{"id":40445,"date":"2016-04-10T14:51:08","date_gmt":"2016-04-10T17:51:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40445"},"modified":"2016-04-10T14:51:08","modified_gmt":"2016-04-10T17:51:08","slug":"seychelles-programas-de-conservacao-devolvem-beleza-e-diversidade-a-essas-ilhas-do-indico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/seychelles-programas-de-conservacao-devolvem-beleza-e-diversidade-a-essas-ilhas-do-indico\/","title":{"rendered":"Seychelles: programas de conserva\u00e7\u00e3o devolvem beleza e diversidade a essas ilhas do \u00cdndico"},"content":{"rendered":"<div class=\"text-event\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"\n                NG - O Atol St. Joseph\n              \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2016\/03\/30\/1419\/6IivB\/mm8274_141205_092096.jpeg?1459360124\" alt=\"\n                NG - O Atol St. Joseph\n              \" width=\"640\" height=\"424\" \/>Nick Page, um neozeland\u00eas alto-astral de rosto bronzeado e cabelo preto encaracolado, mostra a foto do \u201cmais procurado\u201d da Ilha Assumption: um bulbul-de-bigode-vermelho (<em>Pycnonotus jocosus<\/em>), ave um pouco menor que um sabi\u00e1, com uma crista negra espetada como penteado moicano e um chamativo tufo de penas vermelhas na face. Desde 2013, um grupo de ca\u00e7adores conservacionistas matou e recolheu 5 278 dessas aves na ilha de 12 quil\u00f4metros quadrados 400 quil\u00f4metros ao norte de Madag\u00e1scar. Agora resta apenas um bulbul.<\/p>\n<p>Page quase chegou por duas vezes aos 5 279, mas o azar impediu o tiro. Na primeira ocasi\u00e3o, um milhafre-preto passou voando e espantou sua presa; na segunda, desabou uma tempestade. T\u00edpicos contratempos de um atirador como ele. Mas Page, um jovem ecologista p\u00f3s-graduado, garante que \u201ccom um pouco de sorte e me escondendo bastante\u201d pegar\u00e1 o bulbul. Estende o polegar e diz, sorrindo: \u201cOlhe o tamanho do alvo\u201d.<\/p>\n<p>Os bulbuls-de-bigode-vermelho s\u00e3o passarinhos vivazes com um canto vibrante. Nativos da \u00c1sia, nos anos 1970 foram trazidos para Assumption como animais de estima\u00e7\u00e3o por coletores de guano das Ilhas Maur\u00edcio. N\u00e3o se sabe se escaparam das gaiolas ou foram soltos, mas sua popula\u00e7\u00e3o cresceu demais, e eles viraram uma praga. Est\u00e3o sendo erradicados n\u00e3o por sua presen\u00e7a em Assumption, mas pela proximidade com Aldabra, a 28 quil\u00f4metros no \u00cdndico.<\/p>\n<p>Aldabra \u00e9 a mais ocidental das 115 ilhas e at\u00f3is das <strong>Seychelles <\/strong>e uma das mais importantes reservas naturais do mundo. Entre seus tesouros biol\u00f3gicos est\u00e1 um bulbul end\u00eamico. Os gestores de preserva\u00e7\u00e3o receiam que, se o imigrante asi\u00e1tico colonizar a ilha, passe a competir com os bulbuls locais e com outras aves nativas pelos recursos alimentares limitados, a predar invertebrados end\u00eamicos e a introduzir sementes de plantas invasoras. \u201cPara proteger as joias, \u00e9 preciso repelir os invasores\u201d, acredita Jessica Moumou, a chefe do projeto de erradica\u00e7\u00e3o. \u201cBulbuls-de-bigode-vermelho chegaram uma vez a Aldabra. Podem fazer isso de novo.\u201d A Funda\u00e7\u00e3o Ilhas Seychelles, que administra Aldabra, n\u00e3o pode permitir esse risco. Por isso, lida com o problema na sua origem: Assumption.<\/p>\n<p>Os bulbuls n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos na mira. O tecel\u00e3o-de-madag\u00e1scar, um passarinho vermelho-fogo parecido com o tentilh\u00e3o, tamb\u00e9m est\u00e1 sendo extirpado. \u00c9 mais um que tem um cong\u00eanere em Aldabra. Nos anos 2000, os tecel\u00f5es forasteiros geraram em Aldabra uma popula\u00e7\u00e3o que chegou \u00e0 casa da centena antes que a detectassem e tivesse in\u00edcio a campanha de exterm\u00ednio.