{"id":40124,"date":"2016-04-05T09:00:40","date_gmt":"2016-04-05T12:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40124"},"modified":"2016-04-05T08:33:43","modified_gmt":"2016-04-05T11:33:43","slug":"degelo-antartico-pode-dobrar-subida-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/degelo-antartico-pode-dobrar-subida-do-mar\/","title":{"rendered":"Degelo ant\u00e1rtico pode dobrar subida do mar e elevar o n\u00edvel global dos oceanos"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo.jpg\" rel=\"attachment wp-att-40126\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-40126\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Colapso de partes do manto de gelo do continente austral pode, sozinho, elevar o n\u00edvel global dos oceanos em 1 metro at\u00e9 2100 caso emiss\u00f5es n\u00e3o sejam cortadas, e em mais de 15 metros at\u00e9 2500<\/em><\/p>\n<p>Quando projetou, em 2013, que a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar neste s\u00e9culo poderia chegar a 1 metro caso n\u00e3o cort\u00e1ssemos emiss\u00f5es de carbono, o IPCC, o painel do clima da ONU, fez uma ressalva importante: isso tudo aconteceria caso a Ant\u00e1rtida n\u00e3o mudasse radicalmente seu padr\u00e3o de degelo. O comit\u00ea de cientistas, por\u00e9m, n\u00e3o conseguiu estimar quanto a mais o continente austral poderia contribuir para a subida dos oceanos. Um novo estudo acaba de fazer essa conta. E o resultado \u00e9 assustador.<\/p>\n<p>O colapso de por\u00e7\u00f5es do manto de gelo ant\u00e1rtico, segundo a pesquisa, seria capaz de elevar o n\u00edvel do mar em mais de 1 metro at\u00e9 2100 e em mais de 15 metros at\u00e9 2500. No pior cen\u00e1rio de emiss\u00f5es de gases-estufa, portanto, o mar subiria cerca de 2 metros no planeta at\u00e9 o fim do s\u00e9culo, extinguindo na\u00e7\u00f5es insulares e reconfigurando algumas das maiores cidades do mundo, como Rio, Bancoc e Nova York.<\/p>\n<p>Os americanos Robert DeConto, da Universidade de Massachusetts em Amherst, e David Pollard, da Universidade do Estado da Pensilv\u00e2nia, produziram um modelo de computador que simula o esfacelamento de plataformas de gelo no litoral da Ant\u00e1rtida, em especial na chamada Ant\u00e1rtida Ocidental. Essas plataformas s\u00e3o imensas l\u00ednguas de gelo flutuante, que funcionam como barragens ou \u201crolhas\u201d e garantem que as geleiras a montante delas \u2013 as maiores do mundo \u2013 n\u00e3o lancem gelo em excesso no oceano, aumentando o n\u00edvel do mar. A perda dessas plataformas teria o efeito do proverbial rompimento de um dique, despejando sobre o Oceano Austral gelo suficiente para aumentar o n\u00edvel dos oceanos em v\u00e1rios metros. S\u00f3 a Ant\u00e1rtida Ocidental tem 5 metros de n\u00edvel do mar equivalente armazenados em suas geleiras. A Ant\u00e1rtida Oriental, mais fria, mais alta e menos sens\u00edvel \u00e0 mudan\u00e7a do clima, tem outros 55 metros acumulados.<\/p>\n<p>Ocorre que vem sendo muito dif\u00edcil prever em que velocidade a Ant\u00e1rtida responder\u00e1 ao aquecimento global. Sem muita certeza, o IPCC usa uma frase surpreendentemente vaga em seu Quinto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o: diz que a Ant\u00e1rtida poderia contribuir \u201cv\u00e1rias dezenas de cent\u00edmetros\u201d para o n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois ou tr\u00eas anos, alguns estudos v\u00eam mostrando que as geleiras ocidentais j\u00e1 podem estar em colapso irrevers\u00edvel, devido \u00e0 maior quantidade de \u00e1gua quente do mar atingindo as plataformas de gelo e derretendo-as de baixo para cima. Como a regi\u00e3o ant\u00e1rtica \u00e9 em geral muito mais fria que o \u00c1rtico, o degelo superficial no ver\u00e3o (de cima para baixo, por assim dizer) \u00e9 m\u00ednimo. Um estudo publicado em 2014 pelo glaciologista Ian Joughin, da Universidade de Washington, estimou que, na aus\u00eancia de derretimento superficial, o colapso da geleira Thwaites, uma das quatro maiores da Ant\u00e1rtida Ocidental, se completaria em 200 a 900 anos.