{"id":40078,"date":"2016-04-04T11:00:37","date_gmt":"2016-04-04T14:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40078"},"modified":"2016-04-03T19:47:41","modified_gmt":"2016-04-03T22:47:41","slug":"rio-sao-francisco-guarda-belezas-de-petrolina-e-juazeiro-ate-a-foz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/rio-sao-francisco-guarda-belezas-de-petrolina-e-juazeiro-ate-a-foz\/","title":{"rendered":"Rio S\u00e3o Francisco guarda belezas de Petrolina e Juazeiro at\u00e9 a foz"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/rio_sao_francisco.jpg\" rel=\"attachment wp-att-40079\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-40079\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/rio_sao_francisco-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/rio_sao_francisco-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/rio_sao_francisco.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O rio de todos os brasileiros tem \u00e1gua para todos que precisam dele? S\u00e3o muitos os interesses em jogo, e o clima n\u00e3o tem ajudado, acentuando conflitos. \u00c9 o que mostra o mostra o rep\u00f3rter Alberto Gaspar, no encerramento da s\u00e9rie sobre o Rio S\u00e3o Francisco, que chega at\u00e9 o mar.<\/p>\n<p>Barragens e enormes estruturas de concreto fazem do Rio S\u00e3o Francisco o mais controlado dos grandes rios brasileiros. Domado, para produzir energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>A cada usina a \u00e1gua primeiro \u00e9 acumulada. Depois, desaparece em enormes tubula\u00e7\u00f5es, move turbinas e ressurge na quantidade que o homem determina. Repetidas vezes: Itaparica, Paulo Afonso, Xing\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>Encravada num pared\u00e3o da cachoeira de Paulo Afonso, a casa de m\u00e1quinas da Usina de Angiquinho nos d\u00e1 a dimens\u00e3o do desafio que ela representou, em 1913. Obra do empres\u00e1rio Delmiro Gouveia. Ele foi o primeiro a realizar o que j\u00e1 se imaginava h\u00e1 tempos.<\/p>\n<p>\u201cDesde o tempo do Imp\u00e9rio, quando Dom Pedro II contrata o engenheiro Halfeld para fazer um estudo do S\u00e3o Francisco do ponto de vista da irriga\u00e7\u00e3o, interliga\u00e7\u00e3o com outros rios do Nordeste e tamb\u00e9m pra gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica\u201d, diz Fl\u00e1vio Motta, gerente regional de opera\u00e7\u00f5es Chesf.<\/p>\n<p>Um museu em Paulo Afonso guarda um exemplar original do atlas do S\u00e3o Francisco, de Pirapora at\u00e9 a foz. Trabalho t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m art\u00edstico, do engenheiro alem\u00e3o Henrique Halfeld. O livro \u00e9 de 1860. O imperador Dom Pedro visitou a regi\u00e3o um ano antes.<\/p>\n<p>Ele navegou pelo S\u00e3o Francisco a partir do mar. Desembarcou em Piranhas. Cidadezinha de encher os olhos. \u201cApenas os homens subiram o rio S\u00e3o Francisco. Cerca de cem homens vieram com o imperador. A pr\u00f3pria imperatriz ficou em Macei\u00f3, capital alagoana\u201d, conta Jairo Luiz Oliveira, pesquisador.<\/p>\n<p>Antes de seguir viagem a cavalo, o imperador descansou algumas horas em um casar\u00e3o e teve tempo de reproduzir em desenho a paisagem que viu da janela.<\/p>\n<p>Artista e protetor das artes, o imperador gostaria de saber que a casa onde ele tirou aquela sonequinha, hoje \u00e9 sede do conservat\u00f3rio musical da cidade e da banda filarm\u00f4nica de Piranhas. Bem afinado, um painel da popula\u00e7\u00e3o local. Gente de todas as idades e atividades. Os ensaios acontecem sempre nos fins de tarde. At\u00e9 anoitecer.<\/p>\n<p>O trecho do rio mais explorado pelo turismo tem como destaque os passeios pelo c\u00e2nion de 65 quil\u00f4metros de extens\u00e3o. Talhado na pedra, pela natureza, ao longo de milh\u00f5es de anos e com milh\u00f5es de detalhes. Aqui e ali, percebe-se a m\u00e3o do homem e a devo\u00e7\u00e3o por S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>No caminho, os turistas se refrescam em algumas paradas e confirmamos: toda a beleza do S\u00e3o Francisco atrai gente de toda parte.