{"id":40738,"date":"2016-04-24T14:30:45","date_gmt":"2016-04-24T17:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40738"},"modified":"2016-04-23T18:28:56","modified_gmt":"2016-04-23T21:28:56","slug":"seis-guerreiros-que-lutam-pelo-meio-ambiente-e-uma-vida-segura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/seis-guerreiros-que-lutam-pelo-meio-ambiente-e-uma-vida-segura\/","title":{"rendered":"Seis guerreiros que lutam pelo meio ambiente e uma vida segura"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-40739\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas perigosas e press\u00f5es crescentes sobre os recursos que a Terra, generosa, nos oferta, nada melhor do que conhecer hist\u00f3rias de impacto, que inspiram a\u00e7\u00e3o. Neste 22 de abril, Dia da Terra, conhe\u00e7a a trajet\u00f3ria implac\u00e1vel de luta dos seis ativistas vencedores do Pr\u00eamio Goldman 2016, considerado o Nobel do meio ambiente.<\/p>\n<p>S\u00e3o pessoas corajosas que defendem o direito ao meio ambiente seguro e equilibrado em seus pa\u00edses \u2014 ainda que tenham de arriscar a pr\u00f3pria vida. No dia 3 de mar\u00e7o deste ano, Berta C\u00e1ceres, ativista ambiental e l\u00edder ind\u00edgena, que venceu a edi\u00e7\u00e3o 2015 do Pr\u00eamio por sua milit\u00e2ncia contra a constru\u00e7\u00e3o de uma represa hidrel\u00e9trica, foi assassinada em Honduras.<\/p>\n<p>Sua sina \u00e9 semelhante \u00e0quelas que tiveram, no Brasil, Chico Mendes (l\u00edder ambientalista assassinado em 1988), a irm\u00e3 Dorothy Stang (missin\u00e1ria norte-americana assassinada no Par\u00e1 em 2005) e o casal Jos\u00e9 Cl\u00e1udio Ribeiro da Silva e Maria do Esp\u00edrito Santo, assassinados em maio de 2011 ap\u00f3s denunciarem madeireiros e carvoeiros na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a, abaixo, as hist\u00f3rias de outros seis guerreiros do meio ambiente:<br \/>\nM\u00e1xima Acu\u00f1a<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o sabia ler nem escrever, mas sabia que a terra era sua alma<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/assets\/images\/2016\/4\/603372\/size_960_16_9_alcuna.jpg\" alt=\"\" width=\"636\" height=\"357\" \/>Goldman Prize 2016<br \/>\nM\u00e1xima Acu\u00f1a<\/p>\n<p>Ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas, a ind\u00fastria de minera\u00e7\u00e3o no Peru cresceu a uma velocidade vertiginosa. Com promessas de empregos e de prosperidade econ\u00f4mica, as licen\u00e7as de minera\u00e7\u00e3o do governo peruano se multiplicaram pelo pa\u00eds. Apesar dessas promessas, os camponeses rurais \u2014 que raramente foram consultados sobre os projetos de minera\u00e7\u00e3o \u2014 continuam a viver em grande parte na pobreza.<\/p>\n<p>Nas terras altas do norte do Peru, na regi\u00e3o da Cajamarca, onde quase metade das terras est\u00e3o sob concess\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o, a empresa americana Newmont, juntamente com a mineradora peruana Buenaventura, operam a mina Yanacocha, uma das minas de ouro e cobre a c\u00e9u aberto mais rent\u00e1veis no mundo.<\/p>\n<p>Em 2010, o cons\u00f3rcio anunciou o projeto de uma nova mina para extrair ouro na regi\u00e3o, batizado de Conga Mine. A investida inclu\u00eda drenar quatro lagos nas proximidades. Um deles, conhecido como Laguna Azul, seria transformado em um po\u00e7o de armazenamento de res\u00edduos, amea\u00e7ando as cabeceiras de cinco bacias hidrogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>O fim da vida pac\u00edfica<\/p>\n<p>Em 1994, M\u00e1xima Acu\u00f1a e seu marido compraram um lote de terra em um canto remoto das terras altas do norte do Peru conhecido como Tragadero Grande. Eles constru\u00edram uma pequena casa no terreno, onde criaram seus filhos. A fam\u00edlia vivia de batatas e outras culturas e criava ovelhas e vacas para produ\u00e7\u00e3o de leite e queijo. Ocasionalmente, ela fazia uma longa viagem para a cidade para vender legumes, latic\u00ednios e artesanato de l\u00e3.