{"id":40070,"date":"2016-04-04T09:00:05","date_gmt":"2016-04-04T12:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40070"},"modified":"2016-04-03T19:39:47","modified_gmt":"2016-04-03T22:39:47","slug":"pesquisadora-alerta-que-juazeiro-da-caatinga-esta-fortemente-ameacado-por-praga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadora-alerta-que-juazeiro-da-caatinga-esta-fortemente-ameacado-por-praga\/","title":{"rendered":"Pesquisadora alerta que Juazeiro da Caatinga est\u00e1 fortemente amea\u00e7ado por praga"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro.jpg\" rel=\"attachment wp-att-40071\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-40071\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Popularmente conhecida como Ju\u00e1, a \u00e1rvore \u00e9 uma das esp\u00e9cies-chave para o desenvolvimento regional e seu comprometimento acarreta diversos preju\u00edzos em termos ambientais, cient\u00edficos e socioecon\u00f4micos.<\/p>\n<p>O juazeiro, uma das mais importantes e bem distribu\u00eddas esp\u00e9cies nativas do Semi\u00e1rido brasileiro, encontra-se seriamente amea\u00e7ado por uma praga de fit\u00f3fagos (invertebrados que se alimentam de vegetais e atingem diretamente a seiva da planta).<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 da pesquisadora Alecksandra Vieira de Lacerda, do Centro de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Semi\u00e1rido, da Universidade Federal de Campina Grande (CDSA\/UFCG), com base em resultados de pesquisa realizada com popula\u00e7\u00e3o de juazeiros dos ecossistemas da microrregi\u00e3o do Cariri Ocidental paraibano.<\/p>\n<p>A pesquisadora que coordena o Laborat\u00f3rio de Ecologia e Bot\u00e2nica do CDSA e lidera o Grupo de Pesquisa em Conserva\u00e7\u00e3o Ecossist\u00eamica e Recupera\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Degradadas executou, com sua equipe, um rastreamento e coleta de v\u00e1rias amostras de juazeiros para an\u00e1lise e identifica\u00e7\u00e3o das causas e consequ\u00eancias do ataque dessa praga.<\/p>\n<p>J\u00e1 foram realizadas a coleta e an\u00e1lise de 70% das amostras de juazeiros do Cariri Ocidental e encontra-se em fase de conclus\u00e3o os 30% restantes. Denominado cientificamente de Ziziphus joazeiro Mart., o juazeiro pertence \u00e0 fam\u00edlia bot\u00e2nica Rhamnaceae, apresenta-se como \u00e1rvores de 4 a 5 metros altura, possui espinhos com ramos tortuosos, castanhos a acinzentados; as folhas s\u00e3o ovais e as flores s\u00e3o pequenas com p\u00e9talas em formato de conchas.<\/p>\n<p>O fruto \u00e9 de colora\u00e7\u00e3o amarelo pardo, sendo comest\u00edvel, doce, com elevados teores de vitamina C e com uma \u00fanica semente. Impactos da praga Os fatores de frequ\u00eancia do ataque dos fit\u00f3fagos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de juazeiros indicam uma forte preocupa\u00e7\u00e3o com esta esp\u00e9cie dos sistemas ecol\u00f3gicos do Semi\u00e1rido. \u201cEstamos apreensivos com os fatores que ocasionam um claro desequil\u00edbrio nas rela\u00e7\u00f5es planta-animal dos ecossistemas, os quais est\u00e3o atingindo e podendo levar \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da biodiversidade e das respectivas escalas de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dependentes dos recursos biol\u00f3gicos\u201d, reflete a pesquisadora.<\/p>\n<p>Popularmente conhecida como Ju\u00e1, a \u00e1rvore \u00e9 uma das esp\u00e9cies-chave para o desenvolvimento regional e seu comprometimento acarreta diversos preju\u00edzos em termos ambientais, cient\u00edficos e socioecon\u00f4micos. Na dimens\u00e3o ambiental, considera-se que o juazeiro \u00e9 uma esp\u00e9cie que exerce um papel funcional de extrema relev\u00e2ncia no que se refere ao equil\u00edbrio dos ecossistemas, sobretudo por meio do fornecimento de energia para a fauna.<\/p>\n<p>Assim, sua redu\u00e7\u00e3o populacional ou o seu desaparecimento pode provocar impactos negativos em ordem crescente e em escalas cumulativas. No \u00e2mbito cient\u00edfico, considerando o cen\u00e1rio atual da pesquisa e sua rela\u00e7\u00e3o com a descoberta dos potenciais da biodiversidade e seus valores ecossist\u00eamicos, ressalta-se que perdas ou redu\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00f5es, a exemplo do juazeiro, ir\u00e3o definitivamente gerar enormes preju\u00edzos em fun\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de dados para os pesquisadores que se dedicam a eixos tem\u00e1ticos como a biologia da conserva\u00e7\u00e3o e a din\u00e2mica de popula\u00e7\u00f5es nos sistemas ecol\u00f3gicos do Semi\u00e1rido brasileiro.