<\/p>\n<p>Matar ave para salvar ave parece uma troca perversa, uma intromiss\u00e3o equivocada nos assuntos da natureza. H\u00e1 quem critique a restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica como um equivalente da interfer\u00eancia humana que prejudicou primeiro os ecossistemas insulares. \u00c9 brincar de Deus com a natureza: tirar uma pe\u00e7a aqui, devolver outra ali.<\/p>\n<p>Os ecologistas veem o problema por outro \u00e2ngulo: estragou, conserte. O homem introduziu esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, com ou sem inten\u00e7\u00e3o, e elas alteraram os ecossistemas das ilhas at\u00e9 que alguns se tornaram irreconhec\u00edveis. Isso acontece especialmente quando os rec\u00e9m-chegados s\u00e3o mam\u00edferos. Em arquip\u00e9lagos isolados como as Seychelles \u2013 assim como em minha terra, a Nova Zel\u00e2ndia \u2013, a vida evoluiu na aus\u00eancia quase total de mam\u00edferos. (Em ambos os grupos de ilhas, os \u00fanicos mam\u00edferos nativos s\u00e3o os morcegos.) As esp\u00e9cies insulares n\u00e3o resistem \u00e0 preda\u00e7\u00e3o e \u00e0 competi\u00e7\u00e3o de mam\u00edferos que evolu\u00edram em continentes. A restaura\u00e7\u00e3o procura tornar justo o jogo ecol\u00f3gico. \u00c0s vezes, o \u00fanico modo de fazer isso \u00e9 tirar os valent\u00f5es do p\u00e1tio da escola.<\/p>\n<p>Dez dias depois do meu encontro com Page, ele mata o \u00faltimo bulbul-de-bigode-vermelho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2016\/03\/30\/1418\/5tY2z\/mm8274_140324_016928.jpeg?1459360120\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"395\" \/> <em> Hora da pregui\u00e7a em cent\u00edmetros de \u00e1gua para os tubar\u00f5es-galha-preta, \u00e0 espera de que a mar\u00e9 reencha a laguna no remoto Atol Aldabra &#8211; Foto: Thomas P. Peschak<\/em><\/p>\n<p>DIZEM QUE VIVEMOS na era da sexta extin\u00e7\u00e3o em massa: um espasmo de perda de esp\u00e9cies induzido pelo homem, uma grande revis\u00e3o da hist\u00f3ria da vida. Como reverter essa trajet\u00f3ria? Poder\u00edamos come\u00e7ar recitando as primeiras frases da Constitui\u00e7\u00e3o das Seychelles: \u201cN\u00f3s, o Povo das Seychelles, GRATOS a Deus Todo-Poderoso por habitarmos uma das mais belas regi\u00f5es do mundo; SEMPRE CONSCIENTES da singularidade e fragilidade das Seychelles[\u2026] [declaramos ser nosso compromisso imut\u00e1vel] ajudar a preservar um meio ambiente seguro, sadio e funcional para n\u00f3s mesmos e para a posteridade\u201d.<\/p>\n<p>Parece at\u00e9 um manifesto conservacionista, e com raz\u00e3o, pois h\u00e1 muito a preservar ali, sobretudo no conjunto de ilhas gran\u00edticas no leste do arquip\u00e9lago. Essas ilhas, onde vive a maioria dos 93 mil habitantes, s\u00e3o os picos das montanhas de uma massa de terra submersa que se destacou do continente de Gondwana, juntamente com a \u00cdndia e Madag\u00e1scar, h\u00e1 125 milh\u00f5es de anos, e levou consigo uma biota antiga.<\/p>\n<p><strong>Diversidade biol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p>Assim, o longu\u00edssimo isolamento evolucion\u00e1rio, aliado a inje\u00e7\u00f5es ocasionais de novo capital biol\u00f3gico, produziu nas Seychelles um elenco de curiosidades que inclui r\u00e3s menores que uma unha e <a href=\"http:\/\/viajeaqui.abril.com.br\/national-geographic\/blog\/curiosidade-animal\/a-luta-para-salvar-as-tartarugas-gigantes-de-galapagos-da-extincao\/\" target=\"_self\" rel=\"tartarugas-gigantes\">tartarugas-gigantes<\/a> que pesam um quarto de tonelada; uma palmeira cujo coco \u00e9 t\u00e3o grande que, se cair em algu\u00e9m, pode esmagar seu cr\u00e2nio; uma \u00e1rvore cujas sementes v\u00eam em frutos parecidos com medusas; um escorpi\u00e3o com bra\u00e7os como os do louva-a-deus, que captura presas com uma vergastada mortal; e caranguejos terrestres do tamanho de um gato.