\/p>\n<p>A fisioterapia de Rodolfo acontece todos os dias, mas agora em casa. O escrit\u00f3rio onde o advogado trabalhava dividiu os custos da fisioterapeuta com a fam\u00edlia, e a imunoglobulina que ele havia tomado outras vezes agora precisar\u00e1 ser adquirida atrav\u00e9s de pedido judicial.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Rodolfo, Valmira Lima, conta que foi dif\u00edcil ver que tudo que o filho tinha conseguido adquirir com a fisioterapia, se perdeu nas reincid\u00eancias da doen\u00e7a. \u201cEle teve duas reincid\u00eancias, perdeu tudo o que j\u00e1 tinha evolu\u00eddo na fisioterapia e os m\u00e9dicos disseram que a doen\u00e7a estava cr\u00f4nica. Tudo que ele estava ganhando de melhoras foi sendo perdido. J\u00e1 aconteceu duas vezes e nesta \u00faltima, os m\u00e9dicos resolveram que ele vai tomar imunoglobulina pelos pr\u00f3ximos tr\u00eas meses, mas via judicial, porque eles n\u00e3o t\u00eam mais a cota que o Estado d\u00e1\u201d, conta dona Valmira.<\/p>\n<p>Mesmo sem esperan\u00e7a dos m\u00e9dicos, de que Rodolfo possa voltar a andar e ter a vida ativa e normal que tinha, a fam\u00edlia se apega \u00e0 f\u00e9. \u201cAs reincid\u00eancias foram a perda da for\u00e7a nas pernas, e dorm\u00eancia em outras partes do corpo. Os m\u00e9dicos n\u00e3o dizem que ele volta a andar, mas como existe um tratamento, eu tenho f\u00e9. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. Tenho f\u00e9 que ser\u00e1 revertido, s\u00f3 que com muita fisioterapia\u201d, diz Valmira.<\/p>\n<p><strong>Estudante teve Guillain Barr\u00e9 no in\u00edcio dos anos 2000, ap\u00f3s resfriado<\/strong><\/p>\n<p>Em 2003, quando a s\u00edndrome n\u00e3o era muito conhecida na Para\u00edba, o estudante de Administra\u00e7\u00e3o Cl\u00f3vis Neto era um adolescente de 16 anos. Quatro dias depois de se recuperar de um resfriado, ele come\u00e7ou a sentir cansa\u00e7o e dorm\u00eancia dos membros inferiores at\u00e9 os superiores. Foram duas semanas at\u00e9 receber o diagn\u00f3stico de Guillain-Barr\u00e9. \u201cForam 15 dias de ang\u00fastia, sem a gente saber o que era. Todo novo exame era uma nova expectativa. At\u00e9 que doutor Alexandre diagnosticou que era a doen\u00e7a. Fiquei internado por 28 dias no S\u00e3o Vicente de Paula, e ap\u00f3s a interna\u00e7\u00e3o comecei o tratamento de fisioterapia tr\u00eas vezes por semana no HU e no Unip\u00ea\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Cl\u00f3vis ficou tetrapl\u00e9gico por um ano e cinco meses. Foram dois anos de fisioterapia at\u00e9 voltar \u00e0 vida normal. \u201cCom 10 meses eu voltei a mexer os bra\u00e7os. Pentear meu cabelo, comer, e os movimentos foram voltando. A voltar a andar com muletas foi um ano e quatro meses\u201d, conta.<\/p>\n<p>Hoje, um dos agentes causadores suspeitos \u00e9 o zika v\u00edrus, mas no caso de Cl\u00f3vis, a manifesta\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a apareceu cinco dias de resfriado. \u201cEu tive um resfriado muito forte antes aproximadamente cinco dias antes. Foi bem r\u00e1pido. Ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o da virose, melhorei significativamente e tr\u00eas ou quatro dias depois comecei com cansa\u00e7o na perna e dorm\u00eancia\u201d, relembra Cl\u00f3vis.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone img-responsive wp-image-31786\" src=\"http:\/\/correiodaparaiba.com.br\/wp-content\/uploads\/fc689dcb932f3cd456fa372357c7021b.jpg\" alt=\"estudante\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/p>\n<p>A s\u00edndrome deixou marcas na vida de Cl\u00f3vis, mas apesar de tudo ele anda, dirige, e tem uma vida normal. \u201cNa \u00e9poca, eu nunca tinha ouvido falar na doen\u00e7a. Era algo muito dif\u00edcil de se ouvir. Estava no auge da adolesc\u00eancia, e ter um impacto desses assustou. Com o meu, s\u00f3 haviam uns sete casos no Estado. Hoje minha vida \u00e9 normal. Fiquei com uma sequela nos p\u00e9s. Diferente do meu tratamento, que foi apenas corticoide, hoje o diagn\u00f3stico \u00e9 mais r\u00e1pido e eficiente, assim como a imunoglobulina\u201d, acredita<\/p>\n<p><strong>Cheia de mist\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de o aumento no n\u00famero de casos de Guillain-Barr\u00e9 ter chamado a aten\u00e7\u00e3o somente no ano passado, por suspeitas de rela\u00e7\u00e3o com o zika v\u00edrus, a s\u00edndrome j\u00e1 existe h\u00e1 cerca de 100 anos e foi diagnosticada pela primeira vez em dois soldados franceses na 1\u00aa Guerra Mundial.