{"id":40606,"date":"2016-04-23T09:03:15","date_gmt":"2016-04-23T12:03:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40606"},"modified":"2016-04-23T09:03:45","modified_gmt":"2016-04-23T12:03:45","slug":"nova-especie-de-jararaca-descoberta-em-ilha-do-espirito-santo-pode-estar-em-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nova-especie-de-jararaca-descoberta-em-ilha-do-espirito-santo-pode-estar-em-extincao\/","title":{"rendered":"Nova esp\u00e9cie de jararaca descoberta em ilha do Esp\u00edrito Santo pode estar em extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/noticias\/jararaca-Bothrops-sazimai-credito-Ravel-Zorzal.jpg\" alt=\"Por meio das compara\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas, os pesquisadores identificaram o conjunto de nuances que distingue a popula\u00e7\u00e3o de jararacas da Ilha dos Franceses das serpentes que ocorrem no continente - Imagem: Ravel Zorzal\" \/>Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes) e do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBIO) publicaram no peri\u00f3dico cient\u00edfico internacional\u00a0<em>Zootaxa<\/em>\u00a0artigo em que descrevem uma <strong>nova esp\u00e9cie de jararaca<\/strong>, nativa da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ilha_dos_Franceses\" target=\"_blank\">Ilha dos Franceses<\/a>, na costa do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Localizada a menos de 5 quil\u00f4metros da praia de Itaipava, no munic\u00edpio capixaba de Itapemirim, a Ilha dos Franceses tem cerca de 15 hectares de territ\u00f3rio e \u00e9 rodeada por \u00e1guas muito rasas, caracter\u00edsticas que ajudaram a tornar o lugar um destino tur\u00edstico da regi\u00e3o. Devido \u00e0 sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia reduzida e ao acesso constante de turistas \u00e0 ilha, a nova esp\u00e9cie deve ser considerada como criticamente em perigo de extin\u00e7\u00e3o, alertam os pesquisadores no artigo.<\/p>\n<p>\u201cO fato de que a serpente tem toda a sua popula\u00e7\u00e3o restrita a uma pequena ilha facilmente acess\u00edvel a partir da costa a torna \u00fanica para estudos ecol\u00f3gicos e evolutivos, mas tamb\u00e9m altamente amea\u00e7ada, especialmente se considerarmos que o local j\u00e1 sofre deteriora\u00e7\u00e3o pela a\u00e7\u00e3o humana. Essas altera\u00e7\u00f5es no habitat natural amea\u00e7am sua preserva\u00e7\u00e3o e precisam ser observadas\u201d, alertou Ricardo Sawaya, da Unifesp, um dos pesquisadores principais do projeto tem\u00e1tico\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/46143\" target=\"_blank\">&#8220;Origem e evolu\u00e7\u00e3o das serpentes e a sua diversifica\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o neotropical: uma abordagem multidisciplinar&#8221;<\/a><\/strong>, realizado com apoio da FAPESP no \u00e2mbito do programa\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/biota\" target=\"_blank\">BIOTA<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Diante da deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade de vida do habitat natural diminuto da esp\u00e9cie, os pesquisadores sugerem no artigo que ela seja enquadrada na categoria de amea\u00e7a mais elevada da Uni\u00e3o Internacional para Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN, na sigla em ingl\u00eas), a de criticamente em perigo (CR).<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que a sugest\u00e3o seja considerada na pr\u00f3xima rodada de avalia\u00e7\u00f5es da IUCN e que o animal seja inclu\u00eddo na Lista Vermelha da organiza\u00e7\u00e3o, que avalia o estado de conserva\u00e7\u00e3o de plantas, animais, fungos e protistas, chamando a aten\u00e7\u00e3o da comunidade internacional para que sejam tomadas medidas de conserva\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Sawaya.<\/p>\n<p>Nomeada\u00a0<strong><em>Bothrops sazimai<\/em>\u00a0<\/strong>em homenagem ao naturalista Ivan Sazima, professor colaborador do Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a nova esp\u00e9cie tem h\u00e1bitos noturnos, \u00e9 semiarbor\u00edcola \u2013 vive sobre as \u00e1rvores e no solo \u2013 e se alimenta de pequenos lagartos e centopeias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/ilha-dos-franceses-ES-prefeitura-de-Itapemirim.