<\/p>\n<p>A ilha gran\u00edtica no extremo leste \u00e9 a Fr\u00e9gate, propriedade particular que \u00e9 ao mesmo tempo resort de luxo e ref\u00fagio para v\u00e1rias criaturas raras. Uma delas \u00e9 o magpie-robin-de-seychelles, cuja elegante plumagem alvinegra e \u00edndole curiosa fazem dele o queridinho da ilha. O p\u00e1ssaro j\u00e1 foi muito comum, mas, em meados dos anos 1960, restava menos de 15 vivos, todos concentrados nessa ilha de pouco mais de 2 quil\u00f4metros quadrados. Os conservacionistas iniciaram um programa de recupera\u00e7\u00e3o. Primeiro, erradicaram os gatos ferais. Depois, forneceram caixas para ninhos e alimento suplementar para elevar as chances de reprodu\u00e7\u00e3o. Quando os n\u00fameros aumentaram, os p\u00e1ssaros foram transferidos a outros santu\u00e1rios insulares livres de predadores para diluir o risco. Com tudo isso, hoje a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 cont\u00e9m v\u00e1rias centenas de esp\u00e9cimes.<\/p>\n<p>N\u00e3o menos importantes no pante\u00e3o das rel\u00edquias da Fr\u00e9gate s\u00e3o os mil\u00edpedes gigantes \u2013 artr\u00f3podes pretos lustrosos, da largura de um dedo e com 15 cent\u00edmetros de comprimento, que se aglomeram embolados no tronco das \u00e1rvores e atravessam impunes as estradas da ilha. \u201cEu paro para mil\u00edpedes\u201d seria um bom adesivo de para-choque para os carrinhos de golfe usados pelos h\u00f3spedes do resort. Esses magn\u00edficos rastejadores s\u00e3o mais ativos quando escurece; por isso, acompanho Tanya Leibrick, gestora de preserva\u00e7\u00e3o do resort, em uma caminhada noturna pela floresta. Avan\u00e7amos devagar, medindo cada passo para evitar um esmagamento fatal. Cientistas calculam que um quinto do folhedo que cai na mata a cada 24 horas \u00e9 consumido pelos mil\u00edpedes. Vemos uma dezena deles devorando uma manga ca\u00edda, como porcos no cocho.<\/p>\n<p>O facho das nossas lanternas de cabe\u00e7a focaliza ent\u00e3o um besouro <em>Polposipus herculeanus<\/em>, com o abdome marcado por bolinhas em relevo, como escrita braille, e duas min\u00fasculas garras em gancho na ponta de cada perna. Eu estava torcendo para encontrar esse inseto, um dos maiores tenebrion\u00eddeos (\u201cque gosta das trevas\u201d) do mundo, livre na natureza apenas em Fr\u00e9gate.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2016\/03\/30\/1418\/5tY2z\/mm8274_140319_003907.jpeg?1459360118\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"395\" \/> <em> As tartarugas-gigantes de Aldabra escapam do calor\u00e3o diurno em ref\u00fagios nas cavidades das rochas da Ilha Grande Terre. O vaiv\u00e9m \u00e9 moroso e desajeitado entre os buracos e as \u00e1reas onde elas se alimentam &#8211; Foto: Thomas P. Peschak<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um prod\u00edgio que esse gigante pl\u00e1cido sobreviva (ele pode chegar a 3 cent\u00edmetros de comprimento). Em 1995, um dos piores pesadelos dos conservacionistas de ilhas virou realidade: ratos chegaram a Fr\u00e9gate. Nas Seychelles, o besour\u00e3o \u00e9 chamado de \u201cbib arm\u00e9\u201d (aranha blindada), mas nem o mais refor\u00e7ado escudo o protegeria \u2013 assim como escorpi\u00f5es, lesmas e outros invertebrados nativos \u2013 dos dentes dos roedores. Em quatro anos, a popula\u00e7\u00e3o dos besouros caiu 80%.