{"id":40403,"date":"2016-04-10T10:27:05","date_gmt":"2016-04-10T13:27:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40403"},"modified":"2016-04-10T10:27:05","modified_gmt":"2016-04-10T13:27:05","slug":"conheca-o-cedro-australiano-cultivado-para-producao-de-madeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/conheca-o-cedro-australiano-cultivado-para-producao-de-madeira\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o cedro-australiano, cultivado para produ\u00e7\u00e3o de madeira"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/cedro.jpg\" rel=\"attachment wp-att-40404\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-40404\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/cedro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/cedro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/cedro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma \u00e1rvore que, aos poucos, ganha espa\u00e7o pelos campos do Brasil. Esse \u00e9 o cedro-australiano, cultivado para a produ\u00e7\u00e3o de madeira. O Globo Rural visitou uma fazenda mineira que trouxe grande variedade de sementes para o Brasil e estuda a \u00e1rvore junto com pesquisadores da Universidade Federal de Lavras.<\/p>\n<p>Em Campo Belo, sul de Minas Gerais, a fazenda Bela Vista, de 200 hectares, conta com lavouras de caf\u00e9, eucalipto e, de uns anos pra c\u00e1, passou a investir tamb\u00e9m nesse tipo de \u00e1rvore. O cedro-australiano come\u00e7ou a ser plantado em 2004 e hoje ocupa 70 hectares.<\/p>\n<p>Ricardo Vilela, um dos donos da fazenda, explica o que atraiu na esp\u00e9cie. \u201c\u00c9 uma madeira de alta qualidade para o setor moveleiro, para o setor de constru\u00e7\u00e3o civil, esquadrias. Por isso ela \u00e9 destinada a fins nobres e tem um bom valor de mercado\u201d. O dono da fazenda conta que al\u00e9m de plantar esse cedro pra madeira, a fazenda se tornou produtora de mudas e vem investindo tamb\u00e9m em pesquisas pra obter cultivares da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>A \u00e1rvore vem das matas da costa leste da Austr\u00e1lia, como explica o engenheiro florestal Sebasti\u00e3o Rosado. \u201cO cedro-australiano tem o nome cient\u00edfico de toonus ciliata. L\u00e1 as \u00e1rvores antigas podem ter um metro e meio de di\u00e2metro e 45 metros de altura, s\u00e3o \u00e1rvores monstruosas. Ela \u00e9 da mesma fam\u00edlia do mogno brasileiro e do cedro brasileiro. A Austr\u00e1lia quando col\u00f4nia da Inglaterra, ela foi a fonte de mat\u00e9ria prima de madeira para a constru\u00e7\u00e3o civil da Inglaterra. Ent\u00e3o, ele foi explorado \u00e0 exaust\u00e3o, a ponto de entrar em processo de extin\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Hoje, na Austr\u00e1lia, o cedro \u00e9 uma esp\u00e9cie protegida, encontrada principalmente em parques e \u00e1reas de pesquisa.<\/p>\n<p>Por isso, para come\u00e7ar um cultivo comercial, a primeira dificuldade da fazenda foi conseguir sementes variadas. \u00c9 o que conta o bi\u00f3logo Eduardo Stehling. \u201cN\u00f3s tivemos que buscar o material na origem. Fomos at\u00e9 a Austr\u00e1lia, procuramos a principal institui\u00e7\u00e3o de pesquisa do pa\u00eds. N\u00f3s tivemos que contat\u00e1-los e adquirir essas sementes, de diversos locais e de diversas fam\u00edlias para formar a nossa base gen\u00e9tica. A semente do cedro \u00e9 uma semente alada, e as sementes voam, num processo de reprodu\u00e7\u00e3o da planta.\u201d<\/p>\n<p>Chegando no Brasil as sementes passaram por quarentena, exigida por lei. E, s\u00f3 depois puderam ser plantadas. Ap\u00f3s alguns meses, as mudas foram transferidas para o campo, pra formar as \u00e1reas de pesquisa. O objetivo era acompanhar o crescimento das plantas e, ao longo do tempo, identificar as mais produtivas.