<\/p>\n<p>Na dimens\u00e3o socioecon\u00f4mica, o juazeiro se reveste, no cen\u00e1rio atual, como detentor de grande potencial a ser explorado para a gera\u00e7\u00e3o de renda e melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das pessoas. Os frutos do juazeiro, do tamanho de uma cereja, s\u00e3o comest\u00edveis e utilizados para fazer geleia, al\u00e9m de possu\u00edrem uma casca rica em saponina (usada para fazer sab\u00e3o e produtos de limpeza para o cabelo e os dentes).<\/p>\n<p>\u00c9 h\u00e1bito comum entre alguns agricultores e agricultoras do Semi\u00e1rido brasileiro raspar a casca do juazeiro como estrat\u00e9gia barata e eficiente para substituir o creme dental na higiene bucal, o que revela o potencial da \u00e1rvore para explora\u00e7\u00e3o industrial nesse ramo. Desta forma, os impactos negativos que atingem esta popula\u00e7\u00e3o podem significar perdas relevantes nesta dimens\u00e3o. Potencial econ\u00f4mico Esta esp\u00e9cie end\u00eamica da Caatinga apresenta grande potencial econ\u00f4mico, podendo ser utilizada como ornamental, na medicina popular, na fabrica\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9ticos e na alimenta\u00e7\u00e3o de animais.<\/p>\n<p>Na medicina popular \u00e9 utilizada como expectorante, no tratamento de bronquites e de \u00falceras g\u00e1stricas; na fabrica\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9ticos, \u00e9 utilizado para produ\u00e7\u00e3o de xampus anticaspa e creme dental (o seu uso em xampus se deve \u00e0 presen\u00e7a de saponinas em v\u00e1rias partes da planta); na alimenta\u00e7\u00e3o de animais, \u00e9 usado principalmente nos per\u00edodos de estiagem. Suas flores s\u00e3o importantes fontes de recurso alimentar para abelhas ind\u00edgenas sem ferr\u00e3o da tribo Meliponini, as quais s\u00e3o utilizadas na meliponicultura, sendo atividade alternativa de renda para produtores de algumas \u00e1reas de Caatinga.<\/p>\n<p>Apesar da grande utilidade, a explora\u00e7\u00e3o do juazeiro se limita ao extrativismo e s\u00e3o poucos os conhecimentos capazes de contribuir para o desenvolvimento tecnol\u00f3gico da cultura. Segundo a professora Lacerda, os dados s\u00e3o preocupantes, uma vez que s\u00e3o diversos os fatores que est\u00e3o ocasionando desequil\u00edbrio nos ecossistemas, atingindo e podendo levar \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da biodiversidade e das respectivas escalas de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dependentes desse recurso biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Conserva\u00e7\u00e3o As an\u00e1lises est\u00e3o em andamento e os apontamentos alertam e direcionam para a import\u00e2ncia de se assumir um compromisso dos atores sociais com a biodiversidade regional, garantindo fatores de conserva\u00e7\u00e3o para se gerar um desenvolvimento pautado nos princ\u00edpios da sustentabilidade, revertendo esse problema de grande escala. Inicialmente, tem-se que investigar a amplitude do problema sequenciado com a defini\u00e7\u00e3o das causas e consequ\u00eancias e isso muito bem relacionado com os condicionantes que envolvem as rela\u00e7\u00f5es planta-animal.<\/p>\n<p>\u201cO conhecimento gerado ir\u00e1 definir fortemente as estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o desta popula\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia dos ecossistemas do Semi\u00e1rido brasileiro. Vamos todos numa a\u00e7\u00e3o coletiva proteger a nossa riqueza biol\u00f3gica, faz-se necess\u00e1rio garantir a exist\u00eancia do juazeiro\u201d, alerta Lacerda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Popularmente conhecida como Ju\u00e1, a \u00e1rvore \u00e9 uma das esp\u00e9cies-chave para o desenvolvimento regional e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40071,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/juazeiro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Popularmente conhecida como Ju\u00e1, a \u00e1rvore \u00e9 uma das esp\u00e9cies-chave para o desenvolvimento regional e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40070"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40070"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40070\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40071"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}