<\/p>\n<p>Fez-se um pedido de ajuda internacional urgente para impedir o colapso ecol\u00f3gico, e em 2000 Fr\u00e9gate foi desratizada. Alguns conterr\u00e2neos meus fizeram parte desse esfor\u00e7o, e a lembran\u00e7a desse salvamento por um triz, combinado \u00e0 escurid\u00e3o mormacenta da floresta, aos pios e grasnidos dos trinta-r\u00e9is-r\u00f3seos e trinta-r\u00e9is-escuros na copa das \u00e1rvores, ao farfalho dos miri\u00e1podes no folhedo e a esse besouro solit\u00e1rio iluminado, me parece uma gra\u00e7a redentora.<\/p>\n<p>Uma serpente delgada azul-clara aparece aos nossos p\u00e9s, e Tanya remove algumas folhas, deixando \u00e0 mostra n\u00e3o uma serpente, mas outra especialidade das Seychelles: um anf\u00edbio sem membros, <em>Hypogeophis rostratus<\/em>, da fam\u00edlia das cec\u00edlias. O animal de cabe\u00e7a pontuda debate-se e busca ref\u00fagio em sua toca. Sup\u00f5e-se que as cec\u00edlias sejam parte da carga biol\u00f3gica original das Seychelles: criaturas que fizeram a viagem de balsa muito tempo atr\u00e1s, a partir de Gondwana. Essas esp\u00e9cies s\u00e3o conhecidas como paleoend\u00eamicas porque sua linhagem gen\u00e9tica remonta a uma \u00e9poca muito antiga. Elas tornam as Seychelles espetacularmente especiais.<\/p>\n<p>\u201cRAR\u00cdSSIMOS GRUPOS de ilhas t\u00eam o mesmo que as Seychelles\u201d, diz o ecologista conservacionista Christopher Kaiser-Bunbury. \u201cAs <a href=\"http:\/\/viajeaqui.abril.com.br\/national-geographic\/blog\/curiosidade-animal\/galapagos-ilhas-encantadas\/\" target=\"_self\" rel=\"Gal\u00e1pagos\">Gal\u00e1pagos<\/a> s\u00e3o famosas por causa de <a href=\"http:\/\/viajeaqui.abril.com.br\/materias\/as-pistas-de-darwin\" target=\"_self\" rel=\"Darwin\">Darwin<\/a>, mas as Seychelles n\u00e3o ficam nem um pouco atr\u00e1s.\u201d Estou escalando com Kaiser-Bunbury \u00e0 procura de \u00e1rvores \u00e1guas-vivas em Mah\u00e9, a principal ilha das Seychelles. Como em muitas ilhas ecologicamente danificadas, \u00e9 preciso subir bastante para encontrar esp\u00e9cies relictas: ir ao topo das montanhas, fora do alcance da agricultura e das habita\u00e7\u00f5es. Escalamos um dos afloramentos gran\u00edticos conhecidos pelos cientistas como inselbergs e chamados aqui nas Seychelles de glacis: domos de rocha cinza-avemelhada, esculpidos por mil\u00eanios de chuvas, que se projetam acima da floresta vi\u00e7osa.<\/p>\n<p>As plantas das ilhas encontram apoio nas fendas e fissuras do granito, e boa parte da vida por aqui \u00e9 end\u00eamica, inclusive a \u00e1rvore \u00e1gua-viva. Temos registro apenas de cerca de 20 indiv\u00edduos reprodutivos dessa singular esp\u00e9cie, e todas aqui, no granito, onde a maioria das outras plantas n\u00e3o suporta o calor escaldante e a chuva erosiva. N\u00e3o se sabe por qu\u00ea, mas suas sementes raramente germinam na natureza \u2013 um tremendo entrave para uma esp\u00e9cie criticamente em perigo. O esp\u00e9cime que encontramos parece sadio, mas possui apenas alguns dos caracter\u00edsticos frutos, que pendem como min\u00fasculas \u00e1guas-vivas em meio \u00e0s folhas verdes luzidias. O caminho da recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 longo para as esp\u00e9cies sitiadas desses glacis, ilhas dentro de uma ilha, ref\u00fagios remanescentes do passado remoto.