<\/p>\n<p>Os pared\u00f5es de rocha, que j\u00e1 s\u00e3o impressionantes, na verdade j\u00e1 foram muito maiores em rela\u00e7\u00e3o ao rio. O S\u00e3o Francisco subiu. Antes de ser represado novamente, a profundidade m\u00e9dia era de 30 metros. Hoje, s\u00e3o 90 metros.<\/p>\n<p>Parte da hist\u00f3ria que acabou inundada foi resgatada. Mais de 20 anos depois, em um museu arqueol\u00f3gico, especialistas ainda separam e estudam ossos, rochas, centenas de milhares de pe\u00e7as, pequenos fragmentos. Sinais de ocupa\u00e7\u00f5es humanas com at\u00e9 nove mil anos.<\/p>\n<p>\u201cAs mais antigas eram de ca\u00e7adores, coletores, as mais recentes de ceramistas. Era um povo pac\u00edfico, a gente n\u00e3o encontra marcas de viol\u00eancia. Todos vivendo em fun\u00e7\u00e3o do rio\u201d, diz Elaine Alves de Santana, arque\u00f3loga.<\/p>\n<p>Dos ribeirinhos de hoje, entre Sergipe e Alagoas, o que se ouve \u00e9 uma enxurrada de queixas, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s usinas hidrel\u00e9tricas. Na cidade P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, o ambientalista Antonio Jackson Borges Lima diz que elas reduzem a quantidade e afetam a qualidade da \u00e1gua no baixo S\u00e3o Francisco. \u201cEla passa por este processo de filtragem nas barragens e isso perde a qualidade do ponto de vista de produ\u00e7\u00e3o, a \u00e1gua fica pobre. Para o turismo \u00e9 uma maravilha, mas para produzi fica pobre. O peixe n\u00e3o desova porque a \u00e1gua t\u00e1 limpa e o predador come\u201d, declara.<\/p>\n<p>Guardi\u00e3s de um ponto de bordado que s\u00f3 se encontra na regi\u00e3o, o boa noite, as pescadoras da Ilha do Ferro dizem que o artesanato que era complemento de renda, est\u00e1 virando ganha-p\u00e3o.\u00a0 \u201cO rio est\u00e1 morrendo e est\u00e1 acabando o peixe e a gente est\u00e1 ficando sem sa\u00edda\u201d, diz uma moradora.<\/p>\n<p>\u201cSe for para gerar energia, a gente n\u00e3o tem como pescar. E sem o peixe, a gente n\u00e3o tem como pagar a energia que vamos usar\u201d, declara Maria da Concei\u00e7\u00e3o Corrente, pescadora.<\/p>\n<p>A libera\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pelas hidrel\u00e9tricas, onde o m\u00ednimo estabelecido em acordos era de 1.300 metros c\u00fabicos, ou 1.3 milh\u00e3o de litros de \u00e1gua por segundo, caiu para 800 metros c\u00fabicos, no fim do ano passado.<\/p>\n<p>A companhia de saneamento de Sergipe diz que com o rio nesse n\u00edvel, a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em Propri\u00e1, j\u00e1 esteve amea\u00e7ada de colapso. A esta\u00e7\u00e3o abastece um milh\u00e3o de pessoas, inclusive em Aracaju.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s j\u00e1 estamos no limite cr\u00edtico da nossa operacionalidade para o abastecimento\u201d, informa Claudio Machado Mendon\u00e7a Filho, gerente de meio ambiente Deso.<\/p>\n<p>Segundo a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas, a ANA, o rio n\u00e3o est\u00e1 morrendo e tem \u00e1gua para atender a todos. Mas enfrenta a pior seca em vinte anos e a diminui\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o era inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 sempre atender a todos os usos que est\u00e3o na bacia, da melhor forma poss\u00edvel, e fazer com que os reservat\u00f3rios durem o maior tempo poss\u00edvel. O pior dos cen\u00e1rios \u00e9 voc\u00ea esgotar o reservat\u00f3rio e interromper todos os usos. \u00c9 isso que n\u00e3o se deseja, em nenhuma hip\u00f3tese\u201d, explica Patrick Thomas, superintendente adjunto de Regula\u00e7\u00e3o \u2013 ANA.