{"id":40727,"date":"2016-04-24T13:00:59","date_gmt":"2016-04-24T16:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40727"},"modified":"2016-04-23T18:08:46","modified_gmt":"2016-04-23T21:08:46","slug":"por-que-o-leite-materno-nao-pode-ser-substituido-por-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-o-leite-materno-nao-pode-ser-substituido-por-nada\/","title":{"rendered":"Por que o leite materno n\u00e3o pode ser substitu\u00eddo por nada"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-40728\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em um primeiro olhar, o leite materno pode parecer s\u00f3 mais um alimento, especialmente nutritivo, talvez, e melhor adaptado \u00e0s necessidades do beb\u00ea, nada muito al\u00e9m disso. Mas a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 err\u00f4nea. Durante milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o, esse l\u00edquido foi aperfei\u00e7oado para se transformar, al\u00e9m de um alimento fundamental, <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/11\/05\/politica\/1446747289_116304.html\" target=\"_blank\">em um canal de comunica\u00e7\u00e3o<\/a> no qual a m\u00e3e transmite ao seu filho ferramentas essenciais para sua sobreviv\u00eancia. Amamentar reduz a mortalidade infantil e as infec\u00e7\u00f5es, e tem liga\u00e7\u00e3o com um risco menor de obesidade. E a sa\u00fade da m\u00e3e tamb\u00e9m \u00e9 beneficiada, j\u00e1 que a lact\u00e2ncia protege contra o c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do leite materno no desenvolvimento humano o transforma em um interessante elemento de estudo, mas sua complexidade faz com que os cientistas ainda n\u00e3o tenham sido capazes de descobrir seus segredos. \u201cO leite materno \u00e9 t\u00e3o complexo e t\u00e3o rico em fatores bioativos (prote\u00ednas que estimulam o sistema imunol\u00f3gico, prote\u00ednas antimicrobianas, anticorpos&#8230;) que n\u00e3o pode ser substitu\u00eddo por <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/09\/20\/ciencia\/1442747482_528167.html\" target=\"_blank\">nenhuma vers\u00e3o artificial<\/a>\u201d, explica Thierry Hennet, pesquisador do Instituto de Fisiologia da Universidade de Zurique (Su\u00ed\u00e7a). Hennet, que acaba de publicar uma revis\u00e3o sobre os esfor\u00e7os para compreender esse produto na revista <em>Trends in Biochemical Sciences<\/em>, acrescenta que a \u201cprodu\u00e7\u00e3o de uma f\u00f3rmula infantil que inclua todos os elementos do leite materno seria t\u00e3o cara que ningu\u00e9m conseguiria realiz\u00e1-la\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">O per\u00edodo fundamental da lact\u00e2ncia \u00e9 o primeiro m\u00eas, quando ajuda a formar o sistema imunol\u00f3gico do beb\u00ea<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/04\/10\/estilo\/1428693077_027317.html\" target=\"_blank\">O leite produzido pela m\u00e3e<\/a> muda para se adaptar ao desenvolvimento do beb\u00ea. Por um lado, varia a quantidade. No come\u00e7o, cada seio produz, em m\u00e9dia, 450 gramas de leite por dia. Quinze meses depois, dependendo da frequ\u00eancia da amamenta\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria pode chegar a mais ou menos 200 gramas. Al\u00e9m disso, a composi\u00e7\u00e3o muda. Uma das fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas do leite materno \u00e9 construir o sistema imunol\u00f3gico do beb\u00ea. Essa tarefa j\u00e1 foi descrita em 1903 e foi vinculada \u00e0 presen\u00e7a de anticorpos no leite. Agora se sabe tamb\u00e9m que a quantidade de anticorpos maternos \u00e9 muito maior durante o primeiro m\u00eas de vida do beb\u00ea. Depois, quando a crian\u00e7a j\u00e1 come\u00e7ou a construir suas pr\u00f3prias defesas, a porcentagem de anticorpos da m\u00e3e no leite cai 90%.<\/p>\n<p>A complexidade a qual se refere Hennet pode ser associada \u00e0s mais de 200 mol\u00e9culas diferentes de a\u00e7\u00facar encontradas no leite humano, muito acima das aproximadamente 50 encontradas <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/06\/24\/ciencia\/1435133903_111790.html\" target=\"_blank\">no leite de vaca.