{"id":40385,"date":"2016-04-09T20:13:57","date_gmt":"2016-04-09T23:13:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40385"},"modified":"2016-04-09T20:13:57","modified_gmt":"2016-04-09T23:13:57","slug":"o-desafio-do-desenvolvimento-redistributivo-e-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-desafio-do-desenvolvimento-redistributivo-e-sustentavel\/","title":{"rendered":"O desafio do desenvolvimento redistributivo e sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Andr\u00e9 Furtado<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p><strong>&#8220;Ser\u00e1 que podemos compatibilizar a inser\u00e7\u00e3o da grande massa de brasileiros ainda exclu\u00eddos do verdadeiro desenvolvimento com a sustentabilidade ambiental?&#8221;, questiona o economista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i63.tinypic.com\/34e8081.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Imagem: Brasil Escola<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Desde a segunda metade do s\u00e9culo XX o <strong>Brasil<\/strong> passou por tr\u00eas grandes <strong>processos macroecon\u00f4micos de desenvolvimento<\/strong>. O primeiro foi apoiado na <strong>industrializa\u00e7\u00e3o<\/strong> que substituiu as importa\u00e7\u00f5es at\u00e9 o final dos anos 1980, o <strong>modelo liberal<\/strong> globalizante na d\u00e9cada de 1990 e a partir dos anos 2000 um modelo de <strong>valoriza\u00e7\u00e3o das commodities<\/strong>, que agravou a desindustrializa\u00e7\u00e3o que havia iniciado com a abertura neoliberal. \u201cO problema foi que o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/547577-o-modelo-desenvolvimentista-e-um-projeto-inconcluso-entrevista-especial-com-marcio-pochmann\" target=\"_blank\"><strong>neodesenvolvimentismo<\/strong><\/a> se chocou com a perda de competitividade sist\u00eamica provocada pela valoriza\u00e7\u00e3o cambial e o aumento dos custos de produ\u00e7\u00e3o. Com isso o est\u00edmulo das pol\u00edticas surtiu efeitos limitados\u201d, analisa <strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado<\/strong>, em entrevista por e-mail \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>.O grande desafio, prop\u00f5e <strong>Andr\u00e9<\/strong>, \u00e9 construir uma estrutura social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica capaz de gerar um <strong>desenvolvimento redistributivo<\/strong>. \u201cO desafio consiste em se industrializar competitivamente. Isso requer inova\u00e7\u00e3o e maiores investimentos em capital humano e material\u201d, sustenta. \u201cO progresso t\u00e9cnico nos permite atender \u00e0s necessidades fundamentais da popula\u00e7\u00e3o por meio de tecnologias ambientalmente limpas. Agora, a desigualdade social alimenta modos de consumo ambientalmente insustent\u00e1veis. Por isso, h\u00e1 converg\u00eancia entre a <strong>transforma\u00e7\u00e3o ambiental e social<\/strong>\u201d, complementa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/548126-quatro-decadas-de-crise-energetica-e-a-falta-de-um-planejamento-eficiente-entrevista-especial-com-andre-tosi-furtado\" target=\"_blank\"><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado<\/strong><\/a> concluiu o doutorado em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas &#8211; Universit\u00e9 de Paris I. Atualmente \u00e9 Professor Titular do Departamento de Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica do Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade Estadual de Campinas &#8211; Unicamp.<\/p>\n<p>No dia <strong>12-04-2016<\/strong>, \u00e0s 19h30min, o professor <strong>Andr\u00e9<\/strong> apresenta a confer\u00eancia <em>Desenvolvimento econ\u00f4mico, heterogeneidade estrutural e distribui\u00e7\u00e3o de renda no Brasil no pensamento de Celso Furtado<\/em>, na Sala Ignacio Ellacur\u00eda e Companheiros no IHU \u2013 Campus S\u00e3o Leopoldo\/RS. O evento integra a programa\u00e7\u00e3o do <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/eventos\/agenda\/652-economia-brasileira-onde-estamos-e-para-onde-vamos-um-debate-com-os-interpretes-do-brasil\" target=\"_blank\">Ciclo de Debates\u00a0Economia brasileira: onde estamos e para onde vamos? Um debate com os int\u00e9rpretes do Brasil<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i58.tinypic.com\/11lhf93.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: <a href=\"http:\/\/www.ifch.unicamp.br\">www.ifch.unicamp.br<\/p>\n<p><\/a><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line \u2013 Qual a atualidade do pensamento e da obra de Celso Furtado [1] para o desenvolvimento do Brasil?