<\/p>\n<p>Um dia, em 2011, a mineradora veio \u00e0 porta dos Acu\u00f1as exigindo que eles sa\u00edssem de suas terras. Acun\u00e3 recusou. A brutalidade for\u00e7ou sua entrada. For\u00e7as armadas destru\u00edram sua casa e posses e deixaram uma de suas filhas inconscientes. A persegui\u00e7\u00e3o continuou. A empresa processou a fam\u00edlia em um tribunal local, que os considerou culpados por estarem em terra de interesse p\u00fablico. Acu\u00f1a foi condenada a tr\u00eas anos de pris\u00e3o e multa de quase US$ 2 000, uma quantia enorme para um agricultor de subsist\u00eancia no Peru.<\/p>\n<p>Implac\u00e1vel, ela buscou ajuda jur\u00eddica de uma ONG ambiental e conseguiu reverter sua situa\u00e7\u00e3o, provando que a terra era sua e, por isso, tinha todo o direito de permanecer nela. Em dezembro de 2014, os tribunais anularam sua senten\u00e7a de pris\u00e3o e a ordem de despejo. Como resultado, o projeto da nova mina n\u00e3o prosseguiu em Tragadero Grande, nem ao redor de Laguna Azul. Acu\u00f1a continua a enfrentar amea\u00e7as e persegui\u00e7\u00e3o da empresa de minera\u00e7\u00e3o, mas apesar do trauma e exaust\u00e3o, ela mant\u00e9m um not\u00e1vel senso de otimismo em sua luta cont\u00ednua por justi\u00e7a.<br \/>\nDestiny Watford<\/p>\n<p>Ela foi a pedra no caminho do maior incinerador de lixo dos EUA<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/assets\/images\/2016\/4\/603374\/size_960_16_9_destinywatford.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"359\" \/>Divulga\u00e7\u00e3o \/ Goldman Prize 2016<br \/>\nDestiny Watford<\/p>\n<p>Curtis Bay \u00e9 uma regi\u00e3o altamente industrializada no sul de Baltimore, nos Estados Unidos, cuja hist\u00f3ria \u00e9 marcada por repetidos deslocamentos de moradores para dar espa\u00e7o para refinarias de petr\u00f3leo, ind\u00fastrias qu\u00edmicas, esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto e outras instala\u00e7\u00f5es de grande impacto ambiental.<\/p>\n<p>A certa altura, um estudo apontou Baltimore como a cidade com mais mortes relacionadas \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar. Apesar da grave situa\u00e7\u00e3o, o Estado de Maryland aprovou, em 2010, planos para instalar na regi\u00e3o o maior incinerador de lixo dos Estados Unidos, com promessas de trazer energia &#8220;limpa&#8221; (transformando o g\u00e1s liberado pela decomposi\u00e7\u00e3o do lixo em eletricidade). Entretanto, estudos ambientais mostraram que a queima de tanto lixo iria liberar mais merc\u00fario que as poluentes usinas a carv\u00e3o, e isso ocorreria a menos dois quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de duas escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A \u00fanica coisa que estava no caminho da constru\u00e7\u00e3o do incinerador em Curtis Bay era a estudante Destine Watford. Ent\u00e3o com 16 anos, ela mobilizou sua comunidade para combater o incinerador usando m\u00eddia social e artes c\u00eanicas, juntamente com uma estrat\u00e9gia criativa para pressionar organiza\u00e7\u00e3o financiadoras a abandonarem o projeto. E ela conseguiu.