{"id":40000,"date":"2016-04-02T13:55:21","date_gmt":"2016-04-02T16:55:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=40000"},"modified":"2016-04-02T13:55:21","modified_gmt":"2016-04-02T16:55:21","slug":"codevasf-aponta-reaparecimento-do-curimata-pioa-no-baixo-sao-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/codevasf-aponta-reaparecimento-do-curimata-pioa-no-baixo-sao-francisco\/","title":{"rendered":"Codevasf aponta reaparecimento do Curimat\u00e3 Pioa no baixo S\u00e3o Francisco"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata.jpg\" rel=\"attachment wp-att-40001\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-40001\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O projeto de monitoramento de peixes (ictiol\u00f3gico), realizado desde 2009 no Baixo S\u00e3o Francisco pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do S\u00e3o Francisco e do Parna\u00edba (Codevasf), revelou o retorno da esp\u00e9cie curimat\u00e3 pioa \u00e0 regi\u00e3o. O peixe \u00e9 end\u00eamico da bacia hidrogr\u00e1fica do rio S\u00e3o Francisco, onde \u00e9 popularmente conhecido como bamb\u00e1 piau.<\/p>\n<p>De acordo com relatos de pescadores, comprovados pelo monitoramento, a esp\u00e9cie estava praticamente desaparecida na \u00e1rea. Agora os t\u00e9cnicos da Codevasf v\u00e3o aprofundar os estudos para identificar se o retorno da esp\u00e9cie est\u00e1 relacionado aos peixamentos realizados pela Companhia, que desde 2014 produz a esp\u00e9cie em centros especializados e a insere no S\u00e3o Francisco por meio de peixamentos.<\/p>\n<p>A captura da esp\u00e9cie foi uma surpresa para a equipe do projeto, formada por t\u00e9cnicos da Codevasf com forma\u00e7\u00e3o multidisciplinar que atuam no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Iti\u00faba (Ceraqua S\u00e3o Francisco), centro tecnol\u00f3gico e cient\u00edfico da Codevasf localizado em Porto Real do Col\u00e9gio (AL).<\/p>\n<p>Segundo pescadores da regi\u00e3o, a esp\u00e9cie prefere locais mais profundos, com pedras e correnteza. Diante disso, os t\u00e9cnicos do Ceraqua S\u00e3o Francisco trabalham com a hip\u00f3tese de reaparecimento da curimat\u00e3 pioa e de aumento da popula\u00e7\u00e3o como resultado dos peixamentos da Codevasf, j\u00e1 que o trecho em que o peixe foi capturado n\u00e3o \u00e9 o mais comum para essa esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>\u201cEm 2015, conseguimos capturar no trabalho de monitoramento duas esp\u00e9cies nativas que antes n\u00e3o apareciam: a matrinx\u00e3 e a bamb\u00e1 piau. O monitoramento teve in\u00edcio em 2009, e desde ent\u00e3o essas esp\u00e9cies n\u00e3o eram encontradas\u201d, explica o engenheiro qu\u00edmico Marcos Vin\u00edcius Teles Gomes, Doutor em Biotecnologia e coordenador do projeto de Monitoramento Ictiol\u00f3gico realizado pela Codevasf.<\/p>\n<p>No trabalho de captura, s\u00e3o utilizadas redes com malhas que variam de tr\u00eas a 16 cent\u00edmetros entre os n\u00f3s, mantidas em trechos do rio S\u00e3o Francisco por aproximadamente 14 horas. &#8220;Geralmente, colocamos essas redes em locais de remanso, com \u00e1guas mais calmas, para que n\u00e3o sejam arrastadas rio abaixo.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com Gomes, a partir de estudos de biologia pesqueira, ser\u00e3o investigadas a estrutura das popula\u00e7\u00f5es existentes e introduzidas, a captura por unidade de esfor\u00e7o em n\u00famero e biomassa de peixes, est\u00e1gios de matura\u00e7\u00e3o, biometria e rela\u00e7\u00f5es tr\u00f3ficas.<\/p>\n<p>\u201cEm parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), realizamos estudos de biologia molecular, com o intuito de determinar se um indiv\u00edduo capturado no rio \u00e9 resultado dos peixamentos realizados pela Codevasf. Coletamos amostras da calda dos reprodutores utilizados no Ceraqua para comparar com o material gen\u00e9tico das esp\u00e9cies capturadas no rio S\u00e3o Francisco e determinar o grau de parentesco\u201d, diz o engenheiro qu\u00edmico.