<\/strong><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado &#8211;<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3046&amp;secao=320\" target=\"_blank\"><strong>Celso Furtado<\/strong><\/a> tem um papel de destaque entre os grandes intelectuais que pensaram o Brasil. A atualidade do seu pensamento permanece porque os grandes problemas que ele levantou sobre o desenvolvimento, ou melhor, <strong>subdesenvolvimento brasileiro<\/strong> ainda continuam presentes. Esses problemas derivam da tend\u00eancia do crescimento econ\u00f4mico perpetuar e at\u00e9 mesmo ampliar a desigualdade social. Esse tipo de din\u00e2mica \u00e9 muito semelhante \u00e0 que <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530907-o-capital-de-thomas-piketty-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o-surpreendente-best-seller\" target=\"_blank\"><strong>Thomas Piketty<\/strong><\/a> [2] descreveu em seu livro sobre <strong>o capital no s\u00e9culo XXI<\/strong>. Portanto, a obra de <strong>Celso Furtado<\/strong> permanece atual porque a tend\u00eancia presente da acumula\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente acentuar a desigualdade social.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais foram os grandes modelos econ\u00f4micos e macroecon\u00f4micos de desenvolvimento implantados no Brasil desde meados do s\u00e9culo XX?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado &#8211;<\/strong> Houve basicamente dois modelos econ\u00f4micos que vigoraram desde o p\u00f3s-guerra. O primeiro, apoiado na <strong>industrializa\u00e7\u00e3o<\/strong> por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, vigorou at\u00e9 o final dos anos 1980. Esse modelo comportava um forte protecionismo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o industrial e uma taxa de infla\u00e7\u00e3o alta. Em fun\u00e7\u00e3o da acentuada <strong>crise econ\u00f4mica<\/strong> dos anos 1980, esse modelo foi substitu\u00eddo por um outro <strong>liberalizante<\/strong> e de maior abertura externa, que acompanhou, de certa forma, a tend\u00eancia mundial da globaliza\u00e7\u00e3o. Esse novo modelo reduziu a infla\u00e7\u00e3o, mas levou a uma crescente desindustrializa\u00e7\u00e3o. Nos anos 2000, volta-se a uma maior <strong>interven\u00e7\u00e3o do Estado<\/strong> na economia, a valoriza\u00e7\u00e3o das commodities agrava as tend\u00eancias desindustrializantes j\u00e1 presentes durante a etapa anterior.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como o senhor avalia os projetos neodesenvolvimentistas baseados na extra\u00e7\u00e3o de commodities, como o petr\u00f3leo, por exemplo? H\u00e1 algo de novo nesse modelo de desenvolvimento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado &#8211;<\/strong> O <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/547762-crises-e-um-desenvolvimentismo-que-nao-faz-jus-ao-nome-os-impasses-brasileiros-entrevista-especial-com-alexandre-de-freitas-barbosa\" target=\"_blank\"><strong>desenvolvimentismo<\/strong><\/a> no Brasil esteve comprometido com o projeto de industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. O <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/544331-neodesenvolvimentismo-se-esgotou\" target=\"_blank\"><strong>neodesenvolvimentismo<\/strong><\/a> consiste em uma tentativa de retomar a agenda da industrializa\u00e7\u00e3o nos anos 2000 ap\u00f3s o per\u00edodo neoliberal dos anos 1990. Esse per\u00edodo se caracteriza pela <strong>valoriza\u00e7\u00e3o das commodities<\/strong> que se tornam o carro-chefe das exporta\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m das atividades econ\u00f4micas do pa\u00eds, como \u00e9 o caso do petr\u00f3leo. Em decorr\u00eancia do sucesso produtivo acumulado pela Petrobras desde os anos 1990 at\u00e9 o final dos anos 2000, e da valoriza\u00e7\u00e3o das commodities, a participa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no Produto Interno Bruto &#8211; <strong>PIB<\/strong> cresceu substancialmente. O neodesenvolvimentismo buscou transformar esse impulso em desenvolvimento da ind\u00fastria parapetroleira (fornecedores de equipamentos e prestadores de servi\u00e7os) brasileira. O problema foi que o neodesenvolvimentismo se chocou com a perda de competitividade sist\u00eamica provocada pela valoriza\u00e7\u00e3o cambial e o aumento dos custos de produ\u00e7\u00e3o. Com isso o est\u00edmulo das pol\u00edticas surtiu efeitos limitados.