<\/p>\n<p>No campo de teste da fazenda, ou campo de teste de prog\u00eanie, agr\u00f4nomos, engenheiros florestais e bi\u00f3logos avaliaram todos os tipos de cedro que vieram da Austr\u00e1lia. As \u00e1rvores foram avaliadas ao longo do tempo, a partir dos mesmos crit\u00e9rios.<\/p>\n<p>Quem dirigiu a avalia\u00e7\u00e3o foi o engenheiro florestal Sebasti\u00e3o Rosado. Ele faz parte de uma equipe da Universidade Federal de Lavras que vem pesquisando o cedro-australiano em parceria com a fazenda. \u201cA primeira avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 a sobreviv\u00eancia. A\u00ed \u00e9 estudado para o crescimento, estudando o di\u00e2metro, o crescimento em altura, e estudamos tamb\u00e9m a forma. A\u00ed a gente passa para os estudos de madeira, qualidade de madeira. Voc\u00ea ter um material de qualidade para o processo industrial\u201d. Esse tipo de avalia\u00e7\u00e3o envolveu ao todo 9.600 \u00e1rvores diferentes, em quatro campos de teste.<\/p>\n<p>De toda essa popula\u00e7\u00e3o, universidade e fazenda elegeram seis campe\u00e3s. Ou seja: seis \u00e1rvores que tiveram o melhor desempenho e que foram registradas como cultivares de cedro-australiano.<\/p>\n<p>\u201cEla tem uma forma espetacular. \u00c9 uma \u00e1rvore de oito anos, com di\u00e2metro de 35 cent\u00edmetros, excelente produtividade. Agora quando voc\u00ea identifica uma \u00e1rvore campe\u00e3, qual \u00e9 o pr\u00f3ximo passo? O pr\u00f3ximo passo \u00e9 clonar essa \u00e1rvore\u201d, explica o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>A clonagem n\u00e3o \u00e9 complicada: para reproduzir uma \u00e1rvore campe\u00e3, basta colher brotinhos que nascem na base do tronco. Os brotos s\u00e3o plantados num viveiro e v\u00e3o gerar mudas, que v\u00e3o dar v\u00e1rios outros brotos, que tamb\u00e9m ser\u00e3o coletados e replantados. Assim, todas as mudas carregam a mesma gen\u00e9tica do broto inicial:\u00a0 s\u00e3o clones, que geram \u00e1rvores id\u00eanticas.<\/p>\n<p>Quem cuida da multiplica\u00e7\u00e3o \u00e9 agr\u00f4noma \u00c9rica Vilela. \u201cPartindo dos primeiros brotos coletados n\u00f3s fomos reproduzindo esses brotos. De forma a chegar a cada canaleta em torno de 1.100 plantas.\u201d<\/p>\n<p>Com essa t\u00e9cnica de clonagem, a fazenda consegue produzir anualmente milhares de mudas clonais. Tratadas com cuidado, com um ano de vida, as plantas atingem esse porte e est\u00e3o prontas para venda. O pre\u00e7o varia de R$ 3 a R$ 4 por unidade. Em 2015 foram 600 mil mudas vendidas. A previs\u00e3o para 2016 \u00e9 de 800 mil a um milh\u00e3o.<\/p>\n<p>A venda de mudas clonais come\u00e7ou na fazenda em 2014. E segundo Ricardo, 290 produtores j\u00e1 compraram o produto, em dez estados brasileiros.\u00a0 \u00c9 o caso de \u00cdlvio Braz de Azevedo, que plantou 140 hectares de cedro-australiano no munic\u00edpio de Concei\u00e7\u00e3o da Barra de Minas. Empres\u00e1rio, ele atua em v\u00e1rios setores da economia, e conta que est\u00e1 gostando do novo neg\u00f3cio. \u201cA gente tem esse carinho como com animal de estima\u00e7\u00e3o. A gente quer ver ela crescendo, torcendo pra chover pra ela n\u00e3o passar sede.\u201d<\/p>\n<p>Na fazenda, o plantio das mudas \u00e9 feito com ajuda de uma plantadeira manual. \u00cdlvio lembra o cedro-australiano exige solos de qualidade, que n\u00e3o devem ser rasos ou pedregosos. \u201cJ\u00e1 foi colocado adubo, foi molhado, para ela fixar bem no terreno.\u201d<\/p>\n<p>O cedro-australiano n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rvore r\u00fastica como o eucalipto. E para produzir bem exige uma s\u00e9rie de cuidados. O primeiro ano de vida \u00e9 a etapa mais delicada do desenvolvimento da planta.\u00a0 Al\u00e9m de caprichar na aduba\u00e7\u00e3o, os agricultores precisam evitar o crescimento de mato nas entrelinhas e devem usar produtos pra combater um inimigo bem conhecido: a sa\u00fava.