<\/p>\n<p>Mas a amea\u00e7a do incinerador permanece. A empresa controladora ainda det\u00e9m o contrato de arrendamento da \u00e1rea. Apesar disso, Watford n\u00e3o esmoreceu. Ela ambiciona transformar o local para o verdadeiro benef\u00edcio da comunidade, explorando alternativas como a constru\u00e7\u00e3o de uma fazenda solar. Isso proporcionaria empregos em energia limpa para os moradores e seria um primeiro passo para incentivar o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Para isto, a ativista est\u00e1 recolhendo assinaturas e depoimentos em v\u00eddeo apelando para o Departamento de Energia de Maryland expulsar a empresa e seu projeto de incinerador. Com apoio suficiente, Watford espera ganhar o processo e reconquistar o orgulho de sua comunidade.<br \/>\nLeng Ouch<\/p>\n<p>Ele exp\u00f4s ao mundo a coniv\u00eancia criminosa entre empresas madeireiras e funcion\u00e1rios do governo de seu pa\u00eds<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/assets\/images\/2016\/4\/603376\/size_960_16_9_lengouch.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"359\" \/>Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nLeng Ouch<\/p>\n<p>As florestas do Camboja s\u00e3o um recurso vital para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, que vive em \u00e1reas rurais e depende da agricultura de pequena escala para a sua sobreviv\u00eancia. No entanto, vastas \u00e1reas florestais t\u00eam desaparecido a uma velocidade vertiginosa. No come\u00e7o dos anos 2000, o governo cambojano passou a emitir a concess\u00f5es econ\u00f4micas de terras (ELCs), um sistema de loca\u00e7\u00e3o de longo prazo destinado a promover o desenvolvimento da agricultura em larga escala, como planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar e borracha.<\/p>\n<p>Acontece que essas ELCs tornaram-se uma maneira de encobrir opera\u00e7\u00f5es madeireiras ilegais. Grande parte dessa madeira \u00e9 contrabandeada para a China para atender a demanda voraz por m\u00f3veis de luxo, considerados por muito tempo um s\u00edmbolo de status para a crescente classe m\u00e9dia alta daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds que ainda se recupera das atrocidades do regime do Khmer Vermelho (1975-1979), as ELCs tornaram-se uma nova forma de opress\u00e3o atrav\u00e9s do afastamento de agricultores pobres de sua \u00fanica fonte de sustento, a terra.<\/p>\n<p>O ativista<\/p>\n<p>Leng Ouch nasceu em uma fam\u00edlia pobre de agricultores pouco antes do autorit\u00e1rio Khmer Vermelho chegar ao poder. Durante o regime, ele e sua fam\u00edlia mudaram-se de floresta em floresta plantando alimentos para a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. Em 1980, poucos anos ap\u00f3s o t\u00e9rmino da guerra civil cambojana, eles mudaram-se para Phnom Penh. Como sua m\u00e3e sofria de doen\u00e7a mental e seu pai passava longas horas dirigindo um triciclo para sustentar a fam\u00edlia, Ouch foi deixado em grande parte por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Em uma escola particular local, ele fez um acordo para limpar as salas de aula e ajudar os professores em troca de educa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o tinha como pagar. Os ganhos de seu pai eram apenas suficientes para cobrir as despesas em casa. Apesar das dificuldades, Ouch perseverou e se destacou em seus estudos. Ele ganhou uma bolsa para estudar direito e come\u00e7ou a trabalhar com v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, um caminho que ele escolheu para ajudar os pobres e sem instru\u00e7\u00e3o a lutar por seus direitos contra abusos do governo.