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cO problema foi que o neodesenvolvimentismo se chocou com a perda de competitividade sist\u00eamica\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que maneira as pol\u00edticas econ\u00f4micas implementadas no Brasil nos \u00faltimos 50 anos radicalizaram ainda mais a desigualdade social no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado &#8211;<\/strong> A <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/552260-democracia-a-via-para-a-superacao-das-desigualdades-entrevista-especial-com-marta-arretche\" target=\"_blank\"><strong>desigualdade social<\/strong><\/a> est\u00e1 presente em todos esses modelos macroecon\u00f4micos e perpassa a hist\u00f3ria brasileira contempor\u00e2nea. Ela se agrava na forma de desigualdade regional nos anos 1950 durante a industrializa\u00e7\u00e3o acelerada do pa\u00eds. Depois ela se acentua dramaticamente durante o per\u00edodo do <strong>golpe militar<\/strong> e do<strong> milagre econ\u00f4mico<\/strong>. Ela volta a assombrar o pa\u00eds com a crise dos anos 1980 e durante a d\u00e9cada neoliberal, quando aumenta dramaticamente o desemprego e o volume de emprego informal. Somente nos anos 2000 ocorre uma importante inflex\u00e3o no processo de perpetua\u00e7\u00e3o e aprofundamento da desigualdade no Brasil. Estou certo de que muitos estudiosos ir\u00e3o se questionar no futuro sobre as verdadeiras causas dessa melhora na <strong>distribui\u00e7\u00e3o de renda<\/strong> no pa\u00eds. Eu a atribuo, sobretudo, aos efeitos ben\u00e9ficos que a melhora dos termos de troca das commodities trouxe para a renda e no emprego. O problema foi que essa melhora da renda se reverteu para o consumo e n\u00e3o para o investimento, e que a oferta interna n\u00e3o foi capaz de cobrir a expans\u00e3o da demanda interna.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como pensar uma estrutura pol\u00edtica e econ\u00f4mica no Brasil que n\u00e3o sirva a modelos concentradores de renda?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado &#8211;<\/strong> Esse \u00e9 o grande desafio, criar uma estrutura sociopol\u00edtica e econ\u00f4mica capaz de propiciar um <strong>desenvolvimento redistributivo<\/strong>. Durante a prosperidade fordista do p\u00f3s-guerra, o Brasil aprofundou um modelo de desenvolvimento intrinsicamente concentrador. As disparidades de renda entre ricos e pobres se acentuaram no per\u00edodo do milagre econ\u00f4mico. O progresso t\u00e9cnico, ao ter um vi\u00e9s para o trabalho qualificado, acentuou o fosso salarial entre trabalhadores qualificados e n\u00e3o qualificados.<\/p>\n<p>A parcela da renda apropriada pelo capital sempre foi bem alta. Por\u00e9m a destina\u00e7\u00e3o do excedente para a acumula\u00e7\u00e3o era bem fraca e o pa\u00eds se tornou muito dependente do <strong>endividamento externo<\/strong> para a acumula\u00e7\u00e3o. Mudar o modelo de desenvolvimento implica em criar um novo modelo de acumula\u00e7\u00e3o e em uma nova trajet\u00f3ria tecnol\u00f3gica. Essa mudan\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel desde que a sociedade fa\u00e7a as escolhas certas na sele\u00e7\u00e3o de mecanismos sustent\u00e1veis. O aumento do n\u00edvel educacional da popula\u00e7\u00e3o brasileira ir\u00e1 a longo prazo diminuir o impacto concentrador do progresso t\u00e9cnico. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio que por meio do Estado a sociedade gere os bens p\u00fablicos necess\u00e1rios ao seu bem-estar. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio manter um n\u00edvel de acumula\u00e7\u00e3o elevado para gerar emprego formal.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais os desafios de se construir um modelo de desenvolvimento industrial baseado em matrizes heterog\u00eaneas de desenvolvimento econ\u00f4mico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado &#8211;<\/strong> A <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/551113-economia-brasileira-o-futuro-depende-da-reindustrializacao-entrevista-especial-com-jose-luis-oreiro\" target=\"_blank\"><strong>ind\u00fastria<\/strong><\/a> segue sendo, no atual est\u00e1gio brasileiro, muito necess\u00e1ria para o desenvolvimento do pa\u00eds. Por\u00e9m vivenciamos desde os anos 1990 uma desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce provocada pela abertura econ\u00f4mica e a valoriza\u00e7\u00e3o cambial. Essa desindustrializa\u00e7\u00e3o est\u00e1 certamente por tr\u00e1s das baixas taxas de crescimento da economia brasileira. A diferen\u00e7a da industrializa\u00e7\u00e3o atual com a que ocorreu a partir dos anos 30 do s\u00e9culo passado, \u00e9 que agora ela deve ocorrer competitivamente, j\u00e1 que as economias est\u00e3o cada vez mais abertas. E o que tem faltado \u00e0 ind\u00fastria brasileira \u00e9 competitividade de seus produtos frente aos importados. Portanto, o desafio consiste em se industrializar competitivamente. Isso requer inova\u00e7\u00e3o e maiores investimentos em capital humano e material.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como a perspectiva econ\u00f4mica de Celso Furtado oferece alternativas aos desafios da desigualdade em n\u00edvel nacional?