<\/p>\n<p>Benedito Staut j\u00e1 cultivava eucalipto e mogno africano e resolveu plantar 20 hectares de cedro-australiano, em Santo Ant\u00f4nio do Amparo, Minas Gerais. \u201cFoi muito bom. Voc\u00ea est\u00e1 plantando para a tora e adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 de f\u00e1cil manejo.\u201d<\/p>\n<p>Nos primeiros anos de crescimento, um cuidado importante \u00e9 fazer a poda dos galhos inferiores, que podem criar n\u00f3s na madeira.<\/p>\n<p>Pelas contas da fazenda Bela Vista, considerando todos os gastos at\u00e9 o corte final da \u00e1rvore, aos quinze anos, o cultivo exige um investimento m\u00e9dio de R$ 26 mil por hectare. Entretanto, o bi\u00f3logo Eduardo lembra que ele n\u00e3o vai bem em todas as regi\u00f5es do Brasil. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio uma quantidade m\u00ednima de chuva para que se desenvolva bem, 1.300 mm por ano.\u201d<\/p>\n<p>Quando chega aos tr\u00eas anos de vida, o cedro-australiano precisa passar por um primeiro desbaste. O objetivo \u00e9 cortar um quarto das \u00e1rvores, para aumentar a entrada de luz, reduzir a competi\u00e7\u00e3o e fazer uma primeira triagem. Com isso, o cultivo, que come\u00e7ou com 820 \u00e1rvores por hectare vai ficar com cerca de 600. Nessa etapa, como as \u00e1rvores s\u00e3o jovens, a madeira s\u00f3 pode ser vendida para lenha, o que gera em m\u00e9dia, uns R$ 1 mil por hectare.<\/p>\n<p>Quando chega aos oito anos de vida o cedro-australiano passa por um segundo desbaste. \u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o de grande escala, que tem o objetivo de cortar metade das \u00e1rvores de cada talh\u00e3o. Os cedros retirados nessa etapa t\u00eam porte m\u00e9dio e rendem toras que podem ser aproveitadas em serrarias. Com isso, cada hectare que tinha 600 \u00e1rvores, ficar\u00e1 apenas com 300.\u00a0 As \u00e1rvores que permanecem na \u00e1rea v\u00e3o crescer bastante at\u00e9 os quinze anos de vida, quando ocorre o corte final.<\/p>\n<p>Ricardo explica que muita gente prefere serrar a madeira na propriedade, ou em empresas de terceiros, para agregar valor ao produto. Al\u00e9m das pranchas, a fazenda tamb\u00e9m prepara pe\u00e7as pr\u00f3prias para forros. \u201cTem mercado tipo as moveleiras, as f\u00e1bricas de esquadrias at\u00e9 para o uso estrutural, tipo ind\u00fastria de caminh\u00e3o ba\u00fa. Levantando a pe\u00e7a voc\u00ea v\u00ea a leveza. Voc\u00ea n\u00e3o faz for\u00e7a nenhuma para levantar a madeira\u201d. Nos \u00faltimos anos, a fazenda tamb\u00e9m passou a investir numa linha moderna pe\u00e7as para casa.<\/p>\n<p>E ser\u00e1 que esse cedro da Austr\u00e1lia \u00e9 bom neg\u00f3cio para o agricultor? Nas contas da fazenda, cada hectare deve gerar 260 metros c\u00fabicos de madeira &#8211; somando o debaste de oito anos e o corte final, aos quinze. Se essa produ\u00e7\u00e3o for vendida como tora, pode trazer um lucro de cerca de R$ 70 mil por hectare. Isso j\u00e1 descontados os custos de produ\u00e7\u00e3o. No caso da venda da madeira serrada, o lucro l\u00edquido subiria para uns R$ 240 mil por hectare.<\/p>\n<p>Vale lembrar que isso s\u00e3o estimativas. Afinal, custo e pre\u00e7o costumam variar bastaste ao longo do tempo e de uma regi\u00e3o para outra do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ricardo lembra que o cedro-australiano tamb\u00e9m tem um apelo ambiental, que \u00e9 positivo para o neg\u00f3cio. Afinal, a esp\u00e9cie gera uma grande quantidade de madeira, origin\u00e1ria de cultivo \u2013 o que contribui para a preserva\u00e7\u00e3o de florestas nativas. \u201cCada vez mais o cliente quer saber de onde vem a madeira do produto que ele consome. \u00c9 importante a sustentabilidade, o respeito ao meio ambiente, o que vem a se tornar para gente tamb\u00e9m um diferencial de mercado.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma \u00e1rvore que, aos poucos, ganha espa\u00e7o pelos campos do Brasil. 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