<\/p>\n<p>O pescador Jos\u00e9 Lessa pesca desde os dez anos com o pai. Hoje, com 72 anos, ele sente a falta da bamb\u00e1 piau (curimat\u00e3 pioa). \u201cTudo eu conhe\u00e7o do rio. Sei pescar. Sei nadar. Tudo eu fa\u00e7o. Ent\u00e3o, para mim, a bamba piau estava extinta, pois n\u00e3o era encontrada\u201d, afirma em uma banca de peixe em Porto Real do Col\u00e9gio, cidade localizada \u00e0s margens do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Para o presidente da Col\u00f4nia de Pescadores Z-35, Lealdo Vilela, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil diferenciar a xira, como \u00e9 conhecida na regi\u00e3o a esp\u00e9cie curimat\u00e3 pacu, da curimat\u00e3 pioa. Isso pode dificultar para o pescador o reconhecimento da esp\u00e9cie que est\u00e1 sendo capturada na pesca. \u201cPor toda a vida, a minha profiss\u00e3o foi pescador. J\u00e1 pesquei no mar. J\u00e1 pesquei em \u00e1guas doces. Para nossa experi\u00eancia na pesca aqui no Baixo S\u00e3o Francisco, especialmente em Porto Real do Col\u00e9gio, ter\u00edamos como reconhecer esse peixe se fosse criado em cativeiro. Ela pode at\u00e9 ser encontrada no rio, mas passa despercebido como se fosse a xira ou o bamba. Quando o pescador pega uma xira, fica com tanta alegria que n\u00e3o repara qual pescou. Prestando aten\u00e7\u00e3o, voc\u00ea ver\u00e1 que existe mesmo uma diferen\u00e7a\u201d, afirma Vilela.<\/p>\n<p>O Centro de Aquicultura de Iti\u00faba realiza a reprodu\u00e7\u00e3o artificial em laborat\u00f3rio de esp\u00e9cies de peixes nativas do rio. \u201cA Codevasf vem realizando a recomposi\u00e7\u00e3o da ictiofauna, reparando danos causados ao ambiente aqu\u00e1tico no \u00e2mbito do Programa de Revitaliza\u00e7\u00e3o da Bacia do Rio S\u00e3o Francisco. Esse resultado aponta que o trabalho de peixamentos est\u00e1 dando um retorno positivo ao repor o estoque natural de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, entre essas a curimat\u00e3 pioa\u201d, afirma \u00c1lvaro Albuquerque, chefe do Centro. \u201cApesar de a quantidade de peixes que colocamos ser reduzida em compara\u00e7\u00e3o com a quantidade reproduzida naturalmente na piracema, vemos resultados importantes com a curimat\u00e3 pioa de que h\u00e1 repara\u00e7\u00e3o aos danos sofridos pelo rio S\u00e3o Francisco\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Outras esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o ou com estoque pesqueiro reduzido na regi\u00e3o do Baixo S\u00e3o Francisco tamb\u00e9m s\u00e3o objeto de reprodu\u00e7\u00e3o artificial e de a\u00e7\u00f5es de repovoamento, como a matrinx\u00e3 e a curimat\u00e3 pacu. H\u00e1 ainda esp\u00e9cies como o surubim e o mandi que est\u00e3o sendo estudados para dom\u00ednio da tecnologia de propaga\u00e7\u00e3o artificial em maior escala. O sucesso dos trabalhos de monitoramento ictiol\u00f3gico que s\u00e3o conduzidos pela Codevasf contam com a importante participa\u00e7\u00e3o de outras institui\u00e7\u00f5es, como a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal).<\/p>\n<p><strong>Curimat\u00e3 pioa<\/strong><\/p>\n<p>A curimat\u00e3 pioa, cujo nome cient\u00edfico \u00e9 <em>Prochilodus costatus Valenciennes<\/em>, \u00e9 uma esp\u00e9cie de peixe end\u00eamica da bacia do rio S\u00e3o Francisco, migradora e detrit\u00edvora, ou seja, alimenta-se de restos org\u00e2nicos, que pode alcan\u00e7ar at\u00e9 6 quilos de peso corporal. Durante o per\u00edodo de piracema, a esp\u00e9cie realiza grandes migra\u00e7\u00f5es com o est\u00edmulo natural \u00e0 ovula\u00e7\u00e3o. A partir de barramentos no rio S\u00e3o Francisco, essa esp\u00e9cie praticamente desapareceu da regi\u00e3o do Baixo S\u00e3o Francisco, sendo muitas vezes desconhecida pelos pescadores mais jovens e comunidade em geral.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do diretor da \u00c1rea de Revitaliza\u00e7\u00e3o das Bacias Hidrogr\u00e1ficas da Codevasf, o engenheiro de pesca Eduardo Motta, a tecnologia de reprodu\u00e7\u00e3o artificial, dominada pela Companhia desde a d\u00e9cada de 1970, est\u00e1 sendo fundamental para reverter o quadro de reduzido estoque pesqueiro de esp\u00e9cies nativas do rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>\u201cPara reverter esse quadro, as equipes t\u00e9cnicas dos Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura da Companhia passaram a intensificar a tecnologia de reprodu\u00e7\u00e3o artificial para produ\u00e7\u00e3o de alevinos de esp\u00e9cies nativas, que s\u00e3o inseridas em grande escala na natureza por meio de peixamentos p\u00fablicos realizados pela empresa com a participa\u00e7\u00e3o da comunidade ribeirinha\u201d, aponta Motta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projeto de monitoramento de peixes (ictiol\u00f3gico), realizado desde 2009 no Baixo S\u00e3o Francisco pela<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40001,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/curimata.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O projeto de monitoramento de peixes (ictiol\u00f3gico), realizado desde 2009 no Baixo S\u00e3o Francisco pela","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40000"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40000"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40000\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40001"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}