<\/p>\n<p>Pollard e DeConto, por\u00e9m, olharam para o passado e viram que as contas n\u00e3o batem. H\u00e1 125 mil anos, no \u00faltimo per\u00edodo quente antes da Era do Gelo, o n\u00edvel do mar subiu cerca de 10 metros no mundo \u2013 com uma contribui\u00e7\u00e3o substantiva da Ant\u00e1rtida Ocidental. No Plioceno, h\u00e1 3,5 milh\u00f5es de anos, a eleva\u00e7\u00e3o foi de dezenas de metros, talvez 20 metros ou mais. No interglacial, os n\u00edveis de CO2 na atmosfera jamais ultrapassaram 300 partes por milh\u00e3o, e n\u00f3s j\u00e1 estamos em 400, n\u00edvel semelhante ao do Plioceno \u2013 a uma taxa anual de emiss\u00f5es que \u00e9 a mais alta dos \u00faltimos 66 milh\u00f5es de anos. Seria l\u00f3gico esperar que algo fosse capaz de desestabilizar grandes por\u00e7\u00f5es da Ant\u00e1rtida com essa concentra\u00e7\u00e3o de carbono na atmosfera. Mas o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Entra em cena o glaciologista Richard Alley, tamb\u00e9m da Pensilv\u00e2nia. H\u00e1 alguns anos, ele prop\u00f4s que mesmo um degelo superficial pequeno em um ano excepcionalmente quente seria capaz de fraturar plataformas de gelo, gra\u00e7as \u00e0 \u00e1gua acumulada em po\u00e7as que escorre por fendas naturais. Isso acontece corriqueiramente na Groenl\u00e2ndia e ocorreu pelo menos uma vez na Ant\u00e1rtida: em 2002, quando a plataforma de gelo Larsen B se rompeu em pouco mais de um m\u00eas. Em algumas geleiras, esse derretimento superficial pode criar instabilidades que levam toda a geleira a desmoronar.<\/p>\n<p>Ao inclu\u00edrem esse mecanismo num modelo de computador, DeConto e Pollard viram era poss\u00edvel replicar com mais fidelidade o aumento do n\u00edvel do mar no Plioceno e no \u00faltimo per\u00edodo interglacial. O modelo foi, ent\u00e3o, usado para projetar o degelo da Ant\u00e1rtida at\u00e9 2100 e at\u00e9 2500 segundo tr\u00eas cen\u00e1rios de emiss\u00f5es do IPCC: o otimista, o mediano (considerado atualmente o mais prov\u00e1vel) e o pessimista.<\/p>\n<p>A dupla verificou que, no cen\u00e1rio m\u00e9dio, a Ant\u00e1rtida contribui com 58 cm para o n\u00edvel do mar em 2100, e 114 cm no cen\u00e1rio pessimista no mesmo ano. Em 2500, o aumento a contribui\u00e7\u00e3o chega a 17 metros.<\/p>\n<p>\u201cO derretimento superficial provavelmente pode acelerar o ritmo de retra\u00e7\u00e3o do manto de gelo e de quebra de plataformas de gelo\u201d, diz Ian Joughin. \u201cAcho que ainda \u00e9 preciso fazer muita coisa para criar par\u00e2metros melhores no modelo nos processos que levam \u00e0 quebra de plataformas de gelo. Ent\u00e3o, embora haja potencial para causar a desintegra\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida da geleira Thwaites, eu acho que nossos resultados que indicam 200 a 900 anos ainda s\u00e3o v\u00e1lidos, embora [o novo estudo] provavelmente aponte para o prazo mais curto desse intervalo.\u201d<\/p>\n<p>O estudo foi publicado na \u00faltima quinta-feira (31) no peri\u00f3dico Nature.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colapso de partes do manto de gelo do continente austral pode, sozinho, elevar o n\u00edvel<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40126,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/degelo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Colapso de partes do manto de gelo do continente austral pode, sozinho, elevar o n\u00edvel","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40124"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40124"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40124\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}