<\/p>\n<p>Ele fundou a ONG The Human Rights Task Force que exp\u00f4s a explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira para a comunidade internacional. Para conseguir provas, ele adotou v\u00e1rios disfarces &#8212; passou por um trabalhador, comerciante de madeira, motorista, turista, e at\u00e9 mesmo por um cozinheiro. Tudo para documentar as opera\u00e7\u00f5es ilegais do maior magnata da madeira do Camboja e exp\u00f4r a coniv\u00eancia criminosa entre empresas madeireiras e funcion\u00e1rios do governo em todos os n\u00edveis de poder.<\/p>\n<p>As den\u00fancias de Ouch contra o governo do Camboja colocaram-no sob um risco enorme, em um pa\u00eds onde o ativismo pode ser fatal. Chut Wutty, um ativista ambiental foi brutalmente assassinado em 2012, e em novembro passado, um guarda florestal e um policial foram mortos a tiros enquanto patrulhavam florestas contra a explora\u00e7\u00e3o madeireira ilegal e a ca\u00e7a furtiva.<\/p>\n<p>Em 2014, como resultado do crescente descontentamento entre os cambojanos e crescente escrut\u00ednio da comunidade internacional, o governo cancelou 23 concess\u00f5es de terra que cobrem 220.000 acres de floresta, incluindo dois ELCs que haviam sido concedidos dentro do Parque Nacional Virachey, \u00e1rea rica em biodiversidade &#8220;protegida&#8221; pelo governo federal.<\/p>\n<p>Atualmente, Ouch trabalha com uma equipe de advogados na formula\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de pol\u00edticas de combate \u00e0 extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira que possam ser replicadas em outros lugares.<br \/>\nZuzana Caputova<\/p>\n<p>Ela liderou a maior mobiliza\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os na Eslov\u00e1quia pelo direito ao meio ambiente limpo e equilibrado<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/assets\/images\/2016\/4\/603375\/size_960_16_9_zuzanacaputova.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"359\" \/>Divulga\u00e7\u00e3o \/ Goldman Prize 2016<br \/>\nZuzana Caputova<\/p>\n<p>Em Pezinok, uma encantadora cidade da Eslov\u00e1quia, a viticultura desempenha um papel importante na economia, atraindo turistas interessados em aprender sobre vinhos e suas hist\u00f3rias. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, o pa\u00eds tamb\u00e9m se tornou conhecido como um grande dep\u00f3sito de lixo de pa\u00edses vizinhos da Europa. O problema teve origem nos anos 1960, quando o lugar recebeu um aterro sem qualquer autoriza\u00e7\u00e3o ou salvaguardas, instalado a menos de um quil\u00f4metro de dist\u00e2ncia de uma \u00e1rea residencial.<\/p>\n<p>Quando o lix\u00e3o atingiu seu limite, um rico empreiteiro local com la\u00e7os estreitos com as autoridades planejou construir uma outra \u00e1rea de despejo. Apesar da exist\u00eancia de um decreto de 2002 que proibia aterros dentro dos limites da cidade, os planos para o segundo lix\u00e3o foram adiante sem qualquer resist\u00eancia. Enquanto isso, os residentes em Pezinok pagavam o pre\u00e7o do lix\u00e3o irrespons\u00e1vel. As taxas de c\u00e2ncer, doen\u00e7as respirat\u00f3rias e alergias na \u00e1rea come\u00e7aram a subir, com um tipo espec\u00edfico de leucemia sendo relatado oito vezes mais do que a m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Nascida e criada em Pezinok, Zuzana Caputova \u00e9 advogada de uma organiza\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico, a VIA IURIS. O legado t\u00f3xico do dep\u00f3sito de lixo afetou sua vida em v\u00e1rios n\u00edveis. O cheiro f\u00e9tido do aterro nas proximidades invadia todos os dias seu trabalho e sua casa, onde ela mantinha as janelas fechadas para proteger suas duas filhas pequenas. A gota d\u2019\u00e1gua foi quando seu tio e a mulher de um colega pr\u00f3ximo receberam diagn\u00f3sticos de c\u00e2ncer, na mesma semana.