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"424\" \/><\/p>\n<p><em>Ilha dos Franceses, na costa do Esp\u00edrito Santo: local onde foi encontrada a nova esp\u00e9cie de jararaca &#8211; Imagem: Prefeitura Municipal de Itapemerim(ES)<\/em><\/p>\n<p><strong>Jararacas ilhadas<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00a0<em>Bothrops sazimai<\/em>\u00a0ser descoberta, apenas tr\u00eas esp\u00e9cies de jararacas nativas de ilhas brasileiras haviam sido descritas, todas na costa paulista: a\u00a0<em>Bothrops insularis<\/em>, conhecida como jararaca-ilhoa, da Ilha da Queimada Grande; a\u00a0<em>Bothrops alcatraz<\/em>, ou jararaca-de-alcatrazes, nativa da Ilha de Alcatrazes; ea<em>Bothrops otavioi<\/em>, da Ilha Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>De acordo com as compara\u00e7\u00f5es feitas pelos pesquisadores, as esp\u00e9cies insulares possuem pequenas varia\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas entre si e diferem da\u00a0<em>Bothrops jararaca<\/em>, a jararaca comum do continente que deve ter um ancestral em comum com as demais. Com a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e consequente separa\u00e7\u00e3o de por\u00e7\u00f5es de terra do continente oceano adentro, as esp\u00e9cies se isolaram e se diferenciaram, provavelmente de acordo com as condi\u00e7\u00f5es dos novos habitats. A principal diferen\u00e7a \u00e9 o tamanho reduzido de tr\u00eas das quatro esp\u00e9cies que vivem nas ilhas, a\u00a0<em>Bothrops sazimai<\/em>\u00a0inclusa.<\/p>\n<p>\u201cUma das hip\u00f3teses \u00e9 que esses bichos que ficam restritos a ilhas podem ter seu tamanho reduzido pela altera\u00e7\u00e3o substancial da sua dieta. Jararacas do continente se alimentam quando filhotes de presas ectot\u00e9rmicas, como anf\u00edbios e lagartos, e de pequenos mam\u00edferos quando adultas. Como n\u00e3o h\u00e1 mam\u00edferos dispon\u00edveis, as jararacas das ilhas mant\u00eam os h\u00e1bitos alimentares de um filhote ao longo de toda a vida, adaptando-se morfologicamente a essa dieta, cujo retorno energ\u00e9tico \u00e9 mais baixo\u201d, explicou Fausto Erritto Barbo, do Museu de Zoologia da USP, respons\u00e1vel pela pesquisa\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/46143\" target=\"_blank\">&#8220;Sistem\u00e1tica filogen\u00e9tica, biogeografia e revis\u00e3o taxon\u00f4mica do grupo Bothrops jararaca (serpentes, Viperidae)&#8221;<\/a><\/strong>, realizada com o apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>Foram examinados 58 esp\u00e9cimes da nova esp\u00e9cie, sendo nove fotografados e liberados e apenas cinco coletados e levados da ilha para serem colocados em museus de hist\u00f3ria natural. Os dados sobre os demais esp\u00e9cimes da amostragem estavam dispon\u00edveis em cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/nova-especie-de-jararaca-divulgacao.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"382\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Para descrever a nova esp\u00e9cie, pesquisadores da USP e da Unifesp utilizaram softwares que comparam regi\u00f5es da cabe\u00e7a do animal, marcadas com pontos, na fotografia \u2013 Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Com c\u00e2meras de alta resolu\u00e7\u00e3o, as fotografias foram feitas em uma dist\u00e2ncia padr\u00e3o e analisadas em computadores por meio de<em>softwares<\/em>\u00a0que comparam regi\u00f5es da cabe\u00e7a do animal marcadas com pontos pelos pesquisadores. Foram realizadas an\u00e1lises de dois tipos: lineares, comparando-se o tamanho do corpo e da cauda, e geom\u00e9tricas, que detectam varia\u00e7\u00f5es de forma da cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Os esp\u00e9cimes foram comparados com 154 exemplares de\u00a0<em>Bothrops jararaca<\/em>\u00a0de diferentes localidades do continente, distribu\u00eddas entre os estados do Esp\u00edrito Santo (82), S\u00e3o Paulo (30), Paran\u00e1 (23), Santa Catarina (9) e Rio Grande do Sul (10). Tamb\u00e9m foram feitas compara\u00e7\u00f5es com oito esp\u00e9cimes de\u00a0<em>B. alcatraz<\/em>, 26 de\u00a0<em>B. insularis<\/em>\u00a0e 31 de B. otavioi.<\/p>\n<p>Por meio das compara\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas, os pesquisadores identificaram o conjunto de nuances que distingue a popula\u00e7\u00e3o de jararacas da Ilha dos Franceses das serpentes que ocorrem no continente e nas demais ilhas onde novas esp\u00e9cies foram descobertas.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo est\u00e3o dispon\u00edveis no artigo\u00a0<em>Another new and threatened species of lancehead genus Bothrops (Serpentes, Viperidae) from Ilha dos Franceses, Southeastern Brazil<\/em>, em\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/biotaxa.org\/Zootaxa\/article\/view\/zootaxa.4097.4.4\" target=\"_blank\">biotaxa.org\/Zootaxa\/article\/view\/zootaxa.4097.4.4<\/a><\/strong>. Al\u00e9m de Sawaya e Barbo, assinam Jo\u00e3o Luiz Gasparini, do Departamento de Ecologia e Oceanografia da Ufes; Antonio P. Almeida, da Reserva Biol\u00f3gica de Comboios do ICMBIO; Hussam Zaher e Felipe G. Grazziotin, do Museu de Zoologia da USP; e Rodrigo B. Gusm\u00e3o e Jos\u00e9 M\u00e1rio G. Ferrarini, com mestrado em Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o pela Unifesp.<\/p>\n<p>Fonte: Revista Ecol\u00f3gico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), da","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40606"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40606"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40606\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}