<\/p>\n<p>Em Penedo, Alagoas, o banco de areia bem no meio do rio \u00e9 ponto tur\u00edstico. A cidade do s\u00e9culo 16, tamb\u00e9m atrai muita gente pela hist\u00f3ria, a arquitetura barroca das constru\u00e7\u00f5es e das igrejas.<\/p>\n<p>Do outro lado do rio, em Santana do S\u00e3o Francisco, a principal atra\u00e7\u00e3o, que ocupa 70% da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 o artesanato em argila.<\/p>\n<p>Uma marca registrada, no artesanato da regi\u00e3o \u00e9 um certo detalhe em figuras humanas: o p\u00e9 grande. Marca registrada, mas n\u00e3o muito.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou com Jos\u00e9 Roberto Freitas, o Beto Pez\u00e3o, na juventude dele. Era para equilibrar as pe\u00e7as, sem ter que colar uma base. Foi um sucesso. Beto se tornou um artista sofisticado, reconhecido, que viajou o mundo com seu trabalho e que n\u00e3o se importa nem um pouco que o povo de Santana aproveite a ideia dele.<\/p>\n<p>Ele critica \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do rio. Diz que a pr\u00f3pria argila piorou. Perdeu metais e ficou mais org\u00e2nica. Cria fungos. As pe\u00e7as em barro natural acabam manchadas. \u201cO fungo que vem de dentro para fora mancha a pe\u00e7a toda. Fica muito feia a pe\u00e7a\u201d, conta.<\/p>\n<p>Cruzamos o S\u00e3o Francisco entre as duas \u00faltimas cidades, antes da foz: Brejo Grande e Pia\u00e7abu\u00e7u. Tradicional regi\u00e3o produtora de arroz, com irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem \u00e1reas com alta produtividade, como a que faz parte de um per\u00edmetro irrigado de 2.500 hectares de arroz. Ao mesmo tempo, em outros pontos, a briga do S\u00e3o Francisco com o mar j\u00e1 traz problemas e mostra a desvantagem do rio.<\/p>\n<p>Nas terras de um agricultor da regi\u00e3o, o terreno chegou a ser preparado, mas Joaquim Machado Eug\u00eanio desistiu de plantar por medo da \u00e1gua salinizada. \u201cO risco era de inviabilizar a atividade, matar a planta do arroz. Optamos por aguardar pelo per\u00edodo de chuvas\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que diz a m\u00fasica, hoje \u00e9 o mar que est\u00e1 batendo no &#8220;mei&#8221; do rio. Cada vez mais, dizem as pesquisas. \u201cA entrada dessa cunha salina, da foz at\u00e9 mais acima de Pia\u00e7abu\u00e7u, d\u00e1 15 quil\u00f4metros\u201d, explica Neuma Rubia Figueiredo Santana, pesquisadora &#8211; Universidade Federal de Sergipe.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o do assentamento de Saram\u00e9m foi deslocada h\u00e1 16 anos, quando o povoado do Cabe\u00e7o foi engolido pelo mar. S\u00f3 restou um farol fora d`\u00e1gua. A ironia \u00e9 que agora a \u00e1gua salgada est\u00e1 chegando pela torneira. A de beber \u00e9 preciso ir buscar num po\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>A viagem do Globo Rural pelo S\u00e3o Francisco vai terminando onde o doce e o salgado, o azul e o verde, se encontram. O nome do barco que conduz a equipe de reportagem chama-se Vesp\u00facio, homenagem a quem botou no mapa o rio que os \u00edndios chamavam de Opar\u00e1 &#8211; rio-mar na l\u00edngua tupi -, o navegador Am\u00e9rico Vesp\u00facio.<\/p>\n<p>Vesp\u00facio vinha mapeando a costa quando topou com o enorme rio. Consultou o calend\u00e1rio cat\u00f3lico, como era costume, na \u00e9poca, e estava l\u00e1: dia de Sao Francisco de Assis: 4 de outubro de 1501. Um ano depois do descobrimento de Pedro \u00c1lvares Cabral, que tinha dado \u00e0 nova terra o nome de Vera Cruz. \u00c9 isso mesmo&#8230; Rio de tantas caras, de tanta gente, de tantas hist\u00f3rias, de todos os brasileiros, no final das contas, o S\u00e3o Francisco j\u00e1 era S\u00e3o Francisco antes do Brasil ser Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rio de todos os brasileiros tem \u00e1gua para todos que precisam dele? 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