<\/p>\n<p><strong>Restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p>MAIS ABAIXO NA MONTANHA, onde os glacis margeiam a floresta tropical, encontramos uma turma de trabalhadores desbastando a vegeta\u00e7\u00e3o invasora e arrancando brotos de guajuru, goiaba e canela, plantas que germinam com grande facilidade. Fazem isso para ajudar as esp\u00e9cies end\u00eamicas a reaver seu territ\u00f3rio. Kaiser-Bunbury explica que o objetivo da restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 recuperar a integridade e a funcionalidade do ecossistema, e n\u00e3o fazer a engenharia reversa at\u00e9 trazer de volta uma paisagem que existiu h\u00e1 centenas, milhares ou dezenas de milhares de anos. N\u00e3o se trata de recriar servilmente a imagem da caixa de um velho quebra-cabe\u00e7a, mas de deixar que as pe\u00e7as vivas de um ecossistema fragmentado se religuem e recuperem sua trajet\u00f3ria hist\u00f3rica. \u201cAjudamos o sistema a voltar aos trilhos\u201d, diz ele. \u201cN\u00e3o estamos fazendo jardinagem.\u201d<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma ideia muito oportuna, prevista h\u00e1 quase 25 anos pelo bi\u00f3logo E.O. Wilson, o \u201cpai da biodiversidade\u201d, que disse que este s\u00e9culo seria \u201ca era da restaura\u00e7\u00e3o da ecologia\u201d. E ela vem cativando tamb\u00e9m o povo das Seychelles. As pessoas se d\u00e3o conta da riqueza biol\u00f3gica da regi\u00e3o e se entusiasmam por proteg\u00ea-la. Nas escolas, florescem os clubes da vida selvagem. \u201cA nova gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 comprando a ideia\u201d, conta o coordenador dos clubes, Terence Vel. \u201cH\u00e1 20 anos trabalhamos com as escolas para transmitir essa mensagem aos jovens. N\u00f3s os levamos a nadar com snorkel e a estudos do meio, mostramos que temos um ecossistema fr\u00e1gil e precisamos cuidar dele para a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Alguns ilh\u00e9us mais velhos j\u00e1 enveredaram h\u00e1 mais tempo pela trilha da restaura\u00e7\u00e3o. Nas l\u00e2minas gran\u00edticas de Mah\u00e9, o guarda-parque Terence Valentin, um rastaf\u00e1ri que usa camiseta na cabe\u00e7a para prender seus vastos dreadlocks, me diz: \u201cFaz 19 anos que estou no ramo ambiental, brother. Cara, sou ligado na Terra!\u201d<\/p>\n<p>Em Aldabra, os restauradores vivem essa liga\u00e7\u00e3o diariamente, no mar ou em terra e at\u00e9 mesmo dentro de casa. Nectar\u00ednias fazem ninho em lumin\u00e1rias e nos trilhos do boxe do chuveiro, e, de vez em quando, afanam um colar para decorar o ber\u00e7o. Uma tartaruga-gigante que mora perto da base cient\u00edfica descobriu um jeito de subir a escada para beber \u00e1gua.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais tartarugas em Aldabra que pessoas nas Seychelles. Tudo nesses colossos parece antigo, at\u00e9 o som de seus movimentos, que lembra o rangido de uma sela de couro. Aves end\u00eamicas, os drongos pegam carona na carapa\u00e7a delas, de olho nos insetos que se alvoro\u00e7am quando as pesadonas passam. De noite, fico ouvindo o mar respirar nas rochas e as tartarugas roncarem debaixo das t\u00e1buas do assoalho. \u201cEste lugar muda a nossa vida\u201d, conta Jude Bruce, capit\u00e3o de barco. \u201cVemos as coisas de outro modo.\u201d<\/p>\n<p>Em uma encosta em Victoria, o centro hist\u00f3rico de Mah\u00e9, h\u00e1 um rel\u00f3gio de igreja invulgar: ele d\u00e1 as horas duas vezes \u2013 a primeira, na hora redonda; a segunda, alguns minutos depois. Para mim, essa \u00e9 uma met\u00e1fora das Seychelles: um segundo repique para uma segunda chance, anunciando o salvamento de aves, besouros, palmeiras: uma ode \u00e0 natureza restaurada.<\/p>\n<p>Fonte: National Geographic Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nick Page, um neozeland\u00eas alto-astral de rosto bronzeado e cabelo preto encaracolado, mostra a foto<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nick Page, um neozeland\u00eas alto-astral de rosto bronzeado e cabelo preto encaracolado, mostra a foto","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40445"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40445\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}