<\/a> Mesmo que n\u00e3o se conhe\u00e7a com precis\u00e3o o trabalho desses a\u00e7\u00facares, acredita-se que uma de suas fun\u00e7\u00f5es consiste em alimentar as bact\u00e9rias que devem colonizar o intestino do beb\u00ea, que nasce sem esses microrganismos que determinar\u00e3o boa parte de sua sa\u00fade futura.<\/p>\n<p>Todos esses benef\u00edcios para a sa\u00fade do beb\u00ea fazem com que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade recomende que o beb\u00ea se alimente do seio de sua m\u00e3e durante seus primeiros seis meses de vida, e depois durante pelo menos mais um ano como complemento da comida s\u00f3lida. \u201cA partir desse per\u00edodo, se quiser e puder continuar, melhor\u201d, diz Nadia Garc\u00eda Lara, respons\u00e1vel pelo banco regional de leite materno do Hospital 12 de Outubro em Madri.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Os leites maternos sint\u00e9ticos melhoraram, mas n\u00e3o conseguiram reproduzir a complexidade do original<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>\u201cDo ponto de vista cient\u00edfico, a superioridade da lact\u00e2ncia materna \u00e9 enorme, mas entre os anos 50 e 90 existiu uma pesada influ\u00eancia da ind\u00fastria l\u00e1ctea, que promoveu os leites artificiais\u201d, conta Garc\u00eda Lara. \u201cOutro assunto \u00e9 que, apesar de todos os benef\u00edcios que conhecemos, que aumentam quando a lact\u00e2ncia se prolonga, a lact\u00e2ncia materna \u00e9 muito dif\u00edcil <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/01\/13\/politica\/1452720755_219340.html\" target=\"_blank\">e precisa de muito apoio por parte da sociedade<\/a>\u201d, continua. \u201cApesar da melhora dos leites artificiais, e da capacidade de sintetizar muitos de seus componentes, seu valor se encontra na composi\u00e7\u00e3o global, na intera\u00e7\u00e3o de seus componentes, e at\u00e9 mesmo na gen\u00e9tica e na flora microbiana da m\u00e3e\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Apesar de mostrar o ac\u00famulo de testes sobre os benef\u00edcios da lact\u00e2ncia, o artigo de Hennet tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o sobre alguns riscos. Alguns contaminantes presentes no ambiente podem se acumular no tecido do seio das mulheres e ser transmitidos \u00e0s crian\u00e7as. \u201cForam descritas correla\u00e7\u00f5es positivas entre alguns ftalatos [compostos qu\u00edmicos utilizados em pl\u00e1sticos e tecidos] no leite materno e n\u00edveis alterados de horm\u00f4nios sexuais em beb\u00eas de tr\u00eas meses\u201d, diz Hennet. Na opini\u00e3o do pesquisador da Universidade de Zurique, o trabalho dos cientistas para controlar esse risco consiste em identificar os contaminantes para elimin\u00e1-los dos processos industriais e dessa forma do ambiente e de nossos organismos.<\/p>\n<p>Hennet conclui seu trabalho reconhecendo que, independentemente das virtudes biol\u00f3gicas da lact\u00e2ncia, n\u00e3o \u00e9 trabalho dos cientistas decidir at\u00e9 quando uma m\u00e3e deve amamentar. <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/12\/04\/eps\/1417719386_699847.html\" target=\"_blank\">Essas decis\u00f5es<\/a>, afirma, \u201ccabem \u00e0s fam\u00edlias\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um primeiro olhar, o leite materno pode parecer s\u00f3 mais um alimento, especialmente nutritivo,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/amamamentacao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em um primeiro olhar, o leite materno pode parecer s\u00f3 mais um alimento, especialmente nutritivo,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40727"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40727"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40727\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}