<\/p>\n<p>Armada com seu conhecimento jur\u00eddico, ela engajou artistas, empresas locais, produtores de vinho, estudantes, l\u00edderes religiosos e outros membros da comunidade em uma campanha popular para fechar o lix\u00e3o. Eles se reuniram e organizaram protestos pac\u00edficos, concertos e exposi\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas e coletaram mais de 8.000 assinaturas em uma peti\u00e7\u00e3o enviada ao Parlamento Europeu. Al\u00e9m de mobilizar a sociedade civil, ela criou um desafio legal implac\u00e1vel para o novo aterro atrav\u00e9s dos sistemas judiciais da Eslov\u00e1quia e da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>A campanha chegou ao auge em 2013, quando o Supremo Tribunal da Eslov\u00e1quia decidiu que o novo projeto de aterro era ilegal. O tribunal tamb\u00e9m ordenou que o antigo lix\u00e3o decr\u00e9pito fosse desligado. O veredito ecoou uma decis\u00e3o do Tribunal da UE da Justi\u00e7a, que destacou o direito da sociedade civil de participar das decis\u00f5es que afetam o meio ambiente, n\u00e3o s\u00f3 em Pezinok, mas em toda a UE.<\/p>\n<p>Caputova agora luta para reformular as leis de constru\u00e7\u00e3o e licenciamento na Eslov\u00e1quia e aumentar o acesso do p\u00fablico \u00e0 informa\u00e7\u00e3o ambiental e tomada de decis\u00e3o. Junto com seus colegas, ela tamb\u00e9m fornece assist\u00eancia jur\u00eddica para outras comunidades na Eslov\u00e1quia que est\u00e3o lutando contra a polui\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria em Pezinok \u2013 considerada a maior mobiliza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os desde da Revolu\u00e7\u00e3o de Veludo em 1989, que levou \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o do governo comunista da antiga Checoslov\u00e1quia \u2013 define um precedente importante para o engajamento c\u00edvico na Eslov\u00e1quia, com uma hist\u00f3ria inspiradora de cidad\u00e3os que lutam por seus direitos a um ambiente limpo e seguro.<br \/>\nLuis Jorge Rivera Herrera<\/p>\n<p>Ele liderou uma poderosa oposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica aos megarresorts em uma \u00e1rea de rico valor natural em Porto Rico<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/assets\/images\/2016\/4\/603377\/size_960_16_9_luisjorgerivera.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"359\" \/>Divulga\u00e7\u00e3o \/ Goldman Prize 2016<br \/>\nLuis Jorge Rivera Herrera<\/p>\n<p>O Corredor Ecol\u00f3gico do Nordeste (CEN), situado na costa norte de Porto Rico, tem um enorme valor paisag\u00edstico e biol\u00f3gico. Ele \u00e9 o lar de mais de 50 esp\u00e9cies raras, amea\u00e7adas ou em perigo. No final dos anos 90, com promessas de revitalizar a economia da regi\u00e3o, empreiteiros propuseram dois megarresorts, com mais de 3.500 quartos e unidades residenciais, v\u00e1rios campos de golfe, um shopping e outros edif\u00edcios. Estes projetos degradaram o habitat do corredor, afetando a vida selvagem e fontes de \u00e1gua, al\u00e9m de limitar o acesso p\u00fablico \u00e0s praias.<\/p>\n<p>Nascido em Porto Rico, Luis Jorge Rivera Herrera passou muitos fins de semana de sua inf\u00e2ncia em uma fazenda de cocos que era propriedade de sua fam\u00edlia desde 1873. Quando ele tinha 8 anos, o governo se apropriou da fazenda para construir uma planta de tratamento de \u00e1guas residuais no lugar.