<\/p>\n<p>As causas para acometer um paciente variam desde uma infec\u00e7\u00e3o viral ou bacteriana, rea\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina, cirurgia, anestesia e at\u00e9 mesmo um trauma. O neurologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI\/Fiocruz), Abelardo Ara\u00fajo, explica que n\u00e3o h\u00e1 um agente causador espec\u00edfico para a manifesta\u00e7\u00e3o da S\u00edndrome. \u201cA Guillain-Barr\u00e9 n\u00e3o tem um agente causador espec\u00edfico. Ela \u00e9 mais ou menos parecida com a microcefalia. Pode ser consequ\u00eancia de v\u00e1rios fatores\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Dificuldade em relacionar com zika v\u00edrus<\/strong><\/p>\n<p>O zika v\u00edrus \u00e9 suspeito de ser um dos novos agentes causadores da Guillain-Barr\u00e9, mas para relacionar o v\u00edrus a s\u00edndrome ainda \u00e9 dif\u00edcil, porque em alguns casos a s\u00edndrome demora at\u00e9 12 semanas para se manifestar. O neuro explica porque isso ocorre. \u201cNesses casos, como em qualquer outro caso de Guillain-Barr\u00e9, acontece uma forma de rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica no organismo. Duas ou tr\u00eas semanas depois de infectado pelo agente, o corpo come\u00e7a a produzir anticorpos contra o v\u00edrus ou a bact\u00e9ria. S\u00f3 que esses anticorpos se perpetuam no sangue e atacam os nervos da pessoa, at\u00e9 a musculatura da respira\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se fosse uma rea\u00e7\u00e3o autoimune. Uma rea\u00e7\u00e3o do corpo contra ele mesmo. Os casos suspeitos de rela\u00e7\u00e3o com o zika v\u00edrus est\u00e3o sendo mapeados e investigados, mas fica muito dif\u00edcil, uma doen\u00e7a que s\u00f3 se manifesta de duas a tr\u00eas semanas depois da zika, provar que foi desencadeada por ele, porque n\u00e3o se tem mais v\u00edrus, somente a rea\u00e7\u00e3o\u201d, resume.<\/p>\n<p><strong>Recupera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o da s\u00edndrome \u00e9 considerada r\u00e1pida, mas s\u00e3o as sequelas deixadas por ela que \u00e0s vezes marcam o paciente para sempre. \u201cEm geral ela evolui nas primeiras duas semanas, depois se estabiliza, mas nunca progride al\u00e9m de 30 dias. \u00c9 uma das chamadas doen\u00e7a autolimitada. Se o paciente est\u00e1, por exemplo, a tanto tempo sem andar, \u00e9 porque ele esta com sequelas, mas n\u00e3o significa que a Guillain-Barr\u00e9 ainda est\u00e1 atuando. Cerca de 85% das pessoas se recuperam completamente em poucos meses, em termos de 3 a 8 meses\u201d, explica.<\/p>\n<p>Pessoas de qualquer faixa et\u00e1ria podem ser acometidas pela s\u00edndrome, mas adultos est\u00e3o mais propensos e crian\u00e7as tendem a se recuperar mais r\u00e1pido. A explica\u00e7\u00e3o para isso se d\u00e1, segundo o especialista, porque o sistema nervoso das crian\u00e7as \u00e9 mais jovem.<\/p>\n<p>Entre os mist\u00e9rios da doen\u00e7a, que a medicina ainda n\u00e3o conseguiu tra\u00e7ar, est\u00e1 o perfil das pessoas em que a SGB se manifesta. Mesmo sendo uma doen\u00e7a antiga, especialistas ainda n\u00e3o respondem a algumas perguntas. \u201cExiste muitas coisas que ainda n\u00e3o sabemos sobre elas. A gente n\u00e3o sabe, por exemplo, quais mecanismos fazem com que v\u00e1rias pessoas desenvolvam a s\u00edndrome e outras n\u00e3o. Ou o que torna uma pessoa mais suscet\u00edvel a desenvolver. Isso ainda \u00e9 um mist\u00e9rio a ser investigado\u201d, afirma Abelardo Ara\u00fajo.<\/p>\n<p><strong>Casos e mortes notificadas<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Secretaria Estadual de Sa\u00fade, somente a partir de julho do ano passado o Estado iniciou o monitoramento da SGB atrav\u00e9s dos N\u00facleo Hospitalar de Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica (NHVE), que funciona dentro dos hospitais, seguindo orienta\u00e7\u00e3o do MS, por n\u00e3o ser agravo de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, tendo em vista a necessidade de conhecer se h\u00e1 correla\u00e7\u00e3o, da s\u00edndrome em quest\u00e3o, com a infec\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da dengue e\/ou zika e\/ou chikungunya.<\/p>\n<p><strong>CASOS <\/strong><\/p>\n<p><strong>De julho de 2015 a abril deste ano<\/strong><\/p>\n<p>32 casos suspeitos da doen\u00e7a relacionada \u00e0 zika<\/p>\n<p>16 descartados para rela\u00e7\u00e3o com a zika<\/p>\n<p>14 em investiga\u00e7\u00e3o por suspeita de correla\u00e7\u00e3o com o zika v\u00edrus<\/p>\n<p>2 casos com correla\u00e7\u00e3o com chikungunya<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seis meses depois de ser diagnosticado com a s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9 (SGB), a fam\u00edlia do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40822,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Guillain-Barr\u00e9.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Seis meses depois de ser diagnosticado com a s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9 (SGB), a fam\u00edlia do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40821"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40821"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40821\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40822"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}