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado &#8211;<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2983&amp;secao=317\" target=\"_blank\"><strong>Celso Furtado<\/strong><\/a> diagnosticou que o capitalismo brasileiro tendia a gerar desigualdade social e regional. A \u00fanica forma de corrigir essas tend\u00eancias seria por meio da <strong>interven\u00e7\u00e3o do Estado<\/strong>, que poderia assumir uma fun\u00e7\u00e3o redistributiva e poderia direcionar a acumula\u00e7\u00e3o para bens e servi\u00e7os de maior utilidade p\u00fablica. Convinha tamb\u00e9m ao Estado dinamizar a economia, a qual apenas por meio dos mecanismos de mercado tendia a um crescimento econ\u00f4mico d\u00e9bil.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 \u00c9 poss\u00edvel aliar crescimento econ\u00f4mico e combate \u00e0s desigualdades sociais com um projeto de desenvolvimento que seja sustent\u00e1vel do ponto de vista ambiental?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado &#8211;<\/strong> Essa \u00e9 uma importante quest\u00e3o. Ser\u00e1 que podemos compatibilizar a inser\u00e7\u00e3o da grande massa de brasileiros ainda exclu\u00eddos do verdadeiro <strong>desenvolvimento<\/strong> com a <strong>sustentabilidade ambiental<\/strong>? Eu tenho a convic\u00e7\u00e3o que sim. Muito da depreda\u00e7\u00e3o ambiental somente se justifica porque h\u00e1 pobreza. \u00c9 poss\u00edvel que o Estado fiscalize e controle muito mais o patrim\u00f4nio natural, impedindo que ele seja delapidado. Por outro lado, o progresso t\u00e9cnico nos permite atender \u00e0s necessidades fundamentais da popula\u00e7\u00e3o por meio de tecnologias ambientalmente limpas. Agora, a <strong>desigualdade social<\/strong> alimenta modos de consumo ambientalmente insustent\u00e1veis. Por isso, h\u00e1 converg\u00eancia entre a transforma\u00e7\u00e3o ambiental e social.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cAgora, a desigualdade social alimenta modos de consumo ambientalmente insustent\u00e1veis\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como inovar em termos econ\u00f4micos e pol\u00edticos em um cen\u00e1rio de austeridade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado &#8211;<\/strong> Nunca dever\u00edamos sair de um cen\u00e1rio de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/552590-a-austeridade-nao-funciona\" target=\"_blank\"><strong>austeridade<\/strong><\/a>. Somos ainda um pa\u00eds pobre. Ainda precisamos passar por um per\u00edodo de intensa acumula\u00e7\u00e3o no qual dever\u00e1 ser constru\u00edda a infraestrutura socioecon\u00f4mica do pa\u00eds. Acho que depois de acabar \u201co sonho de uma noite de ver\u00e3o\u201d dos pre\u00e7os altos das <strong>commodities<\/strong>, o pa\u00eds precisa acordar para arrumar efetivamente a casa. O problema \u00e9 que em per\u00edodos de escassez como os que estamos atravessando existe o risco do agravamento das tend\u00eancias conservadoras, com amea\u00e7as de retrocesso do ponto vista dos avan\u00e7os sociais obtidos. Vai demorar um certo tempo ainda para que se perceba que a sociedade brasileira precisa avan\u00e7ar na altera\u00e7\u00e3o de seu<strong> modelo de desenvolvimento<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Tosi Furtado &#8211;<\/strong> Sim, gostaria de dizer que h\u00e1 algo novo na sociedade brasileira que surgiu a partir das <strong>manifesta\u00e7\u00f5es<\/strong> ocorridas em <strong>2013<\/strong>. No clamor ainda confuso das ruas, prop\u00f4s-se, no meu entender, uma altera\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/527643-por-um-novo-modelo-de-desenvolvimento\" target=\"_blank\"><strong>modelo de desenvolvimento<\/strong><\/a> do pa\u00eds. O modelo de consumo apoiado no autom\u00f3vel que se expandiu descontroladamente nos anos 2000 sob o impulso da prosperidade das commodities revelou-se insustent\u00e1vel socioambientalmente. Clamou-se para uma reformula\u00e7\u00e3o do sistema urbano que priorizasse o transporte coletivo e o uso racional e social do espa\u00e7o, assim como para que o Estado melhore a presta\u00e7\u00e3o de <strong>servi\u00e7os p\u00fablicos<\/strong> tais como a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade. Essas manifesta\u00e7\u00f5es revelam que h\u00e1 uma demanda de importantes segmentos da sociedade brasileira, principalmente os mais jovens, para alterar a trajet\u00f3ria de desenvolvimento dominante e torn\u00e1-la social, ambiental e economicamente sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><em>Por Ricardo Machado<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Andr\u00e9 Furtado &#8220;Ser\u00e1 que podemos compatibilizar a inser\u00e7\u00e3o da grande massa de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Andr\u00e9 Furtado &#8220;Ser\u00e1 que podemos compatibilizar a inser\u00e7\u00e3o da grande massa de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40385"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40385\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}