<\/p>\n<p>A lembran\u00e7a dos tratores destruindo o recanto familiar ajudou a construir a base de seu compromisso de vida para proteger o meio ambiente e exigir que o governo assuma as responsabilidades ambientais e respeite os direitos dos cidad\u00e3os. Na vida adulta, Rivera estudou ci\u00eancia ambiental e se especializou em gest\u00e3o e planejamento ambiental.<\/p>\n<p>Em 1999, ele viu um an\u00fancio de jornal sobre um novo projeto de megarresorts para regi\u00e3o. Por conhecer pessoalmente o valor recreativo e ambiental da \u00e1rea, ele estava determinado a n\u00e3o deixar o governo passar dessa vez. Rivera e um grupo de amigos organizaram uma oposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e0 empreitada.<\/p>\n<p>A campanha ganhou um novo impulso com a chegada do grupo ecologista americano Sierra Club, que levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma coaliz\u00e3o. Com seu apoio, Rivera desenvolveu um projeto de lei para a prote\u00e7\u00e3o do corredor como uma reserva natural. A lei foi aprovada na c\u00e2mara porto-riquenha, mas no final foi bloqueada por alguns senadores, um dos quais viria a ser condenado por corrup\u00e7\u00e3o e suborno.<\/p>\n<p>O projeto de lei acabou morrendo, mas os esfor\u00e7os de Rivera e da coaliz\u00e3o angariaram um apoio p\u00fablico formid\u00e1vel para a prote\u00e7\u00e3o do corredor, criando um ambiente pol\u00edtico seguro para o governador da \u00e9poca, Acevedo Vila, contornar o Legislativo e assinar uma ordem executiva para cria\u00e7\u00e3o da chamada reserva natural Nordeste Corredor Ecol\u00f3gico. Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o termina a\u00ed.<\/p>\n<p>Porto Rico elegeu um novo governador em 2008, que defendia uma plataforma de crescimento econ\u00f4mico atrelada ao setor da constru\u00e7\u00e3o. Empreiteiras por tr\u00e1s de megarresorts contribu\u00edram generosamente para a sua campanha, e logo depois que ele foi eleito, em outubro de 2009, o governador Fortu\u00f1o revogou a designa\u00e7\u00e3o feita por seu antecessor, deixando o corredor vulner\u00e1vel ao desenvolvimento desses projetos.<\/p>\n<p>Em 2012, Rivera Herrera e a coaliz\u00e3o, com ajuda de legisladores, aprovaram uma nova lei para cria\u00e7\u00e3o da reserva. Dada a imensa press\u00e3o p\u00fablica e ao risco de perder sua reelei\u00e7\u00e3o, Fortu\u00f1o assinou o projeto de lei. A decis\u00e3o ganhou mais vigor em abril de 2013, quando o ent\u00e3o governador eleito, Garc\u00eda-Padilla, expandiu a declara\u00e7\u00e3o de reserva natural para incluir terras privadas localizadas no corredor.<\/p>\n<p>O ativista e seus colegas da coaliz\u00e3o agora angariam fundos para ajudar o governo a comprar os terrenos particulares que permanecem no corredor. Al\u00e9m disso, eles est\u00e3o trabalhando junto com os cidad\u00e3os em um plano que visa desenvolver o corredor como destino de ecoturismo, que vai gerar o financiamento para recupera\u00e7\u00e3o e manejo de fauna e flora, al\u00e9m de revitalizar a economia local.<br \/>\nEdward Loure<\/p>\n<p>Ele usou a for\u00e7a da uni\u00e3o das comunidades tradicionais para garantir o direito \u00e0 terra na Tanz\u00e2nia<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/assets\/images\/2016\/4\/603378\/size_960_16_9_edwardloure.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"359\" \/>Divulga\u00e7\u00e3o \/ Goldman Prize 2016<br \/>\nEdward Loure<\/p>\n<p>Nos pastos do norte da Tanz\u00e2nia, comunidades de pastores e ca\u00e7adores viviam de forma sustent\u00e1vel h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, em coexist\u00eancia com a migra\u00e7\u00e3o de animais selvagens nativos. As comunidades Maasai movem seus rebanhos de acordo com as esta\u00e7\u00f5es do ano, tomando cuidado para n\u00e3o abusar dos recursos da terra a fim de compartilh\u00e1-los com os gnus, gazelas e outros animais que mant\u00eam o ecossistema em equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nos anos 1950, o estabelecimento de parques nacionais deslocou os povos ind\u00edgenas de suas terras tradicionais. Eles tornaram-se &#8220;refugiados da conserva\u00e7\u00e3o.&#8221; Nos \u00faltimos anos, esses conflitos t\u00eam crescido. Migrantes urbanos invadem pastagens tradicionalmente geridas pelo povo Maasai, enquanto o governo vende concess\u00f5es de terras a uma ind\u00fastria florescente de safari e ca\u00e7a.<\/p>\n<p>O aumento da concorr\u00eancia sobre a terra limitada n\u00e3o s\u00f3 tem perturbado o equil\u00edbrio do ecossistema, mas tamb\u00e9m deslocado fisicamente os povos ind\u00edgenas, cuja exist\u00eancia e subsist\u00eancia desempenham um papel fundamental na prote\u00e7\u00e3o da vida selvagem e do meio ambiente. Sem contar que a receita criada a partir a ind\u00fastria do turismo raramente flui de volta para beneficiar as comunidades deslocadas.<\/p>\n<p>Nascido em uma tribo Maasai, Edward Loure cresceu nas plan\u00edcies onde sua fam\u00edlia e outras pessoas da comunidade levavam uma vida semin\u00f4made pac\u00edfica em harmonia com a natureza. Mas tudo mudou em 1970, quando o governo da Tanz\u00e2nia despejou os Maasai de suas terras para criar o Parque Nacional de Tarangire.<\/p>\n<p>Suas experi\u00eancias pessoais, forma\u00e7\u00e3o cultural e educa\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o colocaram-no em uma posi\u00e7\u00e3o especial para liderar a equipe de uma organiza\u00e7\u00e3o local em defesa do direito \u00e0 terra das comunidades e do desenvolvimento sustent\u00e1vel no norte da Tanz\u00e2nia. Loure e a equipe da ONG (UCRT) encontraram uma oportunidade em um aspecto particular de Maasai: a forte cultura comunit\u00e1ria. Isso tornou-se a base para a emiss\u00e3o de certificados de ocupa\u00e7\u00e3o de terra usando uma abordagem criativa.<\/p>\n<p>Em vez do modelo convencional de dar t\u00edtulos de terra a indiv\u00edduos, Loure permitiu que comunidades inteiras garantissem os direitos indivis\u00edveis sobre suas terras tradicionais e gerissem esses territ\u00f3rios atrav\u00e9s de estatutos e planos de gest\u00e3o. Ao formalizar propriedades de terra de comunidades e fornecer a documenta\u00e7\u00e3o legal, os certificados iriam ajud\u00e1-los a proteger seus direitos \u00e0 terra e garantir a gest\u00e3o ambiental do seu territ\u00f3rio para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Lure e a ONG, juntamente com parceiros nacionais e internacionais, buscam agora replicar o modelo em toda a Tanz\u00e2nia, com pastagens comuns de cerca de 700.000 acres programados para titula\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos dois anos. Seu objetivo \u00e9 ampliar os esfor\u00e7os para que a titula\u00e7\u00e3o da terra com base na comunidade torne-se um componente-chave do planejamento e gest\u00e3o do uso da terra, equilibrando as necessidades das pessoas com o ambiente e a economia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas perigosas e press\u00f5es crescentes sobre os recursos que a Terra,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40739,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/guerreiro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas perigosas e press\u00f5es crescentes sobre os recursos que a Terra,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40738"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40738\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}